A Terra é como a bolacha Maria?

(Francisco Louçã, in Expresso, 07/03/2020)

Apesar de a ciência demonstrar a esfericidade da Terra, há pessoas, como o guru de Bolsonaro, que duvidam. Por razões religiosas, ignorância ou senso comum.


Imagine um mundo plano com apenas duas dimensões, Flatland, no qual triângulos, quadrados, pentágonos e outras figuras geométricas vivem e se movimentam. Este mundo é-nos apresentado pelo Quadrado, que um dia sonha que visita um mundo unidimensional, Lineland, que é habitado por pontos brilhantes. Estes não conseguem ver o Quadrado senão como um conjunto de pontos e linhas, e o Quadrado ressente-se desta imagem de si, porque sabe não corresponder ao que é na realidade. E é então que começam os problemas.

AFINAL SÃO TRÊS

Um dia, Flatland é visitada pela Esfera, uma habitante de Spaceland, um mundo tridimensional. A reação dos habitantes de Flatland foi semelhante à da dos de Lineland. Tal como os pontos brilhantes só conseguiam ver o Quadrado como um conjunto de pontos e linhas, também os habitantes de Flatland só conseguem ver a Esfera como um círculo. A Esfera, orgulhosa da sua tridimensionalidade, salta para cima e para baixo, de modo a que se consiga ver o círculo a expandir e a retrair e fique assim demonstrada a existência de uma terceira dimensão. Os líderes de Flatland reconhecem secretamente a existência da Esfera, mas decidem perseguir os divulgadores da notícia. O Quadrado, convertido à tridimensionalidade, tenta convencer a Esfera da hipótese da existência de uma quarta dimensão, caindo em desgraça aos seus olhos, que são incapazes de ver além do que percecionam. O Quadrado tem, entretanto, outro sonho, no qual a Esfera o visita e lhe apresenta Pointland, um mundo adimensional composto por um único ponto. Ao contrário de Lineland, Flatland e Spaceland, onde, apesar das tensões e hierarquias, existem sociedades, em Pointland tal não é possível, porque existe apenas um habitante — o rei —, que vive preso num universo confinado a um ponto e acredita ser infinito e a única realidade existente.

Esta é, resumidamente, a deliciosa história de “Flatland — O Mundo Plano”, uma aventura matemática escrita por Edwin Abbott em 1884, que é um retrato mordaz da sociedade vitoriana, satirizando ditaduras e várias formas de censura, mas onde também explica conceitos físicos e matemáticos complexos.

ENTRA A BOLACHA MARIA

Porquê falar em Flatland mais de 130 anos após a sua publicação? Há de estar a perguntar-se. Porque reparei que Samuel Rowbotham, figura central do terraplanismo, morreu precisamente no ano de publicação do livro. E porque, apesar de publicado em 1884, Flatland parecer uma alegoria dos tempos em que vivemos, onde diversas formas de obscurantismo e negacionismo científico animam demasiadas pessoas.

O terraplanismo é um movimento cuja tese fundamental é a alegação de que a Terra é plana e não esférica. Se não espanta que esta teoria tenha tido algum crédito em tempos remotos, apesar de a Escola Pitagórica, no séc. VI a.e.c., já especular sobre a possibilidade de a Terra ser redonda, apesar dos cálculos da circunferência da Terra de Eratóstenes no séc. III a.e.c., torna-se difícil aceitá-la depois de Copérnico, Galileu ou Fernão de Magalhães. A primeira viagem de circum-navegação foi há 500 anos e consta que, chegados ao Estreito de Magalhães, os navegadores não se despencaram no vazio, antes descobriram a passagem entre o Atlântico e o Pacífico.

