MARÇO 2021

(José Gameiro, in Expresso, 04/10/2020)

Não me largou durante os meses do confinamento. Logo que esta porcaria acabe, quero ir viajar. Não aguento estar aqui metida neste país pequenino, preciso dos grandes espaços. Por muito que lhe explicasse que Portugal tem sítios lindos, que ela não conhece, seria uma boa oportunidade para conhecer o país onde nasceu e vive, nada a demoveu. Com medo das represálias, que podem ser tremendas, quando não faço o que ela quer, comecei a delinear um plano.

Quando em setembro de 2020 a vacina de Oxford teve um revés, temi o pior. Ainda que muitos colegas meus nos tenham avisado que não existem vacinas feitas à pressa, que os ensaios clínicos são muito lentos para serem seguros, existia uma mensagem subliminar que, no início do ano, teríamos boas notícias. Uma noite comuniquei-lhe que tinha começado a preparar uma viagem a África. Fui logo recompensado. Pesquisei, pesquisei, qual o país com menos covid. Os cientistas mundiais não encontram nenhuma explicação para a baixa letalidade em África. Depois de muita pesquisa, que ela ia acompanhando, decidi propor-lhe uma ida ao Quénia. Com muita falta de turistas, os lodges, habitualmente muito caros, estavam em saldos. Isolados no meio da savana, o risco de contágio seria baixo. Achou a ideia perfeita. Eu próprio me convenci de que a viagem poderia vir a ser uma realidade. Uma mentira dita mil vezes, transforma-se numa verdade…

Para lhe mostrar a minha boa vontade, mostrei-lhe os e-mails que troquei com um dos lodges mais exclusivos da reserva Masai. Até lhe disse que tinham lá ficado o Brad Pitt e a Angelina Jolie, no tempo em que eram felizes. Ficou deslumbrada e foi logo dizer às amigas que tinha um marido fantástico… Mostrei-lhes fotografias das tendas, enormes, confortáveis e das zonas comuns, num estilo colonial inglês, bem mais imponente do que o nosso, sempre bastante pindérico. Disse-lhe que de Nairobi para a reserva alugaríamos um pequeno avião, só para nós. Assim o risco seria desprezível. Estava preocupada com o longo voo, a partir de Lisboa. Sosseguei-a. Esta era uma viagem especial, feita à medida dela. Não pouparia um cêntimo, para lhe dar todas as condições de segurança, mesmo que para isso fosse necessário comprar um bilhete de primeira classe.

Foram meses de muito entusiasmo, noites e noites a ver fotografias dos animais. Vamos ver este? E este? Disse-lhe sempre que sim, umas pequenas mentiras no meio de um projeto tão arrojado não têm valor ético… Quando chegámos a janeiro e me pediram para confirmar as reservas e pagar, senti-me muito mal. Aproximava-se o momento da verdade. Procurei a melhor forma de sair da situação, mas os meses de felicidade conjugal já ninguém me tirava. Não tive coragem para lhe dizer que não havia vacina, não havia voos, a pandemia estava novamente no auge. Nas duas semanas anteriores à data da partida, começou a fazer as malas. Por muito que lhe explicasse que os voos internos eram muito limitados em peso, insistiu, com razão, que as amplitudes térmicas em África são grandes. Além de que, na nossa viagem de sonho, teria de se vestir bem. O caqui, claro, foi a cor preferida. Chegou o dia da partida. Carro à porta, depois de uma noite quase sem dormir com a excitação.

Era o momento da verdade, repito. Entrámos e disse ao motorista, para Sete Rios, s.f.f. Estava distraída a enviar fotos às amigas, não ouviu. Parámos à porta do Jardim Zoológico. Quando percebeu onde estava perguntou-me se íamos chegar a tempo, se o que eu tinha de fazer, ia demorar muito? “Não querida, não vai demorar nada, a nossa viagem parou aqui. Vais ver leões, elefantes, crocodilos, chimpanzés, zebras, tudo a que tens direito.” Não mostrou nenhum sinal de zanga ou irritação. Com um ar muito calmo disse-me: “Estás a ver aquele hotel ali? Eu vou andando, tens meia hora para chegar lá. Vamos ficar 14 dias de quarentena. Acho bem que passes pela farmácia antes.” Vou querer tudo a que tenho direito.


33 pensamentos sobre “MARÇO 2021

  1. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra N de Novencentista, SIC, Oitocentista ops!)

    Passos, perdido, negando citações: confirmando tudo.
    27 Maio 2016 às 18:10 por Isabel Moreira

    […]

    Eric
    27 de Maio de 2016 às 19:06

    Isabel Moreira,
    eu não sei se alguém te corrigiu até agora nessa lufa-lufa dos artiguinhos escritos a metro que vais postando no jornal da Impresa. Em caso de resposta negativa, e especulando embora, isso poderá ter várias explicações e uma delas é péssima para ti: que há pouca gente letrada na caixa de comentários do Expresso, o que é uma verdade-verdadinha, que te lêem mas não percebem (alfabetização deficiente), que não lês o que se vai dizendo nessa tua missão inglória de te dirigires às massas ou, o que é pior, que… ninguém te lê (a excepção é o Valupi no Aspirina B e, vê lá, eu quando dá).

    Permite-me dizer, pois, que quando escreves “novecentista” (deverias escrever Novecentista, mas passo) te estás directamente a referir ao século XX. Como imagino que te querias referir ao século XIX, embora erradamente e já veremos porquê a seguir, deverias escrever Oitocentista assim com a capitular em grande. Quanto ao resto, é das sebentas: o “estado mínimo” de que falas começou exactamente a ser corrigido, no último quartel do século XIX, com as medidas “sociais” dos governos do chanceler Bismarck na Alemanha. Deixo-te uma sugestão de leitura (apanhada assim de repente, imagina que é uma cena de 1985), mas que espero que sirva para o teu serão.

    Política social e democracia: reflexões sobre o legado da seguridade social – Sonia Maria Fleury Teixeira
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1985000400002

    e

    «A direita não se limitou a conformar-se com a pobreza e com as desigualdades. Lutou por esse modelo inevitavelmente resultante de um estado mínimo NOVECENTISTA e, por isso, hoje acusa – bracejando como pode – o governo do PS de fazer aquilo que uma social democracia decente teria por urgente: repor rendimentos; repor prestações sociais; aumentar o salário mínimo; puxar pela classe média; apostar nos maiores motores da escalada social positiva, como a escola pública; dignificar o fator trabalho; apostar na qualificação dos portugueses; desbloquear os fundos estruturais; fazer tudo por tudo para garantir um serviço nacional de saúde e uma segurança social para todas e para todos sem sobressaltos.»

    Aqui, serviço público: http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_contrasemantica/2016-05-21-O-Problema-da-Direita-e-a-Direita .

  2. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra B de onde beber um drink ao fim da tarde em Bruxelas, profecia)

    Temos PSD: manifesta-se pela mudez e tem sede em Bruxelas
    14 JULHO 2016 ÀS 15:55 POR ISABEL MOREIRA

    A política única do diretório europeu tem uma delegação no parlamento português.

    A delegação é o PSD que tem ouvido de muitos que não faz oposição, que desapareceu.

    É verdade que o PSD não apresenta uma proposta política que seja, é verdade que o PSD vive da miséria de casos mediáticos, é verdade que nesse sentido desapareceu para o lugar que o populismo ainda não cavou.

    Simplesmente, o PSD faz oposição todos os dias, o PSD faz oposição em cada debate temático.

    Sempre que fica mudo diz da sua proposta.

    A cada mudez, uma diminuição do salário mínimo.

    A cada mudez, a não retribuição dos rendimentos constitucionalmente devidos às famílias.

    A cada mudez, a defesa de um modelo de crescimento assente em baixos salários.

    A cada mudez, a defesa da sobretaxa do IRS.

    A cada mudez, a penhora das casas de família.

    A cada mudez, a manutenção dos cortes nas prestações sociais.

    A cada mudez, um corte de 600ME nas pensões.

    A cada mudez, um sim à alteração do tempo de trabalho sem compensação.

    A cada mudez, a certeza de que continuaria a ser o garante do desinteresse nacional, sempre incumprindo todas as metas previstas no tratado orçamental, mas vassalos do protetorado e da política única que nos custou décadas de regressão.

