O cerco!

(João-MC Gomes, In VK, 01-12-2024)


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A menos de dois meses da tomada de posse de Trump a situação geopolítica atual, marcada por uma série de desafios à estabilidade da Federação Russa, parece configurar um cerco político-militar orquestrado a partir de várias frentes. Essa pressão multidimensional abrange a Ucrânia, a Geórgia, a Síria e, possivelmente, novos desenvolvimentos no uso de mísseis de longo alcance pela Ucrânia. Uma análise estratégica precisa e concreta dos principais fatores que configuram esse cerco indica:

1. Ucrânia: O Conflito Prolongado e a Ameaça de Mísseis de Longo Alcance

A Rússia, embora concretizando pequenas vitórias e avanços, continua a enfrentar desafios na sua intervenção militar na Ucrânia. Embora o controle do conflito seja uma prioridade para o Kremlin, a resistência ucraniana e o apoio ocidental, incluindo a possibilidade de mísseis de longo alcance, complicam a situação. A autorização para a Ucrânia usar mísseis de longo alcance significa uma escalada significativa, permitindo ataques mais profundos no território russo, com possíveis impactos em centros logísticos e em zonas críticas para a operação militar russa. A resposta russa será obrigatoriamente mais aguda e coordenada, levando a uma necessidade de consolidação de forças na frente ucraniana. Essa decisão criaria um dilema estratégico para a Rússia, já que a escalada em território ucraniano poderia resultar numa maior perda de apoio internacional, dificultando a situação militar e diplomática.

2. Geórgia: Instabilidade Institucional e Retirada da Proposta de Adesão à UE

Na Geórgia, as tensões internas e conflitos institucionais estão em ascensão, particularmente com a recente decisão do governo de retirar a proposta de adesão à UE. Esta mudança é interpretada como uma retirada estratégica da Geórgia do campo de influência ocidental, para evitar uma maior escalada nas tensões com Moscovo. Ao mesmo tempo, isso pode ser uma tentativa de apaziguar a Rússia e mostrar que o território georgiano não se torna uma frente aberta contra ela. A instabilidade interna da Geórgia enfraquece a posição do Ocidente na região, abrindo uma oportunidade para a Rússia reestabelecer alguma influência. Essa situação de fragilidade governamental pode ser usada como um ponto de pressão adicional, desviando a atenção e os recursos russos de outras frentes.

3. Síria: Tentativas de Forças Opositoras para Assumir Aleppo

Na Síria, a situação continua a ser uma frente de resistência para a Rússia, que apoia o regime de Bashar al-Assad. As forças contrárias a Assad estão a tentar assumir o controle de Aleppo, um movimento que visa desorganizar as forças russas presentes no terreno e forçar uma dispersão dos recursos militares russos. Este movimento cria uma nova ameaça para a Rússia, exigindo uma distribuição de forças e uma priorização estratégica que pode impactar a sua capacidade de concentração no conflito ucraniano. A perda de Aleppo ou mesmo uma situação de instabilidade prolongada em regiões chave da Síria pode enfraquecer a posição russa no Oriente Médio, além de atrasar ou desviar recursos militares para defender a sua presença síria, diminuindo sua capacidade de projetar poder em outras regiões.

4. Cerco Político-Militar: Uma Estratégia de Pressão Multidimensional

O que está emergindo é uma estratégia de cerco político-militar, coordenada por forças ocidentais reconhecidamente controladas pelos EUA, sendo a Rússia pressionada simultaneamente em várias frentes: na Ucrânia, com o aumento das capacidades militares ucranianas e o risco de uma escalada de ataques, na Geórgia, com uma crescente instabilidade política que enfraquece a posição pró-Ocidente, e na Síria, com tentativas de forças opositoras de desorganizar o regime de Assad e as forças russas. Este cerco, completamente coordenado entre os diferentes atores, cria uma situação de múltiplas frentes que obrigará a Rússia a manter uma atenção constante e recursos dispersos, enfraquecendo a sua posição de domínio único no espaço pós-soviético e no Oriente Médio.

5. A Resposta Russa: Necessidade de Recalcular a Estratégia

A Rússia, portanto, encontra-se diante de um dilema estratégico. A necessidade de controlar a frente ucraniana e responder à ameaça de mísseis de longo alcance pode forçar a Rússia a redirecionar mais recursos militares para garantir a estabilidade interna, mas isso implicaria numa resposta mais agressiva e mais difícil de justificar internacionalmente, especialmente se escalado para um confronto de maior magnitude. A dispersão das forças militares devido à instabilidade na Geórgia e na Síria pode criar uma vulnerabilidade crescente para a Rússia em várias frentes, forçando uma alteração em suas prioridades de segurança nacional.

O cerco político-militar ocidental à Rússia, gerado pelas ações simultâneas na Ucrânia, Geórgia e Síria, representa uma pressão estratégica sem precedentes, que coloca Moscovo numa posição vulnerável. A necessidade de responder a múltiplas ameaças enquanto mantém o controle da situação na Ucrânia exige uma gestão cuidadosa dos recursos e forças militares. A Rússia terá que recalcular as suas prioridades, levando em consideração as implicações internas e externas de suas ações.

Um pensamento sobre “O cerco!

  1. Esta gente perdeu de vez a vergonha. A Casa Branca veio dizer que a ofensiva terrorista, por eles chamados “rebeldes” se deve a dependência do regime sírio da Rússia e do Irão.
    E assim se justifica uma incursao de bandidos armados e mais milhares de mortos.
    Se a Siria não dependesse da Rússia e do Irão ia depender de quem?
    Dos defensores dos valores ocidentais que em 2014 supostamente bombardeavam o estado Islâmico mas por acidente acabavam a bombardear unidades do exército sírio permitindo aos jihadistas avançar sempre?
    Dos que lançaram mais de 100 misseis sobre a zona de Damasco a pretexto de armas químicas num ataque que uma freira católica referiu como visando matar a todos, reconhecendo que só estava viva porque as defesas anti aéreas tinham funcionado?
    Se não fossem a Rússia e o Irão, Assad já tinha sido pendurado numa cruz e esta canalha teria justificado a coisa como justificou o bárbaro assassinato de Kadhafi.
    A Siria estaria transformada num regime brutal, uma caricatura horrenda do Islão onde os cristãos enfrentariam a cruz, a escravatura ou o exílio e provavelmente se venderiam escravos a céu aberto como acontece na Libia.
    Mas o petróleo continuaria a fluir e foi sempre isso que se pretendeu quando em 2011 se arregimentaram jihadistas de todo o lado para tentar fazer ali o que tinham feito na Libia.
    Só que a Siria estava demasiado perto do Irão e também da Rússia que começou a ver que se calhar não era boa ideia criar um vespeiro de jihadistas tão perto da sua fronteira Sul.
    Tal como nós criamos um, a Libia, na margem Sul do Mediterrâneo.
    O Ocidente está a entrar em desespero e tenta de tudo, tendo perdido de vez a vergonha na cara.
    Na Ucrânia, parece que a “avela” conteve os impostos de Herr Zelensky de despejar morte e destruição no Sul da Rússia.
    Provavelmente Costa foi lá justamente para lhe dar ânimo, talvez garantindo que mesmo que haja mais “avelãs” com a ajuda de Deus e das nossas armas acabarão por vencer.
    Enfim, e o que temos.

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