A China espirra, o mundo inteiro constipa-se

(Paulo Cannabrava Filho, in Diálogos do Sul, 19/05/2022)

Ainda que a elevação de 4,5% de um PIB de US$ 17,3 tri seja uma enormidade, o país está quase parando, pois crescia a ritmo alucinante de 10% ou mais ao ano.


Um espirro na China, o mundo se resfria, ou pior, fica de cama prestes a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Isto, agravado pelas sanções que os Estados Unidos estão impondo a seus aliados europeus, com o pretexto de castigar a Rússia, a gerar uma das maiores crises da história. 

Estados Unidos, herdeiro da vocação belicista e expansionista dos europeus que colonizaram e povoaram a América do Norte, fizeram fama como sendo a grande potência das guerras e das mentiras. Fazem de tudo para ter uma guerra, sobretudo, mentem.

Impressionante. Como só diminuir o ritmo de desenvolvimento, e crescer 4%, a economia no mundo ocidental e cristão despenca. A China botou o pé no freio devido às medidas profiláticas de controle da covid-19 e à guerra dos Estados Unidos que está a paralisar a economia na UE. Sem ter quem compre, tem que parar de produzir.

Ainda que a elevação de 4,5% de um PIB de US$ 17,3 trilhões seja uma enormidade, na China é um quase parando, pois crescia a ritmo alucinante de 10% ou mais ao ano. 

A crise que é permanente nos países centrais do capitalismo, notadamente sob o domínio do capital financeiro, agravada pela covid piora mais ainda com o decretado bloqueio à Federação Russa.

Me refiro ao modelo adotado após 1980, que utiliza o decálogo do Consenso de Washington como cartilha de gestão econômica. Conseguiram o feito de minar e derrubar o arcabouço da União Soviética, deixando a Rússia na ruína e nas mãos das máfias que se apropriaram das desestatizadas e dos especuladores. 

Máfias e os agentes do capital financeiro quase destruíram o país. Salvo, lentamente vem recuperando o controle sobre os centros de decisão, e ocupando o lugar de destaque no cenário global, como potência econômica e militar de economia planificada. Não foi fácil. O êxito russo desesperou tio Sam e seus acólitos.

Quatro décadas de neoliberalismo aplicado nos países emergentes, que chamávamos de Terceiro Mundo, foram décadas perdidas. Está nos jornais, basta saber ler. Desestatização, desnacionalização, desindustrialização, Estado mínimo, precarização, desemprego… são as palavras chave do neoliberalismo predador.

No Brasil, esse estancamento por décadas, mais incompetência na gestão e descontrole inflacionário, conduziram à atual situação que leva o nome de estagflação. Não tem como recuperar a economia com as regras desse jogo. 

A Cartilha do Pensamento Único, glamourizada como globalização e dada como inevitável, inclusive nas academias, está na raiz da crise. Concentração e transnacionalização são duas das sequelas. Fábricas fechadas para abrir filiais onde a mão-de-obra é mais barata, desregulamentação do trabalho, matrizes em paraísos fiscais, tudo no afã de otimizar lucro para os acionistas. 

Consequências: de um lado, gerou esse cassino global, a meca dos especuladores. Dinheiro para multiplicar dinheiro, abandono do ciclo de produção industrial. Por outro lado, os Tigres asiáticos são resultado dessa expansão das transnacionais. Em certa medida, também a China.

Quem segura a China?

Maior mercado consumidor do mundo, todos quiseram ir para lá. Mas… três mil anos de civilização, chinês não é tonto, já foi maior potência comercial em outros tempos, transformou-se no que é hoje, a fábrica do mundo. Impressionante: tudo é feito na China. Das bugigangas aos microssatélites é a maior potência comercial e econômica do mundo. Potência sob todos os pontos de vista, principalmente pelo fato de ter eliminado a pobreza. 

A China só está atrás dos Estados Unidos em aparelhamento militar. Mas, também nesse aspecto, pronto terá superado. Em 20 anos, construiu uma frota naval maior que a dos ianques e está se posicionando para ser a líder na tecnologia de exploração do espaço sideral.

