Vai uma amêndoa para a Estátua?

(Estátua de Sal, 01/04/2026)

Em tempos idos esta época era de antecipação anunciada da festa a haver e a fruir no próximo domingo, o dito domingo de Páscoa. Os padrinhos davam o folar aos afilhados, e os crentes abriam as portas de casa – desde que assinaladas com o verde de folhas de vegetação variada -, ao compasso. O padre da freguesia comandava o séquito dos mordomos, entrava casa adentro, corria todos os presentes aspergidos a água benta, recolhia o envelope que continha a côngrua, e despedia-se fazendo votos de, no ano seguinte, nos encontrarmos todos de novo.

Adoçava-se a boca com amêndoas, umas coloridas, outras mais em branco – as mais comuns -, outras mais dadas a modernices, vestidas de chocolate ou mesmo recheadas a licor. E era assim.

Hoje o mundo está numa escalada íngreme para um dealbar de perigos surpreendentes e de incertezas dilacerantes. As nossas vidas parece que valem cada vez menos para os loucos e inenarráveis e poderes que comandam o mundo. Ainda que, por isso mesmo, a angústia nos possa assaltar repentina e inusitadamente, a Estátua acha que, ainda assim, uma réstea de esperança nos deve serenar. E por isso deixa a todos os que a seguem – crentes e não-crentes -, votos de uma Páscoa Feliz.

E aqueles que quiserem ajudar a Estátua a prosseguir por aqui a sua presença diária, podem sempre mandar-lhe uma amêndoa, não importa de que cor ou recheio… 🙂

Antecipadamente grata.

Estátua de Sal, 01/04/2026

ABLUÇÕES PASCAIS

(In Blog O Jumento, 31/03/2018)
ceia
É uma pena que o nosso cardeal não tenha imitado o Papa Francisco lavando os pés de criminosos na missa da Quinta-feira Santa. Não faltam por aí bandidos muito dados a missas e abluções pascais e nem era preciso ir á penitenciária. Nem faltam bandidos que no passado eram apóstolos do nosso sistema financeiro.
O cardeal poderia ter mesmo convidado o franciscano Melícias para o ajudar na qualidade de sacristão, já que o famoso franciscano, que é uma espécie de padrinho espiritual do regime, conhece os banqueiros como a palma da mão. Para o papel de apóstolos não faltam candidatos.
Já imagino o Ricardo Salgado, o Carlos Costa, o Passos Coelho, a Maria Luís, o Vítor Gaspar, o Vítor Bento, o Oliveira e Costa, o Dias Loureiro, o Cavaco Silva, o Durão Barroso, o Jaime Gama e o Luís Amado unidos na tarefa de discípulos a quem Jesus decidiu lavar os pés na última ceia, para lhes garantir que iriam para o céu com a alma bem lavadinha.
Estes amigos e serventuários da banca que a esta hora se estarão a rir dos portugueses que pagaram com língua de palmo os desvarios dos bancos de que eram donos ou que serviram com devoção. Depois da ablução dos prejuízos à custa de um aumento substancial da dívida dos portugueses deverão estar a gozar com os contribuintes, os idiotas que pagaram com austeridade as experiências do Passos Coelho e, a coberto destas, lavaram os prejuízos do sistema financeiro.