Tu capitulaste, Pedro!

(Joaquim Vassalo Abreu, 25/01/2017)

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Eu não vou voltar a falar dos inúmeros conselhos que já te dei, já amplamente aqui divulgados, mas dos quais tu fizeste sempre letra morta. O mesmo fiz ao Seguro e sabes bem o que lhe aconteceu. Mas pronto. Tu fizeste as tuas escolhas e eu, pensando melhor agora, julgo saber porquê: Tu ficaste emocionado e comovido com a vitória de Trump! E viste ali o teu caminho…

…O caminho do “contra tudo”! E o do “Portugal acima de tudo”. E, ainda por cima, encontraste na Inglaterra mais uma aliada. E julgo que esqueceste mesmo a tua diva, a Merkl. E qual é o caminho, por ti sempre sonhado? Fazer de Portugal uma Singapura! Esse é que era e é o teu sonho. Um sonho interrompido pela própria Troika, que tu combateste querendo ir mais, muito mais além…

E, desolado e desiludido por o Povo não te ter feito justiça e ter feito seu o teu desígnio, tu desataste a ser contra tudo, pensando: se o Trump o fez e conseguiu, porque não eu?

Mas, ultimamente, apesar desse todo o teu assomo de afirmação, muito apreciada e compreendida pelos teus, exceptuando algumas vetustas ovelhas negras, que só conhecem o passado e do futuro nada sabem, de rejeição absoluta de toda e qualquer coisa que deste esquisito governo venha (e repara que já nem de Geringonça falo), tu afirmaste, preto no branco: É que não faltava mais nada! Sermos muletas do governo quando os seus radicais parceiros com ele não concordam? E reafirmaste: Nunca contem connosco! Em nada, nada mesmo. Nem na redução da TSU, nesses míseros 1,25%, aos Patrões. Que tu, e muita gente, assim apelida, mas a quem eu chamo simplesmente de Empresas. Repara só na subtileza da diferença. Atinges?

E disseste não aos Patrões, os tais a quem eu prefiro falar de Empresas. Sabes: É defeito meu, que toda a vida e durante quarenta e três anos, apenas trabalhei em Empresas Privadas, com Patrões, portanto e na tua análise! E aí, meu caro, alguém já escreveu e continua escrevendo, razão pela qual não desenvolvo porque ele desenvolverá, atiraste com a pólvora mais inócua: a seca! E não acompanhaste os teus: Os Patrões!

Mas eu recordei-me da tua relação com eles e, abrindo porta à memória recente, ali para 2012 e seguintes, descubro que a tua relação com eles foi sempre tudo menos pacífica. E chegaste mesmo ao cumulo de eles pensarem, não como o Povo diz que “a cavalo dado não se olha ao dente”, mas sim ao outro, que ele também diz: “quando a esmola é grande até um pobre (ou mesmo rico) desconfia”, que, perante tão generosa oferta até eles recusaram: Tu querias aumentar a taxa da Segurança Social sobre os trabalhadores em 7%, ao mesmo tempo que a mesma taxa diminuías aos Patrões. Coisa que, aposto, nem o Trump, quanto mais a May, alguma vez proporiam…

Eu sei que hoje, nesta era do vale tudo, a era Trump, tudo vale e hoje, se fosses poder e escudado pelo teu ídolo, tu novamente tentarias. E até farias o que os Republicanos parece que querem propor: proibir as manifestações pacíficas! Mas, felizmente, esses tempos ainda não chegaram a Portugal. Mas tu irias, tal como Trump, fazer tudo isso e muito mais, mas tudo em nome de não sei quantos “jobs”, “good jobs”, como ele diz…De quem? Ele ainda não disse.

Eu até aposto que se fosses governo tu serias o primeiro a ser recebido por Trump. E ir-lhe-ias fazer uma oferta irrecusável: irias oferecer a Base das Lages, que face ao novo mundo em perspectiva ganhará uma importância exponencial, em troca da sua tolerância com Portugal, protegendo as nossas águas e Plataforma Continental. E eu aí, sendo sincero, até acharia razoável porque seria bem melhor dar-lhe a Base das Lages do que a nossa Plataforma Continental. Essa mesma que alguns visionários, que não tu, insistem em afirmar ser a nossa maior riqueza.

Mas, mesmo alertando-te, mais uma vez, para a importância geoestratégica de um pensamento à distância em vez de um imediato tu, que tão forte foste na oposição a essa mísera oferta aos Patrões em troca do aumento do Salário Mínimo, esse mesmo que tu afirmas inviável e contra todos os pressupostos do crescimento económico (a tal Singapura), tu capitulaste: Tu cedeste!

Uma desilusão Pedro! Então esses tais Patrões que tu tanto prezas, a quem tu propuseste este mundo e o outro, acederam a aceitar um mísero desconto de 1,25%? Como é possível? E tu ainda foste perguntar-lhes: Vocês vão mesmo aceitar aumentar o Salário Mínimo, em troca desse prato de lentilhas?

Donde então resolveste escrever-lhes a carta, a famigerada Carta. Mas qual a sua mensagem? Simples: Que estão a ser chantageados por um Governo hipócrita e manipulador. Por um Presidente dissidente e apaziguador. Por um Conselho de Concertação obsoleto e castrado. E vesgo, para mais. Que o diálogo só leva a cedências. Que não confiem, no fundo, em nada disso…Que tudo não passa de um logro!

Um logro negociado, perguntaram-se eles, mais que perplexos?

Tu estás bem, Pedro? Confessa-me. Eu sou um tipo confiável e sei manter um segredo, Pedro. Eu sei que te mandaram enviar uns mensageiros para que levassem uns recados ao Presidente, mas eles, não os tendo bem decorado, meteram os pés pelas mãos.

Eu sei disso tudo e sei como te deves sentir frustrado. Mas queres um conselho, apenas mais um? E mais uma vez de graça?: Atira-te ao “gajo”!

Mas atirar-me a que “gajo”, perguntas tu? Ao Presidente, ora!

PS: Já reparaste na assinatura do Trump, Pedro? Aquilo não é só uma torre. são três! E o tipo só tem dois visíveis nomes. Tu tens três, Pedro! Que és tu menos que ele?

Mais uma vez Sincerely Yours, que em Português quer dizer: Conta comigo, Pedro!


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