Uma espécie de matrioska invertida

(António Gil, in Substack.com, 14/07/2024)

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 Cada absurdo, nos tempos que vivemos, parece esconder um absurdo ainda maior.

Alguns de nós ganharam esse hábito (ainda saudável, acho) de procurar explicações lógicas para os eventos. O problema disto é que de há algum tempo para cá, por insistência da elite e dos media seus lacaios, toda a lógica – parece ter sido abandonada.

E isto vale até para o que são os interesses da própria elite. Os donos desta parte do mundo perderam a noção do que devem fazer para manter seus privilégios? É pior que isso, muitas vezes parecem atuar – involuntariamente, decerto -contra seus interesses.Tudo se passa como se, tendo-se habituado a manipular a realidade, acabassem por acreditar nas suas ficções, tão ou mais que seus cegos seguidores.

É o caso – mais uma vez – da tentativa de assassinato de Trump. Acho que já podemos chamá-la assim porque houve fogo real, uma vítima mortal e feridos entre os o público e uma bala, pelo menos, passou demasiado perto da cabeça de Trump para ser um falhanço propositado.

A menos que se acredite que – mais uma vez e confirmando um padrão americano bem velhinho – foi tudo obra de um maluquinho agindo sem ajuda de ninguém – esta tentativa não é passível de nenhuma explicação lógica, porque não beneficiaria nenhum dos lados. 

Trump não precisaria, em princípio, de um tal golpe para se fazer eleger. E de resto, não morreu –segundo se diz – porque desviou a cabeça acidentalmente no instante decisivo, para olhar para o sector direito do seu público. Se o propósito era simular um acto falhado, jamais a bala passaria tão perto.

E os democratas? Arriscariam uma guerra civil ou, no caso de falhanço, reforçar o seu adversário como aconteceu? No início eu pensei que foi pura intimidação do deep state para lembrar Donald quem manda. Mas agora diz-se que há poucas dúvidas que o disparo era para matar. Será que quem puxa os cordelinhos desejava mesmo uma Guerra civil? Numa altura em que os EUA já têm problemas externos e internos de sobra?

Talvez, mas é muita loucura, se for verdade. E continua a ser muita loucura se os Democratas estiverem por detrás disto. Será ainda total maluquice se foi um simulacro levado a cabo pelos Republicanos. Mas o facto é que vivemos num mundo regido por doidos varridos e eles estão em todo o lado, todos os partidos, todas as instituições e mesmo entre os desalinhados.

Ainda não me habituei totalmente a essa realidade mas talvez tenha de considerar que há lógicas (muito cruéis e irresponsáveis) que talvez a própria lógica desconheça.

Fonte aqui.

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14 pensamentos sobre “Uma espécie de matrioska invertida

  1. LUSA:
    No livro “Lugares escondidos da mente – Do mais sombrio ao mais luminoso da natureza humana”, João Carlos Melo escreve sobre estas pessoas que se escondem por detrás de “uma máscara de sanidade”, mas que “são máquinas frias, calculistas, programadas para sobreviver e atacar”.

    Em entrevista à agência Lusa, João Carlos Melo explicou que os psicopatas têm uma vida e um “aspeto normal” e alguns ocupam lugares de poder, o que é “o mais complicado de tudo”.

    “Disfarçam-se de cidadãos exemplares, amantes irresistíveis, profissionais briosos, adotam discursos e gestos adequados às ocasiões. Mas as leis são as deles. Não se conformam nem respeitam as regras sociais, a menos que isso os prejudique”, afirma o psiquiatra no livro, que é lançado no sábado, em Lisboa.

    Estes homens e mulheres têm poder dentro da própria família e dos grupos que fazem parte. “Depois de terem o poder revelam-se como são, humilhando e destruindo de várias maneiras os outros”.

    Para o psiquiatra, a “arma principal” para combater este problema é “a informação e a divulgação” da sua existência.

  2. Já agora amigo Joaquim.Continue a trazer uma nota de bom humor a esta história toda e não se chateie com o
    Nostradamus que sonha com wokes a noite para escrever de dia.
    O homem não vale a pena o esforço nem a azia.

    • Amigo Whale, o Nostradamus é um génio. Desgraçadamente incompreendido, como é próprio dos génios, mas ainda assim um génio. As suas genialidades mais geniais são a geostratégia e os acentos circunflexos nas proparoxítonas, que “todos sabemos” ser uma característica da língua portuguesa na variante de Portugal. Todos menos os malucos como o sacana do Joaquim Camacho, claro, que teimam que o “pormenor” denuncia a origem brasileira de alguns textos e estranham a sua “assinatura” por um português alegadamente emigrado em França, que jura a pés ter-lhe a coisa saído do magnífico e “muito bem informado” bestunto.

