O jornalismo em extinção

(António Guerreiro, in Público, 10/05/2024)

Protesto de jornalistas do grupo português Global Media

“Estamos ainda em democracia?”. Esta pergunta tem uma especial incidência quando se pensa no que está a acontecer aos jornais e ao jornalismo.


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A palavra “extinção” começa a aparecer com alguma frequência em artigos sobre a crise – em boa verdade, uma devastação – que atinge actualmente os jornais e o jornalismo.

Encontrámo-la recentemente nos títulos de dois diagnósticos desta situação nos Estados Unidos: um, publicado no final de Janeiro na revista Atlantic, assinado por Paul Farhi, que foi um importante repórter do Washington Post; outro, no mês seguinte, da autoria de Clare Malone, na The New Yorker.

Usando um acento catastrófico que uma prudente interrogação não consegue relativizar, ambos evocam a extinção como um horizonte plausível. O primeiro pergunta: “Is American Journalism Headed Toward an ‘Extinction-Level Event?’”; a segunda insiste quase com os mesmos termos: “Is the Media Prepared for an Extinction-Level Event?”. Não é ainda um requiem, mas está próximo.

O que se passa nos Estados Unidos, neste domínio, não é certamente muito diferente do que se passa na Europa, só que talvez num grau mais elevado e com algum avanço no tempo. O horizonte é o mesmo.

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O que ficamos então a saber acerca do estado de coisas nos Estados Unidos, informados por estes e outros artigos sobre o mesmo assunto? Ficamos a saber que a hemorragia mais forte é a da imprensa regional: em média, todas as semanas morrem duas publicações e meia (jornais diários, semanários, mensais).

Num país tão extenso como os Estados Unidos, os jornais regionais tiveram sempre um papel importantíssimo e foram um factor fundamental dos equilíbrios democráticos e da vida cultural e comunitária. Quando esse espaço é ocupado pelas redes sociais, ficam à solta as teorias do complot, as fake news, os conteúdos gerados pela inteligência artificial que multiplicam a desinformação, o caos, o convite à passagem aos actos de violência. O ambiente de radicalização e pré-guerra civil que se vive nos Estados Unidos faz parte deste panorama que promove e alimenta a divisão e os extremismos.

Há uma pergunta que começa a ser posta e que leva a pensar os caminhos que estão a tomar as tradicionais democracias liberais: “Estamos ainda em democracia?”. Esta pergunta tem uma especial incidência quando se pensa no que está a acontecer aos jornais e ao jornalismo.

Alguns números fornecidos nos artigos citados: em 2023 foram eliminados nos Estados Unidos 21.400 postos de trabalho nos media tradicionais. Grandes jornais como o Los Angeles Times (que despediu mais de 20% da sua redacção) e o Washington Post não foram poupados. Este último teve no ano passado um défice de cem milhões de dólares. No entanto, tinha sido um dos que mais prosperou durante a presidência de Donald Trump. Como é sabido, o “espectáculo” Trump proporcionou aos jornais um festim permanente que lhes valeu um grande aumento de leitores.

O declínio dos meios de comunicação tradicionais já suscita esta pergunta formulada pela autora do artigo da New Yorker: “Estamos a assistir ao fim da era dos meios de comunicação de massa?”. Este declínio já começou há décadas, mas foi acelerado pela Internet, pela digitalização generalizada, pelas plataformas. As receitas publicitárias que garantiam o negócio dos jornais passaram a fluir na direcção de colossos como a Google. Quando deixa de ser possível sustentar o jornalismo como um negócio, muitas publicações usam um pseudojornalismo como operação de fachada para outros negócios e entram numa zona obscura.

De todas as “grandes regressões” que se deram desde o início deste século, esta é uma das mais velozes e contundentes. O seu efeito político é bem visível, no avanço de factores que levam à degradação do espaço público, ao enorme teor de conflito social e político, ao empobrecimento cultural. As noções de pós-verdade e pós-democracia assentam nestes terrenos onde vacila tudo o que dantes parecia seguro.

E assim estão criadas as condições para promover um mundo em que já nem serve a distinção entre o verdadeiro e o falso, nem faz apelo a uma ideologia dotada de uma coerência sistemática, como acontecia nos regimes totalitários do século XX.