Atingiram esse status apesar dos esforços contrários do mundo ocidental sob hegemonia estadunidense. Os ocupantes da Casa Branca não escondem a perplexidade. Precisamos barrar a China. A China é o inimigo real, a disputar a hegemonia. Para barrar a China, precisa primeiro acabar com a Rússia. Não tem como enfrentar a China e a Rússia. 

Só que já é um pouco tarde. Apareceu um Putin, que devolveu a autoestima do povo e está lá comemorando a vitória sobre o nazifascismo, na guerra de todas as guerras, por isso chamada de Guerra Mãe. 55 milhões de mortos, dos quais 27 milhões, russos, entre estes, 18 milhões, civis.

A Segunda Guerra terminou há exatos 77 anos, em maio de 1945. De lá para cá, assistimos a implementação da hegemonia dos Estados Unidos, ocupando a Europa Ocidental militar e economicamente e se expandindo por todas as latitudes. O pretexto era a reconstrução, a via foi a da guerra cultural e centenas de bases militares alimentadas por sete frotas navais. A maior potência militar do planeta impôs a economia do dólar e a estratégia do caos para dominar o planeta.

Não só a Europa é cenário dessa guerra. Os Estados Unidos querem levar a guerra também para todos os que consideram seus aliados. Como fez na guerra contra o Iraque, agora quer envolver os países asiáticos, como Japão, Coreia do Sul e Austrália. O Japão se ergueu dos escombros da Segunda Guerra, tornou-se uma grande potência econômica e tecnológica, mas não se livrou da ocupação militar e cultural dos Estados Unidos. 

Das quase 800 bases militares que os EUA mantêm em 45 países, umas 120 estão no Japão, a maioria (75%) em Okinawa, onde teve início um movimento de protesto a exigir expulsão dos ianques violadores da soberania e das mulheres. Outras 120 bases estão na Alemanha. Países perderam a noção de soberania. Quando começará o movimento contra essa dominação?

A NATO é a continuidade da Segunda Guerra

A expansão da Otan para o leste é continuação dessa guerra. Os Estados Unidos querem estender sua hegemonia. Usou das técnicas de guerra híbrida para incluir países que antes pertenciam à União Soviética ou que historicamente se mantinham neutros diante das disputas durante a Guerra Fria. A Ucrânia, caso típico, de golpe de estado que coloca governo títere, deu no que deu.

No dia 16, reuniu-se em Moscou a cúpula da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, que reúne Belarus, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Rússia. Na oportunidade, Alexander Lukashenko, presidente de Belarus, segundo despachos de Prensa Latina, declarou que “o sistema unipolar da ordem mundial é irremediavelmente coisa do passado, porém, o Ocidente Coletivo (leia-se Otan) luta ferozmente para manter suas posições. […] Nenhum país representa ameaça para a Europa, mas o Ocidente trava uma guerra híbrida em grande escala com o claro objetivo de estrangular a Rússia”. 

Na segunda semana de maio, o Congresso estadunidense aprovou US$ 40 bilhões em ajuda militar e humanitária. Já tinham liberado US$ 1,3 bilhões. Muito humanitária! Quantos dólares foram utilizados para promover o golpe de 2014 que resultou no governo títere causante da atual guerra?

Rússia cautelosa preserva a Ucrânia

Quem quer essa guerra? A quem interessa essa guerra?

A Rússia está atuando com muita cautela e comedidamente nas ações bélicas na Ucrânia. Atuando, se pode dizer, cirurgicamente, procurando causar o menor dano possível para a população. Só tem atacado e destruído alvos militares. 

Se fossem os Estados Unidos e a coligação com que atacou o Iraque, já não restaria pedra sobre pedra em Kiev e outras cidades ucranianas. Vale lembrar que o Iraque foi totalmente destruído… tudo, pontes, rodovias, ferrovias, prédios públicos, tudo. Na Ucrânia, até o parlamento e o governo continuam funcionando. Os crimes de guerra são da parte ucraniana, maior parte pelos nazistas.

Na quarta-feira (18), as agências de notícias informavam que as tropas russas dominaram completamente a usina siderúrgica Azovstal, uma ocupação militar que resistiu duramente antes de capitular. Surpresa, nos subterrâneos da usina funcionava um comando com oficiais britânicos, canadenses, turcos e ianques, oficiais da Otan. Não dá mais para esconder seu envolvimento.  

