O Chega, Ventura e a família Champalimaud

(Júlio Bessa Vintém, in Facebook, 04/02/2026, Revisão da Estátua)


(Começo por dar os parabéns ao autor, pela qualidade do texto, no que toca à desmontagem dos objetivos operacionais do projeto Chega e dos patrocínios ao seu líder. O autor baseou, parte da factualidade que apresenta, no livro do jornalista Miguel Carvalho, Por Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal.

Estátua de Sal, 05/02/2026)


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Há uma ironia deliciosa, daquelas que fariam rir se não fizessem chorar, na narrativa venturiana do “povo contra as elites”.

André Ventura discursa contra o “sistema de interesses instalados” num hotel de luxo em Cascais onde o quarto mais barato custa mais que o salário mínimo de meio mês. Proclama-se voz dos abandonados e esquecidos enquanto janta em Monsanto com barões, condes e marqueses que financiam a sua cruzada populista com transferências de cinco dígitos. Promete “limpar Portugal” da corrupção enquanto esconde da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) os nomes de quem realmente paga as contas do CHEGA.

É teatro, obviamente. Mas é teatro tão bem encenado, com cenografia tão convincente, que muitos milhares acreditam. Acreditam que o homem financiado pela família Champalimaud — donos dos CTT, de hotéis de luxo, de participações no que resta do império BES — é verdadeiramente o paladino do povo. Que o político apoiado por comerciantes de armas, especuladores imobiliários e aristocratas ligados a redes bombistas do pós-25 de Abril é genuinamente antissistema. É preciso uma suspensão da descrença, digna de ópera wagneriana.

Mas, talvez o mais fascinante, não seja a hipocrisia — essa é banal, universal, transversal ao espectro político. O fascinante é a elegância com que o esquema funciona. A precisão cirúrgica com que as políticas do Chega servem exatamente os interesses de quem o financia, enquanto a narrativa pública fala de outra coisa completamente diferente. É engenharia social de alto nível. Merece, no mínimo, análise.

Comecemos pelos factos. Não as teorias da conspiração, não as especulações — os factos duros, documentados, publicados por jornalistas que fizeram o trabalho aborrecido de ler extratos bancários e cruzar transferências.

A família Champalimaud, nas suas várias ramificações aristocráticas e empresariais, transferiu dezenas de milhares de euros para o Chega entre 2021 e 2022. Manuel Carlos de Melo Champalimaud, o maior acionista dos CTT na altura, dez mil euros. Miguel de Mendia Montez Champalimaud, dono do The Oitavos (esse hotel de luxo onde Ventura faz comícios anti elite), valores não especificados mas documentados. Miguel Vilardebó Sommer Champalimaud, dez mil euros. Mafalda Mendia Champalimaud, dez mil, repetidos. Eduardo Guedes Queiroz Mendia, ex-administrador da Espart (o braço imobiliário do Grupo Espírito Santo, aquele que implodiu levando as poupanças de milhares), também contribuiu generosamente.

Não são os únicos. João Maria Ribeiro Bravo, empresário que vende armas e helicópteros ao Estado português e que recentemente foi alvo de buscas da PJ na operação “Torre de Controlo” sobre alegado cartel de helicópteros, não só deu cinco mil euros como organizou almoços de angariação para o Chega. Miguel Costa Félix, do sector imobiliário e turismo, 2500 euros. Isto é apenas aquilo que facilmente se consegue confirmar e validar (apenas a ponta do novelo).

Pedro Maria Cunha José de Mello, também presente. E há mais — condes, marqueses, barões, gente com títulos que pensávamos extintos mas que afinal andam por aí, vivos, ricos, e a financiar o partido que promete defender os pobres contra os poderosos.

