Putin abre as zonas cercadas aos jornalistas ocidentais

(João Gomes, in Facebook, 30/10/2025)


Numa reunião recente com militares russos, o presidente Vladimir Putin surpreendeu ao propor o acesso de jornalistas – incluindo repórteres internacionais e ucranianos – às zonas de combate onde, se encontram unidades ucranianas cercadas. A declaração, transmitida pela televisão estatal russa, surgiu acompanhada de uma oferta insólita: a suspensão temporária das hostilidades por “duas, três ou seis horas” para permitir a entrada controlada da imprensa nas áreas de encirclement.

Putin afirmou estar disposto a garantir a segurança dos jornalistas durante a visita, desde que, segundo as suas palavras, “não haja provocações do lado ucraniano”. A proposta, feita em tom informal mas público, evocou o precedente de Azovstal – a siderurgia de Mariupol onde, em 2022, soldados ucranianos resistiram semanas antes de se renderem. O presidente russo sugeriu que uma exposição mediática direta poderia influenciar “a liderança política da Ucrânia” na decisão sobre o destino das tropas atualmente cercadas.

A intervenção incluiu também referências técnicas e simbólicas: o ensaio bem-sucedido do torpedo nuclear “Poseidon” e o agradecimento pessoal de Putin a soldados que, segundo disse, lhe enviaram ícones religiosos como presente de aniversário. O ambiente da reunião combinou, assim, elementos de ação militar com gestos de humanização e apelo à narrativa de transparência.

Até ao momento, não há confirmação de que o Moscovo tenha formalizado convites a organizações de imprensa estrangeiras, nem de que o cessar-fogo temporário tenha sido implementado. No entanto, o simples facto de a proposta ter sido feita publicamente – e amplamente difundida pelos meios estatais russos – representa uma abertura retórica pouco comum.

Num conflito marcado pela censura, pela propaganda ocidental e pelo controlo rígido da informação, o convite de Putin, ainda que condicionado, pode ser lido como um sinal de autoconfiança e de tentativa de legitimação política perante a opinião pública internacional. Ao declarar-se disposto a receber jornalistas ocidentais nas zonas mais sensíveis do conflito, o Kremlin procura transmitir a imagem de que não tem nada a esconder – e de que domina militar e moralmente a situação no terreno.

Se essa promessa se concretizar, poderá constituir um dos raros momentos de contacto direto entre a imprensa internacional e as realidades da frente leste, quebrando o cerco informativo que tem marcado a guerra.

Até lá, o gesto permanece simbólico – mas, ainda assim, significativo como expressão de uma Rússia que tenta demonstrar força e, ao mesmo tempo, abertura política.

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15 pensamentos sobre “Putin abre as zonas cercadas aos jornalistas ocidentais

  1. Querem ver que somos todos agentes russos que só por lapso não estamos na folha de pagamentos do Kremlin?
    Valha a esta gente toda um tubarão branco faminto.
    O que já vi mais longe foi o cortar o pio a blogs como este sob pretexto de serem agentes russos.
    E interessante como a treta dos agentes russos tem as costas largas a ponto de justificar projectos de censura efectiva sem que ninguém acorde.
    E tudo isto prova que esta canalha toda quer mesmo mandar nos para a guerra total, o que so se consegue com populações de olhos bem fechados.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  2. Já que estamos num artigo com referências bibliográficas, acrescento algumas que abordam a inerente perversidade que representa a Televisão tal como está instituída e nos moldes em que funciona, e que o próprio autor do artigo poderia ter referido, ou caso não as conheça, fazê-lo num próximo artigo.

    Televisão: Um Perigo Para a Democracia, de Karl Popper, John Condry

    Quatro Argumentos para Acabar com a Televisão, de Jerry Mander (1978)

    Sobre a Televisão, de Pierre Bourdieu (1997)

    https://archive.org/details/BOURDIEUPierre.SobreATeleviso

    https://lourdesgoi.blogspot.com/2012/03/resumo-critico-do-livro-bourdieu-sobre.html?m=1

    O meio em si já está carregadinho de manipulações, encenações e ilusões, os encantadores de pategos de ocasião só nele triunfam se tiverem a) tempo de antena/cobertura mediática b) respeitarem o guião c) obedecerem e bajularem os patronos e o status quo d) paninhos quentes, coadjuvantes e facilitadores, ou então começam a cortar-lhes na casaca, como aconteceu a Sócrates (ex-primeiro-ministro caído em desgraça e node expiatório da crise financeira mundial em Portugal), Bruno de Carvalho (ex-presidente do Sporting, denunciante do caso dos vouchers a equipas de arbitragem para grandes almoçaradas e jantaradas gratuitas) e outros tantos exemplos semelhantes.

    O Ventura não veio estragar a impoluta câmara de ressonância e amplificação rádio-televisiva, ele veio distorcer a realidade ainda mais do que já se fazia por lá, nesse aspecto não é em nada diferente para melhor em relação aos outros partidos, pelo contrário, é ainda mais oportunista, tem ainda menos escrúpulos e quase não tem limites tal a facilidade com que mente, adultera e manipula.