    E ainda dizem que não há oposição. Está aqui. Chama-se PSD. Manifesta-se pela mudez e tem sede em Bruxelas.

    Eric
    14 DE JULHO DE 2016 ÀS 17:08

    Não percebi mas parabenizo o Aspirina B que agora tem uma poetisa (apesar do seu estilo de verso de pé quebrado), muito bem Valupi.

    Dicas de bar em Bruxelas, que não seja por isso.
    http://ideiasnamala.com/2014/09/25/dicas-bares-bruxelas/
    Rue du Chênes – 5

  3. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra P de Português de lei)

    Português de lei
    26 DEZEMBRO 2016 ÀS 20:44 POR VALUPI

    José Pracana (1946 – 2016)

    aeiou
    27 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 13:38

    Valupi, nos milhares de brilhantes linhas com que mimoseaste os leitores do Aspirina B ao longo dos anos não me recordo dessa veia político-cultural como se te julgasses investido nalguma missão cultural semelhante a um Michel Giacometti dos tempos modernos. Assim sendo, e como na tua cabeça um psi observaria que vira o disco e toca o mesmo, no post só se consegue descobrir uma construção fonética subliminar:

    – José [Sócrates] prá cana.

    Se os magistrados do MP sofrerem de alguma súbita falta de inspiração momentânea (ou, como diz agora o povo, uma disfuncionalidade cognitiva temporária) esperemos que te agradeçam.

    🙂

  4. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra C de Fernanda Câncio, a namoradinha do #Twitter, moça dada a outras modernanices e à prática do flirt à janela) | hors-texte

    11 de mar de 2019

    Nota. Nem mais, Fernanda Câncio, agora no #Twitter somos tod@s bué de modernos.

    Quando a noite caía
    [Quando a luz da manhã abria, na verdade]
    devagarinho,
    a minha janela abria,
    ansiosa
    e espreitava, espreitava,
    a rua deserta
    para ver se te via.
    Quando a noite caía
    [Quando a luz da manhã abria, na verdade]
    de mansinho,
    o mais lindo vestido vestia,
    enfeitava os meus cabelos,
    perfumava o meu corpo,
    pintava de vermelho os lábios,
    e sorria, sorria.

    Quando a noite caía
    silenciosa,
    a lua namoradeira aparecia
    vigilante e
    de nós se ria, maliciosa,
    porque sentia
    o meu coração palpitante.

    Quando a noite dormia
    já cansada,
    os nossos abraços e beijos
    acordavam a madrugada
    e a lua que nos olhava,
    sorria, sorria,
    encantada.

    A lua brilhava, brilhava
    na escuridão,
    dando mais vida, luz
    e emoção
    a tão lindos momentos
    de paixão.

    Graça Foles Amiguinho (2018)

    https://pbs.twimg.com/media/D1Yjim2X4AYpp7Y?format=jpg&name=small

    #HappilyEverAfter
    #lovers

  5. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra J de Juís, SIC, vulgo juiz Carlos Alexandre) | hors-texte

    O Juís [SIC] Carlos Alexandre é vingativo? Tramou o Vara por este não o ter ajudado? … Pois não sei.

    (In Blog Um Jeito Manso, 11/12/2018)

    O Juís [SIC] Carlos Alexandre é vingativo? Tramou o Vara por este não o ter ajudado? Queria ir para chefe do SIS o o Vara não facilitou?

    Marta Soares é o chefe da claque dos bombeiros?

    Theresa May vai do ex-brexit directamente para os Monty Python?

    O Macron, ao aparecer a distribuir dinheiro limpinho de impostos à malta, devia era ter aparecido de Santa Claus?

    Pois não sei.

    Continuar a ler: aqui

    RFC diz:
    Dezembro 11, 2018 às 11:32 am

    Eheheheh, estas gaijas são umas doidonas!

    Juís, …? É mesmo do juiz Carlos Alechandre que a dondoca quer falar?

    🙂

  6. Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra L de Legenda, Valupi, Lili e as fofocas da Dondoca d’Um Jeito Manso)

    I

    https://pbs.twimg.com/media/Dxcdv8rWoAUGbJa?format=jpg&name=medium

    11.12.2018

    Legenda: a Dondoca d’Um Jeito Manso abraçada ao Valupi, olha que dois!, durante os tempos gloriosos do Grande José Sócrates (acho que são). Fotografia de José Neves.

    #socratetes

    21.1.2019

    Legenda (actualização): a Dondoca d’Um Jeito Manso abraçada ao Valupi, enquanto é observada por alguém não identificado (enverga um casado comprado nas fábricas de S. João da Madeira, de costas), durante os tempos gloriosos do Grande José Sócrates (acho que são). Fotografia de José Neves.

    #ameninadostelefones

  7. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra L de Legenda, Valupi, Lili e as fofocas da Dodoca d’Um Jeito Manso)

    II

    terça-feira, dezembro 18, 2018, dezoito?

    Living coral, Pantone 16-1546, a cor do ano de 2019

    Anónimo disse…

    https://twitter.com/
    publica uma foto referindo-se-lhe mas penso ser a lili canecas?

    dezembro 17, 2018

    Um Jeito Manso disse…

    Olá Anónimo,

    Sim, creio ser a Lili, sim. Parece que esse tal RFC tem um qualquer xodó comigo pois volta e meia brinda-me com gracinhas. É um bacano mesmo. Espanta-me é que seja prof. Não fazem testes para garantir que não têm doidos varridos a dar aulas? Além do mais, dá ideia que também não é lá muito inteligente. No outro dia, quando falei aqui no Super Judge Alex, apeteceu-me preceder-lhe o nome com “Juis” pois achei que era mais correcto que “juíz” [SIC]. Mas, depois, receando que muita boa gente não captasse o 2º sentido e imaginasse ser aquilo um lapso de grafia [SICão], emendei. Pois a criaturinha foi logo uma das que não captou. Não percebo é porque é que não vem aqui armar-se em engraçadinho directamente comigo em vez de andar a deixar piadinhas por aí. Será que, em cima de todas as outras não-qualidades, ainda tem mais essa de ser medrosinho? Ora, ora. Alguém que o conheça que lhe diga que cá o espero, que não tenha medo, que o tratarei com luvas de pelica, que lhe darei chá e não só uma colher, uma chávena inteira. Tenho é que ajuisar (ui… lá o z se me travestiu de s outra vez…) se lhe sirvo a chávena de chá pela cabeça abaixo ou se de uma forma mais eficaz.

    😐

  8. Off

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra U de um filão bastante lucrativo, ou de como se prova que na idade da inocência ainda não se falava do juiz Rui Rangel…).

    Regime, prefere doce ou Salgado?
    15 MARÇO 2017 ÀS 12:49 POR VALUPI

    Giorgio
    15 DE MARÇO DE 2017 ÀS 17:38

    […]

    Breve ponto da situação, hoje.

    Vi há pouco, nas TV’s, a chegada e a partida de Sofia Fava com uns quilinhos a mais durante o breve interrogatório que decorreu nas novas instalações do MP.

    Um ponto prévio, no entanto.

    A acompanhá-la vinha o seu defensor, o advogado Paulo Cunha e Sá. E deve começar-se por sublinhar este facto porque o sôtor participou em múltiplos programas televisivos (nos canais generalistas, e no cabo) onde foram dissecadas as várias fases da Operação Marquês. Não me recordo de ele se ter apresentado, alguma vez, como uma parte interessada no assunto (ou, se quisermos, como defensor de uma das arguidas). De resto, sê-lo-ia na altura? Recordo-me, isso sim, de que o mencionado advogado sempre se refugiou no jargão profissional segundo o qual «não me vou pronunciar sobre casos em concreto». Esta frase, bem entendido, faz parte dessa espécie de processo de iniciação para se entrar neste original (?) universo jurídico-mediático português que, como sabemos, está ao alcance de poucos e que constitui um filão bastante lucrativo que tem vindo a ser, ao longo dos anos, bem explorado por outros colegas seus: Arrobas da Silva, João Nabais, José Maria Martins (!), Marinho e Pinto (!), Garcia Pereira (!), Dias Ferreira, Rogério Alves, Ricardo Sá Fernandes, Magalhães e Silva, menos o Artur Marques, etc. Sabe-se que este filão tem contornos vários (desde presenças nas revistas do jet set ou seis nacional, políticos, futebolísticos, bronquismos vários e outros) e parece ser sempre declinado no masculino, diga-se passagem.