A Rússia está sendo cautelosa também com relação ao suprimento de gás aos países europeus. Sabe que afeta gravemente a toda população de países que são vizinhos e/ou países com que, até agora, mantinha relações harmoniosas. 

No final de semana, Putin telefonou ao chanceler alemão Olaf Scholz tentando acalmá-lo, posto que ainda não cortou o suprimento de gás. Se cortar, param as indústrias e geram-se milhões de desempregados. A quem interessa isso?

Negado ingresso da Finlândia e Suécia na NATO

Agora Suécia e Finlândia anunciam querer integrar a Aliança Atlântica, que já não é só Atlântica, pois inclui países como Japão e Austrália. Mas, Suécia e Finlândia têm mais de 1.500 km de fronteira com a Federação Russa. É muita provocação. 

O que leva um país como Suécia, depois de 200 anos de neutralidade, sujeitar-se aos desígnios de Washington? Dólares? 

Esses dois países dependem do gás, petróleo e energia elétrica da Rússia. Se negam a pagar o que devem aos bancos russos, e as dívidas estão crescendo. Isso dá aos russos todo o direito de cortar o suprimento. Eis a raiz da crise. Não pagam e pedem socorro à Otan. Realmente perderam o senso.

É uma jogada das mais perigosas. 

Hungria e Turquia perceberam a encrenca, disseram, formalmente, que não aprovam o ingresso da dupla de países bálticos à Otan. Quase que simultaneamente, a Áustria comunicou que descarta a hipótese de ingressar na Otan e manterá status de neutralidade. Os países membros têm poder de veto. Oxalá resulte, porque é muita ousadia cutucar o tigre siberiano com vara curta. Só a neutralidade dos países fronteiriços garante a paz na região. Paz e desenvolvimento com a Europa se integrando como Eurásia. Esse é o futuro de um novo mundo livre da hegemonia do imperialismo.

Fato inédito: pela primeira vez, na sexta-feira (13), o chefe do Pentágono – o ministério da guerra – Lloyd Austin, chamou o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, para propor uma trégua e um canal de comunicação. Conversaram por uma hora sem resolver coisa alguma, segundo a Reuters. Quase que a mesma coisa disse à agência TASS. De qualquer forma, é positivo que haja um canal de comunicação que possa evitar um mal maior.

Estratégia do caos

Fica claro quando se vê que a guerra que anunciam contra a Rússia é na verdade contra seus próprios aliados da Otan, a União Europeia, basicamente. Uma União Europeia integrada à Eurásia, usufruindo dos ingentes recursos minerais da Rússia, caminho para o desenvolvimento integrado e assim livrar-se da dominação imperial, é o que mais temem os estrategistas do Pentágono, os senhores de todas as guerras que ocupam os centros de decisão.

As casas precisam de calefação – aquecimento central – para que as pessoas não morram de frio; as fábricas e escritórios precisam de energia elétrica; a vida e a economia se movem por meio de todo tipo de transporte. Estamos falando de energia elétrica, de combustão, petróleo, gás, carvão, redes de transmissão. 

A Hungria anunciou que não entra na conversa fiada dos Estados Unidos porque 60% do gás e petróleo que movem o país vêm da Rússia. Na Alemanha, o parque industrial depende de 40% até 90% da fonte energética russa.

Não é só energia o problema 

Sobe o preço do combustível, desencadeia alta em tudo. A Europa se tornou dependente em trigo, açúcar, carnes, insumos agrícolas e industriais, bens de consumo. Tudo ficou mais caro e a comida começa a escassear nas prateleiras dos armazéns. Inclusive produtos de consumo já estão mais caros e custam a chegar devido ao bloqueio. É de se esperar que a população desperte do que parece uma hipnose coletiva e se levante contra essa realidade de ser colônia, submissa aos Estados Unidos. 

Inflação oficial, na zona do euro, nos últimos 12 meses, admitida oficialmente, em torno de 7%, 8%. A inflação real, para dona de casa, chega a 30% em alguns produtos, como trigo, milho e soja. No Brasil, o pãozinho já está 20% mais caro. Isso porque não há política agrícola no país. 