Apesar de a ciência explicar a esfericidade da Terra, o que leva então estas pessoas a duvidar? Várias motivações terraplanistas têm origem religiosa. A tal motivação junta-se a ignorância e o senso comum. Se as pessoas na Austrália não estão penduradas pelos calcanhares é porque a Terra é plana e não esférica, como é bom de ver! Mas a teoria da conspiração é o que alimenta verdadeiramente o terraplanismo. Todas as descobertas e evidências científicas são, para os terraplanistas, fabricações. Os humanos nunca foram à Lua, Apollo 11 nunca existiu, as imagens foram produzidas por estúdios de Hollywood. A vista de satélite que mostra a esfericidade do planeta azul é manipulada. A Terra é fixa, estacionária e plana, o sol e a lua estão dentro da nossa atmosfera, por cima estão os outros planetas, e as estrelas e o espaço, na realidade, são apenas água.

A POLÍTICA TAMBÉM É PLANA

Tudo isto poderia ficar arrumado no reino da comicidade, não fosse revelar uma inclinação dos tempos em que vivemos, nos quais os obscurantismos parecem querer reordenar o mundo conhecido. E esta disponibilidade para acreditar em conspirações de unicórnios é preocupante, porque alimenta posicionamentos negacionistas da história e da ciência. As teorias da conspiração sempre existiram porque sempre houve quem com elas beneficiasse. O truque é primário, mas funciona. Primeiro, instala-se a dúvida e encontram-se bodes expiatórios, depois, reescreve-se a história de acordo com as próprias necessidades.

Em maio de 2019, Olavo de Carvalho, o guru de Bolsonaro que se instalou nos Estados Unidos, tuitava: “Não estudei o assunto da terra plana. Só assisti a uns vídeos que mostram a planicidade das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute.” Em novembro do mesmo ano, entusiasmados pelo interesse do guru, reuniu-se a primeira convenção brasileira sobre terraplanismo. Olavo de Carvalho não estudou muitos outros assuntos, mas de que vale o estudo perante a força esmagadora de “uns vídeos”? Provavelmente, Olavo de Carvalho também viu uns vídeos ou leu algum blogue sobre nazismo, porque não se cansa de afirmar que este era um movimento de esquerda.

O terraplanismo vai muito além da crença de que o planeta tem a forma de bolacha Maria, representa uma renúncia aos consensos históricos construídos com base na ciência e à racionalidade como instrumento de interpretação do mundo. Os terraplanistas comportam-se como o ponto de Pointland, que não pode aceitar as várias dimensões do mundo. É como se recusassem livrar-se dos grilhões, saindo da caverna de Platão para viver a realidade. O problema é que o caminho terraplanista insiste em trocar a realidade pelas sombras projetadas na parede. Por mais que as ideias que escapam à perceção sensorial possam ser explicadas e demonstradas, a racionalidade não é linguagem que colha nos meios obscurantistas. E disto se faz, queiramos ou não, uma parte do lado sinistro da cultura moderna. Pedem-nos que reduzamos o conhecimento a uma espécie de culto religioso, com a sua hierarquia e devoção. Mesmo que seja para venerar uma bolacha chata.


Cheira a esturro e não é só o vírus

Nem o efeito social nem o impacto económico da pandemia do coronavírus pode ser adivinhado com o que se sabe esta semana. Deve temer-se o risco, mas ainda estamos a tempo de evitar os perigos maiores. Em todo o caso, o que se nota é que, além do custo humano e das dificuldades dos sistemas de saúde pública, as cadeias de produção em vários sectores industriais estão interrompidas pela quarentena que afeta fábricas na China e as vendas de marcas globais vão registar quedas acentuadas. As instituições internacionais insistem em garantir que, mesmo assim, o risco da recessão mundial não está no horizonte, mas as indicações dos mercados financeiros não sugerem tranquilidade.

Em meados de fevereiro, o S&P 500, que resume as bolsas norte-americanas, estava no seu apogeu. Foi a melhor semana da última década. Já o vírus tinha começado na China e fazia manchetes, mas ainda corria champanhe em Wall Street. Uma semana depois tinha perdido cerca de 12%, um oitavo do seu valor, a maior queda desde 2008 e das mais fulgurantes da história. Na Europa foi o mesmo. O que aconteceu não foi só o resultado de uma perceção retardada de banqueiros viciados em otimismo. Foi mesmo uma viragem estrutural: a finança está agora com medo, antes de mais de si própria.