    No entanto, e para além de o assunto poder vir a ser do domínio de um qualquer órgão deontológico na Ordem dos Advogados, o que é interessante assinalar é que mais ou menos ilustres arguidos da Operação Marquês sem excepção (Sofia Fava, no caso) jogaram a mão a uma ilustre plêiade de advogados portugueses. Outrossim, que o exemplo parece vir a confirmar que um «mega-julgamento com a presença de ilustres arguidos exigirá técnica e mais técnica e mais técnica numa dialéctica permanente (e “em silêncio”!) tanto com o MP, como com o colectivo de juízes e com as outras defesas» (eu o disse, oportunamente). Ou, dito de outra forma, torna evidente a forma errática da defesa de… José Sócrates.

    O último exemplo, como se viu, passou por uma nocturna (?) conferência de imprensa dos sôtores Delille e Araújo (aparentemente num vão de uma casa de pasto, vi bem?), mais uma vez a propósito da dilatação dos prazos de inquérito permitidos ao MP até ao momento em que será deduzida uma acusação. Desde ontem, para os mais entusiastas e desmiolados “defensores” do ex-PM (entre os quais se inclui a troupe do Aspirina B, obviamente) noto que a posição dos seus advogados mereceu contestação em que tomaram parte livremente outros advogados. Nada de novo, portanto.

    Dito isto, e voltando ao advogado Paulo Cunha e Sá e à sua inusitada presença de hoje no DCIAP, o facto veio separar as águas e meter em cima da mesa três aspectos pelo menos:

    1. Tornou mais denso o universo das defesas, qualificando-o;

    2. Qualificando-o, demonstrou que as estratégias antes e em julgamento serão diversas e ainda bem («O advogado de Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates, afirma que não está preocupado com os prazos da Operação Marquês porque não afectam a validade dos actos praticados no inquérito. Paulo Cunha e Sá falou à saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, em Lisboa, onde Fava foi ouvida hoje.», síntese no site da SIC Notícias);

    3. Sendo diversas as defesas, o facto por si só confirmou a forma errática da defesa de… José Sócrates e, ao mesmo tempo, clarificou-a: como se entrevia, perante a dedução da acusação do MP por corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais, a sua defesa fará dos incontáveis recursos, “incidentes” e pedidos de clarificação o seu leitmotiv adiando o final do processo.

    Nota, explicando-me. Se, no fim da linha, existir ou não uma condenação absoluta, ou mesmo que parcial, o facto será sempre indiferente já que o objectivo final da estratégia de José Sócrates (faça-se-lhe justiça!) sempre casou na perfeição com as reiteradas teses intelectualmente indigentes sobre o “amiguismo” com Carlos Santos Silva e os empréstimos, as tentativas de enfraquecimento de todas as acções do Ministério Público (sublinhado, tudo!) e do contuio com o juiz Carlos Alexandre e a imprensa popular, uma nunca provada e/ou delirante cabala de contornos políticos, ou, ainda, a cada vez mais escaldante vitimização perante um estado de carácter alegadamente Orwelliano.

    Pairando sobre tudo isto, há o aroma inebriante de um poder real ou imaginário. Tudo ou quase tudo estará errado, ver-se-á.

  9. Off

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra U de um filão bastante lucrativo, ou de como na idade da inocência ainda não se falava do juiz Rui Rangel…).

    Regime, prefere doce ou Salgado?
    15 MARÇO 2017 ÀS 12:49 POR VALUPI

    Giorgio
    15 DE MARÇO DE 2017 ÀS 17:38

    […]

    Breve ponto da situação, hoje.

    Vi há pouco, nas TV’s, a chegada e a partida de Sofia Fava com uns quilinhos a mais durante o breve interrogatório que decorreu nas novas instalações do MP.

    Um ponto prévio, no entanto.

    A acompanhá-la vinha o seu defensor, o advogado Paulo Cunha e Sá. E deve começar-se por sublinhar este facto porque o sôtor participou em múltiplos programas televisivos (nos canais generalistas, e no cabo) onde foram dissecadas as várias fases da Operação Marquês. Não me recordo de ele se ter apresentado, alguma vez, como uma parte interessada no assunto (ou, se quisermos, como defensor de uma das arguidas). De resto, sê-lo-ia na altura? Recordo-me, isso sim, de que o mencionado advogado sempre se refugiou no jargão profissional segundo o qual «não me vou pronunciar sobre casos em concreto». Esta frase, bem entendido, faz parte dessa espécie de processo de iniciação para se entrar neste original (?) universo jurídico-mediático português que, como sabemos, está ao alcance de poucos e que constitui um filão bastante lucrativo que tem vindo a ser, ao longo dos anos, bem explorado por outros colegas seus: Arrobas da Silva, João Nabais, José Maria Martins (!), Marinho e Pinto (!), Garcia Pereira (!), Dias Ferreira, Rogério Alves, Ricardo Sá Fernandes, Magalhães e Silva, menos o Artur Marques, etc. Sabe-se que este filão tem contornos vários (desde presenças nas revistas do jet set ou seis nacional, políticos, futebolísticos, bronquismos vários e outros) e parece ser sempre declinado no masculino, diga-se passagem.

    No entanto, e para além de o assunto poder vir a ser do domínio de um qualquer órgão deontológico na Ordem dos Advogados, o que é interessante assinalar é que mais ou menos ilustres arguidos da Operação Marquês sem excepção (Sofia Fava, no caso) jogaram a mão a uma ilustre plêiade de advogados portugueses. Outrossim, que o exemplo parece vir a confirmar que um «mega-julgamento com a presença de ilustres arguidos exigirá técnica e mais técnica e mais técnica numa dialéctica permanente (e “em silêncio”!) tanto com o MP, como com o colectivo de juízes e com as outras defesas» (eu o disse, oportunamente). Ou, dito de outra forma, torna evidente a forma errática da defesa de… José Sócrates.

    O último exemplo, como se viu, passou por uma nocturna (?) conferência de imprensa dos sôtores Delille e Araújo (aparentemente num vão de uma casa de pasto, vi bem?), mais uma vez a propósito da dilatação dos prazos de inquérito permitidos ao MP até ao momento em que será deduzida uma acusação. Desde ontem, para os mais entusiastas e desmiolados “defensores” do ex-PM (entre os quais se inclui a troupe do Aspirina B, obviamente) noto que a posição dos seus advogados mereceu contestação em que tomaram parte livremente outros advogados. Nada de novo, portanto.

    Dito isto, e voltando ao advogado Paulo Cunha e Sá e à sua inusitada presença de hoje no DCIAP, o facto veio separar as águas e meter em cima da mesa três aspectos pelo menos:

    1. Tornou mais denso o universo das defesas, qualificando-o;

    2. Qualificando-o, demonstrou que as estratégias antes e em julgamento serão diversas e ainda bem («O advogado de Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates, afirma que não está preocupado com os prazos da Operação Marquês porque não afectam a validade dos actos praticados no inquérito. Paulo Cunha e Sá falou à saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, em Lisboa, onde Fava foi ouvida hoje.», síntese no site da SIC Notícias);

    3. Sendo diversas as defesas, o facto por si só confirmou a forma errática da defesa de… José Sócrates e, ao mesmo tempo, clarificou-a: como se entrevia, perante a dedução da acusação do MP por corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais, a sua defesa fará dos incontáveis recursos, “incidentes” e pedidos de clarificação o seu leitmotiv adiando o final do processo.

    Nota, explicando-me. Se, no fim da linha, existir ou não uma condenação absoluta, ou mesmo que parcial, o facto será sempre indiferente já que o objectivo final da estratégia de José Sócrates (faça-se-lhe justiça!) sempre casou na perfeição com as reiteradas teses intelectualmente indigentes sobre o “amiguismo” com Carlos Santos Silva e os empréstimos, as tentativas de enfraquecimento de todas as acções do Ministério Público (sublinhado, tudo!) e do contuio com o juiz Carlos Alexandre e a imprensa popular, uma nunca provada e/ou delirante cabala de contornos políticos, ou, ainda, a cada vez mais escaldante vitimização perante um estado de carácter alegadamente Orwelliano.

