A esquerda que marchou pela paz… com tanques

(Por Canal Moritz, in Facebook, 06/11/2025, Revisão da Estátua)


Quando o Bloco de Esquerda enviou o seu representante a Kiev, Catarina Martins ainda liderava o partido e falava em “solidariedade com o povo ucraniano”. Soava bem, até se perceber que essa solidariedade vinha em caixotes com mísseis e coletes anti bala.

Rui Tavares e o LIVRE, sempre com o ar moralmente superior de quem escreve manifestos à luz das velas e cita a ONU de memória, não tardaram a juntar-se ao coro. O PAN também, porque aparentemente “defender os animais” inclui agora fabricar cadáveres humanos com selo europeu. E, claro, o PS, sempre fiel ao guião de Bruxelas e Washington, tratou de orquestrar a narrativa do “dever moral de ajudar a Ucrânia”.

O resultado está à vista: inflação, recessão, caos energético, e a Europa a comprar gás americano ao triplo do preço — tudo em nome da liberdade. Ou talvez em nome da indústria militar, que, curiosamente, é quem mais prospera quando o resto da gente passa frio e conta trocos no fim do mês.

O PCP, esse sim, manteve-se de pé. Não cedeu à histeria, não trocou princípios por manchetes fáceis. Disse desde o início: a guerra não se combate com armas, combate-se com diplomacia. E teve razão. Por isso foi insultado, ridicularizado, acusado de “putinista”. Tudo por recusar alinhar na cruzada moral patrocinada pela NATO e pelo marketing de guerra europeu.

Mas convém recordar algo que os moralistas de sofá fingem não saber: a Rússia de Putin não é comunista. É um regime capitalista, oligárquico e profundamente desigual. E o PCP nunca o defendeu. O que o PCP sempre defendeu foi a verdade — a de que as sanções feriram mais a Europa do que o Kremlin, e de que o verdadeiro objetiva de todo este espetáculo foi consolidar o domínio económico e energético dos EUA sobre o continente europeu.

Hoje, quando o governo repete que “não há dinheiro” — nem para as reformas, nem para o SNS, nem para os salários — talvez fosse honesto acrescentar: porque o dinheiro foi parar a Kiev.

E talvez Rui Tavares, Catarina Martins, Inês Sousa Real e José Luís Carneiro devessem ter a decência de admitir o erro e pedir desculpa ao povo português. Mas não o farão. Porque é mais fácil continuar a posar para a fotografia da “paz” enquanto se aplaude a guerra — desde que a guerra seja feita pelos outros.

E agora, para completar o circo, Zelensky anuncia que a Ucrânia vai abrir escritórios em Copenhaga e Berlim para vender o armamento excedentário — o mesmo que foi pago com dinheiro europeu, o mesmo dinheiro que faltou às reformas e ao SNS.

Fica então a dúvida: quem vai ser o CEO desta nova aventura empresarial? Será Rui Tavares, Catarina Martins, Inês Sousa Real ou José Luís Carneiro? Ou será que teremos outro rosto da política portuguesa pronto para faturar em nome da liberdade e da paz? E já agora — qual será o ordenado dessa nova equipa de gestão humanitária?

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12 pensamentos sobre “A esquerda que marchou pela paz… com tanques

  1. A Catarina Martins e o seu grupo acabaram por afastar centenas de militantes do BE que esperavam algo sem “controleiro, mas, em vez de um eram muitos com truques e manobras surreais. O Tavares não passa de um agiota da politica.

  2. Executar os actuais dirigentes do país, no caso do ganda psico que queriam e querem impingir aos iranianos. Não sei onde o raio do corretor vai buscar certas coisas.

