A Cultura Inculta Dos NeoQualQuerCoisa!

(Jorge Bravo in Blog CincoLusosOceanos, 29/11/2013)

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Os Conhecimentos que não são obviamente úteis para uma carreira ao serviço das empresas de um mercado global, não têm lugar na visão Neoliberal do Conhecimento!

Por isso confundem sucesso, com sucesso material, e a adulação pelas honras que se procuram alcançar e os bens que se ostenta, com o êxito.

Tal leva-os a confundir a felicidade do homem com a sua capacidade de adquirir bens materiais e suas projecções, sempre que sejam susceptíveis de serem pagos e de isso ser tomado como a representação ostensiva do sucesso preconizado. É a exaltação do ter em vez do ser!

Consideram que ter abertura de espírito é ir com a maré, e essa é a melhor forma de acomodação ao presente, pelo que é inútil considerar outras alternativas que se lhe possam opor, e propagandeiam junto do cidadão que deve privilegiar o conhecimento técnico, ao conhecimento humano a cultura e o saber.

Ao deliberadamente não fomentarem a cultura, estão a fomentar a lei do menor esforço, porque “Para se ser aberto ao saber, há certas coisas que uma pessoa tem que conhecer, as quais a maioria das pessoas não está para se incomodar a aprender e parecem ser aborrecidas ou irrelevantes”.

Consideram que aprender, Literatura, Musica, Artes e Filosofia, com a consequente discussão do que é o homem, a ética e os valores e o belo é pura perca de tempo.

Procuram assim deixar o Cidadão desarmado perante o sistema, sem a capacidade de ser consciente e discutir o presente, e com isso ser capaz de por em causa a opinião dominante, e  ao serem armados com esses conhecimentos se tornarem indóceis de governar.

Por isso, tudo que torne facilmente acessível o saber humanístico e artístico, em suma a cultura, é algo a desencorajar, e tornar difícil de adquirir pelo cidadão comum, e isso passa por considerar uma inutilidade a cultura, excepto se ela puder ser ostentada por alguns como bem adquirido; os meus quadros, os meus livros raros, as minhas peças de arte, os meus concertos; e por aí fora, como uma representação do seu poder aquisitivo e do seu status.

Por isso ao considera despesa tudo o que seja cultura, o que se pretende é dificultar ao cidadão comum o ter acesso a um serviço público de Radio e Televisão de Qualidade, ou de Teatro, ou de Cinema ou Musica ou de outra forma de Arte com qualidade, tão só com o pretexto de ser um fardo despesista, e portanto pode e -deve ser descartável, sendo tal falácia tanto mais bem aceite, logo que a programação seja manifestamente indigente, como é hoje, fruto de anos e anos de manipulação da programação, para servir os interesses políticos dos governantes, e não os interesses culturais das populações.

Assim se compreende que um governo composto por Neoliberais,  na realidade uns NeoQualQuerCoisa, desprovidos de ética e valores tenha indiferença e até desprezo pela cultura, e pretenda privatizar um serviço público de Rádio e Televisão e até a Escola Pública, que constitucionalmente têm obrigação de manter e até melhorar.

Mas assim como é cuartado ao cidadão um abrangente conhecimento humanístico, também o conhecimento científico é superficial, ou quando profundo é sectorial. «(…) com o culto excessivo da especialização, os homens desaprendem a sua tarefa essencial de ser humanos e de entender os problemas fundamentais dos outros homens. A Universidade hoje, por exemplo, a Universidade americana, a alemã, podem formar técnicos excelentes mas rarissimamente formam homens.»

O NeoqualquerCoisa, ao fazer o encaminhar do Cidadão para uma generalidade chã e inútil, ou para uma “ultra-técnica” sectorial, limita-se a fornecer uma Semiformação, que  obstaculiza objectivamente a passagem da Educação e  Formação, à Formação Cultural e à Emancipação, que vai perpetuar a hegemonia da sua Industria Cultural ao converter pelos interesses do mercado a  Cultura em mercadoria cultural.  É a Cultura Inculta!

No fundo, o objectivo inconfessado dessa estratégia é desproteger o cidadão, fazendo-o terreno fértil para a aceitação acrítica da tirania, e a apascentação dócil pela governação “e pretendem encontrar a solução numa “educação” que os tranquilize e transforme em seres domesticados e inofensivos.”

–Cale-se, o que sabe disso! Não é especialista! Tem que ser assim, porque nós é que sabemos! Não há outra solução!

Evitando assim, consciente e inconscientemente, a reposição da Cultura, e em consequência da Ética e dos Valores como paradigmas da sociedade.


Fonte: A Cultura Inculta Dos NeoQualQuerCoisa! – CincoLusosOceanos

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2 pensamentos sobre “A Cultura Inculta Dos NeoQualQuerCoisa!

  1. Quando é que o ser humano entenderá que tudo é ele e como ele? Quando o entender certamente se ocupará mais empenhadamente em descobrir a maneira de a norma ética ser efetivamente praticada na família, na escola, na comunidade sem privilégios hereditários nem hierárquicos: a igualdade, a liberdade, a fraternidade. Este o sonho que o humano acalenta desde que se conhece:

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