    Pairando sobre tudo isto, há o aroma inebriante de um poder real ou imaginário. Tudo ou quase tudo estará errado, ver-se-á.

  10. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra R de Rui Rangel, antigo explorador de um filão bastante lucrativo, ou de como se passou a falardo tipo passada rapidamente a idade da inocência)

    Uma Justiça a passeio na marginal
    21 NOVEMBRO 2017 ÀS 16:26 POR VALUPI

    Eric
    21 DE NOVEMBRO DE 2017 ÀS 17:31

    1. «Por exemplo, Vara foi condenado sem provas (!) e com uma pena muito acima do que é comum em casos similares» (?), que caraças.

    2. «Por exemplo, isso de se ter detido e prendido Sócrates por razões que se vieram a revelar infundadas (?!), e se ter mantido preso um inocente (?!) por razões contraditórias (?!) e igualmente infundadas (?!), gerou na comunicação social alguma reflexão sobre a qualidade profissional do juiz Carlos Alexandre?», glup!

    Valupi, ai-ai!

    Olha lá, como os teus exemplos com outros exemplos se pagam, como é que na tua cabecinha alguém pode ser condenado a «uma pena muito acima do que é comum em casos similares» se, segundo a douta-doutrina-Valupiana-que-vive-noutro-mundo, o tipo coitado «foi condenado sem provas»? Estás a ver, tens de repensar o que escreves, de o reescreveres ou, mesmo, de te reabilitares como acontece com os prédios para o alojamento local… né, Valupi?

    Sobre a prisão preventiva diz-me tu quais os fundamentos que não se aplicavam a José Sócrates e se, no lugar do Carlos Alexandre ou de um qualquer outro qualquer juiz à excepção do desembargador Rangeliano de má-nota, alguém faria diferente?

    Enfim, é o que sobra das vossas desgraçadas carradas de areia que tanto serviram para cegar os parvinhos, que hoje são de inspiração Jasminiana o que já é dizer bastante sobre o teu actual estado intelectual e que servem para nada porque, sob anonimato, já se percebeu que a vergonha não mora nas redondezas.

    G’anda tosga, ó Valupi!

    ______

    Ah, já tiveste tempo de ler a acusação do MP? Se calhar, se pedires, se se.

  11. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra O de Opereta, por aí se fez ao tempo jurisprudência sobre o que teria sido afinal a Operação Marquês e se compreendia o papel que estaria reservado a alguns dos protagonistas (estávamos na fase de conseguir responder à importante pergunta da personagem Valupiana: Quem tramou José Sócrates? Nós todos)*

    Uma Justiça a passeio na marginal
    21 NOVEMBRO 2017 ÀS 16:26 POR VALUPI

    […]

    manuel.m
    22 DE NOVEMBRO DE 2017 ÀS 20:08

    Quando os advogados de Sócrates intentaram um pedido de Habeas Corpus com vista a libertação imediata do seu constituinte este foi indeferido.
    A imprensa, solicita, informou a populaça que ” A Justiça Portuguesa não tem a tradição de acolher os pedidos de habeas corpus”.
    Ora, sr.Eric perdoe o atrevimento, mas o Supremo Português não deveria aceitar ou rejeitar o HC pelo mérito ou demérito de cada causa ? Pode um cidadão ficar preso illegal e arbitráriamente só porque os Meretissímos não têm tradição de acolher o HB? Sempre é uma peça basilar das garantias individuais que agora cumpre 800 anos, e que consta em todas as ordens juridicas daqueles que convencionalmente se chamam Estados de Direito. Digo eu de que.

    Eric
    23 DE NOVEMBRO DE 2017 ÀS 16:01

    «Ora, sr.Eric perdoe o atrevimento, mas o Supremo Português não deveria aceitar ou rejeitar o HC pelo mérito ou demérito de cada causa ? Pode um cidadão ficar preso illegal e arbitráriamente só porque os Meretissímos não têm tradição de acolher o HB?», cito.

    manuel.m, sobre o teu habeas corpus que vi ontem mas li agora. De acordo com a primeira parte, mas se quiseres que te diga primeiro apresenta-se a “causa” e as coisas em julgamento passam-se ao contrário. Ou seja, a parte do segundo parágrafo onde dizes «pode um cidadão ficar preso ilegal e arbitrariamente» é que é decidida em função do que é apresentado. Ora, se eu bem me lembro, o pedido ou os pedidos de habeas corpus no caso do ex-PM agora acusado pelos bandidos do MP, tendo sido apresentados por um divertido maduro qualquer, eram fundamentados ocupando as margens (?) de um qualquer recorte de jornal (um outro metia um advogado, ou aprendiz de advogado, prolixo nestas cenas). E assim foram os resultados, esperados: aumentaram as estatísticas do não, o/s tipo/s tiveram de pagar as custas porque o STJ se reuniu de propósito e é preciso pagar a gasolina porque não trabalham à borla e, o que é de maior utilidade para as televisões, apanharam algumas imagens de um então quase desconhecido sôtor João Araújo ostentando impecavelmente uma apreciável quantidade de gel na sua guedelha branca sob uma tez de pinta oriental.

    Nota, doutrinária. Importante seria voltar a esses tempos, de facto. Eu já sugeri por aqui que essa foi a primeira fase (a de Évora, e nem sei se foi toda) em que a opinião pública portuguesa permanecia estupefacta a observar os acontecimentos e em que, laica ou religiosamente, naturalmente exibia a sua compaixão sobre um drama pessoal. Ora, não exactamente o teor da decisão do STJ, apesar do ar compungido do advogado que parecia carregar no seu robusto corpanzil todo o peso da Justiça! com capitular e ponto de exclamação, mas o facto de tudo, afinal, se basear num recorte de jornal deu à coisa uns primeiros sons de opereta que ajudaram um pouquinho os portugueses a deixarem de ser tomados por tontos (e depois de muita água a correr para o mar de continuarem a ser assim tratados, Valupi esta é para ti).

    ______

    Asterisco. Cfr. Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep11, onze!, e no fim faz-se o rol dos cabrões, cabreiros e cabrãozinhos), data da acusação final do Ministério Público, em Grande José Sócrates, 9 e 11.10.2017 (páginas inéditas da sua obra filosófica, em preparação).

  12. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra G de grandiloquência doutros tempos, como poderia ter sido escolhido o mesmo G do encantador Giorgio, o R de Realitty-Choque, o B de “bulling”, SIC, segundo os advogados de José Sócrates, ou o T de tournée evangélica em busca dos militantes perdidos no PS)

    Plúvio, larga o vinho
    21 JANEIRO 2017 ÀS 4:59 POR VALUPI

    Salgado é um arcanjo, Sócrates um anjinho

    Giorgio
    23 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 13:05

    Estava eu na expectativa que à moleirinha do Valupi voltasse a grandiloquência de outros tempos (ai que saudades ai ai!) e que, depois da festa de inauguração da bela obra de Fernando Medina* rumo à vitória em Lisboa como diria o sôtor Cunhal, viesse encontrar aqui no Aspirina B um interpretação “interessante” sobre a infantilização da estratégia de defesa de José Sócrates no Reality Choque que se aproxima. Népia, sobre o tal verdadeiro “bulling” népia. Népia-népia, e mais népia sobre a evolução da investigação do MP que desembocará num mega-julgamento onde estarão notáveis arguidos e outras tantas equipas de advogados de que a última estrela convidada é por estes dias Ricardo Salgado, para além do copy do Expresso que um filantrópico coração postou para vosotros se aquecerem do frio (bem haja!)…

    […]

