Quem quer casar com a carochinha?

(Estátua de Sal, 01/09/2015)

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O primeiro príncipe e pretendente era chinês. Trazia um cavalo branco como dote e esporas debruadas a ouro. Afinal o ouro era de fancaria e o pai da noiva pediu-lhe garantias de que, ao menos, tratasse bem a menina e lhe acautelasse a prole e a velhice. Nada feito. Na China navega-se à vista e não se pode garantir a eternidade a ninguém, por muito atraente que seja. Um imbróglio que se desfez quando o candidato teve que bater em retirada levando o cavalo branco pela arreata.

O segundo candidato era americano e tinha nome de Deus grego. Trazia um alfobre de barris de petróleo e uma caderneta de bilhetes vitalícia para a Disneylândia. Mas como o preço do petróleo estava em queda, e como todos os ventos vindos da Grécia só indiciavam maus casamentos, o pai Costa decidiu excluí-lo da lista de pretendentes sem mais delongas.

O terceiro candidato era outro chinês, baixinho, um pouco anafado, muito mulherengo e viciado em jogo. Coitada da carochinha, bonita, limpinha, caucasiana, jovem, a precisar de amparo e de espaço para crescer e deixar descendência. Lá ia ter que se subordinar a um personagem com tão má reputação. Constava até que casava com as noivas, lhes tirava o dote e as punha a render, sem dó nem piedade. O dote era o mais mirrado, e as garantias as menos sólidas. A carochinha chorava em silêncio e rezava para que o casamento fosse adiado.

Mas o pai Costa estava inflexível. Se o terceiro candidato era mulherengo, que melhor garantia poderia haver de que iria tratar bem da filha? Quem trata bem de dez mulheres, trata certamente bem de onze. Se era jogador que garantia melhor haveria de que correria todos os riscos necessários para proteger a família em caso de crise?

Além disso, havia os amigos e as cartas de recomendação. Neste particular o terceiro candidato era mesmo o melhor. Pagava menos, a carochinha estava desalentada, mas era o casamento que iria deixar feliz muito mais gente importante, daquela que convém convidar para a boda. E o pai Costa, do alto da sabedoria que emanava dos seus cabelos brancos sempre tinha seguido com zelo uma máxima ao longo de toda a sua bem sucedida vida: agrada a quem manda, porque manda quem pode e obedece quem deve.

Na verdade, só não percebia lá muito bem a razão pela qual lhe tinham mandado encenar a rábula dos três príncipes quando, na verdade, desde o princípio lhe tinham dito que a mão da carochinha só deveria ser entregue ao chinês mulherengo e jogador, por muito raquítico que fosse o dote. E mais uma vez obedeceu sem pestanejar.

A carochinha do ano da graça de 2015 é o Novo Banco.

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