A mentira ideológica e a propaganda eram ainda uma peça da engrenagem da política moderna. Aquilo a que hoje se chama pós-verdade tem que ver com a hegemonia das novas fontes de informação e dos meios de produção e circulação de notícias, dados e visões do mundo que apelam à divisão e à violência, subtraindo-se a qualquer controlo editorial.

Perante isto, o jornalismo está a revelar-se tanto mais impotente quanto está obrigado a investir a sua energia na luta pela própria sobrevivência.



25 pensamentos sobre “O jornalismo em extinção

  1. Quando durante demasiado tempo se permitiu não ver os perigos da falta de tempo para as pessoas se juntarem após o trabalho para reflectirem acerca dos acontecimentos e partilhar “leituras”, opiniões, procurar identidades, procurar caminhos, saídas, soluções para os problemas encontrados, não vimos para onde nos levaria o isolamento do operário, do trabalhador do escritório, da mercearia, do sapateiro, do mecânico, de cada um com a preocupação apenas das questões do nosso umbigo. Hoje temos a factura do apogeu do individualismo, da facilidade com que habituamos (pais e educadores) os jovens a obter o que desejam, diplomas (sem saber pensar, sem juízo crítico, sem capacidade de articulação de uma lógica argumentativa, de mesadas, sem qualquer esforço ou sacrifício pessoal para que valorize e respeite o esforço alheio, o passado de quem o antecedeu.

  2. Quem vem com o argumento de que vivemos em democracia e portanto temos de respeitar … quem pensa diferente de nós, ainda não percebeu que a sociedade capitalista em que vivemos é uma sociedade totalitária na qual o poder dominante (o capital e seus detentores) manipula as necessidades das pessoas, criando necessidades artificiais, cuja satisfação é tornada possível, o que desde logo inibe qualquer razão para reclamar.
    Este totalitarismo é camuflado e convive com os formalismos da democracia liberal e seus instrumentos, pluralismo partidário, eleições, liberdade de imprensa, sistema de pesos e contrapesos, etc. por isso se torna tão difícil de identificar e consequentemente de combater. Mas de facto, se não de direito, é uma sociedade unidimensional que cerceia a liberdade e a individualidade e constitui um autêntico embuste. Assim, para além de denunciar com veemência este embuste, importa reter que há limites à tolerância e que um deles obriga a que não se tolere o intolerante.

  3. Não estou a defender que lhes vamos ao focinho. Nem que os espanquemos barbaramente, os matemos a tiro, a facada ou os queimemos vivos.
    Não tenho culpa se a mesma democracia que mete na cadeia e espanca gente por antessemitismo por essa mesma gente denunciar um genocídio em curso há 75 anos acha normal ter partidos que incitam ao ódio todos os dias mas depois não sabe de nada quando os seus militantes ou simpatizantes matam.
    Agora é preciso dizer claramente que essa gente é perigosa e não deve ser tolerada. Essa gente mata. Barbaranente. Que o diga a única sobrevivente do churrasco argentino. É não se trata de lhes partir o focinho mas afastar nos assim que eles começarem a escarrar.
    Sem deixar de, por exemplo, quando nos dizem que levemos os ciganos para a nossa casa dizer que levem eles o Mário Machado e Hell Angels. É que fique lá a pregar aos peixes.
    Já agora aceitem se sugestões quanto ao exemplo com que podemos tirar a caca da cabeça dessa gente. Se e defender que tambem temos de provar que somos duros e temos de meter os imigrantes ilegais em campos de concentração, dispenso.
    E se a democracia permite monstros como o Ventura também tem de permitir gente que diz que essa gente é perigosa, não deve ser tolerada e não os grama nem com molho de manteiga.
    Tenho por eles a tolerância que terao por mim se algum dia chegarem ao poder. É se eu não apelo a sua morte matada, ou espancamento severo, no meu caso não tenho certeza nenhuma.