    Eis um novo ponto da situação, portanto. Conclui-se que, a dois ou três meses de ser deduzida a acusação, até os advogados do ex-PM parecem que vivem hoje na lua. E porquê? Porque se alhearam da realidade, e fizeram-no de propósito? Ou porque habitam no conforto de um mundo de fantasia, e pelo seu cliente José Sócrates foram contagiados? É que até a capacidade de leitura político-mediática do dossier, de que deram mostras anteriormente, parece que esbarrou numa parede como eu e outros maduros previram quando observaram atónitos a performance errónea seguida pela persona José Sócrates depois dos tempos de Évora. E assim é esta a oportunidade de dizer que, não, quase nada se aproveita das teses coevas fundamentais em defesa de José Sócrates que o Valupi esticou até onde pôde, sendo que a última vez que as utilizou o fez ao serviço de e para nada. Teses coevas fundamentais, entenda-se, e não a indigência da tal cena dos “amigos” de que nada se aproveita e que ainda alucina alguns aqui no Aspirina B. A saber as outras, explique-mo-nos pois: um, surge hoje como que deslocada no tempo a pujante tese sobre as consequências imprevisíveis (?) para o PS e para as instituições democráticas portuguesas pelo facto de a comunidade assistir a um ex-PM sentado no banco dos réus; dois, e de igual forma, se esfumou a dinâmica da tournée evangélica em busca dos militantes perdidos que o ex-PM ensaiou em torno do livro-pirata sobre o alegado carisma… o seu! e do assunto nada se sabe, sendo que a leitura óbvia é de que não se trata de um simples fracasso editorial mas de uma espécie de obituário-pirata sobre o próprio. Culpas do próprio na primeira, culpas do próprio na segunda… as razões são simples. E então, perguntar-me-ão, e se a persona política for condenada é ou não expectável que essas consequências imprevisíveis (?) se tornem mais evidentes? Não e não, caríssimos, porque um mega-julgamento por natureza implica que dele serão abertas novas linhas de investigação e, ainda, porque as partes irão de recurso em recurso recorrendo sempre até que a morte nos separe.

    Será um verdadeiro bull[y]ing para adultos, na verdade.

    _____

    Asterisco. As merdas que um gajo escreve por aí e que, assim cruamente, até ficam mal. A tal obra são os largos passeios da Avenida da República (que rapidamente deram azo aos aceleras das bicicletes e à praga das trotinetes, sendo a CM do PS e a Polícia Municipal completamente incompetentes para lidarem com o assunto até hoje…) e, outrossim, este comentário foi imediatamente anterior à descoberta da compra, pela surra!, do duplex para a família do Fernando Medina subir na vida… E que lhe custou a maioria absoluta, aliás. Importantíssimo mesmo importante: e foi nesse momento em que o tipo perdeu um amigo, digamos assim.

  13. UI!

    15.10.20

    Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra G de grandiloquência doutros tempos, como poderia ter sido escolhido o mesmo G do encantador Giorgio, o R de Realitty-Choque, o B de “bulling”, SIC, segundo os advogados de José Sócrates, ou o T de tournée evangélica em busca dos militantes perdidos no PS)

    Plúvio, larga o vinho
    21 JANEIRO 2017 ÀS 4:59 POR VALUPI

    Salgado é um arcanjo, Sócrates um anjinho

    Giorgio
    23 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 13:05

    Estava eu na expectativa que à moleirinha do Valupi voltasse a grandiloquência de outros tempos (ai que saudades ai ai!) e que, depois da festa de inauguração da bela obra de Fernando Medina* rumo à vitória em Lisboa como diria o sôtor Cunhal, viesse encontrar aqui no Aspirina B um interpretação “interessante” sobre a infantilização da estratégia de defesa de José Sócrates no Reality Choque que se aproxima. Népia, sobre o tal verdadeiro “bulling” népia. Népia-népia, e mais népia sobre a evolução da investigação do MP que desembocará num mega-julgamento onde estarão notáveis arguidos e outras tantas equipas de advogados de que a última estrela convidada é por estes dias Ricardo Salgado, para além do copy do Expresso que um filantrópico coração postou para vosotros se aquecerem do frio (bem haja!)…

    […]

    Eis um novo ponto da situação, portanto. Conclui-se que, a dois ou três meses de ser deduzida a acusação, até os advogados do ex-PM parecem que vivem hoje na lua. E porquê? Porque se alhearam da realidade, e fizeram-no de propósito? Ou porque habitam no conforto de um mundo de fantasia, e pelo seu cliente José Sócrates foram contagiados? É que até a capacidade de leitura político-mediática do dossier, de que deram mostras anteriormente, parece que esbarrou numa parede como eu e outros maduros previram quando observaram atónitos a performance errónea seguida pela persona José Sócrates depois dos tempos de Évora. E assim é esta a oportunidade de dizer que, não, quase nada se aproveita das teses coevas fundamentais em defesa de José Sócrates que o Valupi esticou até onde pôde, sendo que a última vez que as utilizou o fez ao serviço de e para nada. Teses coevas fundamentais, entenda-se, e não a indigência da tal cena dos “amigos” de que nada se aproveita e que ainda alucina alguns aqui no Aspirina B. A saber as outras, explique-mo-nos pois: um, surge hoje como que deslocada no tempo a pujante tese sobre as consequências imprevisíveis (?) para o PS e para as instituições democráticas portuguesas pelo facto de a comunidade assistir a um ex-PM sentado no banco dos réus; dois, e de igual forma, se esfumou a dinâmica da tournée evangélica em busca dos militantes perdidos que o ex-PM ensaiou em torno do livro-pirata sobre o alegado carisma… o seu! e do assunto nada se sabe, sendo que a leitura óbvia é de que não se trata de um simples fracasso editorial mas de uma espécie de obituário-pirata sobre o próprio. Culpas do próprio na primeira, culpas do próprio na segunda… as razões são simples. E então, perguntar-me-ão, e se a persona política for condenada é ou não expectável que essas consequências imprevisíveis (?) se tornem mais evidentes? Não e não, caríssimos, porque um mega-julgamento por natureza implica que dele serão abertas novas linhas de investigação e, ainda, porque as partes irão de recurso em recurso recorrendo sempre até que a morte nos separe.

    Será um verdadeiro bull[y]ing para adultos, na verdade.

    _____

    Asterisco. As merdas que um gajo escreve por aí e que, assim cruamente, até ficam mal. A tal obra são os largos passeios da Avenida da República (que rapidamente deram azo aos aceleras das bicicletes e à praga das trotinetes, sendo a CM do PS e a Polícia Municipal completamente incompetentes para lidarem com o assunto até hoje…) e, outrossim, este comentário foi imediatamente anterior à descoberta da compra, pela surra!, do duplex para a família do Fernando Medina subir na vida… E que lhe custou a maioria absoluta, aliás. Importantíssimo mesmo importante: e foi nesse momento em que o tipo perdeu um amigo, digamos assim

  14. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra E de um belo dia José Sócrates ver-se ao espelho e obter uma imagem claramente distorcida, ou por onde andaste tu menino e o qu’andaste a fazer?) | hors-texte

    domingo, outubro 18, 2015

    Direitos Humanos

    O respeito pelos Direitos Humanos é um dos critérios fundamentais para averiguar se determinado país é, verdadeiramente, um Estado de direito.

    Mas a defesa dos Direitos Humanos não pode ser uma actividade intermitente ou ao sabor das conveniências, conforme ficou bem claro na polémica recente sobre a nomeação da Arábia Saudita para o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Como pode um dos campeões da violação desses mesmos direitos estar agora no órgão que é suposto zelar pelo seu cumprimento?

    Em Portugal, ganham corpo as movimentações de apoio ao cidadão luso-angolano Luaty Beirão, em greve de fome na sequência de uma acusação absurda de tentativa de golpe de Estado.

    Os portugueses colocam-se, assim, uma vez mais, na primeira linha da defesa dos Direitos Humanos. Agora em Angola, como noutras alturas na China ou no Médio Oriente.

    Convém, porém, lembrar que, em Portugal, Direitos Humanos básicos continuam a ser violados quotidianamente, num ambiente de lamentável apatia cívica. É o caso, por exemplo, da crescente pobreza infantil. Ou da detenção de cidadãos, durante meses e meses, sem que contra eles seja formulada qualquer acusação.

    A indiferença com que uma sociedade lida com o desrespeito dos Direitos Humanos no seu seio fragiliza enormemente qualquer protesto que essa mesma sociedade possa fazer acerca da violação dos Direitos Humanos noutros países. Convém não esquecer.