Alguns destes financiadores têm histórias particularmente saborosas. Miguel Sommer Champalimaud esteve implicado na tentativa do golpe spinolista de Setembro de 1974. Francisco Van Uden, monárquico na linha de sucessão ao trono, foi chefe operacional do ELP (Exército de Libertação de Portugal), organização terrorista de extrema-direita responsável por atentados no pós-revolução do 25 de Abril. Eduardo de Melo Mendia, quinto conde de Mendia, aparece nos Paradise Papers. Luís Mendia de Castro, quarto conde de Nova Goa, movimenta-se em instituições financeiras. São pessoas sérias. Gente de bem. Defensores da ordem, da hierarquia, da propriedade. Exatamente o tipo de aristocracia financeira que qualquer populista genuíno combateria até à morte. Mas Ventura não combate. Ventura agradece. E retribui.

Porque, aqui está o verdadeiro génio do esquema: as políticas do Chega alinham-se perfeitamente com os interesses de quem o financia, mas essa ligação nunca é explicitada. Nunca é discutida. Fica escondida nas entrelinhas dos programas eleitorais, camuflada por retórica sobre “povo”, “Nação”, “soberania”.

É preciso ler com atenção — e poucos lêem — para perceber que o partido que se apresenta como defensor dos trabalhadores tem no seu programa a privatização de tudo o que o Estado ainda controla.

Leiamos, então. Diretamente do programa do Chega, página 45:

“Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços, sejam eles serviços de Educação ou Saúde, ou sejam os bens vias de comunicação ou meios de transporte”.

Não é ambíguo. Não é metafórico. É literal. O Chega defende que o Estado se retire completamente da provisão de serviços. Saúde? Privada. Educação? Privada. Transportes? Privados. Tudo.

Página 49, sobre saúde especificamente:

“O Estado não deverá, idealmente, interferir como prestador de bens e serviços no Mercado da Saúde mas ser apenas, um árbitro imparcial e competente”.

Traduzindo do economês para português: acabar com o SNS. Não o reformar. Não o melhorar. Acabar com ele. Transformá-lo num sistema de seguros privados onde quem tem dinheiro tem saúde e quem não tem, azar. Exatamente o modelo americano que está a fazer a esperança de vida nos EUA decrescer, pela primeira vez em décadas. Exatamente o que beneficiaria os grandes grupos de saúde privada. Exatamente o que poderia interessar a quem tem investimentos nessas áreas.

E a flat tax? Ah, a flat tax. A Iniciativa Liberal teve o bom senso de recuar nesta barbaridade fiscal depois de economistas a trucidarem publicamente. O Chega não. Mantém no programa a taxa única de IRS de 15%, com ambição declarada de chegar a 0%. Para quem ganha 800 euros por mês, isto é desastroso — pagaria mais impostos que no sistema atual. Para quem ganha 10.000, 50.000, 100.000 euros por mês, é o paraíso fiscal. Uma redistribuição massiva de riqueza de baixo para cima, dos que trabalham para os que especulam, dos assalariados para os rentistas.

E o IMI? Também a 0%, segundo Ventura. Beneficiando essencialmente quem? Os grandes proprietários. As famílias com património imobiliário massivo. As fortunas fundiárias. Não as pessoas que compraram penosamente um T1 nos subúrbios. Essas pagariam através do IVA — que o Chega quer aumentar, concentrando a tributação no consumo, o imposto mais regressivo que existe, aquele que pesa mais sobre quem ganha menos.

Há, pois, um padrão aqui. Um padrão claro, documentado, verificável. As políticas do Chega beneficiam sistematicamente os ricos. Os muito ricos. Os obscenamente ricos. Privatização de serviços públicos? Ótimo para quem pode comprar os ativos privatizados. Flat tax? Maravilhoso para quem ganha rendimentos de capital. Fim do IMI? Perfeito para grandes proprietários. Parcerias público-privadas na saúde? Excelente para grupos privados do sector. Desregulamentação do mercado imobiliário? Fantástico para especuladores.

E para o povo que Ventura diz representar? Para os trabalhadores precários, os jovens sem casa, os reformados com pensões miseráveis, as famílias que dependem do SNS porque não têm dinheiro para seguros privados? Para esses, o programa do Chega oferece o quê exatamente? Retórica. Indignação. Inimigos convenientes — imigrantes, ciganos, esquerdalha. Mas, soluções concretas que melhorem as suas vidas? Nenhumas. Pelo contrário: políticas que as piorariam drasticamente.

