O day after

(José Luis S. Curado in Facebook, 11/11/2016)

after

Depois de torrentes de certezas para esconder o que obviamente balançava no fio sobre as maiorias sociológicas, o kumentariado multiplica-se em palpites sobre o que vai ser.
O futuro é a especialidade deles, bolas de cristal em formato flat screen 4k.
Fazem-no sem vergonha do descrédito porque esse é o seu trabalho, moldar a realidade ao que favorece os seus mandantes.
Se não fosse assim, depois do fiasco Hillary Clinton tinham ido para a rua, abrindo vagas nos media de Nova Iorque a Lisboa…
Não.
Não tendo pretensões a adivinho, diria que o mesmo poder que preferia a marioneta HC aceita como plano B o menos previsível DT e que na mesma noite das surpresas começou a estender os seus tentáculos para penetrar a equipa que vai moldar Trump aos seus interesses, mesmo fazendo-o aceitar um aparentemente leve desvio que acabe por resultar num atalho para mais do mesmo.
A eloquência do we can de Obama deu-lhe o Nobel, mas foi apenas da Retórica da Paz, não da paz: não morreram menos pessoas durante os seus dois mandatos do que durante os do Georgie Walker.
O que mudou entre o discurso inaugural e esta vil despedida com o mundo à porta da destruição global?
Yes, they could…
But why didn’t they?
Como pode o brilhante Obama conviver com a decepção de milhões ante Gaza, Yemen, Iraque, Síria, Líbia?
O interesse dos que mandaram invadir o Iraque e inventar o daesh não mudou e não vai deixar de se fazer sentir no governo Trump.
O que mudou foi a expressão do descontentamento de todos os que pagam na economia interna o fabuloso crescimento da riqueza dos que prosperam com a deslocalização do trabalho e concentrando os lucros a uma escala realmente global.
Têm portanto tanto a perder que só lhes resta acelerar na estrada que abriram, de confrontação com os interesses dos que ainda não vergaram.
Não creio que, pese a retórica da cortesia diplomática, Rússia e China tenham ilusões.
No lugar deles, não desarmaria, pela simples razão de que as ameaças – bem vincadas pela sanguinária Hillary – não deixaram de o ser, pois o terreno não foi abandonado pelos DDT.
As marionetas europeias e asiáticas estão histéricas?
Fazem o papel que lhes está distribuído.

Os adivinhadores insistirão em prever o que convém aos que lhes pagam.

2 pensamentos sobre “O day after

  1. Ora aqui está uma análise, sucinta embora, que assinala de forma clara o que está em jogo nos EUA e no mundo: os interesses de um capitalismo selvagem – e seja de cor democrata seja de cor republicana – conseguiram dominar as nossas sociedades, através do “adormecimento/espectáculo” fomentado pelos vários media….

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