(Rui Pereira, in Facebook, 23/09/2026, Revisão da Estátua)

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Está certo e é real tudo quanto se escreveu e falou sobre um dos mais inspiradores e talentosos insubmissos das nossas artes e das nossas vidas por ocasião da sua morte.
Até os carteiristas de cidade, que por vezes lhes presidem e que confundem a salada russa toda da esquerdalhada, vêm a terreiro (do Paço) pretensamente homenageando alguém – que com eles nada mais teve a ver do que opor-se-lhes -, até esses fazem parte da mágoa, embora da mágoa enquanto negócio.
Como há coisas, em todo o caso, que nem aos mortos se perdoam, houve umas palmas sérias que nem na morte o Jorge mereceu. São as referentes às fotos abaixo. As quais não significam que aquele que “não é de ninguém“, como escreveu numa cantiga, se torne, na morte, propriedade de alguém. Somos sempre e apenas daqueles que nos querem bem e daqueles a quem queremos bem.
Discretamente, sem emblemas, reivindicações nem consignas, o PCP (que perdeu também ontem um militante seu, grande intelectual, jornalista, escritor e poeta, José Viale Moutinho – com direito a trinta segundos de telejornal) apresentou sobre a morte de Jorge Palma um voto de pesar ao Parlamento (ver aqui) que será aprovado (por maior ou menor que seja o sapo a engolir pela maioria dos circunstantes).
Porém, como o azedume não pode desencantar o mundo, deixo a reprodução de uma pérola de dois magníficos amigos íntimos e grandes criadores a quem nem os vendedores de banha-de-cobra do reino ousam voltar as costas quando morrem, por muito que o tenham feito e façam enquanto vivem. Falo de A noite passada.
É ver o vídeo abaixo.
Tive o privilégio de o ver ao vivo por duas vezes.
Nos últimos tempos a força das suas letras tem me dado força.
Quantas vezes quando o cansaço aperta me lembro da estrada onde e mesmo preciso continuar “enquanto houver estrada para andar”.
A gente vai continuar.
Contra ventos e mares, fascistas, Trumpistas, sionistas, enguias e outros que tais.
Como os hipocritas que agora choram lágrimas de crocodilo quando em vida do homem o tentavam apoucar fazendo referência a vícios privados.
Os outros, os que ainda teem vergonha no focinho, ficaram sem dúvida mais pobres.