    ⇒ Miguel Abrantes

    RFC disse…

    Miguel, o José Sócrates ou os seus advogados ou o seu assessor de imprensa bem poderia/m fazer chegar uma mensagem de solidariedade aos familiares e amigos do Luaty Beirão e/ou dos outros detidos. Em nome de quê? Em resposta ao inusitado MNE angolano primeiro, demarcando-se claramente de Rui Machete, Martins da Cruz e do seu ex-ministro Luís Amado que agora anda a manjar no Banif com guita do Obiang, etc. O CC daria conta desse facto de homem livre, decerto.

    segunda out. 19, 01:30:00 da tarde

  15. 15.10.20, ontem.

    Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra G de grandiloquência doutros tempos, como poderia ter sido escolhido o mesmo G do encantador Giorgio, o R de Realitty-Choque, o B de “bulling”, SIC, segundo os advogados de José Sócrates, ou o T de tournée evangélica em busca dos militantes perdidos no PS)

    Plúvio, larga o vinho
    21 JANEIRO 2017 ÀS 4:59 POR VALUPI

    Salgado é um arcanjo, Sócrates um anjinho

    Giorgio
    23 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 13:05

    Estava eu na expectativa que à moleirinha do Valupi voltasse a grandiloquência de outros tempos (ai que saudades ai ai!) e que, depois da festa de inauguração da bela obra de Fernando Medina* rumo à vitória em Lisboa como diria o sôtor Cunhal, viesse encontrar aqui no Aspirina B um interpretação “interessante” sobre a infantilização da estratégia de defesa de José Sócrates no Reality Choque que se aproxima. Népia, sobre o tal verdadeiro “bulling” népia. Népia-népia, e mais népia sobre a evolução da investigação do MP que desembocará num mega-julgamento onde estarão notáveis arguidos e outras tantas equipas de advogados de que a última estrela convidada é por estes dias Ricardo Salgado, para além do copy do Expresso que um filantrópico coração postou para vosotros se aquecerem do frio (bem haja!)…

    […]

    Eis um novo ponto da situação, portanto. Conclui-se que, a dois ou três meses de ser deduzida a acusação, até os advogados do ex-PM parecem que vivem hoje na lua. E porquê? Porque se alhearam da realidade, e fizeram-no de propósito? Ou porque habitam no conforto de um mundo de fantasia, e pelo seu cliente José Sócrates foram contagiados? É que até a capacidade de leitura político-mediática do dossier, de que deram mostras anteriormente, parece que esbarrou numa parede como eu e outros maduros previram quando observaram atónitos a performance errónea seguida pela persona José Sócrates depois dos tempos de Évora. E assim é esta a oportunidade de dizer que, não, quase nada se aproveita das teses coevas fundamentais em defesa de José Sócrates que o Valupi esticou até onde pôde, sendo que a última vez que as utilizou o fez ao serviço de e para nada. Teses coevas fundamentais, entenda-se, e não a indigência da tal cena dos “amigos” de que nada se aproveita e que ainda alucina alguns aqui no Aspirina B. A saber as outras, explique-mo-nos pois: um, surge hoje como que deslocada no tempo a pujante tese sobre as consequências imprevisíveis (?) para o PS e para as instituições democráticas portuguesas pelo facto de a comunidade assistir a um ex-PM sentado no banco dos réus; dois, e de igual forma, se esfumou a dinâmica da tournée evangélica em busca dos militantes perdidos que o ex-PM ensaiou em torno do livro-pirata sobre o alegado carisma… o seu! e do assunto nada se sabe, sendo que a leitura óbvia é de que não se trata de um simples fracasso editorial mas de uma espécie de obituário-pirata sobre o próprio. Culpas do próprio na primeira, culpas do próprio na segunda… as razões são simples. E então, perguntar-me-ão, e se a persona política for condenada é ou não expectável que essas consequências imprevisíveis (?) se tornem mais evidentes? Não e não, caríssimos, porque um mega-julgamento por natureza implica que dele serão abertas novas linhas de investigação e, ainda, porque as partes irão de recurso em recurso recorrendo sempre até que a morte nos separe.

    Será um verdadeiro bull[y]ing para adultos, na verdade.

    _____

    Asterisco. As merdas que um gajo escreve por aí e que, assim cruamente, até ficam mal. A tal obra são os largos passeios da Avenida da República (que rapidamente deram azo aos aceleras das bicicletes e à praga das trotinetes, sendo a CM do PS e a Polícia Municipal completamente incompetentes para lidarem com o assunto até hoje…) e, outrossim, este comentário foi imediatamente anterior à descoberta da compra, pela surra!, do duplex para a família do Fernando Medina subir na vida… E que lhe custou a maioria absoluta, aliás. Importantíssimo mesmo importante: e foi nesse momento em que o tipo perdeu um amigo, digamos assim.

  16. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra Z de Zé Neves) | hors-texte

    Rui Rio: um bom adjunto para Costa
    (Joaquim Vassalo Abreu, 16/09/2019)

    I

    Maria diz:
    Setembro 18, 2019 às 9:52 am

    Joaquim Vassalo
    Com algumas discordâncias aqui e ali mas no todo gostei da sua análise. Sim, é notório que Rui Rio até poderia ser ou, lá no fundo até desejaria ser um bom adjunto de Costa. Mas como diz, não é mostrando-se concordante com Costa em pontos que abertamente uns, timidamente outros lhe reconhecem, que conquista os que no seu próprio partido se lhe opõem. Pelo contrário, mais os afasta.
    Vários comentadores atribuem um empate ao debate e até terão as suas razões. Ambos tiveram momentos de bom e mau desempenho. Porém eu daria vantagem a Costa, pela firmeza dos temas debatidos, pelo trabalho apresentado. A Rui faltou-lhe a solidez dos números que propõe. Por exemplo onde vai ele cortar, para que possa cumprir o choque fiscal que promete.
    No ecencial estou de acordo consigo, “o debate foi decisivo?’… Em meu entender, NÂO? a ver vamos depois de abertas as urnas de votos.

    RFC diz:
    Setembro 18, 2019 às 1:25 pm

    … ecencial, hum, eSSencial.

    #escolinha free.

    Maria diz:
    Setembro 18, 2019 às 1:57 pm

    estatuadesal

    A Página foi-me sugerida por um amigo. Entrei, gostei e segui.
    Leio com frequência e com interesse muitos dos artigos que aqui se publicam. Identificando-me com uns, nem tanto com outros e ainda com alguns discordando em absoluto. Mas é na diversidade de opiniões que está a riqueza e o encanto do debate. Um espaço plural é sem dúvida a orientação correcta e saudável de uma Página aberta ao público.
    Mas dizia eu, que na diversidade de opiniões está a riqueza do debate… e é essa mesma diversidade que neste espaço, vem sendo cada vez mais deminuta.
    Não, não é culpa do seu administrador, que tem por dever dar a todos o direito de opinar… mas a verdade é que há quem se tenha apoderado da Página e seja mais “dono’ que o proprio dono.
    Obviamente refiro a RFC.
    Eu sei que a falta de paciência para com os que se julgam donos da verdade e do saber, é um defeito meu… mas assumo-o. Falta-me a paciência, saber de antemão que qualquer sentido de humor que se expresse, qualquer opinião que se exponha ou o que quer que seja que se diga, se não vai ao encontro do pensamento dos tais “donos da verdade e do saber” contará que na certa vai ser ridicularizado, terá uma resposta sarcástica, acusatória da “falta de inteligência” da “ignorância” das “tendenciosas opiniões” das “palas” nos olhos, como se de bestas se tratassem todos os que pensam diferente. Umas vezes de forma aberta outras de forma subtil, é o insulto, é o achincalhamento do outro.
    Não, isto não é debate, é picardia própria de gente que não conhece os limites do razoável, que nunca aprendeu o respeito pelas regras da boa convivência.
    Pode até ter a pretensão de querer marcar um certo estilo de escrita, mas um estilo de mau gosto, onde por vezes se vislumbra a tentativa falhada de lhe imprimir um certo humor, com relambórios de domínio completo da página, carregados de “copy paste”, remetendo para outros links que, se se abrissem todos, não nos sobraria tempo nem para um café.

