Uma brava história de um homem

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 16/03/2018)

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João Quadros

Stephen Hawking, o físico e pesquisador britânico, morreu aos 76 anos na passada quarta-feira, em sua casa na Inglaterra. Uma enorme perda para o mundo mas penso que nada seria mais ofensivo que desejar: “paz à sua alma”, ou dizer – “que Deus o guarde” ou “foi para um lugar melhor”.

Ao contrário do que alguns afirmam, Hawking não dizia que não acreditava em Deus, o que o físico afirmava é que Deus não existe. Hoje é sexta-feira, Hawking já morreu há dois dias e , até agora, não se manifestou, o que me leva a pensar (eu já pensava) que ele tinha razão. Se Hawking fez o que fez, preso a uma cadeira com uma terrível doença degenerativa, não havia de ser por estar morto, e a viver no além, que não arranjava maneira de contactar connosco.

Muitos jornais salientaram a “transcendental” coincidência de o Hawking ter nascido no mesmo dia do aniversário de 300 anos da morte de Galileu Galilei (1564-1642) e ter morrido no dia em que nasceu outro brilhante físico, Albert Einstein, a 14 de Março de 1879. Como se Deus tivesse um Dia Universal do Cientista e resolvesse festejá-lo de várias e duvidosas formas.

Ao contrário das piadas que foram feitas sobre a sua morte (algumas o seu enorme sentido de humor apreciaria) acho que este tipo de notícias com coincidências, a fazer crer em algo de divino, é que iriam irritar o Stephen Hawking (caso houvesse aquilo que ele garantiu que não havia). Isso é tudo muito relativo. Fui investigar e Hawking morreu no mesmo dia que Karl Marx (à atenção do Rui Ramos do jornal o Observador) e também nasceu no mesmo dia em que veio ao mundo Kim Jong-un, esse génio dos foguetes.

Há muita gente que precisa de acreditar que “há mais para além disto”, estamos todos presos numa espécie de divina superstição, somos humanos e não é fácil. Quando entrou em funcionamento o maior acelerador de partículas do mundo, especialmente concebido para explorar os grandes enigmas do Universo e desfrisar o cabelo do comentarista Rui Santos, houve quem pusesse a hipótese dessa experiência poder criar um Buraco Negro, capaz de engolir toda a Terra e até talvez o nosso Sistema Solar e acabar com o Universo. Um disparate, mas consta que os cientistas, pelo sim pelo não, bateram três vezes na madeira antes de ligar a máquina.

Sou um admirador de Stephen Hawking. não só pela forma como resistiu aos limites da sua terrível doença, como pelas suas ideias em relação ao Universo, e a não existência de Deus. Foi a nossa sorte uma mente brilhante como aquela ter resolvido optar pelo lado do bem. Segundo o que estamos habituados a ver nos filmes do 007, Hawking tinha tudo para ser o arquétipo do génio do mal. Podia ter dedicado a sua vida a produzir uma arma que aniquilasse a raça humana, ou pior, podia ter ido para o Goldman Sachs.


TOP-5

Teoria de nada

1. Portugal consegue vender dívida à taxa mais baixa de sempre – malditos mercados que se revêm nas esquerdas encostadas.

2. Elon Musk, o empresário do espaço e dos carros eléctricos, quer agora fazer humor – está tramado, é mais fácil chegar a Marte que ser politicamente correcto na Terra.

3. Nos EUA, um professor disparou acidentalmente uma arma durante uma aula sobre segurança com armas de fogo – foi a primeira vez que uma arma de fogo foi disparada numa escola nos EUA… acidentalmente.

4. Fernando Negrão considera que Feliciano Barreiras Duarte não está fragilizado– fragilizado era se, apenas, tivesse o apoio de 39% da bancada do PSD.

5. Assunção Cristas já se vê como PM de Portugal – Com 6% nas sondagens, cheira-me que há aqui mãozinha da mental coach do éderzito.

R.I.P. Professor Stephen Hawking!

(Joaquim Vassalo Abreu, 14/03/2018)

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A vida foi benévola para si, caro Professor! Quem se pode gabar de vida assim?

Diz-se que é na adversidade que se vêm os homens de fibra! Claro, todos concordamos. Mas foi benévola quando lhe deu um Q.I. que ninguém consegue ter e, talvez por isso, quem sabe, tenha conseguindo atingir o que nenhum vulgar ser humano consegue atingir: tenha conseguido seguir na vida o que o seu grande Mestre, Albert Einstein, teorizou, a Teoria da Relatividade, transportando-a para o Sentido da Vida, ela própria.

