Nobel da Paz a Maria Corina: O Apito de Cachorro do Capitalismo

(Por Camilo Júnior in Tribuna Multipolar, 10/10/2025)


É a paz dos vencedores, a paz do capital que dita quem deve ser canonizado e quem deve ser bombardeado.


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A atribuição do Prêmio Nobel da Paz a Maria Corina Machado não é, antes de tudo, um reconhecimento a feitos pacíficos.

É um gesto geopolítico de alta voltagem, um “apito de cachorro” audível para quem compreende as linguagens do poder global.

Longe de celebrar a paz, o prêmio a instrumentaliza, transformando-a num arsenal de guerra híbrida contra Estados soberanos que desafiam a hegemonia ocidental.

A farsa reside no próprio contraste.

Enquanto a Venezuela, sob o mesmo modelo de sanções econômicas que Maria Corina defende publicamente, vê seu povo passar fome e falta de medicamentos, premeia-se uma figura política cujo projeto está alinhado com os arquitetos desse cerco asfixiante.

O Comitê do Nobel, com essa escolha, não honra a memória de Martin Luther King ou Nelson Mandela; alinha-se à seletividade do Tribunal Penal Internacional, que só morde os “descalços”, como bem lembrou Eduardo Galeano.

É a paz dos vencedores, a paz do capital que dita quem deve ser canonizado e quem deve ser bombardeado.

Maria Corina não é uma ativista pelos direitos humanos em sentido universal. É uma peça no tabuleiro do Grande Jogo pela dominação dos recursos.

Sua luta não é pela paz na Venezuela, mas pela “paz” do capital: a pacificação de um território rico e estrategicamente vital, submetendo-o de volta à órbita de influência que o Chavismo rompeu.

Seu Nobel é o prêmio de consolação que o Ocidente concede a seus aliados nativos quando a vitória não vem pelas urnas ou por meios convencionais.

O “apito de cachorro” soa claro para seus destinatários: é uma mensagem de incentivo à oposição interna e um sinal para o mundo de que a campanha de desestabilização contra a Venezuela continua com o mais alto patrocínio.

É a cobertura “humanitária” para uma agenda de mudança de regime.

A linguagem da paz é usada para promover a guerra econômica e a ingerência, tal como fizeram no passado com figuras que, após receberem honrarias semelhantes, presidiram sobre nações arrasadas.

Este prêmio corrompe o significado da paz. Ele a reduz a um instrumento de soft power, uma arma para legitimar a desestabilização de governos não alinhados.

Ao celebrar Maria Corina, o Comitê do Nobel não está promovendo a concórdia entre os venezuelanos; está tomando partido em um conflito político complexo, alimentando a divisão e legitimando uma oposição que não conseguiu, até agora, derrotar o seu adversário no campo democrático.

A verdadeira paz, aquela que brota da soberania, da autodeterminação e da justiça social, não será encontrada em estrelas douradas concedidas em Oslo. É e será construída pelo povo venezuelano, longe dos holofotes internacionais e dos apitos de cachorro do capital.

Este Nobel não é um farol de esperança; é o reflexo dourado de uma nova cortina de ferro, que separa os eleitos do capital daqueles condenados a resistir sob o peso dos seus bloqueios e do seu moralismo seletivo.

Fonte aqui

(*) Texto em português do Brasil de acordo com o original

6 pensamentos sobre “Nobel da Paz a Maria Corina: O Apito de Cachorro do Capitalismo

  1. O facto de a alarva ter apoiado o assassinato de 11 compatriotas seus em alto mar diz bem do que espera os desgraçados dos venezuelanos de essa infame alguns vez chegar ao poder no seu país.
    Uma pequena embarcação, desarmada, contra barcos de guerra de um dos mais bem equipados exércitos do mundo.
    Podia muito bem ter sido abordada e droga lá plantada para sustentar a narrativa.
    Devidamente torturados e promessas de vida boa na América os 11 desgraçados até diriam que o Maduro lhes dera pessoalmente a droga com ordens expressas de a deixar nas costas dos Estados Unidos de modo a matar por overdose o maior número de americanos possível.
    A opção por destruir a embarcacao e matar todos quantos lá iam visou mandar uma mensagem, causar terror, dizer aos venezuelanos que enquanto o regime não for do seu agrado até ir a pesca pode ser um perigo mortal.
    A Corina sabe disso.
    E o facto de apoiar semelhante coisa diz bem da sua noção de justiça.
    Não há problema nenhum em execuções extrajudiciais e em matar gente pobre sem provas.
    O fascínio por execuções extra judiciais e a marca da necropiltica que caracteriza a extrema direita.
    Já Bolsonaro dizia “bandido vai morrer na rua igual a barata”.
    Por lá vai ser “Chavista vá a morir en lá calle como cucaracha”.
    E o epíteto vai ser aplicado a todos quando a fome provocada pelas sanções parecer uma brincadeira de crianças quando o país for saqueado.
    As suas pacíficas milícias vão deitar e rolar.
    E sim, a criatura pediu mais de uma vez uma intervenção militar contra o seu país, a primeira em 2018.
    E se acham que semelhante animal merece um Prémio Nobel da Paz algo esta muito podre a Ocidente.
    Mas não e nada que não soubessemos.