  3. Sim,sempre que um opositor russo e ferido ou morto a culpa e do Putin. Em todo o lado os acidentes acontecem,gente com histórico de consumos pesados de álcool e estupefacientes sofre mortes súbitas mas só na Rússia e que tudo isso e culpa do Putin.
    Alias,se um oligarca torce um pé a culpa e do Putin.
    Agora parece que a culpa não e de ninguém e com um pouco de sorte o Trump orquestrou aquilo tudo.
    Como se alguém por muito louco que fosse ariscasse uma falha que lhe poderia custar a cabeça.
    Vamos lá ver.Estamos a falar de um miúdo lingrinhas,introvertido e vítima de levar nos cornos.
    Como é que esse miúdo fisicamente frágil sobe a um telhado com a destreza de um navy seal e dispara cinco tiros com uma eficácia digna de um sniper.
    Vejamos,todas as suas balas acertaram bem. Um homem morreu,duas outras pessoas ficaram gravemente feridas e temos de reconhecer que Trump teve mais sorte que um cão de caça.
    Toda esta eficácia exige um treino pesado,focado e não e crível que o pobre desgraçado tivesse feito tudo isso no quintal da casa auxiliado pela internet.
    O assassino de Utoya frequentava um clube de tiro, dava jeito saber por onde andou o lingrinhas nos últimos tempos.
    Se pensou que acabaria morto no local? Provavelmente não devido justamente a sua pouca idade e histórico de vida isolada.
    O que e certo é que alguém o utilizou.Duvido que alguma vez saibamos quem foi.
    Agora também não embarco nisso de que os bons democratas estão inocentes nesta história toda.
    Os bons democratas apoiam nazis contra a Rússia com todo o descaro e sossego, os bons democratas destruiram a Libia,os bons democratas saqueiam petróleo na Siria,os bons democratas exportam para Israel tudo o que precisam para cometer genocidio. O seu cabecilha declarou se “cristão sionista”.
    Os bons democratas estão se nas tintas para se podemos estar mesmo a beira de uma guerra nuclear.
    Trump e o único candidato republicano que eles não teem a certeza que continuará a guerra sagrada contra a Rússia. Todos os outros putativos candidatos republicanos dizem que o farão.
    Os bons democratas sonham com esta guerra desde o desmantelamento da União Soviética. Nao podem arriscar que apareça alguém que diga “a teta secou”.
    Se Trump fosse morto podia haver uns quantos motins mas umas centenas ou milhares de mortos depois a coisa acalmaria.
    As vidas humanas não interessam nada a esta gente, tenham a cor que tiverem. A realidade e essa e tem de ser encarada de frente.
    Trump seria elevado por muita gente ao panteão de mártires da
    America e talvez o fosse. O martírio logo americano é longo.
    Mas nada desviaria o país da nossa luta sagrada contra a Moscovia mesmo que fosse um candidato republicano a ganhar as eleições. Alguns deles são uns cães ainda mais raivosos que
    Biden a esse respeito.
    Em resumo, alguém achou que valia a pena arriscar e arriscou.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  4. Sobre o clima de pré-guerra civil na América e alguns dos seus principais responsáveis, agora muito beatos e bem-comportados e escondendo apressadamente a mão, alguns exemplos listados pela Moscóvia, já que a criadagem merdiática das ocidentais e democráticas praias, para não variar, sofre de amnésia selectiva e só tem memória para os pecados do Creme Lin:

    https://www.swentr.site/news/601061-donald-trump-death-threats/

  5. Partindo do princípio que a identificação do autor dos disparos sobre Trump e o seu comício está concluída e arrumada, algumas perguntas ficam por fazer Como foi morto in situ, as perguntas que só ele poderia responder não terão resposta. Estas seriam:
    Móbil do crime, qual foi? Foi um crime movido por ódio? Distúrbios? Incitamento por parte de outrem? Decisão pessoal? Foi improvisado ou foi preparado com antecedência?
    A investigação poderá trazer algumas pistas ou informações sobre estas perguntas, como também pode não descobrir nada ou omitir (se houver dedo do próprio deep state), mas nunca ouviremos a versão do sniper.
    Teria ele noção que era uma missão praticamente suicida? Um executor solitário, que seria detectado pelo menos após os disparos (e há relatos que foi avistado alguns minutos antes de disparar sobre o telhado, por pessoas que se encontravam perto do local,, e que ouviam Trump à distância, e que o reportaram à polícia e apontaram para ele)? Ou pensaria que atingindo mortalmente Trump automaticamente se transformaria numa espécie de super-herói (para os MAGA seria um super-vilão), saindo do anonimato e tornando-se célebre?
    Depois, para lá destas questões que se prendem com a parte activa do atentado (aceitando a tese do homicida morto no local, homicida porque supostamente foi ele que tentou matar Trump, acabando por matar um homem no público que diz-se protegeu a família das balas perdidas), existe a “parte passiva”, ou seja, quem fazia a defesa e protecção de segurança do perímetro e do orador principal, a “estrela da companhia”, chamemos-lhe assim. Como foi possível permitirem que um ponto estratégico elevado, propício a ser usado como aparentemente foi, para tentar matar Trump, tenha ficado desocupado e disponível, mesmo estando tão exposto? Como sabia o homicida que aquele edifício, aquele telhado que lhe serviu de “mirante”, estaria disponível para ele poder levar a sua avante? Foi informado? Sondou o local pouco antes, ou no momento, e percebeu que havia uma vulnerabilidade do dispositivo montado pela polícia e os serviços secretos que lhe dariam uma janela de oportunidade? Como acedeu ao telhado (pode ser irrelevante, pode não ser)?
    E para já são estas as dúvidas que tenho, quanto ao incidente em si mesmo, para lá do que possa servir para argumento e confronto político, ideológico, ou seja, politiquices.
    Quanto a “autorias morais”, “get Trump in the bullseye”, e afirmações controversas de vários membros da administração Biden e não só, vou deixar para outra ocasião. Por enquanto estou mais curioso com a parte material do crime, mais do que com a parte da “autoria moral”, etc e tal…
    Faz-me confusão como um rapaz de 20 anos aparentemente inofensivo (sem cadastro) conseguiu levar um rifle para um telhado e ter tempo para executar o tirocínio, mesmo sendo topado por civis vários minutos antes de disparar, e com estes a alertar a força de segurança ianque, que não removeram Trump do palanque.
    Já agora, se isto acontecesse na Rússia, o que não se diria sobre a fraqueza do regime (quando o Prigozhin andou armado em líder revolucionário dos mercenários Wagner não faltaram aves de mau agoiro para Putin e a Rússia), como foi nos EUA parece que foi só mais um dia normal – e de certa forma até foi.
    Agora imaginem que de cada vez que um cidadão do mundo era assassinado a tiro de AK-45 o mundo parava e o presidente dos EUA (fosse qual fosse o hiPOpoTamUS) vinha pedir calma, apelar à conciliação e dizer que estava a rezar por essa pessoa e seus familiares, e a tratá-lo como um herói que morreu a proteger a sua família, e mesmo o seu maior inimigo político (por muito que ele diga que não são inimigos, bastou ver os insultos e ataques pessoais em directo mo último debate, ou bate-boca digno de tasco, para perceber que se odeiam).
    Americanos e problemas com armas, digam-me um duo mais inseparável (parafraseando a expressão anglófona name a better duo)…

    • Ah, e é óbvio que se isto acontecesse na Rússia todos os papagaios, perus e catatuas estariam a dizer que Putin era não só o “autor moral” do crime, como o “mandante”. Não foi assim com Prigozhin?
      Agora, vemos uma dessas aves introduzidas da América, Isidro Morais, a dizer que a Rússia veio lançar suspeições sobre o partido Democrata para dividir a América e dar mais uma ajudinha ao Trump, e ai de quem ponha em causa o presidente da América, como se fossem uns beatos, todos eles mais bem comportados que os escuteiros-mirim.. todos boy scouts, ao pé dos terríveis Ivans das Rússias.
      Percebem o fio condutor destes propagandistas, ou é preciso fazer um desenho?

    • Quanto ao culto Trumpista, que vai descambando em seita (pelo menos parcialmente, não porei todos no mesmo saco), alegando que só por intervenção divina foi poupado à bala que supostamente lhe rasou o crânio e feriu a orelha direita, e que isso significa que é um ungido de Deus, um protegido pelo Espírito Santo, a 2.ª vinda de Jesus Cristo, bom, isso também pode ser visto da perspectiva oposta, quem nos garante, acreditando em coisas do sobrenatural e em profecias e evangelhos e na palavra do senhor Padre Cura, que interpreta o Verbo do Senhor que está nos céus, Pai nosso que a tudo preside e dirige, excepto as coisas mundanas e profanas, controladas secularmente pelo seu antagonista Satanás, quem me garante que Trump não fez um pacto com o Diabo, ou não foi por este poupado para que com a sua húbris (que tão imediatamente revelou, após se erguer e murmurar “Fight”” – “Lutem!” por três vezes ou mais de punho no ar), possa continuar o seu plano diabólico de Make America Great Again? Ou foi alguém de fora que reduziu a América aquilo que ela se tornou hoje, aos olhos de quem ainda vê, de quem a ouve e não precisa de filtros de perus e catatuas para compreender o que se passa? Quem foi que gerou a desgraça destes EUA, se não eles próprios e seus últimos presidentes, senadores, lobbystas, financiadores, magnatas, industriais, mayors, generais, polícias, e cidadãos ilustres e anónimos em geral? Não me digam que foram os chineses e os russos… ou que é uma maldição dos peles-vermelhas… há quem lhe chame destino, o pão que o diabo amassou. Há quem lhe chame karma…

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