O jornal Público e o “humanismo de geometria variável”

(Alfredo Barroso, in Facebook, 31/03/2022)

Desgraçadamente, o jornal Público tornou-se um jornal ‘iliberal’ e adoptou o ‘humanismo de geometria variável’… – lamenta Alfredo Barroso, escandalizado com os insultos cobardes em editoriais do director e em artigos de colaboradores(as) sem o mínimo sentido da dignidade e sem inteligência.


Para o director e a maioria dos jornalistas e colaboradores do jornal ‘iliberal’ em que, desgraçadamente, se tornou o ‘Público’, pouco lhes importará que haja milhares de neonazis no Exército ucraniano (por exemplo, o famoso “batalhão Azov”) que já cometeram autênticas chacinas no Donbass, onde o número de mortos se eleva a cerca de 15 mil desde 2014 – chacinas essas que se intensificaram, sobre as populações russófanas daquela região, durante os primeiros meses deste desgraçado ano de 2022.

Pouco importa, também, que o ex-comediante Volodymyr Zelenski, actual presidente da Ucrânia, que a propaganda já transformou em herói, seja um político corrupto sustentado pelo mais rico e poderoso oligarca ucraniano, Igor Kolomoysky, ‘padrinho’ político e financiador do presidente, e com fortíssimos interesses económicos na região do Donbass. Aliás, Conforme está registado nos “Pandora Papers” e já foi relatado pelo ‘The Guardian’, em 3 de outubro de 2021, Volodymyr Zelensky detém acções em três empresas ‘offshore’; tem ligações com vários oligarcas ucrânianos que lhe proporcionam financiamentos bilionários mas ilegais; e está directamente envolvido na atribuição ilegal de armas e de dinheiro a grupos de neonazis que actuam, nomeadamente, na região do Donbass.

É lamentável que o ‘Público’ também tenha adoptado o “humanismo de geometria variável” como critério de avaliação dos “crimes de guerra”, conforme eles sejam cometidos pelas NT (Nossas Tropas) – sempre ‘justificáveis’, inclusive com mentiras, como a das ADM (Armas de Destruição em Massa) inexistentes, no caso da criminosa invasão do Iraque – ou ‘injustificáveis’, se forem cometidos pelo IN (Inimigo), seja ele uma ‘democratura’ ou uma autocracia (orientais), um regime comunista ou uma monarquia czarista (orientais). Acresce que, para esta ‘seita’ sinistra que faz opinião nos jornais e na TQT (a Televisão Que Temos), há gente de primeira, segunda e terceira classes. E até há gente que nem sequer é gente, como os “untermenschen”, o termo alemão da ideologia nazi que significa “infra-humano” ou gente de “povos inferiores” – judeus, ciganos, polacos, sérvios, bielorrussos e russos, a que hoje poderemos acrescentar os iraquianos, líbios e sírios, como também já o foram os vietnamitas e ainda são os mexicanos, os cubanos e, de um modo geral, todos os outros povos (“inferiores”) da América Latina.

Em suma: a favor de quem manda – e hoje quem manda ainda são os Estados Unidos da América (EUA) e o seu actual presidente, o “great old dummy Joseph Biden” – toda a ‘propaganda’ pouco séria e rasca nunca é demais contra os “untermenschen”, neste caso russos – como já foram, aliás, os iraquianos para o jornal ‘Público’ então dirigido pelo sinistro José Manuel Fernandes, um adepto fanático da invasão, em 2003, nomeadamente contra as “torneiras de ouro das casas de banho de Saddam Hussein” (lembram-se? não, não é para rir, é para chorar perante tanto fanatismo).

Mas, ainda mais do que o fanatismo de José Manuel Fernandes – que o actual director do ‘Público’, Manuel Carvalho, também pratica – há ainda a estupidez deslumbrante, a desonestidade intelectual e política aterradora, a intolerância desmedida de uma ‘gaja’ (das manhãs de 2ª feira na SIC) que se intitula economista (mas que nunca escreve sobre Economia) e que escrevinhou um texto tão repugnante e rasca – que eu nunca imaginei que pudesse vir a ser publicado no outrora liberal ‘Público’! Uma ‘gaja’ que, em matéria de ‘reaccionarismo’, bate por KO o João Miguel ‘última página’ Tavares. A ‘gaja’ chama-se Maria João Marques, é obviamente de extrema-direita e oriunda do jornal digital ‘Observador’, ou seja, é discípula do José Manuel Fernandes, e o seu texto repugnante tem por título, absolutamente ridículo, «II Guerra Mundial para relativistas da invasão da Ucrânia»… E a ‘porcina’ que o debitou deve achar que esta sua prosa tão miserável como insultuosa “é uma gracinha”…

Campo d’Ourique, 31 de Março de 2022


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Um pensamento sobre “O jornal Público e o “humanismo de geometria variável”

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.