Volodymyr, chegou o momento de capitular

(Paulo Hasse Paixão, In Blog Contra Cultura, 11/02/2025)


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De certa forma, Volodymyr Zelensky merece algum crédito. Ao contrário da maioria dos líderes ocidentais, ele sabe como defender os seus próprios interesses e os interesses da sua causa.

Não há melhor exemplo do que as suas declarações da semana passada, proferidas numa entrevista grotesca que concedeu a Piers Morgan, que é um declarado fã do seu regime e abdicou da profissão de jornalista para fazer parte da claque. Nesse simulacro de entrevista, Zelensky afirmou que se os Estados Unidos não puderem garantir ao seu país um caminho rápido para a adesão à NATO, então aceitará armamento nuclear como prémio de consolação.

Vale a pena parar para reflectir bem nestas palavras. Ambas as possibilidades são essencialmente equivalentes. Se a primeira acontecer, a Ucrânia junta-se oficialmente à anacrónica e falhada aliança anti-Rússia do Ocidente, circunstância que dá direito à instalação de armas nucleares na Ucrânia. Isso significa que a Rússia partilharia uma fronteira com um adversário apoiado pelos EUA e armado com mísseis nucleares, o que, compreensivelmente, o Kremlin considera inaceitável. O segundo cenário teria exactamente o mesmo resultado. A Ucrânia recebe armas nucleares e, na melhor das hipóteses, a sua guerra com a Rússia arrasta-se como tem acontecido há três anos. Na pior das hipóteses, sucede o Armagedão.

Tudo isto é evitável. Zelensky pode fazer as exigências que quiser, mas o seu destino, em última análise, está nas mãos de Donald Trump. Tal como Israel, a Ucrânia está extremamente dependente do financiamento dos contribuintes americanos para continuar a guerra. A ameaça do presidente dos EUA de retirar o apoio financeiro e militar pode ser a única forma de conseguir uma mudança significativa que conduza à paz.

Mais: se Donald Trump quer fazer parte do processo de cessação das hostilidades, a sua única saída será mesmo essa – a de retirar todo o suporte a Kiev. Caso contrário, a guerra vai acabar apenas quando Vladimir Putin achar que os seus objectivos estão cumpridos.

E sendo que dificilmente não o serão, a missão pode durar ainda mais um ou dois anos a cumprir e custará mais centenas de milhar de mortos, pelo menos, a russos e ucranianos, e a destruição total da Ucrânia.

Chegou a altura de dar ao líder ucraniano uma notícia definitiva: o jogo acabou. A nova prioridade dos Estados Unidos deve ser acabar com o derramamento de sangue na Europa de Leste, e não continuar a doutrina Biden de prolongar ao máximo a chacina, sabe-se lá em nome de que objectivos. Se para isso for necessário que Zelensky faça concessões, como permitir as eleições a que, mesmo em tempo de guerra, a sua constituição o obriga, ceder os territórios do Dombass e desistir de aderir à NATO ou de adquirir subitamente um arsenal nuclear, então que assim seja.

Até porque o Kremlin não aceitará qualquer compromisso de paz que não passe por estas premissas básicas.

É muito simples, na verdade. Está na altura de acabar com a violência, a morte e a destruição por uma causa perdida. E capitular.

Fonte aqui.


