A ignorância atrevida

(Estátua de Sal, 27/02/2026)


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Pensava eu que a ida do Major-General Carlos Branco para o canal Now – onde ao domingo faz o resumo dos acontecimentos mais marcantes da semana, em termos de geopolítica, no seu programa Tabuleiro do Poder – o tinha livrado de vez dos pivôs ignorantes, belicistas e russófobos, como o Bello Moraes e quejandos da CNN.

Afinal não. Eu não sabia mas, Carlos Branco, também tem outras intervenções no canal Now, além do seu programa semanal. E foi numa dessas presenças em que, mais uma vez, um pivô – neste caso, de seu nome João Ferreira -, trouxe ao de cima a sua ignorância, impreparação e displicência: ao menos exigia-se que fizesse bem os trabalhos de casa – vulgo TPC -, se pretendia ousar confrontar um especialista sério e bem informado.

Estes pequeninos capatazes dos écrans não tem vergonha das tristes figuras que fazem quando entram em confrontos para os quais não têm arcaboiço. Querem, à força de contorcionismos acrobáticos, que a realidade seja confome com as falsas narrativas que propagandeiam a mando dos seus chefes. E quando os comentadores mais sérios e informados os desmascaram, ou azedam ou, então, fingem mesmo que nada se passou, ficando na cara de pau, como dizem os brasileiros.

Mas passou, os espectadores viram. E os leitores da Estátua também poderão ver no vídeo que publico abaixo. Termino com o comentário de Diogo Sousa, Facebook, 26/02/2026, o qual subscrevo na íntegra.

Estátua de Sal, 27/02/2016



O regresso do Major-general Carlos Branco à televisão

(Estátua de Sal, 10/10/2025)


Parece que a CNN prefere a Soller e a Ferro Gouveia, que nunca devem ter visto uma pistola na vida, a dissertarem sobre guerra e geopolítica. Sim, porque a estação dar liberdade ao Major-general para dissertar sem peias era uma ameaça para a coerência das suas diárias mensagens de propaganda manipuladora das mentes.

Assim sendo, restava a Carlos Branco mudar de canal, pelo que acaba de escrever na sua página do Facebook:

Serve esta mensagem para informar que reiniciarei o comentário televisivo no próximo domingo, pelas 14 horas, mais coisa menos coisa, no canal NOW, num programa denominado “O Tabuleiro do poder”. Conto que assistam e divulguem esta mensagem pelas vossas redes sociais.

Sobre este regresso, veja-se também a notícia que segue abaixo, assinada pelo jornalista Miguel Azevedo e publicada hoje no Correio da Manhã.

Major-general Carlos Branco reforça o NOW

Estreia acontece dia 12 e a presença passa a ser regular aos domingos na rubrica ‘O tabuleiro do Poder’.


O Major-general Carlos Branco, especialista em assuntos militares, é o novo reforço do NOW. Estreia-se no ecrã já dia 12, passando a ter presença assídua no canal aos domingos na rubrica ‘O tabuleiro do Poder’, incluído no Jornal da Hora do Almoço. Ao CM, Carlos Branco fala de um desafio “bastante aliciante” e explica a opção: “Foi-me dada a oportunidade de ter um programa em que tenho liberdade para escolher os temas que quero discutir. Era difícil de recusar”, explica, sublinhando o caminho que a NOW está a fazer. “A evolução das audiências fala por si. Os recentes desenvolvimentos apontam para o crescimento. Espero contribuir para isso”.

Prometendo “informação isenta de uma pessoa que esteve no terreno e conhece os assuntos”, concorda que a atualidade política internacional está particularmente rica mas lembra que “há mais mundo para lá das guerras da Ucrânia. Há um leque bastante alargado de temas que devem merecer a nossa atenção e que têm um imenso impacto nas nossas vidas”.

De recordar que Carlos Branco deixou a CNN Portugal, em julho, depois de um momento de tensão em direto com o jornalista Pedro Bello Moraes. “O que aconteceu foi muito grave. Foi um exercício de incompetência sem consequências, nem na CNN nem nas instituições que regulam a atividade dos jornalistas”. Sobre as acusações de ser pró-Rússia responde: “ Falar verdade não é ser pró-Putin. Nunca alinhei na mentira, apesar de estar consciente das consequências das posições que tomei”.


O Major-general Carlos Branco deixa a CNN

(Major-General Carlos Branco, in Facebook, 24/07/2025)


(Foram muitas as patifarias que fizeram ao Major-general Carlos Branco os pivôs da CNN e outros comentadores ignorantes, avençados e insolentes. Uma atuação orquestrada de bullying mediático com – pelo menos – o beneplácito da estação. Mas atingiram o objetivo: calar uma voz informada, isenta e desmistificadora da parcialidade e da propaganda disfarçada de notícia, que é a especialidade da CNN.

Uma perda para a liberdade de expressão e para a democracia. Bem haja, Major-general Carlos Branco. Os verdadeiros democratas estão consigo.

Estátua de Sal, 24/07/2025)


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No seguimento da minha “entrevista” com Pedro Bello Moraes (PBM), no dia 10 de julho, na CNN Portugal, pelas 13 horas, em que este ultrapassou todos os limites da ética e da deontologia jornalística, sem posteriormente se retratar ou admitir o erro pela sua prestação vergonhosa, não me restava outra alternativa que não fosse a de cessar a minha colaboração com a CNN Portugal. Ficou evidente uma assimetria de papéis que tem de ter consequências e que eu não posso consentir.

Criou-se uma situação insustentável em que foram transpostas todas as linhas vermelhas que a paciência sem limites pode tolerar. Foi um péssimo exemplo, um caso daquilo que o jornalismo não pode nem deve ser. O desempenho medíocre e desastrado de PBM vai tornar-se num estudo de caso nas escolas de jornalismo, para se mostrar aos iniciados na carreira o que não se deve fazer, e como não se devem comportar quando se é ignorante e impreparado numa matéria.

O meu agradecimento ao Nuno Santos pelo convite que me fez há três anos para colaborar na análise do conflito ucraniano. A CNN foi pioneira em Portugal no convite a militares para analisarem/comentarem de forma continuada e sistemática situações de conflito, algo que já se fazia noutros países, em particular nos EUA, mas que foi mal recebido num meio que se julga “prá frentex” onde, infelizmente, ainda prevalece alguma inveja e provincianismo. Na altura, isso criou azia a muita gente. Primeiro estranhou-se, mas depois entranhou-se. Agora vários canais, copiando a CNN, recorrem a militares. O que há três anos era considerado, por alguns, um crime de lesa-pátria tornou-se normal, até mesmo incontornável para quem quiser estar no topo das audiências.

Gostaria de sublinhar que a CNN Portugal é a única cadeia de televisão que ainda permite diversidade de opiniões, num panorama nacional onde os laivos censórios se tornam cada vez mais evidentes, no qual se incluem os canais públicos.

O pensamento não alinhado com a propaganda imposta pelo mainstream corre o risco de se tornar delito.

Desejo votos de sucesso à CNN Portugal e aos que nela trabalham com afinco, elevado profissionalismo e dedicação. Não confundo a CNN com a mediocridade de PBM, colocado em horários em que ninguém vê televisão. Os períodos da grande audiência estão destinados a jornalistas com menos de metade da sua experiência profissional, mas indiscutivelmente com mais talento, algo que manifestamente falta a PBM.

A ausência nesta fase do comentário televisivo não significa o abandono da análise dos acontecimentos, que continuarei a fazer noutras plataformas, lembrando sempre que há mais marés do que marinheiros.