(Por oxisdaquestão in Blog oxisdaquestao, 15/02/2025, revisão da Estátua)

Exmo./a dono/a da Procuradoria-Geral da República
Excelentíssimo/a
Não sei quem é o/a senhor/a mas presumo que existe, está nomeado/a, recebe no fim do mês e faz despachos nos processos que lhe chegam às mãos. Ainda tenho em mente o comunicado que iniciou o pontapé no cú que foi dado ao Costa, por ordens da NATO, para o PS ceder o governo ao PPD-AD e fazer de Montenegro um Primeiro- ministro de faz-de-conta, mais vendedor da banha da cobra que decisor íntegro e cumpridor da Lei.
Tenho para mim que Vosselência vai tendo a noção do que ocorre no seu país, da legislação que é aprovada pelo governo/AR e de outros factos comezinhos que as televisões usam para encher noticiários e tempos de analistas-comentamerdosos que proliferam como cogumelos depois das primeiras chuvadas. Como quem enche chouriços, sabe?
Creio também que, como detentor do poder de fazer cumprir a Lei com os seus tempos passando, que consegue ligar o dito caso Costa dos homens das autorizações para exploração do lítio no governo anterior, com a liberalização dos terrenos agrícolas para construções urbanas e fomento da especulação imobiliária e negócios de crédito à habitação. Tudo a bem do negócio, do capital, dos sócios das sociedades que vão receber a legislação como um maná.
Ainda não conheço comunicado algum acerca do assunto depois de Hernâni Dias, Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento, ter sido apanhado com (dez!) empresas prontas para beneficiarem da legislação que o governo atual fez aprovar por ele mesmo, Secretário de Estado, agente promotor e vencedor dos acidentes burocráticos que a legislação enfrentou.
Agora, cai-me sob os olhos, na imagem acima, o título que envio a Vosselência e fico sem compreender nada. Vosselência existe ou não existe? A PGR ainda é capaz de produzir comunicados ou tem as impressoras com os tinteiros secos? Não há um Twitter/X, um Instagram, um Facebook que receba dez linhas a mostrar que a Lei ainda tem quem a defenda no país?
Digo-lhe que estou varado e de coração aos saltos a pensar que não, que andamos todos a brincar, correndo e espreitando no Portugal dos Pequenitos. Será que Vosselência também anda nas correrias e espreitadelas, distraído e a não querer sujar o bibe que lhe vestiram?
Desculpe, senhor doutor juiz, mas há coisas que não encaixo; mas é que ainda não estou convencido de que o defeito seja meu.
Aceite o atrevimento.
Fonte aqui
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Ontem o Relvas e o Pureza, com a Anjos e o pivot da moda pelo meio, diziam uma série de inanidades sobre este tema, cada um desconversando como lhe convinha.
Dizia o impoluto e nada parcial Relvas, “ah, isto é subjectivo, é uma questão de subjectividade, se virem como o Primeiro-Ministro despachou o Secretário de Estado, é porque estava à vontade na sua situação”.
Dizia o benemérito pseudo-esquerdista Pureza, “com tanta coisa mais importante para tratar, com os desenvolvimentos da guerra da Ucrânia, para quê andarmos a perder tempo com isto?”
Dizia a Anjos, “está sede mediática de casos e casinhos, empolada pelas redes sociais, foi útil ao PSD para atacar e fazer cair o governo de António Costa, e agora está a provar do seu próprio veneno, ou pelo menos deste veneno”.
É claro que agora o Presidente da República (e a Procuradoria Geral da República) não estará tão interessado em alardear os problemas do Governo, a ameaçar com eleições antecipadas, “ai, ai, ai a estabilidade, estamos numa conjuntura internacional muito complexa e difícil”, dirá, enquanto evitará dizer “há uma lei dos solos para aplicar, fundos do PRR para canalizar, múltiplas engenharias financeiras para subtrair, digo, adicionar”. Talvez aluda ao risco de uma percepção generalizada de corrupção na política, de insegurança sócio-económica dos portugueses, talvez, que isto de “percepções” só serve quando o vento sopra de feição. Talvez refira os perigos da ascenção da extrema-direita caso caia o governo e haja eleições antecipadas, como aconteceu da última vez que forçou tal cenário, ou de um “experimentalista” do almirantado, mais enigmático nos seus propósitos que uma quimera (excepto para o visionário profético Marcelo)…
Enfim, não há nada aqui para ver, só a ascensão de mais um “empreendedor político”, ética e deontologicamente irrepreensível, bom chefe… pai de família, ou vocês “querem que os nossos dirigentes sejam todos políticos de carreira”?
*”há um SNS para reestruturar, um exército, uma marinha e uma força aérea para reforçar” talvez acrescentasse o professor Marcelo como quem diz uma verdade onde subjaz uma mentira encapotada, que “reestruturar” é uma palavra muito ambígua e serve para muita coisa
Então já não se pode praticar o “empreendedorismo” leccionado nas Universidades de Verão do PPD / PSD à vontade? Desde quando? No meu tempo não era assim, as camarilhas “sociais-democratas” tinham salvo conduto “empresarial”, BPN, BANIF, fundos europeus, PPP, era tudo à grande, desviava-se e legislava-se e governava-se sem “constrangimentos”.
Façam como a família do Primeiro-Ministro, se tiverem dúvidas, perguntem-lhe que ele explica.
Se a “reabilitação” da velha moradia em Espinho, transformada num mamarracho de traçado, volumetria e cércea superlativa, foi explicada com um dossier fechado, mas com muitas folhas, micas e separadores, brandido no púlpito pelo imaculado Monte pardo, imaginem quantas pastas e dossiers acumulados numa estante ou em cima de uma mesa serão necessários para esclarecer esta “confusão”.
No fim o Presidente da república dá um recadinho saloio para enganar pategos, e vão os dois ver a bola ao lado do novo presidente do Porto. E com o “Selminho” também de arrasto.