Isto não é acidente. Não é incompetência. Não é Ventura a ser ingénuo e a deixar-se capturar por interesses que não compreende. É design. É o modelo de negócio. Mobilizar os ressentimentos legítimos das classes trabalhadoras — que existem, que são reais, que merecem atenção — e canalizá-los, não para políticas redistributivas que melhorariam as suas vidas, mas para uma agenda que serve os interesses da elite financeira e aristocrática que financia o movimento. É o velho truque. Tão velho quanto a própria política. Tão eficaz quanto sempre foi. Dar aos pobres um inimigo mais pobre ainda (o imigrante, o “subsidio dependente“) enquanto se rouba o que resta da sua proteção social para entregar aos ricos. É como funcionou o fascismo. Como funciona o populismo autoritário em todo o lado. Prometem ordem, Nação, tradição. Entregam desregulamentação, privatização, transferência de riqueza para os de cima.

E funciona porque a narrativa é convincente. Porque Ventura é bom no que faz — mobilizar emoção, criar identificação, desempenhar autenticidade. Porque os media amplificam sem contexto. Porque os adversários políticos respondem com indignação moral em vez de exposição factual. Porque a maioria das pessoas não vai ler os programas eleitorais, os extratos bancários, as investigações jornalísticas. Vão apenas ouvir o discurso, ver as imagens, sentir a raiva.

E há tantos motivos  para estar com raiva. Legitimamente. O sistema político português falhou a muita gente. A precariedade é real. Os salários são vergonhosos. A habitação é inacessível. Os serviços públicos estão degradados. As instituições perderam credibilidade. Tudo isto é verdade. Tudo isto precisa de resposta. Mas a resposta do Chega não é resposta — é exploração. É pegar nessa raiva legítima e usá-la para implementar exatamente as políticas que piorarão os problemas que a geraram.

Porque quem pensa que privatizar o SNS vai melhorar o acesso à saúde dos pobres é ingénuo ou desonesto. Quem acredita que uma flat tax vai beneficiar trabalhadores precários não percebe matemática básica. Quem imagina que acabar com a regulação do mercado de trabalho vai aumentar salários desconhece história económica elementar. Estas não são soluções. São transferências de riqueza e poder para quem já os tem em demasia.

E os financiadores do Chega sabem disto. Obviamente. Não são estúpidos. São, na verdade, bastante inteligentes. Investiram em Ventura porque viram uma oportunidade. Viram um talento performativo raro, combinado com uma ausência de escrúpulos ideológicos. Viram alguém que podia mobilizar as massas enquanto servia interesses de classe. Viram o veículo perfeito, para uma agenda que nunca ganharia eleições, se fosse apresentada honestamente.

Porque se Manuel Champalimaud se candidatasse às eleições com o programa “vou privatizar os CTT, o SNS, a educação pública, e baixar os impostos aos ricos“, seria trucidado nas urnas. Mas Ventura pode propor exatamente isso — desde que seja embrulhado em bandeiras, hinos, retórica nacionalista, e acuse os outros de serem as verdadeiras elites. É marketing genial. É terrível. Mas é genial.

E nós, espectadores mais ou menos cúmplices, assistimos. Alguns indignados, outros entusiasmados, a maioria apenas cansada. Partilhamos os escândalos, comentamos as polémicas, esquecemos os detalhes. Porque os detalhes são aborrecidos. Extratos bancários são aborrecidos. Programas eleitorais são aborrecidos. Análise de políticas fiscais é aborrecida. Ler este artigo é aborrecido. Muito mais fácil é ver Ventura a gritar, a apontar dedos, a prometer limpeza e ordem.

E enquanto isso, os Champalimauds, os Bravos, os Mendias, os condes e marqueses, vão transferindo os seus cinco e dez mil euros. Jantam em Monsanto. Almoçam no Oitavos. Financiam o homem do povo. E sorriem, imagino, com aquele sorriso de quem sabe que fez um bom investimento. Porque afinal, por uns milhares de euros — que para eles são trocos, loose change, o que gastam num fim-de-semana em Saint-Tropez — estão a comprar políticas que lhes valerão milhões.