  4. Respeitar a extrema direita é um sentimento bonito, lindo, até porque a extrema direita se chegar algum dia ao poder também vai respeitar toda a gente.
    Sempre que lá chegou respeitou todas as outras ideologias.Hitler dava direito a férias em campos de concentração e mortes misericordiosas em câmaras de gás.
    Salazar tinha uma ampla rede de resorts como Caxias, Aljube, Peniche e por aí fora. Sem contar, claro com o Tarrafal, que a partir dos anos 50 foi reservado aos africanos, a quem a extrema direita tinha verdadeiro amor.
    E os muitos resorts destinados a quem tinha ideologia em Angola e Moçambique.
    Nos dias de hoje, no Brasil a policia já matava “pardos” a torto e a direito e com Bolsonaro foi um fartar vilanagem.
    O que fez alguns malta emigrar com mais de 50 anos, gente que nunca tinha saído do seu pais nem sequer atravessado a fronteira do Estádo em que vivia.
    Na Argentina quatro mulheres foram queimadas vivas por alegadamente serem lésbicas. Quando a extrema direita chega ao poder são coisinhas destas que acontecem.
    Nada que faça mossa a alguem temente a Deus e de família tradicional mas lamento dizer que acho estranho que se apele a tolerância a gente desta “in the name of love”.
    Talvez quem apele a tolerância a gente desta se sinta seguro por se assumir como um tradicionalista e não ser “mouro” mas eu não apostaria todas as minhas fichas nisso pois que para essa malta todos temos um pecado qualquer.
    E se calhar dizer que uma coisa como queimar gente viva por causa da sua orientação sexual é uma barbaridade e uma canalhice também é wokismo.
    E quando alguém me diz que não tem ideologia nenhuma porque isto é tudo uma mafia cá me parece que posso fazer uma ideia sobre em quem votou.
    Mas pelo menos este moço não desata a chamar ao resto do pessoal tudo quanto é nome nem se deita até a adivinhar como um Nostradamus da nutrição o peso de alguns.
    E não, não sou uma baleia de 150 quilos, ando por metade disso pois que a vacina do covid me fez uma cura de emagrecimento do caraças.
    E podem certas almas ficar muito descansadas que dou muito humildemente importância a saudinha. Como mandava o Doutor Salazar até porque a rede de cuidados médicos existente ao tempo exigia muita saúde. Especialmente depois das desgraças que vi pós vacinas do covid, gente que perdeu a saúde toda, que se arrasta com sequelas que se revelam numa interminável série de mazelas. É gente que já cá não esta.
    E quem está, se disser que está lascado por causa da vacina ainda lhe chamam maluco, negacionista da ciência e o mais que lhe queiram pôr. Houve gente encaminhada para a psiquiatria pelo médico de família depois de se queixar disso. Ui
    Pessoalmente, depois de ter tido uma anemia e tal falta de tudo que parecia que tinha partilhado cela com Gonzalo Lira vou dando graças por pelo menos ir mexendo tudo, não ter danos cognitivos, não ter cansaço e dores de ossos e musculares horrendas. Em resumo, por continuar a fazer a minha vida normal e sem estar preso a um saco de pastilhas.
    Cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas. Não me pecam e tolerância para com os seguidores do quarto pastorinho.

    • Wale,do meu ponto de vista estamos em democracia e se queremos ser democratas temos que respeitar, aliás é a unica forma de combater a extrema direita,é por darmos o exemplo…O problema é esse mesmo o exemplo.

      Não se combate a extrema direita com luta ou outra coisa qualquer.O exemplo é a melhor forma de combater o populismo.

      • Não quero interferir no vosso diálogo, mas estou curioso para perceber por que é que “a extrema-direita combate-se pelo exemplo e tolerância”, mas já o “wokismo” (feminismo, LGBT, non-binary whatever), esse grande monstro, essa hidra de 7 “cabianças” que ameaça a ordem natural das coisas, já é obra do demónio e do George Soros e não se consegue combater nem com o exemplo da tal “família tradicional” imaculada, temente a Deus e servidora da Pátria (os tijolos da nação e seu edifício social).
        E não me venham com tretas do wokismo ser destrutivo pela exploração das suas identity politics, que causam fissuras e dividem a sociedade artificialmente, pois já aqui afirmei que a extrema-direita é o exemplo máximo de políticas identitárias sectárias, divisionistas, segregacionistas e repressoras. Mas com estes é que temos de dar o exemplo da tolerância…

  5. Sejamos claros,da maioria dos jornalistas não tenho pena,são eles que vão ajudar a que a 3° guerra mundial se confirme.

    Mas queria realçar aos que me contestam que respeito todas as ideologias politicas, mesmo a extrema direita…Não sou funcionário publico,nem tenho ideologia partidária,porque considero que o sistema actual é uma “máfia” muito bem oleada.

