A camisa-de-onze-varas

(Por Miguel Castelo Branco, in Facebook, 19/09/2024)


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Já todos terão compreendido que a camisa-de-onze-varas em que voluntariamente se meteu a Europa vai requerer uma habilidade extrema no retorno a um clima de desanuviamento e boa vizinhança com essa metade do continente que é a Rússia.

O futuro da Europa foi comprometido, pelo que não só o Leste corre grande perigo, mas também a Europa central e ocidental, pois o fito desta luta foi o de separar a Europa da Rússia, do Médio Oriente e da Ásia Central, privando-a de mercados e debilitando-a para a converter num mero apêndice norte-americano. Mas tão ameaçada como a Europa da UE foi a Rússia, ou não é esta o último Estado europeu com projeção mundial? Quem a quis ver destruída?

Para saber o motivo do ódio contra a Rússia de Putin, há que compreender o aspecto psicológico das fracas lideranças ocidentais, ou seja, a incontida raiva dos pequenos contra tudo o que é grande, posto que os adoradores do McDonald´s não queriam que o mundo terraplanado com que sonhavam, fosse contrariado pela aspiração à grandeza e à força saudável que emana de Moscovo.

Por ora, e já que subitamente todos falam de negociações e de paz, Putin venceu a partida e parece-nos que era bem exagerada a tese que dava a Rússia como vencida. Há dez anos, quando se começaram a adensar as nuvens que levaram à presente guerra, Putin fez os primeiros comentários verdadeiramente azedos e lúcidos às diferenças que separaram a Rússia dos EUA. Na altura, afirmou ter sido, «A América construída sobre o extermínio de milhões de homens e que a essa limpeza étnica se juntou a escravatura», para logo duvidar que «se Estaline, em Abril de 1945, possuísse a bomba atómica a teria mandado lançar sobre a Alemanha, tal como os EUA o fizeram sobre o Japão, uma nação sem essa arma». Indiferentemente de ter sido Estaline responsável por inumeráveis crimes, não queria ver a Europa desfeita, pelo simples mandato da geografia nos impor o facto de vivermos no mesmo continente.

Se, como tudo indica, a guerra não sobreviver até ao próximo ano, curiosos ficamos por saber quais os Estados europeus – e quem em sua representação e com que argumentos -, se voltarão a sentar à volta de uma mesa com os russos.

3 pensamentos sobre “A camisa-de-onze-varas

  1. A Europa não é apenas um mero apêndice dos EUA, via NATO e, agora despudoradamente, a UE.
    É também um posto avançado da «verdadeira e original» União (State of the Union), liderado por uma camarilha de ambiciosos dinossauros e
    arrivistas, coadjuvada por “flexíveis” capatazes desses interesses, e venerada por verbosos comunicadores, todos dispostos a repetir cada letra da cartilha de propaganda e a aplicar cada método do manual de operações, até os menos recomendáveis.
    A população europeia neste momento tem tanta “liberdade democrática” e controlo do seu destino como um rebanho de borregos dentro de um camião de transporte de animais vivos que é conduzido por um condutor embriagado e medicado pelo meio de uma estrada que atravessa o interior de Portugal com tudo em chamas, incandescente e fumo denso e negro a toda a voltam, aos zigue-zagues para evitar os vários obstáculos e detritos.
    Quanto aos políticos, têm é de ser substituídos (novamente, como foram todos e serão os poucos políticos ocidentais que ainda restam no poder nos membros da NATO), e alguns deles até julgados pelos inúmeros danos que têm causado aos povos, para benefício de algumas cliques, não só porque é o que merecem, como para servir de exemplo para os impostores que possam querer seguir-lhes os passos.
    Já tiveram muito tempo para se sentar à mesa das negociações e continuam a rabear acumulando e gerando cada vez mais morte, sofrimento, destruição e degradação. Na tal Europa do século XXI, da agenda VinteVinte e da agenda VinteTrinta, e do lema “vai ficar tudo bem”…

  2. Pois, vamos ser abandonados pelos artistas do outro lado do mar e ter de nos entender com um vizinho militarmente poderoso e que nos odeia. E tem razões para isso.
    Mas isto é como na escola.
    Normalmente havia sempre um rufiao e outro que, apesar de também ter poder físico dava o cu e oito tostões para não se meter em confusões.
    E havia sempre um lingrinhas que achava boa ideia ajudar o rufião.
    Depois o rufião chumbava o ano, ou era transferido de escola, ou suspenso por uma boa temporada e o lingrinhas via se quente porque entretanto a paciência do outro contendor já se tinha esgotado.
    Ora, aqui os Estados Unidos são o rufião, a Rússia o tal que não queria confusões e a Europa e o lingrinhas.
    Quando os Estados Unidos perceberem que isto não dá o gasto para a avaria, e fizerem o que fizeram no Afeganistão, quando puserem o cu de fora, sempre quero ver como e que o lingrinhas descalça a bota.

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