É um esquema elegante. Eficiente. Rentável. E completamente legal. Porque em 2017, PS, PSD, PCP, BE e PEV votaram para abolir os limites de donativos a partidos. Abriram as portas. Deixaram o dinheiro fluir livremente. E agora surpreendem-se — ou fingem surpreender-se — que haja quem aproveite.

O Chega esconde nomes da lista de financiadores entregue à Entidade das Contas. Omite doações. “Esquece-se” de reportar transferências. E não há consequências. Porque não há fiscalização real. Porque a  Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) tem três pessoas para fiscalizar todos os partidos. Porque o sistema foi desenhado para não funcionar. Porque a opacidade convém a todos.

E assim continuamos. Ventura grita contra as elites. As elites financiam Ventura. O povo aplaude. Os ricos enriquecem. Enquanto isso o SNS definha. Os salários estagnam. As casas ficam inacessíveis. E daqui a uns anos, quando as políticas do Chega forem implementadas — se forem —, quando os hospitais públicos forem entregues a privados, quando a flat tax transferir mais milhares de milhões para o topo, quando a última rede de proteção social for desmantelada, talvez olhemos para trás e perguntemo-nos como é que deixámos isto acontecer.

Ou, provavelmente. não. Provavelmente estaremos demasiado ocupados com a próxima indignação, o próximo escândalo, o próximo inimigo conveniente que Ventura nos apontar. Porque o espetáculo não para. Nunca para. E nós somos simultaneamente audiência e combustível, vítimas e cúmplices.

Bem-vindos ao populismo do século XXI. Onde os paladinos do povo têm contas nas Ilhas Caimão e os defensores dos trabalhadores jantam com marqueses. Onde a retórica é de esquerda mas as políticas são de direita radical. Onde tudo é performance, nada é real, e os únicos que ganham são precisamente aqueles contra quem o populista diz lutar.

É deprimente. É previsível. É evitável. Mas não será evitado. Porque evitá-lo exigiria ler os programas, seguir o dinheiro, conectar os pontos. E isso dá trabalho. Muito mais trabalho que partilhar mais um vídeo de Ventura e sentirmo-nos indignados ou validados.

Então os Champalimauds continuarão a transferir. Ventura continuará a gritar. O povo continuará a acreditar. E os condes continuarão a sorrir, porque afinal descobriram a formula perfeita: comprar uma revolução popular que serve os interesses da aristocracia.

É quase poético. Se não fosse trágico.

18 pensamentos sobre “O Chega, Ventura e a família Champalimaud

  1. O mesmo digo eu, se derrota e impedir que sejamos mais um país a ter um presidente abertamente fascista venham todas as derrotas e mais algumas. No domingo e para ir votar nem que chovam picaretas.
    Fascismo nunca mais.

  2. Onde o CHEGA quer CHEGAR

    O CHEGA quer ajudar os pobres?
    O CHEGA quer proteger os RICOS?

    Perguntemos:

    A quem interessa a privatização dos Serviços de Saúde, da Escola Pública e a diminuição dos impostos que o Chega propõe?

    • Interessa a quem não pode recorrer a serviços privados?
    • Interessa a quem poucos ou nenhuns impostos paga porque não tem rendimentos que o impliquem?

    A quem interessa o aumento do IVA que o CHEGA aceita tranquilamente?

    • Interessa a quem controla a produção e a distribuição?
    • Interessa a quem não pode dispensar o consumo de produtos?

    Qual a estratégia do Chega:

    • Finge que defende os pobres (classes baixas e classes médias empobrecidas):
    • Reconhece a injustiça da situação em que se encontram;
    • Não identifica as causas que estão na origem dessa situação;
    • Culpa as elites; mas, repare-se, só refere elites políticas, não as económicas ( que por detrás se escondem).
    • Mobiliza o ódio dos nacionais mais ressentidos contra imigrantes e outros alvos de momento.

