(Por Cipriano Justo, in Facebook, 14/07/2025, revisão da Estátua)

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Tirando a roupa que vestem, as recordações, e algumas moedas no mealheiro, a maioria dos portugueses pouco mais pode dizer o que é seu. Entre esse pouco conta-se a Caixa Geral de Depósitos, a escola pública e o SNS.
Tudo o resto foi adquirido pelos de fora, ou faz parte desse modelo de gato escondido com o rabo e fora, que são as parcerias público-privadas, como vai acontecer com a TAP, por exemplo. Saciar o apetite e a ganância de quem quer comprar para, dessa maneira, poder estender o seu domínio às decisões tomadas nas cimeiras anuais de Davos, foi a contrapartida que o Estado português teve de aceitar para fazer parte da elite europeia, representada na figura da União Europeia (EU). Por enquanto, mas talvez por pouco tempo se nada for feito, uma daquelas exceções tem resistido ao vendaval provocado pela flatulência das barrigas dos comensais daquela cidade Suíça.
No seu afã de vender toda a prata da casa, a direita, no caso o atual Governo, está envolvido num esforço para entregar os restantes 45% do orçamento do SNS a quem os quiser comprar. Para isso, na ilusão de que só um ministro sairá reduzido a cinzas dessa contenda, reconduziu a atual Ministra da Saúde, qual cordeiro de Deus, para ser sacrificada no altar do bezerro de ouro.
Talvez não contassem, é com a resistência que tal empreendimento iria enfrentar. Sejam quais forem os planos e os caminhos escolhidos para atingir aquele objetivo, encontram sempre pelo caminho obstáculos à sua concretização, não se importando, contudo, de arredar dos seus lugares todos os que lhes pareçam incómodos, na ilusão de tornarem mais fácil a caminhada.
Cometem um grave erro, porque irão sempre ter pela frente as pessoas. Tendo a estas sido tirado quase tudo, elas não querem ficar sem o último reduto das suas vidas, o serviço público de saúde.
É que, além do valor de uso do SNS, já está enraizado na consciência das pessoas o seu valor afetivo: ele foi o responsável, num qualquer momento das suas vidas, por ter salvo a vida a um ente querido. É com essa perceção retirada da experiência que o Governo não está a contar pelo que, a manter a sua orientação de esvaziamento do SNS, lhe irá custar caro.
Tenho medo que o povo só acorde quando já for tarde demais.