Por conta do trigo, os países do G7 se reuniram por dois dias em Stuttgart, Alemanha, preocupados com o que fazer. China, Índia e Rússia são os maiores produtores de trigo do mundo; Ucrânia é um dos grandes fornecedores de trigo para Europa, está bloqueada pela guerra; Índia, segunda maior produtora do cereal, proibiu a exportação. G7 – Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Canadá, Japão e Estados Unidos – pediu que a Índia atue com responsabilidade e instou a Rússia a suspender o bloqueio do trigo ucraniano. Assim de simples, eles penalizam e não querem ser penalizados.

Do outro lado da anacrônica cortina de ferro, agora mais estreita, apesar do esforço de guerra, as sequelas do bloqueio decretado pelos Estados Unidos e seus sequazes da Otan são menores, porque são compensadas com o incremento do plano de integração e cooperação asiática que tem a China como locomotiva. Ademais, a Rússia não foi pega de surpresa. Já vinha sofrendo sanções desde o governo Trump e se preparou.

McDonald ‘s fecha as portas em toda a Rússia. Um símbolo a menos do triste período da debacle soviética. Voltar a comer chachlik melhora a autoestima. A Renault fechou, as fábricas foram reestatizadas e voltaram a produzir sem provocar desemprego.

Agora propriedade do Instituto Central de Pesquisa e Desenvolvimento de Automóveis e Motores (Nami), estatal, seguirá produzindo o Lada, um Fiat da era soviética, e peças de reposição para manutenção dos Renault produzidos para o mercado russo.

Petróleo e gás que deixaram de fluir para alguns países da Europa já estão fluindo em dobro para a Índia. Novas rotas e dutos incrementarão, no curto prazo, o fluxo das fontes de energia russas entre os dois países vizinhos que se complementam e entre os demais países asiáticos.  

O dólar já desapareceu há algum tempo nas transações entre os países asiáticos. China, Rússia e Índia estão desenhando a nova geopolítica do mundo. Até a Arábia Saudita está aceitando rublos e ienes. 

Os ministros de Relações Exteriores dos BRICS estiveram reunidos virtualmente na quinta-feira (19) para preparar a reunião de cúpula que transcorrerá em junho, em Pequim. A China, maior potência, com a maior população do planeta, 1,2 bilhão, logo será superada pela Índia, hoje perto de um bilhão de habitantes. Integradas com a Rússia, são as bases para os BRICS – que a essa aliança somam o Brasil e a África do Sul – e determinam hoje a nova geopolítica do mundo. Um mundo multipolar, sem hegemonias, sem guerra, preocupado em preservar a vida com qualidade.

Fonte aqui

O autor iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1967. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo


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6 pensamentos sobre “A China espirra, o mundo inteiro constipa-se

  1. Declaração de interesses,nem pro,nem contra,não tenho ideologia a não ser ter que trabalhar de segunda a sábado apenas comento o que sei e é a minha humilde opinião.

    Este texto foi muito bem concebido,desde já os meus parabéns ao autor.

    Os EUA estão a ganhar em todas as frentes e a fazer lucro nas nossas costas Estamos a fazer “guerra” por eles e a entregar armas (para facilitar o regresso à paz) e a chamada ajuda “humanitária”, que é melhor em troca, estamos a comprar gás de xisto poluente e mais caro (graças ao povo verde por se manter calado) Os preços da energia estão a explodir (graças aos preços europeus) Os alemães e outros países europeus estão a comprar aviões americanos que custam uma fortuna … sofremos de aumentos de preços e, ao mesmo tempo, de escassez …. enquanto se espera pelos próximos aumentos de impostos, etc. e para tornar as coisas ainda melhores a Sra. Van der, etc. vai fazer (em nome do que não for eleito) um plano de reconstrução da Ucrânia pago pelos europeus …e naturalmente tudo correrá bem …não é mais do que a submissão que é a escravatura organizada em adição e sem falar sobre a situação interna de Portugal (dívida. . insegurança.. educação… … saúde… imigração… administração inchada, etc…) todos estes problemas foram evitados antes das eleições …. o Renascimento em construção.
    “O que me perturba não é que me tenham mentido, mas sim que a partir de agora não poderei acreditar em ti”
    Nietzsche

    Inflação…. e tudo o resto.
    Para amanhã…aquele macaco bastardo…e/ou chita…hiperinflação…. a supressão de todas as liberdades…
    Tudo é engolido sem vacilar.

