Um vendaval de sangue varre a Síria

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 10/12/2024, revisão da Estátua)

Milhares juntam-se na praça central de Hama para assistir aos julgamentos sumários e execuções de antigos oficiais do Exército Árabe Sírio pelo HTS.

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Um vendaval de sangue varre todo o país. Por toda a Síria, centos de casos filmados, geolocalizados e confirmados de matanças de cristãos, ex-militares, alauitas, quadros administrativos e académicos, até terríveis crimes cometidos dentro dos hospitais e praticados contra doentes internados. Tais imagens não são, obviamente, mostradas aos europeus manipulados, teledirigidos e anestesiados. Entretanto, como nunca jamais ocorreu no passado, com a impunidade do cobrador de favores que ajuda o terror e lembra o preço ajustado, o regime israelita bombardeia a seu bel-prazer todos os objectivos que estabeleceu para erradicar a Síria do mapa, invade-lhe o território e alega desenvolver uma operação visando alargar o território dos Golãs já ocupado desde 1967 e estabelecer uma região-tampão com desconhecida profundidade em território sírio.

É evidente que há quem se regozije com tudo o que de terrível ali acontece, os mesmos que durante mais de um ano assistiram impávidos à destruição de uma cidade de dois milhões de habitantes e desculparam a campanha contra o Líbano, da qual resultaram milhares de mortes. De facto, há que o reconhecer, este sistema de dois pesos, duas medidas, domina os ocidentais há muitas décadas e não se pense que dele fará contrição, pois este ocidente não é Ocidente, as suas capitais não são Washington, Paris, Berlim ou Londres, mas outra à qual prestam vassalagem.

Hoje, após o tratamento e da entrega de um trabalho que me foi solicitado com urgência, dediquei meia hora à leitura atenta da Constituição da Síria de Assad. Um monumento à tolerância, à inclusão e à partilha do poder entre cristãos, muçulmanos e judeus, um tesouro jurídico de rara beleza e equilíbrio.

Logo no seu articulado geral afirma não aceitar «grupos políticos com base na religião, no sectarismo, na tribo, região, classe, profissão ou discriminação de género, origem, raça ou cor» (4); precisa o lugar e o papel das mulheres («O Estado deve proporcionar às mulheres todas as oportunidades que lhes permitam contribuir efetiva e plenamente para a vida política, económica, social e cultural e deve trabalhar para remover as restrições que impedem seu desenvolvimento e participação na construção da sociedade» (23); respeita a «inviolabilidade da vida privada», assegura a educação universal e gratuita para rapazes e raparigas, assim como a liberdade científica, literária, artística e cultural.

Bastaram 48 horas para eclipsar a ilusão da liberdade e do «25 de Abril sírio» que tantos quiseram ao arrepio da básica inteligência, ou acreditavam realmente que da Irmandade Muçulmana, da Al Qaeda e do ISIS nasceria um regime de freios e contrapesos e a cultura westminsteriana que, mesmo na outrora livre Inglaterra, conhece dias de quase ditadura?


Os “rebeldes” sírios vieram roubar e saquear, realizando até mesmo execuções públicas. A SÍRIA retrocedeu vários séculos em poucas horas. A barbárie afetou pessoas que tinham amplas liberdades civis e políticas. O “pecado” da Síria, é ter petróleo. Ver vídeo abaixo.

5 pensamentos sobre “Um vendaval de sangue varre a Síria

  1. Por mim não tenho dúvidas. Antes ditador laico que trata minorias étnicas e religiosas por igual e da direitos de cidadania a metade da população que não tem picha que todos os freedom Fighter havidos e a haver made in CIA.
    Muito menos os que fazem julgamentos sumarios e queimam gente morta.
    Isso e uma selvageria sem tamanho e e preciso ser um grande cerdo para justificar tal coisa.
    Como quando a Merkel tratou de desenterrar para incinerar o que restava do Rudolf Hess a pretexto de que os neo nazis faziam lá romaria.
    Um acto de selvageria como esse tem o efeito contrário porque da nojo até a quem nada tem de fascista.
    Como quando a mesma vaca negou a entrada no país do cadáver do autor do massacre das fossas argentinas, Eric Priebke.
    Tudo porque o homem disse em tribunal que preferia ser fuzilado a ser entregue a Alemanha.
    E cá entre nós, vendo a selvageria com que a polícia trata manifestantes contra o terror sionista, sabendo que por lá uma dúvida fiscal pode dar direito a ser levado para a esquadra e sair de lá com quatro costelas partidas não nego ao sujeito algumas razões.
    A destruição de gente morta apenas visa causar choque e pavor, em especial a família que cá fica.
    Por muito laico que seja Bashar Al Assad, do seu exílio na terra do raio que parta deve ter visto o mesmo que todos vimos e as suas tripas deram de certeza uma volta maior do que deram as minhas.
    Pois, o progressismo dessa gente. Julgamentos e execuções sumários certamente resolvem o problema da lentidão da justiça.
    Impedir as mulheres de aceder a magistratura também dá a quem até aqui o exercia mais tempo para a família.
    Vão mas e ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.