    Por isso não ligo ao que os outros dizem,não quero saber,não me diz respeito,porque o objectivo é ser feliz,e não há partido ou ideologia que me tire o que vou escrever a seguir.

    As ideologias e partidos transmitem o ódio,competição,etc,etc…é ver pelos comentários aqui quando se vai contra alguma coisa que não interessa.

    Tenho orgulho em contar-me entre os últimos humanos…
    A liberdade é cara, muito cara, mas mesmo com muito pouco dinheiro, estou feliz por poder dar-me a este luxo.

    Pelos vistos há muita gente infeliz no sul,no minho há menos,talvez por serem mais gratos.

    Os dois bens humanos mais preciosos são a liberdade e a saúde.
    Infelizmente, na nossa sociedade materialista, consumista e individualista, muitas pessoas sacrificam a sua liberdade e prejudicam a sua saúde em prol de uma carreira do partido ou de uma ideologia, como a riqueza e o consumismo…
    Quanto ao Amor, no sentido mais lato do termo, que é a própria essência do Ser Humano, há demasiadas pessoas que o estão a perder. Presos no vórtice do estilo de vida frenético de trabalhador-consumidor, demasiadas pessoas estão a empobrecer a sua vida conjugal, familiar, de amizade e social… e a isolar-se da sua vida interior (intelectual e espiritual)…
    E, finalmente, o nosso modo de vida moderno, tecnológico e conectado está a cortar a ligação com a Mãe Natureza (que é essencial para o bem-estar humano)…
    É crucial encontrar o equilíbrio e a harmonia nas nossas vidas!

    A felicidade depende da capacidade de se satisfazer, o que pressupõe a liberdade, que é, antes de mais, proibir-se a si próprio e está intimamente ligada à responsabilidade. Tudo é feito para retirar a responsabilidade ao homem.

    “O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo senhor”.

    A felicidade é o que não é cartesiano, o que não é razão, o que não é material… portanto, está noutro lugar, que cada um pode encontrar na sua existência emocional, se souber encontrá-la!

    O mar que tanto gosto é insensível aos estados de “bípedes” que somos, sempre grandioso, encantador, é a liberdade que prezo, e olhar para ele dá-nos essa sensação sublime de fazer parte dele, a rainha deste planeta que habitamos sem o saber.

    A felicidade não está no que temos ou no que fazemos, mas no que somos e no que damos aos que nos rodeiam.

    Sim, o amor é indispensável na vida, mais do que os bens materiais (com um mínimo). Mas é importante lembrar o que é o amor: a empatia, o sentimento, a amizade, o prazer de ver a vida mesmo que ela não nos dê muitos presentes… Todas estas emoções são essenciais para nós e é cada uma delas que nos ajuda a amar esta vida curta e estranha.
    É muito bom pensar nelas sempre que possível, especialmente quando nós ou outra pessoa precisa de ser lembrada delas e, assim, ser capaz de as dar.
    O amor, em todas as suas formas, é uma ajuda para a vida.

    O problema é que o termo “felicidade”, tal como outros termos como “amor”, “Deus”, “liberdade”, “bem”, “mal”, etc., estão muito carregados e não têm o mesmo significado para cada um de nós.

    Já não vivemos numa sociedade de consumo, mas numa sociedade de sobreconsumo, onde os actores económicos nos empurram todos os dias nessa direção. Vivemos numa sociedade “obesa”, onde o excesso de estímulos, aliado ao consumismo, nos afasta da reflexão profunda e nos leva a acumular mecanicamente riquezas materiais para mascarar e escapar aos nossos medos e angústias fundamentais, que residem no nosso subconsciente.

    Mesmo que existam filantropos ultra-ricos (não estou a pensar no Bill,Musk, longe disso), para mim, um bilionário egocêntrico não passa de um psicopata narcisista viciado na sensação de hegemonia e na obsessão pelo dinheiro, desprovido de empatia pelo sofrimento dos outros, banhado pela obesidade fenomenal de uma conta bancária colossal que lhe retira ainda mais o sentido das proporções.