    Fica a pergunta dos não sei quantos milhões :
    O que se poderá fazer para reverter o sucesso deste e de outros partidos políticos de extrema direita?

    Respostas e sugestões aguardam-se e não “guerras do alecrim e da manjerona”, ou contendas de ‘rufiões de escola primária’ que aproveitam a ocasião para provocarem a erosão do espaço público.

    N.B. Excelente texto que suscitou este meu como que comentário /síntese

  3. O que está aqui em causa e quem financia os partidos e porque, meu escravo que se diz alforriado.
    E o teu partido diz a quem está desesperado que combate as elites mas é financiado por elas para fazer com que estas voltem a ter o estatuto de impunidade que lhes dava o fascismo.
    E para que esses desesperados saibam o que e sofrer a sério. Como aconteceu a muitos brasileiros que votaram Bolsonaro e está a acontecer a muitos argentinos que votaram Milei e muitos estado unidenses que votaram Trump.
    O teu partido e uma fraude grotesca paga pelos donos disto tudo.
    Para nos retirar direitos a todos, para nos fazes regredir mais de 50 anos.
    Achas que te aguentas com meia sardinha? Proveito te faça porque eu preciso de comer que nem uma baleia.
    Se tivéssemos as condições de vida que o teu CU nos quer dar a mando dos donos disto tudo já cá não estava e provavelmente tu também não.
    No teu caso não me parece que faças parte dos donos disto tudo ou não te davas ao trabalho de escrever aqui a insultar os outros meu peixe espada preto.
    Provavelmente és masoquista mas isso e problema teu.
    Pelo menos o CU levou tampa quanto a ideia peregrina de adiar as eleições em todo o lado a pretexto dos temporais.
    Devia ter percebido que isto ainda não e a Ucrânia.
    Mas se ele chegar a algum lado só nos vai faltar a neve.
    Mas não vai passar. Porque já sofremos demais e não precisamos demais. E quem vota acabara por perceber isso. Mais cedo que tarde.

  4. O problema é o Ventura não ficar em casa e vir fazer o mesmo que os outros já estão fazendo.
    Isto eu ouvi em directo na TV:
    Sr. Dr. (Salgado ) o sr. dr. acha bem pagar IRS a 5%? Perguntou a deputada dra. Mortágua (filha do pirata) ao dr. Salgado.
    Resposta do sr dr : sra dra não fomos nós que fizemos a lei. Igual pergunta que teve igual resposta foi feita a um sr eng primo do sr dr.
    Umas quadritas:
    Dos direitos em conflito
    Aprendidos na Universidade
    Com valor ns diversidade
    Num o direito noutro o delito.

    O da propriedade coitado
    Por políticos e por juízes
    Do arbítrio aprendizes
    Pelo da habitação é lesado

    Ladras e ladrões a ladrar
    Olho direita olho esquerda
    Só labregos de mente lerda
    Ninguém consegue ajuizar.

    Esta gente não tem jeito
    Só ladrões do piorio
    Temos agora o senhorio
    A garantir o direito.

    Não pode garantir nada
    Não tem poder nem dinheiro
    Mas se se recorre ao banqueiro.
    Ficam dois direitos na alhada.

    O habitante proprietário
    Sujeita-se a ficar a monte
    Ou ir para debaixo da ponte
    Se resolveu ser mutuário.

    O dinheiro sempre em viagem
    Por todos os cantos do mundo
    Mesmo que esteja imundo
    O Estado até faz lavagem.

    Por míseros cinco por cento
    Comissão de pouca monta
    Sem coima directo à conta
    Abençoado por Sâo Bento.

    Assim lavado o dinheiro
    Que estava em paraíso fiscal
    Volta limpo ao país natal.
    E o povo nem sente o cheiro.

    Bizarra democracia
    Bizarro comportamento
    Transforma-se um parlamento
    Em gigante lavandaria.

    • Também vais fazer greve à 2.ª volta das eleições, em protesto ao lado do CU (candidato único), pela “igualdade dos portugueses no acesso ao voto”?
      Estas carolas direitolas não páram… e com estas chuvadas e nevões, até se atolam!