  3. Pelo menos agora há clareza. Ou seja, o homem diz tudo como o ganda maluco psicopata que e.
    Mas a verdade e que a política norte americana sempre foi clara como o meio dia, só não viu quem não quis.
    E mesmo algumas declarações de presidentes que pareciam gente democrata e normal foram simplesmente arrepiantes e davam bem uma medida do que ai vinha depois da destruição da União Soviética.
    Como quando o homem do sexo oral na Sala Oval disse que os Estados Unidos seriam a partir de entao “o polícia do mundo”, inaugurando um ciclo sangrento de intervenções destrutivas.
    Todos os basbaques europeus aplaudiram sem ter a medida do que ai vinha.
    O que seria o mundo a mercê dos desmandos de um país sem um sistema de saúde decente, sem direitos laborais, sem respeito pelos direitos humanos, com polícia letal, pena de morte, prisão perpétua e penas de duração indeterminada?
    Como e que um país que não respeita os direitos humanos na sua terra poderia respeitar tal coisa na terra dos outros?
    A Jugoslávia, no coração da Europa, foi a primeira vítima.
    O que mudou com Trump e que o homem diz as claras o que quer e ao que vai.
    Por isso nos ataques de Junho ao Irão pela primeira vez não se falou em levar liberdade e democracia ao país.
    Mas simplesmente em colocar por lá um arrepiante descendente do dirigente demente deposto em 1979.
    Que propunha simplesmente executar os actuais descendentes do país e restaurar a mesma monarquia absoluta.
    Simplesmente Trump diz as claras o que realmente sempre esteve em causa.
    Isto nunca foi sobre democracia e direitos humanos mas sobre domínio.
    Coisa que na América Latina sempre souberam.
    As sangrentas ditaduras do passado Século tiveram selo norte americano. Todas elas. Custaram centenas de milhares de vidas.
    Os crimes da América sempre foram horríveis, sempre foram claros, mas dizia se que era em nome da democracia e dos direitos humanos e os seguidistas acreditavam ou faziam de conta que acreditavam.
    Dirigentes provincianos como Gorbatchev talvez não tenham acreditado mas pelo menos devem ter pensado que deixariam de ser bloqueados se réplicassem o seu sistema econômico desigual e rapace, deixando se disso de tentar dar vidas decentes a todos e de exportar modelos alternativos de sociedade.
    Mas quase 40 anos volvidos os povos da antiga União Soviética não ganharam nada com a conversão ao capitalismo.
    Ou são sociedade profundamente desiguais e com laivos de fanatismo religioso como a Rússia, ou abertamente nazistas como a Ucrânia Ocidental ou ditaduras ao antigo estilo Oriental. O Turcomenistão, por exemplo, e um verdadeiro caso de estudo.
    E, no meio disto tudo, guerra.
    Tudo porque alguém decidiu confiar na bondade de gente que já tinha pintado o diabo no seu quintal da America Latina e em quintais longínquos como o Vietname e Sudoeste asiático em geral.
    Para muita gente na Rússia isto e um rude despertar das suas ilusões dos anos 90.
    Alguns dos grandes iludidos como Gorbatchev e Ieltsin já estão mortos, outros, ainda vivos, vêem filhos e netos partir para a guerra.
    Mas pelo menos agora com o Tiranossauro ninguém pode dizer que não sabia, que não foi avisado dos perigos de confiar na America.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  4. A América de Trump é a América de sempre, por mais que tentem enganar-nos dizendo que é diferente. Um cheirinho:

    “A world of clarity, for better or worse

    Trump has not remade America so much as stripped away its old varnish. The vision of a universal liberal order is gone. The pretence that the United States plays by the rules it demands of others is gone. What remains is raw power, openly expressed, and a country comfortable acting without boundaries.

    For some, this honesty is refreshing. For others, it is alarming. But it does provide one thing: clarity. We now see the conventions of American behavior with unusual sharpness. And that may prove useful for those preparing for the next phase of global politics.”

    Aqui:
    https://swentr.site/news/627469-fyodor-lukyanov-america-supremacy/

  5. Os tanques de lavar roupa, que por cá não damos máquinas de lavar para os russos sacarem chips e placas electrónicas, as cuecas camufladas para ir cagar à mata ou à ruína em segurança, e as bazucas da Ursula… vá lá não oferecemos os submarinos nem os F-16…

    • Depois com o que é que os Marmelos brincavam (o Almirante/Presidente do Conselho de Guerra e o Ministro do Ataque do Atlético Norte)?

    • Agora vão os ucranianos rentabilizar o material nos “salvados”… o dinheiro das bazucas da Ursula é para se salvarem, os que o meterem ao bolso…

    • Num gesto solene, com pompa e bandeira,
      Um país ergueu-se, com voz altaneira:
      “Não vos damos tanques, nem mísseis, nem nada…
      Oferecemos cuecas — camufladas!”
      O outro país, de boina inclinada,
      Olhou para a caixa, ficou embasbacada.
      “Mas… cuecas? De renda? Com bolso secreto?”
      “Sim, para guardar o orgulho… e um amuleto!”
      Eram verdes, castanhas, com padrão militar,
      Mas com laços de seda a brilhar no ar.
      Algumas tinham bolsinha com zíper,
      Outras vinham com GPS e zíper!
      “São anti-chulé, anti-ódio e rancor,
      E têm costura que evita o terror.
      Com estas cuecas, vosso exército avança,
      Com conforto, estilo… e esperança!”
      No desfile oficial, foi um pandemónio:
      Soldados a marchar com ar de demónio.
      Mas por baixo da farda, segredo guardado:
      Cuecas rendadas — e bem ajustado!
      O inimigo, ao ver, ficou tão confuso,
      Que largou as armas e caiu num abuso:
      “Se a guerra é assim, com tanta elegância,
      Prefiro rendição… e cueca com fragrância!”
      E assim se escreveu, nos anais da história,
      O tratado mais estranho da memória.
      Não foi com canhões, nem com granadas,
      Mas com cuecas… camufladas!🥸

      • Tás a brincar, mas olha que as cuecas camufladas não é como as golas antifumo, funcionam mesmo e têm selo de garantia da CE. Para já, há quem diga que são comestíveis e assim prover refeição em caso de necessidades e de falta de mantimentos. Também há quem diga que absorvem a urina e processam as fezes rapidamente transformando-as em coprólitos! Agora vê tu as vantagens desta tecnologia made in Portugal, para lá das que já referi no âmbito do acto de evacuar ao natural…

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