    Peço desculpa pela minha frontalidade, mas está-me o sangue: Nunca calar o que sinto. E que eu saiba ainda não voltou a ser proibido o direito ao pensamento.

    RFC diz:
    Setembro 18, 2019 às 3:15 pm

    … ecencial, hum, eSSencial.

    #escolinha free.

    Nota. Tenha calma, Maria! E, entretanto, agradeça humildemente ao Senhor pois essencial escreve-se assim.

  17. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra Z de Zé Neves) | hors-texte

    Rui Rio: um bom adjunto para Costa
    (Joaquim Vassalo Abreu, 16/09/2019)

    II

    Maria diz:
    Setembro 18, 2019 às 4:50 pm

    Estatuadesal
    Peço-lhe o favor de corrigir o meu erro, no penúltimo parágrafo do comentário que fiz a Joaquim Vassalo: “essencial” em vez de ecencial, que o corrector rfc detectou e ao qual agradeço o reparo.
    Desde já lhe fico grata pela correcção

    estatuadesal diz:
    Setembro 19, 2019 às 4:46 pm

    já está… 🙂

    Maria diz:
    Setembro 19, 2019 às 6:37 pm

    Obrigada

    Zé Neves diz:
    Setembro 18, 2019 às 7:17 pm

    Cara Maria, premita-me:
    olhe, EÇA AGORA!, não dê óvidos a tal jente…
    O málvado RFC quér engânar agente: escreve-se ecencial, sim senhôr é com quê.
    Á um livro de um tal Carlos Reis, que não sei quem é mas déve ser um dôtor estudeoso, que lhe tira as penêiras todas. Olhe sóo:

    O Ecencial Sobre Eça de Queirós
    de Carlos Reis
    edição: INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda, maio de 2005

    https://img.wook.pt/images/o-essencial-sobre-eca-de-queiros-carlos-reis/MXw2ODYxNHw5ODY4MXwxNTExOTEzNjAwMDAw/350x

    Um Admirador de V. Ex.ª, Col.ª e Am.º de Sempre.

    Maria diz:
    Setembro 18, 2019 às 7:57 pm

    Zé Neves
    Gostei da brincadeira!… Obrigada por me fazer rir!… e olhe que rir acalma os nervos e cura a raiva… 😃
    Eu sei que se escreve “essencial”. Mas verifico que a página, depois de carregar no botão “publicar” não dá a opção de editar, corrigir ou eliminar. A alternativa é pedir ao administrador que corrija ou publicar uma errata. Não o fiz, fui “pescada” 😃😃😃

    Zé Neves diz:
    Setembro 19, 2019 às 5:14 pm

    Maria, Minha Cára:
    ainda bem que se ri comigo!!
    E olhe que não está só,
    êu sou melhôr que o Ricardo fedorento…

    Maria diz:
    Setembro 20, 2019 às 12:50 pm

    Caro José Peralta*

    Admiro a sua capacidade de resistência sobre as garotices, idiotices e as absurdas faltas de respeito que dominam a página e agradeço as palavras que de certa forma me deram alento. Foi pelas suas palavras que pus de parte a decisão de abandonar a página. Mas confesso: não tenho a sua força, não tenho a pachorra que baste para entrar neste tipo de picardias, não fui educada para este tipo de relações que de humanas nada têm, onde vale tudo para ridicularizar, enxovalhar e ferir a dignidade do outro. Atingiu-se o cúmulo da selvajaria em que alguém comenta o que lhe dá na real gana e assina por outro…

    Estátua me desculpe, mas a sua página está transformada num antro de gente sem escrúpulos, e nestes espaços nunca me revi.
    Definitivamente, abandono a página. Não sou mais que ninguém, não estou acima de ninguém, mas há ambientes em que jamais participarei.
    Boa sorte!…

    José Sócrates diz:
    Setembro 21, 2019 às 5:00 pm

    Faz você muito bem, Maria.

    Devo dizer que estamos num pranto, veja lá que aqui na Ericeira até está a chover.
    Tente o meu amigo Valupi, sugiro, parece que ele sofre, imerecidamente, com a falta de visualizações no Aspirina B.
    Vai encontrar os nossos amigos daqui, mas sob outros disfarces por causa das suspeitas dos malvados do Ministério Público.

    http://www.aspirinab.com

    _______

    Asterisco. Seguramente devido a lapso, involuntário, a epístola da autora deveria ter sido endereçada ao famoso moço de fretes José do Remanso Pernalta, amigo do não menos famoso colega José Preto, personagens com um mérito singular na vida política portuguesa e que surgiram, num súbito caleidoscópio madrugador, quando o Grande José Sócrates prometia que o título de campeão da época 2019-2020 seria alcançado pela Belenenches SAD do seu amigo e coveiro Rui Pedro Soares. Cfr. Telegrama, Julho 26, 2020 às 5:24 pm, online.

  18. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra H de Vou xim, mas vou já!, ou o hi-fi do juiz Carlos Alexandre)

    Então não é que o Sócrates mandou o juiz dar uma entrevista?
    15 SETEMBRO 2016 ÀS 10:22 POR PENÉLOPE

    […]

    Jasmin
    15 DE SETEMBRO DE 2016 ÀS 19:28

    Ó Eric

    Ganda nabo me saíste tu, que julgas que se semeiam nabos, pá !
    O ar na garagem onde o MP guarda os processos está a ficar abafado e a falta de oxigénio está a atrofiar-te o cérebro. Se calhar é melhor levares os processos para estudares em casa como faz o teu amigo juiz de instrução. Se calhar isso é permitido por lei …
    E depois há fugas de informação …

    Eric
    16 DE SETEMBRO DE 2016 ÀS 12:18

    Ó Jasmim, olha aqui uma adaptação especialmente para ti do poeta Alexandre de Araújo Madeira, um outro poeta humanista com sotaque de Mação, em 16/09/16.

    Vou xim, mas vou já!
    Que nunca me cansarei de pescar
    Nos ribeiros as belas trutas
    Mas tenho de chegar deprexa a caza
    E ouvir no meu hi-fi
    aquelas belas escutas.

    Gostas, Jasmim?

    Jasmin
    16 DE SETEMBRO DE 2016 ÀS 17:07

    Ó Eric

    Vai cantando, vai, que os teus amigos vão precisar que lhes cantes uma balada quando forem a caminho da terra fria …

    😐

  19. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra S de Salomé, a propósito do quadro a óleo de Julio Pomar “comprado” por Carlos Santos Silva através da tal conta do BES: ou como um senhor dado a trapalhadas chamado Ivo Rosa fazia funcionar as papilas salivares da sôtora Virgínia da Silva Veiga que, coitada, andava a vender umas bimbalhadas de lata urdidas na net pela conceituada firma de Valupi, Tangas & C.ª, Limitada)

    Trocando em miúdos
    (Virgínia da Silva Veiga, 05/12/2018)

    A comunicação social anda muito atenta ao Meritíssimo Senhor Juiz Ivo Rosa. O Facebook não perde uma para o denegrir ou aplaudir, conforme o episódio em causa, mesmo quando o próprio se limita a fazer o que a lei lhe impõe.

    Sendo verdadeiro o que veio a lume, o Ministério Público terá em tempos feito uma busca à residência de José Sócrates e levou de lá os quadros que então tinha a decorar o tal apartamento que hoje é pertença de um estrangeiro. Tudo pela costumada argumentação de que “suspeitava” poderem os mesmos ter sido adquiridos por Carlos Santos Silva.

    Volvidos os tempos, lembrou a Rosário Teixeira que as instalações do MP não têm condições para os armazenar e decidiu solicitar o que de origem podia ter feito: devolver ao proprietário, obviamente José Sócrates, nomeando-o fiel depositário, se fosse caso disso. Sucede, porém, tal necessitar do aval do Juiz de Instrução, o tal Meritíssimo.

    Ouvido o dono, como é de lei, veio este dizer – consta na comunicação social – que não tinha que ser nomeado depositário, e solicitando sim, a devolução pura e simples. Afinal, os quadros não tinham sido arrestados, haviam sido apreendidos, pensamos nós para tentar adivinhar, como um qualquer papel, como elementos de prova.

