A caminho da tempestade perfeita?

(Joseph Praetorius, in Facebook, 13/07/2015)

Joseph Praetorius

  Joseph Praetorius

Oiro em queda. Petróleo em queda. Euro em queda. Quedas moderadas.

Atenas terá dinheiro emprestado para pagar empréstimos de dinheiro – e juros usurários – à custa de “reformas” que viabilizam a pilhagem patrimonial do país e pilhagem pecuniária da sua gente. Amarga decepção. Com a virtualidade de suscitar radicalizações imprevisíveis. Quanto à pilhagem das gentes não há nenhuma dúvida. Quanto à pilhagem do património podem existir grandes surpresas. Os adquirentes podem ser a Rússia e a China e não a Alemanha ou a França, por exemplo.

Mas isto é assim no pressuposto de que nenhuma rebelião emerge, porque, com frequência, as revoluções são respostas a que vastos grupos sociais são compelidos – pela utrajante exploração – sem propriamente as terem assumido ou preferido no inicio do processo. A ruptura vai-se construindo e impondo à vítima, de intransigência em intransigência, de ultraje em ultraje.

É um resultado brutalmente decepcionante para o governo Tsipras, embora as coisas pudessem ser e ter sido piores sem ele. A UE mantém a asfixia dos gregos e com isso mantém a Grécia no limite material da sua subsistência. Mas a inversa é igualmente verdadeira. Mantendo-se a Grécia em risco iminente, todos ficam em risco iminente.

Um safanão insurreccional em Atenas e vai tudo raso, financeiramente falando, de Berlin a Washington… É o que começa a pretender a esquerda radicalizada. Pouco preocupada com a viabilização segura da vida do grego comum no próximo mês. O problema é que o grego comum pode não achar que quanto lhe resta sob esta canga deva chamar-se vida. Se assim for, o resultado vai ser desagradável. E definitivo.

A Rússia apressa-se a ponderar modos de auxílio. O abastecimento energético directo é uma das urgências em viabilização e passíveis de execução rápida. A Grécia tem de investir e crescer sob esta opressão asfixiante. E os russos terão nisso um papel. Com os países emergentes, eventualmente. Mas a Rússia quer salvar a Grécia. Apenas. Não quer salvar a UE de quem lhe parece que deve pagar o que deve pagar e sofrer o que deve sofrer, arriscando o que entender arriscar.

O herói continua a ser Varoufakis. Fez bem em não cortar o braço. E os idiotas da UE correm o risco de o virem a suportar como referência inesquecível – senão como presença dirigente de uma ruptura radicalizada – por terem ousado sugerir a sua substituição.

E as vitórias tácticas de Merkel serão a derrota estratégica da UE, plausivelmente. O vassalo finlandês (a propósito) esquece-se com frequência que não deve a viabilidade material da sua existência ao suserano alemão. que seria por si só incapaz de a assegurar. E – mudando o que deve mudar-se – o Tusk, labrego polaco, teria tudo a ganhar se conseguisse controlar-se no que diz.

Para já, o embate no Parlamento Grego vai ser brutal e os resultados disso são imprevisíveis. O embate com a comunidade nacional não vai ser de menor importância. Pode haver desenlaces fatais esta semana.

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Um pensamento sobre “A caminho da tempestade perfeita?

  1. Lembram-se da Guerra do Inverno,quando,em 1939,o vassalo finlandês já tinha catarro? Não aprenderam os finlandeses nem os tedescos…

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