  2. A população não foi, pois que nas imagens desse acontecimento eram todos homens, sim, e estavam todos fardados com uniformes militares ou milicianos.
    Logo, não foi a população, foi o HTS e Cia. Logo a seguir de estarem a ver o fogo a consumir a urna, juntaram-se todos e começaram a entoar cânticos, quase aos urros.
    Se fosse na Europa, uns quantos chamar-lhe-iam wokismo e cancel culture, outros diriam que era vandalismo à Black Block, ou rituais macabros e barbáricos. Como foi na Síria e a propaganda está a carburar a todo o vapor (é ver o que disse ontem a Márcia Rodriguinhos, demonizando o regime para elogiar o progressismo dos golpistas), então é tratado como se fosse um acto construtivo de civilização.
    O regime foi despótico e não sou de elogiar ditadores, mas também não vale a pena atirar areia para os olhos, e iludir as pessoas com “freedom fighters” da Al-Qaeda, da Al-Nusra, do Hayat Tahrir al-Sham ou do ISIS. A Márcia Rodriguinhos que vá ver se está a chover.

  3. E mais assustadora ainda e a falta de vergonha desta gente.
    Num site intitulado “Aventuras na História” made in Brasil diz se que o túmulo de Hafez Al Assad foi destruído e há uma foto do feretro a arder.
    Tudo isto e visto como uma justa revolta de uma população que terá vindo para a rua festejar a liberdade e demonstra o ódio que a população tinha a ditadura.
    Em resumo, todas as atrocidades cometidas sao uma prova da crueldade da ditadura e não da selvageria de quem as comete.
    E se descendentes de gente morta pela ditadura tivessem feito igual trabalho no túmulo de Salazar?
    Não querendo dizer que deviam te lo feito. A violação de uma sepultura, quem quer que seja o morto e uma atrocidade que não tem perdão.
    E se alguém a tivesse feito em Portugal tal seria visto como uma prova da selvageria dos novos poderes e não como prova da crueldade da ditadura.
    E parem de comparar multidões ululantes a gritar alhah u akhbar, muitos por medo de acabar também executados, todos homens porque as mulheres não e suposto sair de casa, com a festa de liberdade que juntou nas ruas do nosso país homens, mulheres, velhos e crianças nas ruas do nosso país.
    O que se esta a passar na Síria e barbaridade e não liberdade.
    Viva Hafez Al Assad.
    Quem defende barbaridades que rebente.

  4. O que está a acontecer na Síria e revoltante e assustador.
    Revoltante porque mostra até que ponto e que a barbárie ocidental pode chegar para conseguir os seus objectivos de sacar os recursos do mundo.
    Desde o início da nossa expansão que soubemos congregar os piores de uma terra e usa los para massacrar os outros.
    Em África soubemos cooptar as tribos mais embrutecidas e aguerridas para os por a caçar outros africanos.
    Que eram arrebanhados em navios e, em condições terríveis, transportados para o outro lado do mar. Aos sobreviventes esperava os um inferno que só terminava com a morte.
    O Tio Sam soube sempre congregar no seu quintal os mais corruptos, que não se importavam de matar os seus cidadãos como quem mata cães.
    Foi assim nas dezenas de ditaduras implantadas na América Latina.
    Um pouco por todo o lado, o colonialismo fomentou elites locais que admiravam os colonizadores e desprezavam o seu povo.
    No Século XX houve exemplos terríveis desse cooptar do maior filho de puta que uma terra deu e dar lhe poder sobre o seu povo.
    A ditadura Indonésia comandada por Suharto foi o exemplo mais terrível, um vendaval de sangue varreu o grande território insular que durante décadas foi o paraíso de todos os que quiseram explorar trabalhadores amordaçados pelo medo e despojados de todos os direitos.
    Mas houve também o Chile de Pinochet, o Irão do Xa e tantos outros.
    E desde o Afeganistão que congregamos os piores e lhes damos poder.
    Foi assim na Libia onde um vendaval de sangue também correu o pais juntando mais uns milhares de mortos aos que os nossos bombardeamentos já tinham causado.
    E esta a ser assim na Síria.
    E só realmente uma grande dose de anestesia, já para não falar no consumo de outras substâncias, pode levar alguem a achar que a substituição de Assad por esta gente e uma boa notícia.
    Imaginem o que seria substituir a ditadura de Salazar pelo Direito Visigótico.
    E e preciso comer gelados com a testa para dizer que o único problema das exportações de democracia made in USA e não acautelarem o dia seguinte.
    Como se eles fossem uns pobres anjinhos cheios de boas intenções e não soubessem o tipo de trastes que estão a apoiar.
    Como se não soubessem quem estavam a apoiar na Síria desde 2011.
    E tudo isto e assustador porque prova o que pode acontecer a quem desagrada ao império.
    A Siria regrediu 13 séculos em 13 dias.
    E difícil conquistar direitos mas e muito fácil perde los de uma hora para a outra.
    E todos temos gente ruim, capaz de nos fazer algo parecido se interessar ao império.
    Imaginem que descobrem em Portugal alguma coisa que interesse.
    A matéria prima para nos por em sentido já temos.
    Quando um líder partidário diz até um polícia que matou a sangue frio merece ser condecorado, quando um deputado da nação diz que isto andava mais direito se a polícia atirasse mais vezes a matar isso mostra que a matéria prima já temos.
    E não digam que e impossível porque isso aconteceu na Alemanha nazi e na esta a acontecer na Ucrânia de Herr Zelensky.
    Sao mais discretos nas execuções e nas mortes sob tortura mas elas acontecem.
    Por isso o que se está a passar na Siria devia alertar nos para o que ainda pode vir por aí se interessar a alguém.
    O que a tragédia siria está a provar e que não há limites para a barbárie desta gente. Que não teve problemas em lançar sobre todo um povo os piores de entre os piores. O novo ministro da Justiça tem aquilo a que antigamente se dizia “uma boa cara para a forca”. E só um exemplo do bando que espalha o terror na Síria. Tenha uma boa noite quem conseguir.

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