As bolsas têm vivido uma bolha, alimentada por programas radicais de redução de impostos para os ricos e de injeções de liquidez que inflacionam os ativos financeiros. A finança tem recebido tudo o que quer, privatizações, rendas, proteção. Dançou com os preços mágicos e agora descobriu que não valem o que anunciam. Por isso, os banqueiros estão a virar-se para ativos seguros de dívida pública. Não havia e não vai haver investimento, o disfarce com gastos especulativos será mais modesto. Por isso, como a finança reduz a exposição ao risco, fraquejará a recuperação quando a quarentena acabar. Entrámos na era do medo. A consequência é a recessão.



A Universidade que (não) temos

(Joseph Praetorius, 15/07/2019)

Em Portugal – isto é evidentemente uma heresia, mas é assim – a feminilização da frequência dos cursos superiores costuma coincidir com a perda da sua relevância social. Ou seja, a Universidade é procurada não como lugar de conhecimento, mas como fonte de habilitação profissional e legitimação do estatuto social. Os homens procuram habilitações universitárias com as quais possam sustentar-se e sustentar uma família.

A quase nula vitalidade intelectual da sociedade portuguesa – à beira da indigência, neste plano como noutros – determinou, por exemplo, a desfocagem de quase todas as áreas das Humanidades, há décadas menosprezadas pela incapacidade de, nesta desgraçada terra, se conseguir aí gerar e manter qualquer sustento familiar pelo trabalho. O teatro é uma desgraça, o cinema também, a vida editorial é uma anedota, as artes plásticas dependem quase exclusivamentye das encomendas ministeriais ou municipais, o ensino um disparate, o jornalismo é uma rasquice pegada (as páginas culturais desapareceram como lugar de notícia e divulgação) e, portanto, só um louco procuraria aí uma habilitação profissional que haveria de o ser para a indigência.

O Direito, seguiu-se a estes domínios, depois de um interesse marcante da baixa classe média que queria dominar “as regras do jogo” e hoje se afasta da área porque é “para os que já lá estão”. As frequências dos cursos feminilizam-se em coincidência. Porque uma boa parte das mulheres jovens ainda procura casar e a habilitação universitária é uma afirmação de paridade e um bom amparo no divórcio, que continua a ser o destino mais frequente dos casamentos.

A femililização das ciências depois da chacina dos programas de investigação ciêntífica feita pelo semi-alfabetizado Coelho – hoje catedrático na Ajuda – e o seu governo de ressaibiados, opistas e imbecis, deixou multidões de investigadores em posição insustentável, gerou um fluxo migratório de portugueses qualificados em fuga, e, evidentemente, tocou na viabilidade dos diplomas respectivos do ponto de vista de um jovem de classe média – baixa, ou alta – que não tenha o negócio de família para o acolher no fim da formação universitária.

Olho, portanto, com preocupação para estes números.

Porque podem ser fado, justamente. E o fado não é a nossa música mas a nossa tara, como dizia o velho Ivo Cruz. O redactor do El País é que não conhece suficientemente bem a sociedade local (conhecimento aliás dispensável a quem possa viver e trabalhar noutro sítio, evidentemente).

Quanto ao menosprezo surpreendido que o texto revela pelo “país do fado” está perfeitamente justificado.

Ver o artigo do El País, referido acima, aqui

O capitalismo mata-nos

(Paul Craig Roberts, 17/08/2018)

glifosato

Economistas ecológicos, tais como Herman E. Daly, enfatizam que como os custos externos da poluição e da exaustão de recursos não estão incluídos no Produto Interno Bruto não podemos saber se um aumento do PIB constitui um ganho ou uma perda.

Os custos externos são enormes e cada vez maiores. Historicamente, as corporações manufactureiras e industriais, a agricultura corporativa, os sistemas de esgotos das cidades e outros possíveis culpados transferiram os custos das suas actividades para o ambiente e terceiros. Recentemente houve uma catadupa de relatórios e muitos deles centravam-se no Roundup da Monsanto, cujo principal ingrediente – o glifosato – acredita-se ser um carcinógeno.