    E aquele Vladimir desagradável que não quer ceder…e que, além disso,teima em não se render!

    Não haverá mais nada.
    Eu vejo o Ocidente morrer.
    Estou a assistir ao desaparecimento do meu país.
    Contemplo o fim de uma Civilização.
    O Ocidente, que foi o farol do Mundo. O centro de quase tudo.

    Quem teria acreditado nisso?
    Em meio século.
    Onde Roma levou meio milénio a desaparecer.

    Peço o perdão dos meus antepassados.
    Não fiz nada para o impedir.
    E eu não vou fazer nada.
    Basta ver-nos morrer.
    Basta admirar um suicídio colectivo.

    Estou a exagerar?

    Dê uma olhadela honesta ao espectáculo.
    Todos os dias.
    Em todos os campos.
    Todos os eventos.
    Todos os decisores.
    Todas as decisões tomadas.
    E está a acelerar….

    Estou a exagerar…realmente…?

    Sinceramente…no fundo de cada um de vocês…têm tanta certeza?

    Claramente a UE está a fazer de nós parvos, mas está.
    A Índia não irá desmantelar o gerador de energia livre de Tewari apesar das ameaças do Reino Unido, dos EUA e da Arábia Saudita.

    É por isso que a Índia alinhou o seu próprio programa militar com o da Rússia, que agora se coloca com os outros países BRICS contra a cabala “nazionista” impondo todo o tipo de sanções para a destruir.

    No passado, a aliança BRICS prometeu libertar para uso responsável todas as energias censuradas como a “Energia Livre”; parece que estão a cumprir a sua palavra.

    R.L.G. (Gerador Síncrono AC sem Reacção)

    O R.L.G. é um gerador CA síncrono trifásico de 248 volts Hz, funcionando a 50/60Hz.
    Do exterior parece um motor eléctrico; requer energia eléctrica para arrancar, e depois imediatamente o RLG não só é auto-sustentável como proporciona uma eficiência de 300%.

    A Tewari construiu modelos do RLG que foram reproduzidos e testados de forma independente.

    Se a Índia persistir na comercialização do seu LGR, será o fim do petrodólar, das turbinas eólicas de Layen, dos painéis solares e do isolamento das estações de serviço, e a Enedis terá muito trabalho a fazer para desmantelar as linhas que se tornaram inúteis.
    Depois da telefone sem fios, podemos ter energia sem fios.
    Mas será um novo paradigma.

    Estas são as nossas doze pragas do Egipto.
    O gás russo secou ,
    com muitas faltas
    A recusa da Índia e da Indonésia em vender trigo e óleo de palma
    Covid e o encerramento da China

    Turbinas eólicas que produzem vento
    Secas e incêndios florestais
    Escassez de água
    Os movimentos sociais em grande escala que se avizinham
    Pilhagem e conflito armado sobre recursos e território
    Apocalipse nuclear sob o pretexto de uma guerra justa?

    Os planos da UE são tão brilhantes como sempre.
    É como a história do empréstimo europeu para reconstruir a Ucrânia.
    Para resumir:
    1 – a UE está a fazer tudo para tornar a guerra pior e durar o máximo de tempo possível;
    2 – está a arruinar-nos com as suas sanções contra tudo o que vem da Rússia;
    3 – finalmente, conta com os súbditos (não ouso dizer os cidadãos) que arruinou para pagar a reconstrução do país que ajudou a devastar.
    Não admira que ela não queira pedir a nossa opinião!
    Entretanto, quanto mais tempo a guerra durar, mais os ucranianos (com quem a UE afirma preocupar-se) a recebem.
    Mas felizmente, parece que tudo isto é por uma “boa causa”. Estamos salvos.

    Este festival de Davos só terá o eco desejado no mainstream porque 3/4 dos jogadores estarão ausentes (3/4 da população mundial de BRICS). Não será mais do que um encontro entre pessoas que estão privadas do principal; as energias e os workshops para a transformação. Um espectáculo muito triste produzido por uns poucos que têm a audácia de querer reunir todos os povos do mundo para …..

    A davocracia é galopante na nossa vida quotidiana, os globalistas encontram-se… Sem a Rússia e a China! Isso é muito “sem saída”, como na década de 1930, quando a Liga das Nações se reuniu sem a Alemanha e a Rússia, que a propósito implementaram planos de parcerias industriais e militares estreitas na altura.