  5. Enquanto uns discutem os dinheiros-maus à direita e não falam dos dinheiros-bons à esquerda, a Terra continua a girar.

    O tratado START (New START) expirou. Era esperado que assim fosse. Os EUA querem um novo Tratado que inclua a China, que neste momento anda a trote na questão nuclear, mas que pode passar a galope se necessário.

    Como diz Dmitry Trenin no fim do artigo:
    https://swentr.site/news/632075-dmitry-trenin-strategic-stability-start/

    “…No entanto, o núcleo permanece inalterado de meio século atrás. A estabilidade estratégica, em última análise, repousa na dissuasão nuclear credível: um arsenal suficiente e a prontidão demonstrada para usá-lo, se necessário. A intimidação, por mais desconfortável que seja a palavra, continua a ser a base da paz entre as potências nucleares.”

    Os americanos estão cientes das capacidades chinesas e cientes estão, das suas incapacidades.

    Este link fala sobre isso:
    https://ria.ru/20260205/snv3-2072288120.html

    “… A questão do que acontecerá a seguir é discutível. As forças estratégicas dos EUA ainda operam mísseis balísticos intercontinentais Minuteman III, adotados na década de 1970, e mísseis balísticos lançados por submarinos Trident II, em serviço desde o início da década de 1990. E não está claro se os americanos conseguirão retomar a produção rapidamente. O desenvolvimento de novas armas está constantemente sendo adiado.
    …”

    • Sempre a desviar o assunto… ah pois não, na blogosfera é que se está bem, a espalhar a mensagem do candidato único… os cartazes que vão os outros arranjar, que isto de subir aos outdoors, com estas chuvadas, ventanias e nevões, está muito perigoso…
      Estas carolas direitolas não páram…

  6. ah ah ah ah

    Mas eu estou convencido que isto é verdade, não preciso que a Orka-vermelha me diga.

    Vejamos:
    “… É um esquema elegante. Eficiente. Rentável. E completamente legal. Porque em 2017, PS, PSD, PCP, BE e PEV votaram para abolir os limites de donativos a partidos. Abriram as portas. Deixaram o dinheiro fluir livremente. E agora surpreendem-se — ou fingem surpreender-se — que haja quem aproveite. …”

    No que é que ficamos? O PCP está ali a mais.
    Provocador! Amarelo! Fascista! Sabujo! … é continuar com a K7 do PREC, lembram-se ainda dos insultos?

    O Champalimaud, o António, disse e todos ouviram, que davam dinheiro a todos os partidos e que se o PCP lá fosse, também recebia. Se o PCP foi ou não, não sei, sei é que o PCP tinha uma conta catita, naquele banco que andamos todos a pagar, não se sabe até quando.

    Se não é pedir muito ao JB Vintém, fico a aguardar pela 2ª parte, a do Seguro.
    Ah! sim! Compreendo. Estas coisas levam o seu tempo a investigar, outras vezes a fabricar. Por isso não garante nada antes das eleições? E claro, depois não vale a pena.
    Depois dizem que há bruxas e ninguém viu aquele Doutor alemão coxo para os lados do Rato. Alguma cegueira à Saramago, mas há-de passar.

    Sobre aquelas “mentiras” ditas com cara séria e assentes nuns pós de verdade, aqui vai:
    https://swentr.site/news/632005-jeffrey-epstein-russia-conspiracy-media/

    são os mesmos que ao serviço dos democratas americanos criaram o Russiagate e que por aqui cada vez que se falou contra o “wokismo”, as duas piranhas-vermelhas morderam logo. Era contra a esquerda, a esquerda delas, por isso inatacável.

    Sim, sim, em cima do Judeu, assim ao jeito do gerente da agência bancária e do caixa, que aproveitam o assalto ao banco (malta nova se não sabem o que é, vejam uns filmes antigos) para incluírem no montante declarado, o que eles tinham roubado antes.