Uma organização de saúde pública, o Environmental Working Group, informou recentemente que os seus testes detectaram glifosato em todos os alimentos de pequeno almoço de 45 crianças excepto duas, os quais incluíam compostos de cereais, aveia e barras para comer fabricados pela Quaker, Kellogg e General Mills. ( Ver).

No Brasil, testes revelaram que 83% do leite materno contém glifosato. (Ver)

O Instituto Ambiental de Munique informou que 14 das cervejas alemãs mais amplamente vendidas contêm glifosato. ( Ver)

Foi descoberto glifosato na urina de agricultores mexicanos e na água do subsolo do México. (Ver)

A revista Scientific American informou que mesmo “ingredientes inertes do Roundup podem matar células humanas, particularmente as células embriónicas, placentais e do cordão umbilical. (Ver)

Um toxicólogo alemão acusou o Instituto para a Avaliação de Risco da Alemanha Federal e a European Food Safety Authority de fraude científica por aceitar a conclusão da Força Tarefa do glifosato liderada pela Monsanto de que este não é carcinogénico. (Ver)

A controvérsia acerca destas descobertas decorre do facto de que cientistas financiados pela indústria não informam acerca da ligação entre glifosato e cancro, considerando-se cientistas independentes. Isto é difícil de entender pois um cientista financiado pela indústria não tem independência e é improvável que conclua o oposto daquilo que foi contratado para concluir.

Também há controvérsia acerca de qual o nível de contaminação é necessário para que produtos adulterados com glifosato sejam classificados como perigosos. Tudo indica que as concentrações ascendem com a utilização e o tempo. Mais cedo ou mais tarde a concentração torna-se suficiente para provocar dano.

Para este artigo, a questão é que se o glifosato é carcinógeno, o custo com a perda de vida e despesas médicas não são arcados pela Monsanto/Bayer. Se estes custos não fossem externos à Monsanto, ou seja, se esta corporação tivesse de suportar estes custos, o custo do produto não seria económico para utilização. Suas vantagens seriam ultrapassadas pelos custos.

É difícil descobrir a verdade, porque políticos e autoridades regulamentares são susceptíveis a subornos e a fazer favores aos seus amigos de negócios. No Brasil, legisladores estão realmente a tentar desregulamentar a utilização de pesticidas e a proibir a venda de alimentos orgânicos em supermercados. (Ver)

No caso do glifosato, a maré pode estar a virar-se contra a Monsanto/Bayer. O Supremo Tribunal da Califórnia confirmou a autoridade do estado para acrescentar o herbicida glifosato à sua Proposição 65 com a lista dos carcinógenos. (Ver)

Na semana passada, em San Francisco, jurados concederam US$289 milhões a um antigo jardineiro de escola devido a danos provocados pelo Roundup. Há pouca dúvida de que a Monsanto recorrerá e o caso tramitará no tribunal até que o jardineiro esteja morto. Mas é um precedente e indica que jurados começam a desconfiar da ciência contratada. Há aproximadamente 1000 casos semelhantes pendentes. (Ver)

É importante lembrar que se o Roundup é um carcinógeno, ele é apenas um produto de uma única companhia. Isto dá uma ideia de quão extensos podem ser os custos externos. Na verdade, os efeitos deletérios do glifosato vão muito para além daqueles cobertos neste artigo. (Ver)

Alimentos geneticamente modificados (GMO) também estão a prejudicar o gado. (Ver)

Agora considerem-se os efeitos adversos sobre o ar, água e terra da agricultura química. A Florida está a sofrer proliferação de algas devido ao escorrimento de fertilizantes químicos efectuados pela agricultura e a indústria do açúcar fez o trabalho de destruição do Lago Okeechobee. (Ver)

Escorrimentos de fertilizantes provocam proliferações de algas azuis-verdes que matam a vida marinha e são nocivas para seres humanos. Actualmente a água no Rio St. Lucie, na Florida, é 10 vezes mais tóxica ao toque. (Ver)