    A liberdade é a capacidade de fazer o bem universal, dizia Aristóteles. A riqueza material dá-nos também “um dever de humanidade”, o dever de agir contra a injustiça e a desigualdade (pobreza material extrema, guerras mesquinhas por causa de territórios ou de interesses económicos, as baixezas provocadas pela ignorância e pelo ódio…), porque a Terra é suficientemente grande para todos, ou mesmo para vários milhares de milhões de habitantes, mas razoável…

    O amor, sim! excepto que algumas pessoas só o vêem como sexualidade (que também não estou a denegrir)! Mas o amor é mais do que isso, porque é preciso saber abrir o coração aos outros e compreender o que é a compaixão e a generosidade. Muitas vezes, procuramos o amor (como proteção) em vez de o darmos. A amizade, sim, é um grande bem intangível que se pode traduzir em interacções tangíveis (ajudar o outro ou partilhar momentos de alegria), desde que essa amizade seja equilibrada. E a satisfação: saber estar satisfeito com o que se tem e tirar o máximo partido disso, em vez de estar constantemente a cobiçar o que não se tem dos outros.

    O amor é o melhor médico para as almas.
    Tudo o que não seja esta ideia é dogma e ditadura.

    A religião política e materialista que é o laicismo falhou claramente em substituir as religiões tradicionais, particularmente nas sociedades patriarcais .
    Se não podemos assumir a responsabilidade pelo nosso próprio destino, precisamos de algo transcendente…

    A boa notícia é que, quando se é “pobre”, a simplicidade não é voluntária. É obrigatória.
    Ter um pequeno rendimento impede-nos de usufruir de uma certa qualidade de vida,é certo!

    Depois de pagar todas as despesas obrigatórias (impostos, seguros, etc.), não posso comprar um bom champanhe (o que, em si, não é um problema, porque não gosto), não posso viajar muito além do minho…Em suma, não sou nenhuma Cinderela, claro, mas a minha liberdade e a qualidade da minha vida são limitadas que me permite ter um pouco de luxo,mas satisfeito.

    Nascer no seio de uma família pobre que incute nos seus filhos princípios económicos sólidos permite evitar a armadilha do marketing que cria falsas necessidades tão inúteis quanto prejudiciais.
    De que serve mudar só por mudar, adquirir bens só para se exibir, fazer tudo o que a publicidade ou o governo nos mandam fazer?
    O problema é que poucas pessoas pensam no verdadeiro sentido da vida e a política, materialismo tornou-se a religião…

    Estes comentários para denegrir as pessoas nunca foi um fim em si mesmo, não ajuda ninguém que seja obeso, bulímico, diabético, tenha colesterol alto e já tenha tido dois ataques cardíacos,que não é o meu caso,mas contente-se com o que tem,alguma liberdade e saúde.

    A saúde não é o bem mais importante?

    Na sociedade atual, as pessoas têm tudo e estão sempre à procura de mais, e quanto mais têm, menos felizes são.
    Antigamente, a vida era tão dura e, no entanto, havia fraternidade e entreajuda porque as pessoas estavam ao mesmo nível.
    O progresso não é uma fonte de felicidade, nem as posses, porque estas criaram uma barreira e ódios entre as pessoas e a política seja ela qual for muito contribui para isso.

    Esta reflexão sobre a vida foi uma ideia tirada de uma campanha do PSD que eu acompanhei de perto nos anos 90,numa eleições autárticas no minho,em que o “ódios aos outros era a palavra chave”.

    “Ah …se toda a gente tivesse a sabedoria ……já… para se amarem a si próprios…. para serem capazes de amar
    …não querer dominar para parecer superior
    …não invejar… mas querer
    …não criticar constantemente… mas apreciar-se a si próprio
    para melhorar

    dar e receber nem sempre é inato…podemos progredir.”

    Tudo isto tem um custo e em ultima análise, a felicidade depende da mediocridade dos meus concidadãos: para ter o último SUV, o último I-phone, o último Tesla, bilhetes para os Jogos de futebol,etc., terá de ser paga do meu bolso,e é assim que funciona a economia para uns poucos…

    Devemos negar-nos a qualquer solução por ideologia, quando sabemos que serve 99% da população?