Ela própria e não restrita ao verdadeiro sentido Físico da mesma! Sim porque, sabendo como ninguém do seu sentido, conseguiu transportá-la para a sua condição como ninguém: o da relatividade da própria Vida!

Isso será talvez, para além da sua superior inteligência, a marca mais profunda que nos deixa: a da superação perante a adversidade!

Confesso desde já que sou um relapso e mesmo um ignorante nessas questões da Astrofísica, apenas um periódico curioso eu sou, e só muito tarde cheguei ao conhecimento do emérito Professor, que é assim que acho lhe devo chamar.

Professor porque  é aquele que ensina. Professor porque é aquele que investiga e transmite conhecimento e Professor porque é aquele que, percorrendo um caminho, não se abstraindo da sua condição e vida, não prescinde desse caminho para o bem de todos.

Da sua condição de pessoa diminuída nas suas capacidades, só muito tarde vim a ter conhecimento e apenas, muitos anos mais após, esquecendo o mito e vendo a realidade, me espantei!

Eu explico: foi quando, num dos internamentos na ala de Neurologia do Hospital de S. João do Porto, aquando de um dos vários internamentos da minha malograda Graciete nesse Hospital e nessa mesma ala, em passando para a enfermaria, eu descortinava numa sala contígua um jovem na mesma exacta circunstância do Professor Hawking: imobilizado, incógnito, isolado de tudo, desapercebido, dependente, a tudo alheio, sem visitas e sem nada, a não ser o computador que à sua frente estava, pelo qual transmitia, com o qual dialogava e através do qual se mantinha Vivo. E pasmei!

Só depois associei e verifiquei a diferença: as armas eram as mesmas, mas o Professor, talvez devido ao seu Q.I., talvez devido à sua anterior experiência, talvez mesmo à notoriedade advinda da sua vida científica, tenha conseguido esse avanço superior e que se resume a uma única constatação: a da Relatividade ou do Relativismo!

Porque, no fundo e pela minha experiência de vida, é isso que distingue os fortes dos “moles”. O meu chefe de há muitos anos não se cansa de, em sentido de incentivo e de alento, repetir uma frase, frase que mais tarde vim a saber atribuída a Che Guevara, quando eu até pensava que era mesmo do meu Chefe, que isso resume: “A Vida é mais Dura para os Moles”. E assim é!

É que, não comparando o caso da minha Graciete com o do Professor, até porque na maior parte das suas variantes é incomparável, o que distingue a resiliência de uns e de outros é precisamente a assunção desse relativismo da vida e, para além dele, o questionamento da sua situação perante o mesmo.

E, perante tal situação, só existem duas posturas: a da aceitação pura e simples sem questionamento, ou como vulgarmente se diz “por vontade de Deus”, ou uma oposta que é a de, aceitando a inevitabilidade, situação recorrente a muitos dos seus semelhantes, ela relativizar e seguir vivendo e lutando nas circunstâncias pela vida impostas, nunca deixando de lutar pelos desideratos que a sua consciência a si obriga.

E é aqui que, no meu entender, está a enormíssima contribuição do Professor Stephen Hawking para o futuro da Humanidade: o de, perante adversidades tão hostis e impróprias para qualquer ser terreno, não ter deixado de cumprir o seu dever de pessoa beneficiada por tão alto Q.I.: o de cumprir a sua obrigação, a de pessoa tão pela natureza beneficiada, de retribuir perante ela tamanha dádiva!

E a de nos mostrar que, perante a vontade, a superação e o comando da nossa inteligência, todos as agruras da vida podem ser “relativizadas”. É que assim, de certo modo, fez a minha Graciete!

Durante todo o processo por que a Graciete passou, não a ousando comparar com nada, eu não me cansei de dizer a todas as pessoas que me abordavam de que “tudo é relativo” na vida e que, sem qualquer dúvida, nada é apanágio apenas nosso. È de muitos outros também e, daí, o termos que “relativizar”! Relativizar sempre e não há outra postura!

Sem dúvida que, perante esta postura, nos sentiremos mais livres e bem mais preparados para fazermos o que temos que fazer, mas inquestionávelmente com mais propriedade e mais liberdade.

Foi isso que o Professor STEPHEN HAWKING fez durante a vida, mas num sentido cósmico superior!

Obrigado Professor STEPHEN HAWKING! Até sempre…


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