O apoio a quem não está zangado com a Constituição

(Pedro Nuno Santos, in Facebook, 12/01/2026)


(Publico este texto por puro pragmatismo que deriva do questionamento de quais são os objetivos alcançáveis nas próximas eleições presidenciais, levando em conta o país que temos e o elenco de candidatos na corrida. Ora, o elenco globalmente não é bom e o país também não ajuda, como se tem visto nas eleições mais recentes.

O que se pode, pois, almejar? Que, pelo menos, se eleja um presidente que não vá pactuar com as alterações à legislação laboral e com o programado definhamento do SNS, projetos que a direita “saliva” concretizar a curto prazo, além de outras malfeitorias contra quem trabalha que só poderão avançar depois de uma “conveniente” revisão constitucional.

Assim, este é um cenário em que o ótimo é inimigo do bom e o sofrível é inimigo do péssimo. No que a votos respeita, resta-me dizer que, talvez, este artigo do Pedro Nuno Santos pudesse ter um outro título, dirigido aos maiores fãs da “pureza ideológica”: “Do voto útil à utilidade do voto”.

Estátua de Sal, 12/01/2026)


Sempre defendi que o PS devia apoiar um candidato nas eleições presidenciais. Em eleições passadas não o fizemos e isso só beneficiou os candidatos da direita. Fico, por isso, contente pelo facto do PS apoiar oficialmente um candidato.

Fico ainda mais contente por esse apoio ser dirigido a António José Seguro. Lembro-me bem das criticas que recebi por ter referido o seu nome numa entrevista. António José Seguro foi audaz, decidiu avançar e não esperou pela aprovação de ninguém. Não foi calculista, sabia dos riscos de uma candidatura presidencial num contexto histórico mais favorável à direita, mas também sabia que só pode vencer quem não tem medo de perder. Hoje tem o apoio de pessoas que nunca estiveram consigo, de pessoas que nunca acreditaram na sua candidatura e de pessoas que, já depois do anúncio da sua candidatura, vieram defender que o PS não apoiasse ninguém. António José Seguro conseguiu impor-se e conseguiu convencer até os mais cépticos.

Há qualidades de António José Seguro que se consolidaram como consensuais, mesmo entre os seus adversários – é sério, é honesto e é integro. Ora, estas qualidades são das mais importantes num Presidente da República. O mais alto magistrado da nação tem de ser alguém em quem os portugueses possam confiar. Num cenário político de elevada fragmentação partidária precisamos de um Presidente com capacidade e vontade de promover o diálogo aberto e transparente entre as diferentes forças políticas.

António José Seguro tem a experiência política que Henrique Gouveia e Melo não tem; a independência face ao governo que Marques Mendes não tem; o compromisso com a defesa da constituição que André Ventura e Cotrim Figueiredo nunca terão e a possibilidade de vencer que António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto não têm.

Num momento em que assistimos a avanços contra o estado social e os direitos laborais precisamos de um Presidente que não esteja zangado com a constituição que temos. Precisamos de alguém que a defenda e a que proteja. Alguém que vindo da esquerda social-democrata defenda um país onde todos se sintam respeitados, com justiça social e igualdade de oportunidades.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

12 pensamentos sobre “O apoio a quem não está zangado com a Constituição

  1. Como resolver o problema do tempo excessivo perdido nas salas de espera dos hospitais portugueses? Como solucionar a questão da falta de macas e camas nos hospitais, bem como a da falta de ambulâncias? A solução é tão simples e óbvia que até custa a crer que, além da cambada de incompetentes que nos governam, nenhum dos candidatos presidenciais a tenha ainda percebido e sugerido! Elementar, meus caros Watsons e Watsonas! Basta comprar mais uns 30 ou 40 ‘F-16’ e mais uns 50 tanques ‘Leopard’ ou ‘M1A2Abrams’! E prontes, problema resolvido!

    E não deixa de ser lamentável que nesse departamento, ao que parece, o Pedro Nuno Santos também esteja a leste e não tenha aconselhado o Totó Seguro a sugerir o ovo de Colombo que lhe daria uma inquestionável e estrondosa vitória!

    • E não me venham dizer que comprar umas dúzias de ‘F-16’ e de ‘Leopard’ e/ou ‘M1A2Abrams’ é contra a Constituição, porque a Constituição a que todos eles sonham obedecer é a da “banana republic on steroids” que dá pelo nome de Estados Unidos da Amérdica!

  2. Se o Seguro não passar a segunda só se pode culpar a ele.
    Fez uma campanha indecente em vez de atacar os candidatos de direita que teem todos os seus podres passou a campanha a apelar a desistência dos candidatos a esquerda.
    Sou capaz de o engolir como um grande sapo se o sujeito for a segunda com qualquer dos candidatos a direita que, cada um ao seu estilo me dao arrepios.
    Na primeira não me peçam tal sacrifício.
    Não tenho memória de peixe e as abstencoes violentas ainda não desceram pelo gorgumilho.

  3. É pena, o Gouveia e Melo não ter experiência política. Senão, era o candidato ideal… Não era, Pedro Nuno Santos? Não falhas uma, pá!

  4. Ter preferências políticas é uma cousa munto linda. Também tenho. Porém, e como todos sabemos, a realidade é uma senhora de mau porte e engolir sapos é o nosso carma

  5. O PS que tanto contribuiu para a crise do regime actual, como se constata largamente no definhamento das funções sociais do estado e na privatização de setores fundamentais para o país.
    A gravidade dos tempos requer silêncio por parte daqueles que tanto contribuiram para que fosse assim e não de outra forma. Ética política no combate à direita é o que se impõe.

  6. Não vou fazer campanha, propaganda, … por um dos candidatos.
    Mas apoio o que disse a Estátua de Sal: “o elenco globalmente não é bom e o país também não ajuda”.
    Dito e bem dito.

  7. O Seguro das suas verdades
    Não aprofunda uma só ideia
    Quando a roubalheira campeia
    Só enxerga obscenidades.
    Obscenidade: termo utilizado por Bagão Felix para caracterizar a pensão milionária do Eng. Mira Amaral e pelo Deputado Seguro para um prémio milionário ao Dr. Mexia dado EDP. O Eng. Mira Amaral lider na CGD (a saque ) fixou a sua pensão de reforma. O Dr Mexia líder da EDP fixou o seu prémio. A EDP recebia altas rendas do Estado, onde também mamavam: BPN, BES, etc, .
    Um comportamento marado
    Aos súbditos extorque dinheiro
    Que dá ao guloso banqueiro
    A quem vai pedir emprestado.
    O candidato Seguro poderá ser muito “sério “, mas é tão ignorante e tão incapaz que não consegue aplicar os grandes princípios que possui.
    Considero sério aque que se rege por princípio.

  8. É lamentável a opção ditada pelo raciocínio da preferência adaptativa.
    Mas mesmo o triste critério do mal menor, aqui, é inaplicável. O Seguro não é só complacente e “desistista”. É, mesmo, “entreguista’.

Leave a Reply to Whale projectCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.