    Finalmente, ao estar explicitamente sem a China e a Rússia, Davos mostra as suas verdadeiras cores: nada global, tudo ‘ocidental’.
    Ou seja, menos de um pequeno quarto do mundo.
    Isto pode ser visto comos votos da ONU para desaprovar o comportamento da Rússia no início de Março:
    América do Norte, Europa Ocidental, Austrália e Japão.
    Há mais para o mundo do que isso.

    Finalmente, é talvez aqui que a bomba estratégica deve cair.

    Porque Davos é basicamente o lugar para procurar a resposta à importante questão: “Como é que posso conseguir mais dinheiro?

    Davos justapôs-se a este outro post no lapso de língua de GWBush “A decisão de um homem de lançar uma invasão totalmente injustificada e brutal do Iraque… Refiro-me à Ucrânia”, não lhe falta sabor.

    Porque finalmente, com centenas de milhares de países mortos e devastados, o GWBush é um criminoso e tanto, não é?
    Bem, são os tipos de Davos.

    Li também que circulou a ideia de que os fundos russos “congelados” poderiam ser utilizados para financiar a ajuda à Ucrânia. O Ocidente está a passar do congelamento por sanção para o roubo total. O roubo é criminoso, não é?
    A propósito, perguntei-me se isto também se aplicaria às contas das pessoas de origem russa que vivem e trabalham em Portugal , e que já não podem aceder ao seu dinheiro desde as últimas semanas…

    • O seu comentário é longo e o que me interessou mais foi a última frase. Tenho em Portugal dois conhecidos russos que deixaram de me atender o telefone, não que lhes telefonasse com frequência. E houve uma senhora aqui do bairro que tinha uma pequena casa de costura, russa, que já não vejo há meses, nem o negócio tem estado aberto. Seria interesse jornalistas tentarem perceber ao certo se há casos como o que refere, ou ao certo como está a viver a comunidade russa em Portugal, porque o exemplo que apresenta configuraria algo de criminoso. Enfim, não sou jornalista….

      • Pois, ou saber igualmente o que tem a dizer a comunidade ucraniana russófona que também existe em Portugal… o que já não se sabe se existe mesmo é jornalismo…

    • Muito bem. Escreva mais vezes, que dá gosto ler.

      “O que me perturba não é que me tenham mentido, mas sim que a partir de agora não poderei acreditar em ti”
      Nietzsche
      – dedico esta à “imprensa livre” do Ocidente. Já acreditava pouco, desde que o Truques da Imprensa me abriu os olhos nos primeiros meses de Geringonça. Agora já não posso voltar atrás e acreditar em quem mente de propósito para me enganar, para me manipular, para me convencer a defender o que é pior para mim e para o meu país de origem.

      Quanto ao roubo dos 300 mil milhões de activos Russos, é de facto um roubo. O maior de sempre na história da humanidade. Correção: o 2º maior. O maior é o sistema bancário privatizado numa economia financeirizada.
      Mas eles terão a resposta da Rússia, que tem à sua mercê 500 mil milhões de activos estrangeiros na Rússia. Basta nacionalizá-los. Se a Rússia ainda não o fez, é porque está a jogar xadrez. Não se sacrifica uma peça importante logo no início do jogo quando pode, para já, ficar quieta a ver o adversário dar tiros consecutivos nos pés, que no imediato parecem vitórias, mas no final resultaram numa derrota por cheque-mate.

      Neste aspecto não me preocupo nada com os Russos. O problema aqui são aqueles países que não se conseguem defender. Quantas pessoas têm de passar dificuldades em Cuba e Irão, quantas têm de passar fome na Venezuela e Afeganistão, só para que os EUA e elites corruptas ocidentais anunciem satisfeitas que “congelaram os fundos desses países em nome da democracia” ou “em nome da indemnização das vítimas do 11 de Setembro”?
      A haver Estado de Direito no Mundo, a única indemnização a ser paga nos 11 de Setembro, seria a dos EUA a terem de compensar as vítimas do seu golpe no Chile em 1973 nessa mesma data! Mas adiante…