5 pensamentos sobre “Volodymyr, chegou o momento de capitular

  1. Seja como for, podem os líderes europeus estar descansados pois que as negociações não vão dar em nada e vão poder continuar a sonhar com a destruição da Rússia até porque a maior parte das populações estão tão anestesiadas que vão achar normal morrerem a porta do hospital ou não terem reformas para pagar os tais cinco por cento e assegurar mais e mais armas para destruir a Rússia.
    Sabendo Trump que a esmagadora maioria das terras raras que cobiça estao em território já controlado pela Rússia o que vai exigir para deixar de apoiar o nazismo ucraniano sao justamente as tais terras raras.
    Alias, isso já tinha sido oferecido como moeda de troca a Herr Zelensky, que já tinha aceitado, mas depois o tiranossauro deve ter ido ver melhor o actual mapa da frente de combate.
    E como o sonho de destruição da Rússia e saque dos seus recursos também lá mora ira propor em troca qualquer coisa como simplesmente adiar para daqui a uns 20 anos a entrada na Ucrânia na NATO.
    Pelo que e mais que certo que Putin o mandara ir ver se o mar da choco.
    Ora sendo o sujeito mais louco que Nabucodonosor o mais provável e que queira carregar no acelerador forcando finalmente a Rússia a despejar na Ucrânia tudo o que tem, incluindo as armas nucleares.
    Isto pode acabar mesmo muito mal para todos nós e não so para os ucranianos.
    Mas não deixa de ter alguma graça para quem tiver propensão ao humor negro que depois de tantos anos a passar atestados psiquiátricos a Putin estejamos todos as voltas com um sujeito que, além de psicopata, já deu mais que provas de ser clinicamente louco.
    E o seu entorno, venha o Diabo e decida quem ali e são. Porque aquilo era chamar todas as ambulâncias do manicómio e carrega los todos.
    Pelo que depois de tantos anos a gritar “lobo” em relação a Putin, estão agora a ver se a contas com loucura da brava e imprevisível mas do lado Ocidental do mar.
    A propósito, a história “Pedro e o Lobo” e russa.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  2. É oficial: a NATO e a UE são um conto do vigário…
    A narrativa flutua ao sabor do vento, deriva da espuma dos dias.

    Agora, por Trump andar a negociar directamente com Putin um acordo de paz, clamam que é um ultraje para a Ucrânia e a Europa, uma humilhação, mas quando Zelensky andava em placa giratória pela Europa (e resto do “mundo livre”), e fazia cimeiras na Suiça só com os países da NATO e seus aliados (sem grandes resultados, porque quem controlava o rumo dos acontecimentos era Washington isoladamente, o padrinho, e a Rússia, o opositor directo), ninguém frisava qualquer afronta a ninguém, apesar da jactância e da húbris dos papagaios da propaganda e os idiotas úteis congratulando-se com o desprezo dado à parte russa, como se não contasse nem tivesse voto na matéria).

    Quando em Abril de 2022 se tentou um tratado de paz na Turquia, com delegações de ambos os países em guerra, estas foram boicotadas primeiro pelos marionetistas do regime ucraniano, depois pelos próprios títeres, que abandonaram as negociações e preferiram o caminho da corrida ao armamento, dos pacotes de sanções, ou seja, do sofrimento do próprio povo, pois com mais 3 anos de guerra em cima deste então, muitos mais morreram, ficaram estropiados, perderam entes queridos, empobreceram, imigraram, para não falar na destruição patrimonial e ambiental, social e económica, à escala regional e nacional.

    Pelo menos um dos ucranianos presentes nessas conversações de paz na Turquia, orientadas por Erdogan, foi depois assassinado pelos próprios “serviços secretos” ucranianos, e mais tarde foi alterada a lei geral para proibir quaiquer negociações de paz com Putin ou os seus delegados, inviabilizando qualquer negociação de paz. Aí já não houve “forças de bloqueio” à paz na Europa”. Agora descobriram que há, mas no entanto quem está a acertar a paz não é Zelensky com a Europa, e sim a administração Trump com o líder russo, Putin.

    Mas sobre esse e outros golpes do regime ucraniano existia um tabu por todo o “mundo livre”, quem os referia era “putinista”, entrava “na lista dos in-put-ados”, ou surgia sempre a justificação para esses actos, a desculpa “dos bons contra os maus”, que no fundo servia para branquear ou omitir qualquer atrocidade cometida por um dos lados envolvidos, aquele que financiamos directa ou indirectamente), numa clara tabloidização do conflito, para consumo e entretenimento, para ódio e paixão, de muito patego, incauto e indigente.

