R.I.P. Professor Stephen Hawking!

(Joaquim Vassalo Abreu, 14/03/2018)

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A vida foi benévola para si, caro Professor! Quem se pode gabar de vida assim?

Diz-se que é na adversidade que se vêm os homens de fibra! Claro, todos concordamos. Mas foi benévola quando lhe deu um Q.I. que ninguém consegue ter e, talvez por isso, quem sabe, tenha conseguindo atingir o que nenhum vulgar ser humano consegue atingir: tenha conseguido seguir na vida o que o seu grande Mestre, Albert Einstein, teorizou, a Teoria da Relatividade, transportando-a para o Sentido da Vida, ela própria.

Ela própria e não restrita ao verdadeiro sentido Físico da mesma! Sim porque, sabendo como ninguém do seu sentido, conseguiu transportá-la para a sua condição como ninguém: o da relatividade da própria Vida!

Isso será talvez, para além da sua superior inteligência, a marca mais profunda que nos deixa: a da superação perante a adversidade!

Confesso desde já que sou um relapso e mesmo um ignorante nessas questões da Astrofísica, apenas um periódico curioso eu sou, e só muito tarde cheguei ao conhecimento do emérito Professor, que é assim que acho lhe devo chamar.

Professor porque  é aquele que ensina. Professor porque é aquele que investiga e transmite conhecimento e Professor porque é aquele que, percorrendo um caminho, não se abstraindo da sua condição e vida, não prescinde desse caminho para o bem de todos.

Da sua condição de pessoa diminuída nas suas capacidades, só muito tarde vim a ter conhecimento e apenas, muitos anos mais após, esquecendo o mito e vendo a realidade, me espantei!

Eu explico: foi quando, num dos internamentos na ala de Neurologia do Hospital de S. João do Porto, aquando de um dos vários internamentos da minha malograda Graciete nesse Hospital e nessa mesma ala, em passando para a enfermaria, eu descortinava numa sala contígua um jovem na mesma exacta circunstância do Professor Hawking: imobilizado, incógnito, isolado de tudo, desapercebido, dependente, a tudo alheio, sem visitas e sem nada, a não ser o computador que à sua frente estava, pelo qual transmitia, com o qual dialogava e através do qual se mantinha Vivo. E pasmei!

Só depois associei e verifiquei a diferença: as armas eram as mesmas, mas o Professor, talvez devido ao seu Q.I., talvez devido à sua anterior experiência, talvez mesmo à notoriedade advinda da sua vida científica, tenha conseguido esse avanço superior e que se resume a uma única constatação: a da Relatividade ou do Relativismo!

Porque, no fundo e pela minha experiência de vida, é isso que distingue os fortes dos “moles”. O meu chefe de há muitos anos não se cansa de, em sentido de incentivo e de alento, repetir uma frase, frase que mais tarde vim a saber atribuída a Che Guevara, quando eu até pensava que era mesmo do meu Chefe, que isso resume: “A Vida é mais Dura para os Moles”. E assim é!

É que, não comparando o caso da minha Graciete com o do Professor, até porque na maior parte das suas variantes é incomparável, o que distingue a resiliência de uns e de outros é precisamente a assunção desse relativismo da vida e, para além dele, o questionamento da sua situação perante o mesmo.

E, perante tal situação, só existem duas posturas: a da aceitação pura e simples sem questionamento, ou como vulgarmente se diz “por vontade de Deus”, ou uma oposta que é a de, aceitando a inevitabilidade, situação recorrente a muitos dos seus semelhantes, ela relativizar e seguir vivendo e lutando nas circunstâncias pela vida impostas, nunca deixando de lutar pelos desideratos que a sua consciência a si obriga.

E é aqui que, no meu entender, está a enormíssima contribuição do Professor Stephen Hawking para o futuro da Humanidade: o de, perante adversidades tão hostis e impróprias para qualquer ser terreno, não ter deixado de cumprir o seu dever de pessoa beneficiada por tão alto Q.I.: o de cumprir a sua obrigação, a de pessoa tão pela natureza beneficiada, de retribuir perante ela tamanha dádiva!

E a de nos mostrar que, perante a vontade, a superação e o comando da nossa inteligência, todos as agruras da vida podem ser “relativizadas”. É que assim, de certo modo, fez a minha Graciete!

Durante todo o processo por que a Graciete passou, não a ousando comparar com nada, eu não me cansei de dizer a todas as pessoas que me abordavam de que “tudo é relativo” na vida e que, sem qualquer dúvida, nada é apanágio apenas nosso. È de muitos outros também e, daí, o termos que “relativizar”! Relativizar sempre e não há outra postura!

Sem dúvida que, perante esta postura, nos sentiremos mais livres e bem mais preparados para fazermos o que temos que fazer, mas inquestionávelmente com mais propriedade e mais liberdade.

Foi isso que o Professor STEPHEN HAWKING fez durante a vida, mas num sentido cósmico superior!

Obrigado Professor STEPHEN HAWKING! Até sempre…


Fonte aqui

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