    Convém não esquecer que o debute de AVentura na TV foi como paineleiro de programa de debate de futebol, na altura um fiel apoiante de Luís Filipe Vieira, mestre em falcatruas e coleccionador de escândalos e processos judiciais (entre os quais o supracitado caso dos vouchers, mas também Saco Azul, e-Toupeira, Operação Lex, Jogo Duplo, Fora de Jogo, Mala Ciao, etc).

    É, a televisão criou mais um “monstro”, e ainda o alimenta diariamente, mesmo depois da sua “metamorfose”. E existem muitas ultimamente, até de “imparciais” jornalistas ou comentadores que depois vestem a camisola que afinal sempre representaram ou sonhavam representar: Rui Pedro Braz, mas também Sebastião Bugalho, entre muitos outros.

    É um meio de alguns, que usa outros, pagando-lhes q.b., alguns principescamente, para ludibriar os restantes e lograr os objectivos de um grupo restrito de interesses.

  3. Entretanto, os genocidas do país dos “eleitos”, com aquele ar bué de “oxidental” para boi dormir, continuam a acreditar que ainda enganam o planeta inteiro! Não percebem que, mesmo para quem estava a dormir, o que desde há dois anos se nos mete pelos olhos dentro e nos dá cabo da retina até acordava um morto! Não há volta atrás, cabrões! Habituem-se!

    https://youtube.com/shorts/6gzStKc-JGs?si=aQsEmGNu2sm2rr5U

  4. Eis como os fiscais das novas PIDES/CIAS/MI5/MI6 e restantes confrarias, a mando dos doidos que nos governam, pensam que vão conseguir travar os que (e são cada vez mais) mijam fora do penico do pensamento único, nestas nossas abençoadas democracias “oxidentais”.

    Notícia do Público:

    A arma secreta da Europa contra os “agentes descartáveis” russos | Euronews
    https://share.google/MH9ry0hXRbTUNmD6h

    • Uma pikena amostra do “método”, ou melhor, do rabo escondido com o gato todinho de fora:

      “Através de canais públicos que divulgam conteúdo pró-Rússia e teorias da conspiração, os agentes monitorizam os utilizadores: aqueles que regularmente gostam, comentam ou partilham publicações podem ser sinalizados como potenciais candidatos.
      Um software especial analisa milhões de perfis para determinar a orientação política e a lealdade. O contacto inicial geralmente ocorre através de mensagens ou ofertas aparentemente inofensivas, antes de passar para aplicações encriptadas.”

      Pois é, caríssimos e caríssimas, ELES ANDEM AÍ! Andarem e voarem! Voarem baixinho, como o crocodilo da anedota, mas rastejando voarem, como qualquer verme que se preze!

    • Insisto:

      “Através de canais públicos que divulgam CONTEÚDO PRÓ-RÚSSIA E TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO, OS AGENTES MONITORIZAM OS UTILIZADORES: aqueles que regularmente gostam, comentam ou partilham publicações”

    • Ao publicar esta bosta, o Público, “jornal de REVERÊNCIA” do mainstream merdia, cumpre várias funções, a principal das quais é, subliminarmente, tentar intimidar e calar quem teima em cultivar neurónios funcionais, como muitos comentadores da Estátua de Sal e outros fóruns onde vigora a “ditadura” da liberdade de pensamento. É como tentar parar a rotação da Terra, mas enfim, não será por isso que vão desistir!

    • Isto está ao nível da baixeza moral que foi noticiada ontem ou anteontem na RTPN, de que um prémio Nobel da Literatura africano, penso que nigeriano, estaria sob escrutínio do Comité Nobel pelas suas opiniões sobre Trump (e provavelmente todo o seu séquito ocidental de beija-CUs). Segundo a notícia, estariam mesmo a ponderar a revogação do prémio Nobel que lhe foi atribuído alguns anos atrás. Entretanto o seu visto americano já foi cancelado. Não eram estes idiotas úteis dos alt-right e quejandos que falavam em “cancelamento cultural”? Já não se pode dizer que o hiPOpoTamUS cor-de-laranja que chafurda no “pântano” sórdido do “estado profundo” do “farol do mundo livre e das demo-cracias” é Trampa?

      https://www.rtp.pt/noticias/cultura/premio-nobel-da-literatura-nigeriano-diz-que-o-seu-visto-americano-foi-cancelado_n1694362

  5. Também o homem do bigodinho dizia que “quantos mais canhões se fabricarem, mais paz haverá(?)”, mesmo sabendo que a guerra estava completamente perdida, insistiu sempre em continuar os combates até ao fim, arrastando para a morte e para o sofrimento muitos milhões de pessoas, a maioria inocentes. Parece que o palhaço Zelly tenta fazer o mesmo por ter as costas quentes via seus patrões ocidentais. O resultado não será muito diferente, parece óbvio.