Marés vermelhas podem ocorrer naturalmente, mas escorrimentos de fertilizantes alimentam seu crescimento e sua persistência. Além disso, as contribuições da poluição a temperaturas mais elevadas também contribuem para marés vermelhas, pois drenam pântanos para o desenvolvimento imobiliário, o que resulta em água a mover-se rapidamente sem filtragem natural. (Ver)
Quando as condições da água deterioram-se e as algas proliferaram, a resposta da Florida foi reduzir seu programa de monitorização da água. (Ver)

Ao considerar estes extensos custos externos da agricultura corporativa, os valores atribuídos ao açúcar e produtos agrícolas no PIB são claramente excessivos. Os preços pagos pelos consumidores são demasiado baixos e os lucros desfrutados pela agricultura corporativa são demasiado altos, porque eles não incluem os custos das mortes marinhas maciças, dos negócios turísticos perdidos e das doenças humanas causadas pelas marés de algas que dependem do escorrimento de fertilizantes químicos.

Neste artigo mal arranhei a superfície do problema dos custos externos. O Michigan acaba de saber que a sua água da torneira não é segura. Produtos químicos utilizados durante décadas em bases militares e na manufactura de milhares de ítens de consumo estão na água abastecida. (Ver)

Como exercício, pense em qualquer negócio e pense nos custos externos desse mesmo negócio. Tome-se, por exemplo, as corporações dos EUA que deslocalizaram empregos americanos para a Ásia. Os lucros das corporações subiram, mas as bases fiscais federal, estaduais e locais declinaram. A base fiscal das folhas de pagamento para a Segurança Social e o Medicaid declinaram, colocando em perigo estes importantes fundamentos da estabilidade social e política estado-unidense. A base fiscal para pensões de professores das escolas e de outros funcionários do governo declinou. Se as corporações que transferiram os empregos para fora tivessem de absorver estes custos, elas não teriam lucros. Por outras palavras, algumas pessoas ganharam ao empurrarem enormes custos sobre todos os outros.

Considere-se algo simples como uma loja de animais de estimação. Todos os proprietários e clientes de lojas de animais que venderam e compraram coloridos pitões com 46 a 61 cm, boas constritoras e anacondas nem sequer pensaram na dimensão apreciável com que estas cobras ficariam, nem tão pouco as agências regulamentares que permitiram a sua importação. Confrontadas com uma criatura capaz de devorar o animal de estimação e a criança da família e sufocar a vida de adultos grandes e fortes, as cobras foram jogadas nos Everglades, onde devastaram a fauna natural e agora são demasiado numerosas para serem controladas. Os custos externos facilmente excedem muitas vezes o preço total de todas as cobras vendidas por lojas de animais.

Economistas ecológicos enfatizam que o capitalismo funciona num “vazio económico”, onde a pressão dos seres humanos sobre os recursos naturais é pequena. Mas o capitalismo não funciona em uma “economia plena”, onde os recursos naturais estão no ponto de exaustão. Os custos externos associados ao crescimento económico medido pelo PIB podem ser mais caros do que o valor do produto.

Há argumentos convincentes para afirmar que esta é a situação actualmente enfrentada. O desaparecimento de espécies, o surgimento de toxinas nos alimentos, bebidas, água, leite materno, ar, terra, tentativas desesperadas de assegurar energia a partir do fracking, o que destrói águas subterrâneas e provoca tremores de terra, e assim por diante, são sinais de uma dura pressão sobre o planeta. Quando chegamos a isto, todos os lucros que o capitalismo gerou ao longo dos séculos devem-se provavelmente ao facto de que os capitalistas não tinham de cobrir o custo total da sua produção. Eles repassaram o custo para o meio ambiente e para terceiros e embolsaram as poupanças como lucro.

Actualização: Herman Daly observa que no ano passado a revista médica britânica Lancet estimou que o custo anual da poluição era de cerca de 6% da economia global, ao passo que a taxa anual de crescimento económico global era de cerca de 2%, com a diferença de cerca de 4% ao ano sendo o declínio no bem-estar, não um aumento do mesmo em 2%. Por outras palavras, já poderíamos estar na situação em que o crescimento económico é anti-económico. (Ver)


Fonte aqui