    Perante isto devo ser um cínico ou um marxista não assumido ou mesmo um niilista…

    • Não tenho nada contra ti, quando te digo que és o Nostradamus do Minho ou de Viana é porque tu próprio o insinuas por outras palavras, e fazes alarde de estar à frente dos outros.
      Quanto a se viver melhor no Minho que no Sul, isso é tão relativo e subjectivo que se eu disser o contrário és capaz de levar a mal – são peanuts, é mais uma vez o teu ego em modo ufano. O Minho é bonito, todo o país é bonito, Trás-os-Montes é (o Norte) o Algarve, o Alentejo são (o Sul), o centro e as Beiras também, as Ilhas, não percebo esse argumento senão como puxar a brasa à tua sardinha.
      Quanto à felicidade de viver no meio natural/rural, entendo perfeitamente porque, apesar de não viver no Minho (mas ser testemunha das belezas do Minho, basta fazer a pé Vilar de Mouros – Caminha para não ficar com dúvidas, fora todos os outros milhares de caminhos que o Minho tem), sei bem o que é o mundo rural no Algarve, e acredita que não é por acaso que todos os bifes e avecs e boches e neerlandeses e belgas e italianos querem vir para cá não é por acaso (usei o calão para não estar a listar nacionalidades), e não são só os europeus, o Algarve é mágico como são as outras regiões, e talvez ainda mais. Mas não te esqueças que a maioria da população portuguesa (pobre e rica) é uma população citadina, cada vez mais suburbana mas no entanto inserida nas grandes metrópoles, ou nas designadas “áreas metropolitanas”, pelo que nem todos (sobretudo a maioria mais pobre) tem a capacidade de viver (ou percorrer ou visitar frequentemente) o mundo rural, campestre, e cada vez mais não tem os meios para saírem do contexto metropolitano onde vivem e trabalham, ganhando migalhas ou menos do que tu grande parte deles, e não podem ufanar-se como tu de irem à pesca quando querem, ou ir a Vilar de Perdizes dar lições de profecia.
      Portanto, vê as coisas de outro modo, para perceberes certas interpelações que te fazem aqui, e não mistures todos no mesmo saco, como fazes por vezes nas respostas.
      As críticas que te fazem partem maioritariamente das tuas próprias tiradas e assunções, assim como no outro dia disseste que é no Livro do Apocalipse que sustentas muitas das leituras “proféticas” que aqui escreves, não é a copiar e a colar (ou plagiar) ou a tergiversar que fazes jus aos teus auto-proclamados galões.
      Mas como te digo, eu respeito-te por teres a participação que tens, mesmo concordando que não és tão exemplar como proclamas, apesar da tua afirmada devoção a Deus, o teu nortismo assumido, e a pureza idiossincrática que revelas.

  6. Qualquer dia, pelo andar de Suas Excelências, ainda temos de pedir licença e autorização a um qualquer senhor capelão, para poder tirer os olhos do seu umbigo e poder erguê-los para o céu… apóstatas do arco da velha (e da governação)!
    Ide-vos!

  7. Os “voos secretos atlantistas”, como é bom de ver e reconhecer que existem, evidências não me faltam que já vi passar vários, o Starlink ou proxy semelhante já observei 2 ou 3 vezes, essas observações tinham sido (d)as mais recentes, no entanto o que relatei foi anómalo mas mais uma vez no padrão que estou a tentar descrever, sobrevoam o território continental/meridional português por “várias ordens de razões”:

    a) a sul do Tejo há menos densidade demográfica e sobrevoando as zonas mais dispersas a horas mais tardias é mais provável passar despercebido

    b) existe uma base de radares da Nato na Fóia, Serra de Monchique, o ponto mais alto a sul do Tejo, que permite a monitorização das passagens aéreas

    c) Portugal, como membro da NATO, é um facilitador de tais “voos secretos de índole atlantista”

    d) os pategos dormem a sonhar que são voos soviéticos coadjuvados pelas réstias de comunistas que sobreviveram no Alentejo e Algarve, e qualquer questão constitucional é culpa dos Putinistas cripto-soviéticos

    E assim se compõe o ramalhete de Torquemas que acusam os “traidores da pátria”.

    Fica assim explicada alguma lógica retirada de múltiplas observações, estendidas ao longo de mais de uma década, e sempre com ponderação analítica e racional da minha parte.

    Só gostava de ter a mesma capacidade sondar as profundezas do mar, onde os capelões vão ver se o mar dá corais.

