Chega…

(Carlos Esperança, in Facebook, 26/01/2026)


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Eu sabia que os militantes do Chega eram incapazes de pensar, mas não imaginei que soubessem ler, apesar da obstinação com que escrevem no meu mural do Facebook.

Nunca conseguiram atingir-me com maiores danos do que os que infligem à gramática e à urbanidade, mas admiro o esforço para superar o ídolo na indelicadeza e boçalidade.

Tolero-os. Sei que não distinguem a democracia da ditadura, a sanidade da demência o civismo da selvajaria. Porque nunca tiveram voz, admiram o seu Profeta, porque grita, e confundem os seus grunhidos com vozes do Além.

Como democrata respeito os antidemocratas e como ateu defendo os crentes, e o Chega não é um partido, é uma seita que crê no Profeta e na virtude dos exorcismos. O líder não é um portador de ideias, é o vendedor de sonhos cuja presença é uma aparição que extasia e excita os peregrinos que o seguem. Ele próprio se considera o 4.º Pastorinho de Fátima, julgando ser a reencarnação do cónego Formigão.

Sei que os devotos sonham com o “nosso Ultramar infelizmente perdido” e se oferecem para reverter a descolonização oferecendo-se para envergarem um camuflado e partirem para a Cruzada que restaure a Fé e o Império.

Quando o Pastorinho anuncia que vai só, por ser o único no lado certo do caminho, não veem que todos os outros vêm pelo mesmo lado em sentido contrário, julgando que vêm contra ele, ele que sonha atropelar todos os outros.

O Pastorinho impede os outros de falar, e queixa-se de que o silenciam. Só nesta última semana deu quatro entrevistas exclusivas às televisões, foi citado em todos os jornais e ouvido em todas as emissoras de rádio, e os devotos acreditam, enquanto os agnósticos hesitam em abrir o frigorífico ou o micro-ondas com medo de vê-lo aparecer.

O que une os seus fiéis é a fé inabalável, a crença na redenção à custa da abdicação do raciocínio, a esperança de indulgências nas peregrinações em que o acompanham. Nas Caldas até lhe emprestaram uma bicicleta acreditando que soubesse pedalar.

Se este homem chegasse a Belém, à semelhança de Calígula, faria cônsul Pedro Pinto, nomearia Pedro Frazão Patriarca e exigiria cultuar Rita Matias como Imaculada Ariana.

Os que julgam que têm o Trump com que sonharam, não distinguem a mansão de Mar-a-Lago do apartamento no Parque das Nações cujos 70 metros quadrados o Pastorinho reduziu a 30 para que os devotos pensassem que vivia numa cela monástica.

Os que sonham com o Trump lusitano contentam-se com a imitação, com uma fotocópia rasca tirada numa impressora de Algueirão. Saiu-lhes um Salazar vindo do comentário da bola para as homilias diárias de um evangelho fascista que mistura o catolicismo do Concílio de Trento com o Integralismo Lusitano, de Rolão Preto, e que julga que Orbán, Fico e, sobretudo, Trump, são os profetas dos novos tempos.

Vão em direção a Alcácer-Quibir convencidos de que caminham para o Armagedão.

12 pensamentos sobre “Chega…

  1. E alguma vez viste um autarca da CDU meter a mão na massa sem levar logo uma corrida em osso? Pergunta a Maria das Dores.
    Mas o teu partido bem como os do que foi chamado arco da governacao e um albergue de excelência para esses bandalhos alguns dos quais, como a Zita, até começam a acreditar na Nossa Senhora.
    Vocês estão e com uma ânsia do caraças de chegar ao pote mas com um pouco de sorte para todos nós não vai ser desta.
    Vai ver se o mar da choco que o mar hoje está bom.