    Agora vem a factura desta brincadeira toda, ou melhor, da brincadeira até aqui, porque “os grandes líderes” europeus, mais o Zelensky, ainda querem sugar mais para a defesa, tal como pretende o Grande Irmão americano, porque grande parte dessa (futura) despesa serão mais dividendos e mais capitalização da economia dos EUA… ainda não se deram por convencidos, os Ruttes, as Úrsulas, os Macrons, os Starmers, os Scholz, etc… foram comidos de cebolada, e vão continuar a ser, mas no fundo quem paga esta brincadeira toda são os europeus, não os fantoches que lideram a Europa, que para o que fazem e apresentam, ainda por cima com os péssimos efeitos e resultados que obtêm, devem ser os mais bem pagos do mundo!

  3. Pode até ter chegado a hora de Herr Zelensky capitular mas, tendo em conta os termos da entrevista, duvido que ele saiba disso.
    Herr Zelensky e um consumidor de cocaina e provavelmente, neste momento, a sua percepção da realidade e equivalente a de Hitler nos últimos meses da guerra.
    Ainda acredita que vencera ou que, como prémio de consolação, terá armamento nuclear.
    E se a Rússia já não queria tal vida antes da guerra como aceitara agora, depois de uma guerra em que o Ocidente deu todo o apoio possível a Ucrânia, despejou lá tudo quanto foi armas, e milhares de mercenários, tentando causar a Rússia o maior dano possível e, se possível, a sua destruição?
    Agora e que a Rússia tem a certeza que tais armas estacionadas na auto estrada das nossas invasões mais tarde ou mais cedo lhes cairiam em cima.
    Quanto aos finlandeses viveram bem a conta da União Soviética nos anos da Guerra Fria mas nunca abandonaram o nazismo que afectava muitos.
    Todos os nórdicos teem os tais delírios de grandeza e ascendência viking, não sei bem como alguém pode ter orgulho em ser descendente de saqueadores e violadores que achavam que só quem morria em combate merecia ir para o seu Paraíso, e daí que voltem a achar boa ideia combater os russos.
    Como no tal cerco de Leninegrado que tinha o objectivo declarado de chacinar toda a população civil da cidade e conseguiu destruir um terço.
    Alias, o que se pretendia para a Rússia era a destruição total de todos os seus núcleos urbanos pois que os que deixassem vivos para servir como escravos deviam viver da agricultura explorando pequenas terras que lhe fossem atribuídas pelos senhores tais como os escravos e servos da gleba medievais.
    A União Soviética teve uma desproporção entre vítimas civis e militares muito maior que outros beligerantes.
    Porque a guerra contra a União Soviética visava o extermínio quase total do povo e não apenas a submissão como no caso dos países da Europa Ocidental.
    O massacre de populações de aldeias e cidades foi sistemático e organizado.
    E muita gente participou alegremente nisso tudo.
    Não só gente do antigo império russo como os finlandeses, mas gente da Ucrânia Ocidental como os bandos de Stepan Bandera ou os tártaros da Crimeia.
    Efectivamente essa gente era toda uma ternura e merecia que Estaline lhes desse um prêmio depois da guerra. O malandro e que não foi nisso.
    Como merecem agora os nossos mercenários de Portugal a Austrália. Pena os soldados russos não verem a ternura dessa gente e lhes chamarem “nazis” como aconteceu aquele bombeiro que eutanasiou um prisioneiro com toda a ternura e teve como epitafio a designação de “nazi português”. Que grande maldade.

  4. O artista Volodymyr, que começou por mostrar dotes musicais a tocar piano com a gaita, entre outras performances burlescas, antes de encarnar um grande líder político… numa série televisiva ucraniana falada em russo, tem agora os tintins a bater palmas!
    Bravo! Um aplauso para o Homem do Annus 2023, nos Times (sniff, sniff), ou melhor, na Times!

  5. A despropósito… ou talvez não. A Finlândia finalmente na NATO! Ai que bom que bom que bom! E que tal um exercício simples de memória, para recordar os gloriosos tempos em que o ocidentalíssimo III Reich do escuteiro Adolfo e a sua irmãzinha Finlândia davam as mãos para eutanasiar os “pretos das neves” da Moscóvia? Tão lindinhos que eles são! Não é mesmo uma ternura?

    https://en.wikipedia.org/wiki/Siege_of_Leningrad?wprov=sfla1

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