  8. Report Protecção Civil 04H27
    Múltipla actividade aeronáutico nos céus da cordilheira Algarvia
    Objectos voadores em direcções contrárias, com avistamento de estrela cadente a cruzar o céu de sudeste para nordeste.
    Objecto voador de luz fixa a voar de sotavento para barlavento, com objecto idêntico a altitude superior e latitude semelhante a passar de seguida de barlavento para sotavento.
    Indícios fortes de voos não convencionais e não certificados.

    • *Sudeste – noroeste (ou norte – sul)
      De notar que a estrela cadente aparece quando o objecto que ia para poente se apaga e surge o objecto idêntico na direcção contrária e a uma altitude aparentemente superior.
      Os objectos são descritos como pontos luminosos de luz branca fixa, a uma velocidade constante, não exorbitante mas de qualquer modo veloz. Aparentemente aeronaves ou drones com luz de presença que foi desligada.
      Mas no entanto a estrela cadente demonstra que o fenómeno foi demasiado exótico e surreal. Fortes indícios de actividade oculta.
      Posição de observação: Sul (da Serra de Silves) para norte (sobre a serra)
      Horário 04H25-27

      • O céu está muito estrelado hoje, ou seja, vivo, reverberante, pois as nuvens dissiparam pela força do vento, que faz vibrar a atmosfera e o céu, mas por isso mesmo é fácil identificar qualquer ponto de luz a mover-se pelo céu, passando pelas estrelas em fundo.
        Não tenho dúvida do que observei, mas à distância não posso afirmar o que vi. Vi pontos luminosos no céu a moverem-se na mesma diracção mas em sentidos opostos, e uma estrela cadente pelo meio, quando desapareceu a primeira e depois apareceu a segunda.
        E não sou profeta, sou observador, ou “spotter”. Amador.

  9. Ao título “O jornalismo em extinção”, de Paulo Guerreiro, falta o ponto de interrogação que o texto pressupõe. Mas estaria errado, num caso ou no outro, pois aquilo que dantes era considerado jornalismo está verdadeiramente extinto. E aos excêntricos que se atrevem a fazer verdadeiro jornalismo espera-os a extinção pura e simples, literal, física, como a que há anos se esforçam por aplicar a Julian Assange ou a que diariamente desfaz em bocados os jornalistas palestinianos em Gaza.

    Está extinto por vários motivos, nenhum deles apontado por António Guerreiro, mas um dos principais é a falta de espinha de alegados jornalistas como ele. Não sei se o preocupeidado articulista manifestou algum protesto quando a criadita Ursula von der Lies, em nome da Europa “democrática”, interditou o jornalismo da RT dois ou três dias depois de 24 de Fevereiro de 2022, mas não me parece que o tenha feito, pois não vi nem ouvi, de nenhum dos preocupeidados Guerreiros da nossa praça, um tímido queixume que fosse contra o atentado descarado contra o jornalismo que isso representou. O que vi e ouvi foi os Guerreiros da nossa praça instantaneamente reciclados em ferozes “guerreiros” caninamente ao serviço daqueles que, seguros do espírito canino dos preocupeidados Guerreiros, os deitam agora displicentemente para o caixote do lixo, pois não faltam na bicha Guerreiros “guerreiros” para substituir os que diariamente migram para actividades mais lucrativas e condicentes com a sua verdadeira preocupeidação, nomeadamente os enxames omnipresentes de agências de comunicação. Que Nossa Senhora do Autoclismo se abata sobre eles!

  10. Faz de conta que isto devia estar nos jornais.
    Putin está na China, 1ª visita depois de reeleito à China, como era obrigatório. Xi fez o mesmo.
    https://gilbertdoctorow.com/2024/05/16/vladimir-putins-state-visit-to-china-as-reported-by-wion-indian-global-television/

    Gilbert Doctorow, depois de já em tempos ter escrito que era impensável o uso das armas nucleares, e ter “rebaixado” o autor da proposta de uso, parece que começa a mudar de posição. Já admite o uso das tácticas, qualquer coisa com a potência das que caíram no Japão, considerando a potência disponível nos arsenais nucleares, estas são quase “brinquedos”.

    Refere a possibilidade de a Rússia ajudar a implementar um sistema de alerta de misseis.
    Mas Putin já disse publicamente que o estava a fazer:
    https://tass.com/defense/1081383

    Pode é estar em banho-maria a colaboração. Mas se está, está porque os chineses em negócios, são como os judeus, querem dado e …
    Tiveram um projecto conjunto de fabrico de um avião, o CR929.