      Introduziu bem o termo “davocracia”. É mais certeiro. Mas já existia nome para tal bicharada: oligarquia ocidental. Embora a “imprensa livre” de que eles são donos, monopolistas até no que toca ao mainstream, nos tenta convencer que oligarca é coisa só da Rússia, e só passou a ser má desde 2022… Até agora, o dinheirinho deles andou a saber-lhes tão bem…

      Para essa gentalha de davos, ou “davocracia” como lhe chamou, para além da definição corretíssima de oligarquia ocidental, há uma alternativa que tenho tomado o gosto de usar: o regime Capital-Fascista. Até porque não se pode chamar “democracia liberal” ao comité central NÃO-eleito de Bruxelas que nos dá ordens para cumprir, ou aos defensores de offshores que nos dizem que a austeridade não tem alternativa (TINA), ou aos actuais espertos do governo de “maioria” em Portugal (eleitos só por 41% dos votantes, ou 21% dos eleitores tendo em conta a abstenção) que já prometeram gastar mais em armas de guerra, mas no atual orçamento dedicam 60€ para apoiar as famílias mais pobres… para o ano inteiro! Isto dá, segundo as contas de Medina, Costa, e companhia, exatamente 0,0% do PIB. Como dizia na brincadeira o blog de economia LadrõesDeBicicletas, o Ministério das Finanças Português só trabalha com décimas, não trabalha com centésimas… daí os 0.0% de apoio aos pobres decidods SEM NEGOCIAÇÃO pelo poder absoluto dos “socialistas”.

      Falou também do BRICS e dos 3/4 do Mundo. Eu costumo falar nos cerca de 87% da população Mundial que vivem fora do Ocidente, e que não apoiam sanções contra a Rússia, e muito menos o envio de armas para NeoNazis Banderistas.
      Os propagandistas da NATO usaram no início da invasão as imagens das votações na ONU para dizer que a “comunidade internacional” estava contra a Rússia, e que a Rússia estava isolada. Realmente, se colocarmos muitos votos somados da Samoa Americana, das Ilhas Virgens Britânicas, da Nauru, das Bahamas, de Malta, do Liechstenstein, da Andorra, de Gibraltar, de San Marino, do Mónaco, etc, até parecem muitos… Mas no total não ocupam sequer um bairro de Shangai.
      Quis falar disto porque há algo que não me sai da cabeça: para o Mundo ter uma organização Mundial democrática e funcional (a ONU está mais que morta e enterrada), as votações não podem ser de 1 voto para cada país, mas sim muito mais proporcionais em relação à população de cada território. E obviamente não pode existir um “clube dos grandes” com direito de veto que faz da Assembleia Geral uma mera palhaçada para gastar dinheiro em tachos de pançudos bem colocados/relacionados nas respetivas bolhas de poder e dinheiro dos seus países…

      E depois deu também um coice bem dado e merecido aos “verdes” que andam caladinhos ou, quando falam, como no caso dos Grüne da Alemanha, é para estar na linha da frente da asneirada. Um artigo que li no SetentaEQuatro aborda muito bem esta questão, da hipocrisia e loucura Ocidental que pode significar uma catástrofe ambiental à escala global (como se o atual estado das Alterações Climáticas não fosse já tragédia suficiente). Recomendo a leitura:
      https://setentaequatro.pt/enfoque/crise-climatica-ficou-em-segundo-plano-agora-aposta-se-no-gas-liquefeito

      Deixo só este pequeno excerto, para aguçar o apetite:
      «O gás natural liquefeito é constituído por 90% de metano, um gás com efeito de estufa que contribui mais para o aquecimento global do que o dióxido de carbono.»