  6. “O ambiente da reunião combinou, assim, elementos de ação militar com gestos de humanização e apelo à narrativa de transparência.”

    Não. Nada disso!
    Só houve um elemento aqui: propaganda.
    Um elemento com vários componentes: a propaganda da tal confiança, a propaganda da tal abertura/transparência, e a propaganda religiosa.

    Os soldados Russos a quem tanto custou chegar a estes resultados operacionais em Kupyansk e Pokrovsk, sinceramente, até devem ter levado a mal tal proposta.
    Então eles LITERALMENTE matam-se a trabalhar e depois, para um mero efeito de reações públicas, vão colocar o combate em pausa para os “jornalistas” ocidentais tirarem uma foto com os soldados ucranianos?!

    A parte dos ídolos religiosos é simplesmente patética e faz lembrar as piores fases da humanidade, em que as guerras eram religiosas.
    Ou faz lembrar os israelitas a fazerem ações de propaganda semelhantes, mas nesse caso com o Antigo Testamento (Torah, etc), em vez de ser com ídolos do Novo Testamento.

    Por fim, na componente da “abertura” à imprensa ocidental, na realidade passa-se aqui algo diferente.
    Por um lado é essa a percepção (de transparência) que se quer passar com esta propaganda direcionada ao Ocidente, por outro lado há a parte direccionada aos Russos (uma pequena vingança/provocação pelo que esses “jornalistas” foram fazer a Kursk durante a invasão ucraniana dessa parte da Rússia).
    E depois há ainda um certo grau de hipocrisia, pois a Rússia ameaçou processos judiciais contra esses jornalistas que pisaram o território Russo em Kursk.

    Se tivesse aqui um emoji para dar a esta iniciativa de Putin, e a este comentário do João Gomes, usava o emoji do palhaço…

    Ainda por cima quando desde ontem os vários mapas feitos pelos vários OSINT (de ambos os lados) actualizaram a saliência dos russos a norte de Mirnograd (ao lado de Pokrovsk) mosrando como os contra-ataques ucranianos já praticamente comeram essa saliência toda.

    Relembro que há meses atrás, quando a Rússia avançou nessa área, houve grande celebração dos meios Russos e pró-Russos antecipando um grande furo das linhas defensivas ucranianas, e a possibilidade da Rússia (se tivesse calacidade para tal) ir atacar os ucranianos pelas costas no que resta disputar do Donbass, em particular aquele aglomerado das grandes cidades de Kramatorsk e Slaviansk.

    Ora, tal não aconteceu. A Ucrânia defendeu e contra-atacou de forma exemplar, e essa oportunidade esfumou-se para a Rússia.
    Logo agora que podiam estar a discutir a sua própria incapacidade, o seu próprio falhanço, lá foi a máquina de propaganda Russa tirar este coelho da cartola.
    Isto é cá uma “coincidência”…

    Dito tudo isto, há uma importante ressalva a fazer, em 3 pontos:

    1) todos os regimes têm uma máquina de propaganda, isto é algo normal;

    2) a máquina de propaganda russa tem o hábito de realçar as vitórias factuais, e de desvalorizar (ou remeter ao esquecimento propositado) os falhanços factuais;

    3) o que não é nada normal, é a máquina de propaganda ocidental estar construída sobre castelo de cartas, com mentira em cima de mentira, quase total separação com a realidade, e em certos casos de repetição ad nauseam de pontos falsos onde a mentira repetida é a OPOSTA do que se passa na realidade;

    Resumindo e concluindo, toda a gente faz propaganda, estejam atentos, e não se irritem com a minha honestidade intelectual que me obriga a apontar o dedo ao que está mal (ou menos bem) mesmo do lado que eu defendo.

    E, sem sombra de dúvida, eu estou hoje do lado da Rússia, China, BRICS, Sul Global, e só dos verdadeiramente soberanistas anti-imperialistas e realmente anti-fascistas no Ocidente.

    Os meus inimigos, aliás os inimigos da humanidade, estão todos em Lisboa, Bruxelas, Paris, Berlim, Roma, Frankfurt, Estrasburgo, Washington, Miami, Nova Iorque, Londres, Kiev, Taiwan, Jerusalém ocupada, e mais umas quantas capitais que por aí há a abarrotar de bestas quadradas ora de forma sistemática (ex: Riade) ora de forma temporária (ex: Buenos Aires).

    • Bom, certo é que Pokrovsk e Mirnograd vão cair nos próximos dias. Depois vai ser Kupiansk. Mais a sul tem sido um vê se te avias. Luz, este inverno não vai haver e muito bem, que é para eles perceberem que a derrota é inevitável. Este gesto, que sim, faz parte de propaganda, tem os seus méritos: mostraria ao mundo o estado em que estão os desgraçados que zelérias condenou à morte. Pois, porque estão cercados: ou se rendem ou morrem.

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