    Depois do projecto conjunto ter borregado, os chineses apresentaram o C919 e os russos o MC-21. Andrei Martyanov explica o que é o C919, que foi apresentado como um avião chinês, com uma fotografia que diz tudo acerca dele:
    https://smoothiex12.blogspot.com/2022/11/something-of-import.html

    e retoma a questão quando ele começou os testes:
    https://smoothiex12.blogspot.com/2023/08/a-controversy.html

    Techno-feudalismo. A Rússia está a livrar-se dele. A China …

    • O Dupont e o Dupond, ou seja, o Rogeiro e o Milhazes, não seriam os 2 capazes de tirar conclusões sagazes como só tu.

  11. Concordo. Para que ler jornais quando fazem propaganda ao Estado Islâmico, como fazia o Expresso?
    E verdade que as redes sociais divulgam muitas fake news. Mas não faz a tal imprensa o mesmo?
    A russofobia, a glorificação do nazismo ucraniano não teem povoado as páginas dos grandes jornais nos últimos dois anos?
    Estava por acaso o Paulo Dentinho a trabalhar para uma rede social quando disse que a população de Tripoli não vinha para a rua porque estava muito calor?
    Trabalham o Milhazes, o Rogeiro é tantos outros para redes sociais?
    Para ler a mesma treta em todo o lado claro que as pessoas optam pelas redes sociais que pelo menos são de graça.

  12. O autor constata uma situação, mas ter-se-á, contudo, esquecido de abordar as causas da mesma, quanto muito ficando-se, redutoramenrte, por o apontar do dedo às «famigeradas» redes sociais.
    Comprava o Expresso, via a SIC Notícias…
    Deixei de o fazer quando, nomeadamente, me apercebi de toda a «russofobia» que os percorria…Independência jornalística não era coisa que ali visse.
    Entretanto, nas redes sociais, encontro escritos interessantíssimos, assisto a debates entre pessoas possuidas de toda uma riqueza e honestidade inteletual, mas que na imprensa corporativa, enquanto «desalinhadas» do pensamento dominante, não têm lugar!
    Receio, até, que a diabolização das redes sociais terá a ver, precisamente, por essas pessoas conseguirem, por via delas, romperem todo o silêncio em que se desajaria que vivessem!
    Quantos textos, por exemplo, aqui na «Estátua de Sal» não encontramos, que, pela sua riqueza, nos fazem refletir, nos dão visões diferentes do mundo e que não vamos encontrar na imprensa corporativa?

  13. Fora do tópico, para desanuviar dos habituais comentários dos polícias do pensamento e os seus 2 minutos do ódio.

    As entranhas “secretas” do Inferno:
    O fotógrafo visita o bunker nuclear “spooky” feito para manter os membros do Congresso

    https://petapixel.com/2024/05/16/photographer-visits-spooky-nuclear-bunker-made-to-hold-members-of-congress/

    spooky = assustador; fantasmagórico; arrepiante, mas depois um dos 3 estarolas escolhe o que é “correcto”.

    ah ah ah ah ah ah afinal há outro Nostradamus do Minho. Eh pá!! 3 já é uma multidão. Vamos lá a dispersar!
    Diz o autor:
    “O ambiente de radicalização e pré-guerra civil que se vive nos Estados Unidos faz parte deste panorama que promove e alimenta a divisão e os extremismos.”
    Pré-guerra civil? Lá vai o António Guerreiro levar com uns insultos proferidos pelo Albarda-mos.
    Ah ah ah ah ah ah

    Quanto aos jornais e ao jornalismo, vai ser assim. Mas a informação na internet, é mais do que “redes sociais”. Há coisas muito boas, muito más e no meio uma grande variedade. Ou não era assim com os jornais? Pasquins, pagelas, folhas volantes, comunicados, Jornais, jornalecos, revistas só por assinatura, órgãos oficiais dos partidos, …

    • Não fiques traumatizado, precisamos de um bobo trapalhão para que as pessoas vejam quão estapafúrdia é a reacção.
      Por norma não chateio pessoas honestas e inteligentes, que andam aqui a ver se confundem as pessoas, a pregar idiotices como tu fazes.

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