  2. Em rodapé passava que “Trump publicou que Corina Machado lhe dedicou o Prémio Nobel da Paz”…

    … de repente tudo passa a fazer mais sentido, os elogios de Marcelo II, as ladaínhas de Paulo Rangel, a apoteose nos canais de televisão noticiosa… afinal o que é a Coringa Malvado ao pé do Trampas na hierarquia da situação…

    Conclusão, o prémio Nobel da “pomba branca”, que este ano estava destinado ao hiPOpoTamUS cor-de-laranja, afinal acabou mesmo por ir parar ao “pântano” onde chafurda… já pode o CU (candidato único) dar-lhe pessoalmente os parabéns…

  3. Passo a transcrever o currículo de Maria Corina Machado, ontem (10-10-2025) esparramado no Jornal da Noite do “insuspeito” canal de Francisco Pinto Balsemão (ao minuto 20:50). A numeração visa facilitar a enumeração (perdoem-me a cacofonia) das excelsas “qualidades” da madama e foi acrescentada por mim.

    “Maria Corina Machado acusou o sucessor de Hugo Chávez, no poder há mais de uma década, de fraude eleitoral e de liderar um Estado criminoso e ditatorial. [1] Defendeu sanções contra a Venezuela e, mais recentemente, [2] defendeu os ataques dos Estados Unidos a embarcações venezuelanas que Washington diz estarem ao serviço do narcotráfico. [3] Em Fevereiro de 2025 enviou um discurso gravado para a conferência que reuniu em Madrid a extrema-direita europeia e [4] pediu ajuda para derrubar Nicolás Maduro. [5] A Nobel da Paz, admiradora confessa de Donald Trump, a quem chama um visionário, [6] e do governo israelita de Benjamin Netanyahu, nega, no entanto, apoiar uma intervenção militar estrangeira para mudar o regime na Venezuela.”

    Pouco antes do anúncio oficial do nome do premiado, Corina Machado recebeu um telefonema de Kristian Berg Harpviken, um patético e alzheimerizado secretário do Comité Nobel, que, com a voz embargada de comoção e soluçando como uma Madalena (a sério!), lhe comunicou antecipadamente a feliz decisão. Feliz e justíssima, diga-se, dado que há muito o Nobel da Paz se especializou em galardoar, de entre a variada e “perfumada” merda candidata, a (ou uma das) mais mal-cheirosa do ano!

    • Defender o assassínio extrajudicial, pelo império, de compatriotas que de nada foram formalmente acusados nem julgados. Enviar um discurso gravado à conferência da extrema-direita europeia, organizada pelo partido fascista espanhol Vox e com a participação destacada do quarto pastorinho da Tugalândia. Confessar admiração pelo criminoso de guerra e genocida Benjamin Netanyahu e pelo javardão cor de laranja Donald Trump, etc. Não há dúvida: estas são, sem margem para dúvida, qualidades imprescindíveis num lutador pela paz!

      Post scriptum — Se algum dia o Comité Nobel me galardoar com um prémio qualquer (da paz, da guerra ou do jogo do bilas), antecipadamente informo as queridas massas populares de que, não me permitindo a minha proverbial modéstia considerar-me merecedor, o devolverei ao remetente, enriquecendo a embalagem com uma bisnaga de vaselina, para que o Comité Nobel saiba, sem margem para dúvidas, onde deve meter o seu prestigiado galardão.

  4. Excelente !!! Como alguém que vive nos dois lados do Atlântico , agradeço ao autor pelo texto esclarecedor . Hoje estou em Portugal , e já ouvi de pessoas mal informadas a respeito de Maria Corina cumprimentos e aplausos !
    Talvez nos tenham ideia do que significa alguém querer submeter seu país à fome e a pobreza , defendendo interesses alheios contra a soberania da Venezuela .
    Essa é a patética Maria Corina que recebeu o também patético Prêmio Nobel da Paz , também aspirado pelo Sr Trump , representante de um império que se desmancha aos nossos olhos.
    Espero que os europeus comuns leiam o seu artigo e entendam o que esse prêmio significa . Obrigado

  5. Pior so se tivesse sido atribuido a Trump , um autêntico trampolineiro (farsante, aldrabao, perito em patranhas, etc. e tal) mas mesmo assim, para lá de mau. Daqui para a frente, quem quer que, merecedor do reconhecimento, seja proposto, só tem de o recusar, sob pena de alinhar com a mais refinada vigarice. E tudo isto acontece na civilizada Europa e em Oslo, capital de um país nordico que nos habituados a considera progressista!!! Para alem do mais é sobretudo um indicio muito preocupante de uma doença profunda que nao sei onde nos vai levar enquanto Humanidade; temo que seja doença terminal.

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