      • Sr. Carlos Marques, se me permite, um pequeno comentário em relação ao seu.
        Discordo da sua perspetiva (ou antes, concordo num sentido, mas discordo na sua aplicação) de que para existir uma organização Mundial democrática e funcional seria necessário que fosse atribuído um número de votos consoante a densidade populacional de cada país.
        Creio que não seria uma solução estável a longo prazo e que levaria a situações de monopólio que sacrificaria os interesses de certos países diminutos em relação aos interesses de grandes massas populacionais, algo que poderia resultar num reavivar de práticas imperialistas dum ponto de vista de votações dentro de um sistema que se gostaria democrático. Seria esganar a voz de uns porque têm menos gente que outros.
        A meu ver, e no sentido do idealizado pelo senhor, creio, acima de tudo, que um sistema nacional, que tivesse ramificações a nível internacional e ultimamente mundial, de votação regular e de participação ativa das várias comunidades integrantes de um país – como forma de expressão direta da vontade desse país e da sua população – em assuntos de política internacional, de modo a averiguar e determinar como é que representantes (eleitos), numa nova Organização Mundial de Nações, deveriam conduzir os diálogos entre as diversas delegações das restantes nações, seria um sistema, não digo ideal, mas que se encaminhava para algum lado.
        Infelizmente, o que falta neste momento é, como diz em relação a Bruxelas, intervenção das comunidades.
        De facto, olhe para Portugal. Os sindicatos estão obsoletos e são organizações políticas em muitos casos. As comunidades votam de 4 em 4 anos nas legislativas, de 4 em 4 nas autárquicas e de 5 em 5 nas presidenciais, sendo que no entretanto comemos o que nos derem.
        Temos um sistema de educação que cria jovens formados, mas, em muitas situações, desinteressados em fazer mais do que arranjar o canudo que lhes dê o emprego. Simples conquistas como as 40 horas de trabalho estão – se já não completamente – a desaparecer gradualmente e, com piolhos como o Musk que vêm falar da China e dos trabalhadores que saem das fábricas às 3 da manhã (eu até gostava de saber a veracidade disto) e elogia esse sistema de vida, como se as lutas sindicais contra os Liberais Capitalistas do séc. XIX não tivessem importado para nada.
        De facto, este paulatino retrocesso de algo que custou tanto às pessoas que lutaram por ele é algo extremamente preocupante.
        Fala-se da semana de 4 dias de trabalho, mas até que ponto é que isso irá acontecer com o advento de um sistema neoliberal em rápida expansão que engole todas as pequenas e médias empresas e empurra-nos para a nossa incorporação em sistemas feudais (como diz o Yanis Varoufakis) nas mãos de meia dúzia de indivíduos que nem nos querem deixar ir à casa de banho ou ter fins de semana? Note o reavivar da luta sindical nos Estados Unidos contra a Starbucks! Acho que ninguém anda a ligar a isso no meio da guerra…
        Até que ponto é que o pós-guerra será benevolente para este canto do mundo em que nos encontramos ? Efetivamente, os EUA estão em decadência. Aquela dívida vai estourar um dia e o país vai à ruína total e, se não tivermos cuidado, vamos com eles!
        Contudo, se me permite a ousadia, a educação das pessoas e o debate com as mesmas deveria ser reavivado. O investimento em “movimentos” comunitários parece-me a saída mais “óbvia”, ou melhor, a que seria melhor.
        E creio, inclusivamente, que, em Portugal, um sistema que permitisse uma intervenção muita mais direta das populações resultaria no benefício de todos. Infelizmente, ninguém tem paciência para isso. As pessoas trabalham, têm os filhos, as suas preocupações, etc. É difícil organizar coisas deste género. E o panorama atual não permite esse género de movimentos e organizações. Já para não falar na resistência que uma ideia destas teria ao tentar arranjar o seu caminho para uma materialização efetiva no nosso sistema político (ou por esse mundo fora).
        Por outro lado, entre as gerações mais jovens cria-se uma cultura tóxica dizendo que é necessário trabalhar sempre mais do que o vizinho, porque vivemos neste sistema de competição perpétua uns com os outros, algo que vai completamente contra o que foi estudado, por exemplo, por Kropotkine! Bem sei que este nome tem uma carga associada a ele, mas a ideia está lá de qualquer forma.
        Ao longo da história as comunidades e os laços que nos unem intimamente têm sido, sem qualquer dúvida, o pilar a partir do qual se constrói e possibilita todas as mudanças para sistemas cada vez mais progressistas e Humanos.
        Enfim, para concluir duma vez, creio que o sistema que defendeu tem uma falha, mas a ideia subjacente precisa indubitavelmente de começar a ser mais explorada na conjuntura atual! O problema principal é o facto de certas comunidades (ou melhor, instituições oligárquicas capital-fascistas – para empregar o seu termo) terem uma grande preponderância e poder de decisão em relação a outros e de não serem respeitados direitos que são transversais a qualquer comunidade.
        Continuação!

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