  2. É preciso ser muito patego ou andar muito desesperado e desatinado na vida para votar no líder do Patega, no CU. Acreditar no líder supremo de uma seita unipessoal que tem uma série de apóstolos na primeira linha para os tachos e prebendas, e depois colaboram com organizações de extrema-direita assumida que espalham desinformação, propaganda, e orquestram manifestações e acções de rua conjuntas, encontros e ajuntamentos onde tentam converter a pategada a votar neles, apelando ao ódio, à segregação, à perseguição, à expropriação e submissão de todos os que não pertençam ao culto e não professem a ideologia do ultra-nacionalismo, do supremacismo racial, do fundamentalismo religioso e da justificação da violência e do ódio contra os que não alinham nem aderem. Instrumentalizam as forças da autoridade, as polícias, a guarda, os militares, que têm o exclusivo legal da violência e do uso de armas de fogo e outros meios e armas de aniquilação, repressão e detenção, muitos deles também admiradores dessa ideologia e sectarismo. Até os bombeiros são atraídos para estes círculos, seja através dos colegas de quartel, seja de amigos em comum, ou nos grupos de convívio de motards, etc. Todos os que usam farda são para marchar ao toque de caixa dos fascizóides, até porque estão na linha da frente dos problemas sociais e a farda, o distintivo, a boina, as botas são o símbolo da ordem, do controlo e da união fascista sob as altas patentes e os grandes líderes corporativos, os caciques licais e os dirigentes nacionais. Há uma tendência para a idolatria e a ideologia da extrema-direita junto destes grupos, que cultuam o armamentismo, o militarismo e o belicismo exacerbado contra os inimigos “inferiores”, ou malévolos, representando eles a pureza da raça e as boas intenções e a moral civilizadora, seja cristã ou pagã, que alguns também abominam o cristianismo e a sua origem semita ou judaica.
    É esta catrefada de pategos e dementes interesseiros, cobiçosos, sem escrúpulos que vai fazer a nossa vida melhorar, a sociedade evoluir e tornar-se mais justa, equilibrada, menos desigual? Claro que não, seria tudo pior, basta ver de que são feitos os deputados da seita do Quarto Pastorinho e contar quantos criminosos, burlões, chicos-espertos e encantadores de pategos por lá andam. Mais uns quantos fanáticos da linha dura a manobrar e manipular toda essa gente, e o resultado né difícil de adivinhar qual seria. Não é segredo para ninguém, muito menos de Nossa Senhora de Fátima. Livrai-nos do mal!

  3. Tentem verificar o cadastro dos representantes do chega nas terras de cada um!! Na minha por exemplo é um condenado por burla ao SNS

  4. O problema da extrema direita não e só a sua capacidade de mentir como respiram.
    O problema e que esta gente mata.
    O que está a acontecer nos Estados Unidos e sintomático.
    Depois de uma greve geral contra os agentes do ICE, sigla perfeita, na cidade de Minneapolis, na manhã seguinte os ditos agentes executaram um homem em plena rua.
    Alex Pretti foi atingido com gás pimenta, imobilizado do chão e executado com um total de 12 tiros.
    12 tiros num corpo magro de um enfermeiro de 37 anos.
    “Porque e que dispararam tantas vezes?” perguntava incrédula uma testemunha da atrocidade.
    Porque e isso que a extrema direita quer. Que tenhamos demasiado medo para sair a rua.
    Que tenhamos demasiado medo para dizer não.
    Aqui já houve um caso parecido com o homicídio de Odair Moniz. E digo parecido porque o desgraçado executado nos Estados Unidos nem sequer tinha antecedentes criminais.
    Não que o facto de alguém ter antecedentes criminais justifique que alguém seja fuzilado e ainda se digam sobre eles um chorrilho de mentiras.
    No caso de Odair o homem vinha num carro roubado e teria tentado esfaquear os agentes.
    No caso de Alex o homem teria abordado os agentes com uma arma e preparava se para “massacrar” os agentes.
    Num caso não e explicado como e que alguém ia esfaquear os agentes sentado no carro e noutro como e que alguém ia massacrar agentes que o estavam a imobilizar no chão.
    A extrema direita mata, mente e não se arrepende.
    Uma execução na rua visa projectar poder, assegurar controle.
    Uma policia impune, grupelhos como o 1143 não hesitarão em fazer o mesmo por aqui.
    Já o fizeram. A última coisa que precisamos e que tenhamos um presidente destes.
    Porque o primeiro ministro que temos, desde o tempo da troika que já provou que e destes.
    Por isso normaliza o que a luz da humanidade e da decência não pode ser normalizado.
    Porque não é normal. Trata se de crime e crueldade.
    Não viu quem não quis e foi duas vezes votar na criatura.
    Portanto no dia 8 vamos lá dizer a esse Trumpinho que por nós poderá concorrer a presidência do Clube do seu coração porque daí não vem mal ao mundo.
    Para que não nos vejamos metidos numa grande patranha e num grande sarilho.

