Um Mundo sem fascismo nem nazismo

(João-Gomes, In Facebook, 09-05-2025)


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As palavras de Putin durante as comemorações do 9 de Maio, evocando a Rússia como “barreira impenetrável” contra o nazismo, a russofobia e o antissemitismo, devem ser lidas com o peso da História e não com a ligeireza seletiva que hoje domina muitos discursos políticos no Ocidente. A verdade é que, por mais que se tente obscurecer ou relativizar, a Rússia – especialmente o povo russo e os povos eslavos em geral – suportaram o fardo mais pesado da guerra contra o nazismo, tanto em perdas humanas como em resistência moral e militar.

Com o colapso da URSS, a Rússia iniciou um percurso ambíguo, sim, mas voltado para uma maior integração com a Europa e para o comércio internacional. No entanto, nunca abdicou da defesa da sua identidade histórica, marcada por resistências sucessivas às invasões napoleónicas, ao delírio expansionista do Kaiser, à brutalidade do Terceiro Reich e, mais recentemente, às tentativas de contenção e cerco geopolítico por parte da NATO. Essa resiliência não pode ser ignorada. Ela assenta em séculos de sofrimento e resistência, e é por isso que a memória da Grande Guerra Patriótica ainda molda o imaginário coletivo russo – com razão.

Putin relembra ao mundo, com firmeza, que a luta contra o fascismo e o ódio é uma tarefa permanente. Quando menciona a operação militar contra o regime de Kiev como continuação desse combate, podemos e devemos discutir os métodos e as consequências, mas não podemos ignorar a realidade complexa que se vive na Ucrânia, onde símbolos e figuras do colaboracionismo nazi, como Stepan Bandera, são ainda hoje reabilitados e celebrados em segmentos do Estado e das Forças Armadas. É um facto incómodo, mas real.

Neste contexto, é legítimo afirmar que a Rússia, com as suas contradições, continua a desempenhar um papel de resistência – não apenas militar, mas simbólica – contra o ressurgimento da extrema-direita europeia. Enquanto muitas democracias ocidentais se mostram complacentes, ou mesmo cúmplices, com o avanço de partidos abertamente xenófobos e revisionistas, Moscovo continua a assinalar com clareza e solenidade a vitória sobre o fascismo como um valor fundador da sua identidade nacional.

Este 9 de Maio deve, portanto, servir não só para lembrar os horrores do passado, mas também para refletir sobre o presente. Que lição retiram hoje os países da União Europeia da memória da Segunda Guerra Mundial?

Quando os valores democráticos são usados como fachada para tolerar – ou mesmo legitimar – o avanço de ideias que os negam, algo está profundamente errado. Nesse contraste, a firmeza russa, por mais criticada que seja no plano diplomático, emerge como um lembrete incómodo: a memória histórica não pode ser seletiva, e a luta contra o fascismo não pode ser apenas retórica.

4 pensamentos sobre “Um Mundo sem fascismo nem nazismo

  1. E já agora nem neoliberalismo nem partidos que tenham em monstros como Milei os seus modelos.
    Já agora, o comunismo nunca deu cabo da vida a ninguém na Europa Ocidental, já o neoliberalismo, os troikanos e outros bandalhos causaram mortes.
    Essa de comparar uma doutrina que pretendia dar uma vida decente a toda a gente com doutrinas de morte de toda a gente que fosse divergente, inclusive doentes e deficientes, para além de gente de raças a destruir, como os ciganos ou os judeus merece que os mandem ir ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.
    Vão para o diabo que os carregue todos os que poem no mesmo saco comunismo e nazismo abrindo caminho a extrema direita e ao renascer do fascismo e do nazismo.

  2. Esperando que o Putin, já que não move um dedo para impedir o genocídio em Gaza e quer aliviar um certo sentimento de culpa por nada fazer para aliviar o sofrimento de bombardeamentos e fome na população de Gaza não venha também com a conversa da treta de que os críticos de Israel são antissemitas.
    Se, atolado no atoleiro da Ucrânia não pretende honrar o compromisso de apoiar o Irão caso este país seja agredido ou até destruído pela dupla Israel/Estados Unidos escusa de vir com a conversa da treta do antissemitismo.
    Não lhe fica bem e já temos a Ocidente muita gente dessa perseguindo sem do nem piedade os críticos do estado genocida.
    Pelo menos o dia acabou sem nenhum ataque terrorista ucraniano sobre os participantes na cerimónia se calhar porque a segurança funcionou e não porque Herr Zelensky e seus jagunços nazis não o tenha querido fazer.
    Nada lhes daria mais prazer certamente do que conseguir que alguns dos chefes de estado que mandaram o Ocidente a merda voltar para as suas terras em fato de madeira.
    Mas para esta canalha os ucranianos não sao terroristas seja qual for a atrocidade que cometerem. Coitadinhos, teem direito a cometer todas as atrocidades porque foram invadidos.
    Já os palestinianos deveriam aceitar todas as mortes e expulsões impostas por uma gente messiânica, racista e supremacista sem dar um pio e sem mover um dedo.
    Vão ver se o mar da choco.
    Por isso seria bom que pelo menos a Rússia não cavalgasse o mesmo discurso nefasto a Ocidente.
    E compreensível que tendo as portas um inimigo nazi, que já provou que não comete ainda mais barbaridades porque não pode, não queira comprar mais uma briga com o Ocidente e não possa estar em todo o lado.
    Mas pelo menos não seja mais um a justificar os crimes de Israel com a treta do antissemitismo.
    Quanto a brigas com o Ocidente pode estar descansado porque não e cavalgar o discurso ocidental sobre antissemitismo que se livra da nossa sanha de ódio.
    Ainda ontem a louca Kallas, a psicopata que sucedeu ao jardineiro catalão a frente da diplomacia europeia, em vez de comemorar a derrota do nazismo foi a Kiev apoiar os seus herdeiros.
    E tratou de insultar, em linguagem de taberna, os que não acham boa ideia que continuem a despejar o seu dinheiro no atoleiro da Ucrânia, acusando os de putinistas.
    Com a pergunta, “como e que podem estar do lado desse gajo?”.
    Para uma linguagem destas de taberna não precisamos de uma chefe de diplomacia. Qualquer empregado de bar rasca faria o mesmo trabalho.
    Já agora, eu garantidamente não sou Putinista. Mas gosto ainda menos de nazis e assassinos racistas e supremacistas como os israelitas. Que vao chamar gentio, animal e outros mimos ao diabo que os carregue.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

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