    O link da RT cria um problema à Orka-vermelha. E se é verdade pá? 🤫

    Para encerrar este assunto trágico-cómico uma citação da obra de Jean Lartéguy – Marco Polo Espião de Veneza, Livros do Brasil, 1986. p. 24): ” … Aprende a esconder o que sabes, para que não se faça alarme daquilo que ignoras – tinha-lhe ensinado em tempos o mestre Miguel Dandolo …”

    • Leste PCP e ligaste logo todos os alarmes, ardina da Folha Nacional? É sigla proibida de ser inscrita num artigo, ainda por cima um daqueles que refere temas “sórdidos” e “verdades inconvenientes”, como no tempo do “lápis azul”, em que os que ousavam concorrer com o candidato único de então, o Salazar idolatrado pelo Quarto Pastorinho, colocando em causa a sua suprema autoridade, acabavam assassinados a sangue frio?
      Andas mesmo apanhadinho do sistema climático… pareces o outro que quer adiar as eleições, o teu líder incontestável, o candidato único que, nunca vencendo, sempre soma vitórias… nem que seja por encantar mais uns quantos pategos…
      Estas carolas direitolas não páram…

  7. O problema e como convencer os vencidos da vida que votam Chega e Ventura de que tudo isto e verdade?
    Muitas vezes nos dizem que devemos argumentar com eles. Mas se lhes mostrarmos este artigo vão dizer que e tudo uma aldrabice de quem tem medo de perder privilégios porque quando esse salvador da Pátria chegar ao poder e que vão ver como elas mordem.
    Nos meus tempos de estudante uma colega com pouca apetência para o estudo dizia que “pensar faz calos no cérebro”.
    E o típico votante no Chega parece achar o mesmo. Porque parar para pensar não e com ele.
    Porque se parasse para pensar perguntaria de onde vem o dinheiro para as campanhas milionárias que o partido, e em especial o seu candidato único, fazem eleição após eleição.
    Perguntaria porque raio e que o candidato único e o seu partido teem mais destaque na comunicação social que qualquer outro partido?
    Porque e que ele e tratado nas entrevistas com toda a deferencia, até quando decide insultar o entrevistador e toda a sua classe profissional?
    Não e decerto milagre pois que nunca se disse que o Senhor faz chover dinheiro para campanhas ou faz jornalistas ver a luz de forma a favorecer a criatura.
    Claro que são os antigos donos disto tudo que o financiam.
    E a influência dos antigos donos disto tudo, que também deteem boa parte dos meios de comunicação social que lhe garante a cobertura mediática que tem.
    Porque sonham voltar a ser os donos dos nossos destinos e das nossas vidas tal como eram nos tempos do antigamente.
    E natural e que a saúde seja um dos seus alvos mais apetecidos.
    Com a saúde ganhasse sempre dinheiro, muito.
    Alguém que se veja doente, que tenha um filho doente, fará qualquer sacrifício, venderá o que tem e o que não tem, vendera ate o corpo a quem o quiser comprar para recuperar a sua saúde ou a do seu ente querido.
    A saúde da lucro certo.
    A educação e outra vertente de bons negócios pois que quanto mais precariedade houver mais necessidade as pessoas sentirão de conseguir para si e para os seus filhos uma educação que lhes permita arranjar um emprego qualificado que o mantenha acima da miséria geral.
    E farão também qualquer sacrifício para conseguir isso. E pagarão o que for preciso.
    E por tudo isto os grande grupos económicos apoiam o Chega e um regresso de todos nós aos negros tempos do fascismo.
    Porque e de fascismo que se trata.
    E quem vota nesses trastes por invejar ou odiar quem ainda e mais pobre que ele próprio saberá o que e amargar se conseguir o que deseja.
    Resta nos esperar que com o tempo haja mais gente a parar para pensar.
    A não atribuir estas verdades sobre o novo fascismo lusitano a teorias da conspiração ou medo de elites perderem privilégios. Porque votar nessa gente e a maneira mais segura de vivermos todos sob o jugo de uma elite e a vida de quem neles votou por estar de mal com a vida ficar pior ainda.
    Por isso minha gente, vamos lá a acordar, a parar para pensar, ou teremos todos um bom bico de obra a aviar.

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