  5. Como um CU (candidato único) consegue ter tanto tempo de antena e quase não ter notórios apoiantes declarados (alguns envergonhadamente o deixam subentendido, assumindo uma neutralidade dúbia)… este dizia que era o agregador da direita, mas quase ninguém conhecido dos outros partidos o apoia assumidamente.

    Temos assim a direita fictícia, que o Quarto Pastorinho diz agregar e representar, a qual o vai eleger dia 8 segundo apregoa, e depois temos a direita real, distribuída pelos vários partidos e (re)partida em feudos partidários que se insultam ou colaboram entre si, consoante as situações e circunstâncias, os ciclos eleitorais, com vários barões (Montenegro) e cavaleiros andantes (Cotrim e o CU), mais os seus fiéis escudeiros, que vão estar a competir pela liderança e controlo desse “campo político” nos próximos tempos.

    Mas para os “entendidos” da ciber-campanha que aqui vêm instruir as massas, a esquerda é que anda a ver mal as coisas. E todos os problemas são da sua responsabilidade. Um dia ainda vão agradecer à esquerda o facto do CU nunca ter passado de um demagogo aspirante a presidente ou primeiro de alguma coisa na política, sem nunca o ter conseguido, e assim poderem elegê-lo para sucessor do Rui Costa e ele finalmente poder ser presidente de alguma coisa que não da sua seita pessoal.

    Durante anos se criticou a esquerda pela sua divisão na hora de apresentar um candidato a presidente da República agregador e vencedor, pela autofagia dos seus múltiplos candidatos, agora que a direita parece sofrer desse problema, e o candidato que a representa ou diz representar tem uma considerável taxa de rejeição, parece ser tabu falar de uma convulsão ou fragmentação no espectro político da direita,

    Estas carolas direitolas não páram, e com estes nevões e estas chuvadas, até se atolam!

  6. Ainda não começaste a colar cartazes? A campanha está aí escravo que se diz alforriado.
    Mais uns vez argumentos nenhuns, chamar uns nomes e mandar uns links.
    Realmente o autor tem razão. Vocês, chegamos, são mesmo uns tristes.
    Também o Pacheco Pereira já se veio queixar do modo cruel com que vocês tratam a língua de Camões.
    As aulas de português devem ter passado por vocês como a água pelas costas de um pato.
    Tão patriotas se dizem e nem sabem a própria língua.
    Voltem mas e para a escola.
    E vão ver se o mar da choco.

    • Tu tem calma contigo.
      Ainda vais desta p’ra melhor se mordes a língua, tal é o veneno que tens a circular no sangue.

      Não leste, mas devias ter lido.

      Este parágrafo é para ti:
      “…
      Quão bem pago ou estúpido alguém precisa ser para descrever uma óbvia operação de mudança de regime imperial como “enraizada em anos de degradação social e económica” sem apontar que a “degradação social e económica” é parte integrante dos planos de mudança de regime?
      …”

      É o teu caso, falas muito, escreves lençóis que espermidos não deitam sumo. És um ICE por aqui, se formos a somar todas as cabeças em que tu dás tiros, enforcas, pedes o forno, ah então estes são simples meninos de coro que foram para a rua e como todos os iguais a eles, vão borrados de medo.

      Espuma mais um pouco,vá lá. O teu espumar tem graça.

      • Olha o aficcionado do ICE Ventura, Agente Animal! Quando o viste fardado com o uniforme do exército, recentemente, a galvanizar as hostes, até deves ter soltado uma pinguinha.
        Já fez de bombeiro voluntário fingindo que apagava brasas, enquanto as espalhava, e até já galvanizou polícias em protesto e sem ser em protesto, e só não vestiu a farda pois podia ser acusado de um delito por algum que não ficasse encantado como tu. Aposto que também és fã de touradas como ele… pelo menos na arena, ainda não podem disparar primeiro e perguntar depois. A não ser que o ICE Ventura assim o promulgue, para gáudio do Pedro Pinto e restantes apaniguados…

  7. Uma coisa e certa, o traste está a ser levado ao colo pelas televisões, mais uma vez.
    Há muita gente com interesse em que sejamos o próximo país a ter um presidente abertamente fascista.
    Por isso é mesmo importante que no dia 8 saiamos de casa para votar digam as sondagens o que disserem.
    Seremos nós que teremos de nos salvar.

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