    Ora, posto isto, e posto que o arguido se recusou a ser nomeado depositário do que não estava apreendido em razão dos autos, solicitando que lhos dessem, ponto final, Ivo Rosa terá de novo ouvido Rosário Teixeira que se terá oposto à devolução a não ser – e continuo a seguir a a comunicação social – a não ser, disse, que o arguido apresentasse prova documental da respectiva aquisição.

    Nunca tal se tinha visto! O MP apreende objectos encontrados na casa de um arguido, que nada tem a ver com o processo, e depois vem dizer que só os devolve se o próprio provar documentalmente que é dono dos mesmos.

    É interessante, sobretudo porque os quadros, obtidos segundo Sócrates, desde 1990 ou coisa parecida, por doação, herança, compra, troca ou fosse lá o que fosse, não costumam ter rasto documental. Que queria o MP, que o homem invocasse a usucapião? Muito interessante. Sobretudo, veio o episódio a mostrar, que a questão dos quadros deixou de ser matéria de acusação e, logo, de servirem de prova de coisa nenhuma. Excepto o tal de Pomar.

    E foi aí que Ivo Rosa, como já começa a ser imagem de marca, não esteve com mais aquelas: os quadros foram devolvidos ao seu dono sem mais, já que o MP não os qualificou como objecto de crime nenhum. Assunto arrumado. Quanto ao tal de Pomar, como é mencionado na acusação, podendo constituir elemento de prova e posto que o arguido se recusava a ser depositário, pimba, ficou apreendido. Rosa ainda fez mais: porque o arguido aproveitara para pedir a devolução de um disco duro e mais não sei o quê, que o juiz entendeu poder ainda ser matéria probatória, recusou a devolução.

    Moral do episódio? Não foi Ivo Rosa quem mandou devolver, sem mais, os quadros. Foi o MP que solicitou a devolução e que, não tendo estes correlação com o processo, foram para onde nunca deviam ter saído. Para os que ficaram muito felizes porque Rosa estaria a dar um cheirinho de tendência pró-Sócrates, como se vê, também é melhor que se desenganem. É isto e é melhor que se deixe de atacar juízes que trabalham a sério.

    […]

    RFC diz:
    Dezembro 6, 2018 às 1:47 pm

    Adenda, em tempo.

    Ah, e sobre o post, que li na diagonal, acho que a sôtora Virgínia, No País das Maravilhas, tem mesmo de reler a acusação dos bandidos do MP. Isto, é claro!, se se quiser distinguir das cenas tortuosas postadas pela firma Valupi, Tangas & C.ª, Limitada (e deverá fazê-lo até porque por aqui se assina com o seu nome, um conselho de amigo). Ou seja, primeiro apresentam-se os factos, concordando ou discordando é indiferente, e depois argumenta-se bem ou mal… Assim, isto, é uma bimbalhada parece-me.

    4.5. AQUISIÇÃO DE OBRAS DE ARTE, dica, é um capítulo que começa no ponto 9806 e vai até ao ponto 9841 (se quiser voltar à Salomé é reler os pontos 9829 e seguintes).

    […]

    «É interessante, sobretudo porque os quadros, obtidos segundo Sócrates, desde 1990 ou coisa parecida, por doação, herança, compra, troca ou fosse lá o que fosse, não costumam ter rasto documental. Que queria o MP, que o homem invocasse a usucapião? Muito interessante. Sobretudo, veio o episódio a mostrar, que a questão dos quadros deixou de ser matéria de acusação e, logo, de servirem de prova de coisa nenhuma. Excepto o tal de Pomar.

    E foi aí que Ivo Rosa, como já começa a ser imagem de marca, não esteve com mais aquelas: os quadros foram devolvidos ao seu dono sem mais, já que o MP não os qualificou como objecto de crime nenhum. Assunto arrumado. Quanto ao tal de Pomar, como é mencionado na acusação, podendo constituir elemento de prova e posto que o arguido se recusava a ser depositário, pimba, ficou apreendido. Rosa ainda fez mais: porque o arguido aproveitara para pedir a devolução de um disco duro e mais não sei o quê, que o juiz entendeu poder ainda ser matéria probatória, recusou a devolução.», cito.

    Nota. Escrever isto deve ser classificado como um chorrilho de disparates que até é penoso de ler, ó sôtora!, pois se há algo que deixa rasto documental nas nossas vidas são as propriedades e as obras de arte… até por motivos do simples preenchimento das declarações de impostos, avaliação para apólices de seguro, &etc.!

  20. Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra T de A Menina dos Telefones, hashtag #ameninadostelefones)*

    I

    Que havemos de fazer? Que venha 2019
    (Por Estátua de Sal, 31/12/2018)

    […]

    Podem contar com a presença da Estátua de Sal, em 2019. E ela vai continuar a contar com a ajuda de vocês, para se manter de voz erguida, diariamente atenta, acutilante e viva.

    Que as desgraças anunciadas por muitos sejam só uma quimera de mentes negras, são os meus votos. Entrem todos em 2019 com alegria e confiança. Ergam a taça à vida e acreditem que só seremos derrotados quando desistirmos de lutar por um mundo melhor.

    Bom ano de 2019 para todos vocês!

    Virgínia da Silva Veiga diz:
    Dezembro 31, 2018 às 7:31 pm

    Obrigada à Estátua de Sal. É simpático ter um local onde se concentram opiniões divergentes e interessantes.

    RFC diz:
    Janeiro 1, 2019 às 1:05 pm

    Ontem, ao telefone.

    VSV – É simpático ter um local onde se concentram opiniões divergentes e interessantes.
    MG – De nada, a simpatia é toda sua (e do Dieter, Vassalo e José Neves, uns amores!).
    VSV – Em 2019 é que vai ser… Duarte Lima, Vara.
    MG – ?
    VSV – E, pelas minhas contas, o Zé vai ser lá para 2025. Uns incompetentes, estes tipos!
    MG – Ahhhhhh, adeus, saúde e-e-e-e…

    [Socorroooooooooooo!]

    estatuadesal diz:
    Janeiro 1, 2019 às 5:10 pm

    RFC, a fantasia tem limites a partir dos quais perde toda a piada. Segundo cartão amarelo. E não digo mais nada.

    RFC diz:
    Janeiro 1, 2019 às 5:58 pm

    «RFC, a fantasia tem limites a partir dos quais perde toda a piada», hum?!

    Nota. Dói-te o quê desta vez exactamente? Solzinho em Dezembro, Solzinho em Janeiro o que queres mais? Como diria o outro, e olha que eu me preocupo com a tua saúde!, tens mesmo de descontrair que 2019 é o começo de uma vida nova e não deves começar o ano stressado. A não ser que apresentes ponderosos argumentos, é claro.

    https://2.bp.blogspot.com/-mLADgrz8bGE/UmanLFzcNvI/AAAAAAAAQp0/-W2xMcK15Zc/s640/Focus+15+9+2004.jpg

    Fonte: Focus, 15.9.2004, o artigo integral está no blogue Porta da Loja em https://portadaloja.blogspot.com .

    _______

    Asterisco. Cfr. Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra L de Legenda, Valupi, Lili e as fofocas da Dondoca d’Um Jeito Manso), legenda de 21.1.2019 (actualização).

  21. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra T de A Menina dos Telefones, hashtag #ameninadostelefones) | Hors-Text

    II

    Que havemos de fazer? Que venha 2019
    (Por Estátua de Sal, 31/12/2018)

    […]

    Virgínia da Silva Veiga diz:
    Janeiro 1, 2019 às 11:09 pm

    Bem, eu não tenho por hábito comentar comentários. Mas vir aqui inventar conversas de pessoas que nem sequer têm o telefone umas das outras passa os limites da salutar convivência humana. Do comentador anónimo já li de tudo o que há de inventivo e deselegante. Dar aos outros a impressão de que me conhece e de que eu tenho o telefone de alguém da Estátua de Sal, ficcionando uma conversa, não é invenção, é desonestidade. Se o vazio feio dos comentários acoitados em perfil anónimo já eram pouco louváveis, isto raia a total falta de decoro.

    estatuadesal diz:
    Janeiro 1, 2019 às 11:26 pm

    Concordo plenamente, já admoestei o irrequieto, RFC… 🙂

    RFC diz:
    Janeiro 2, 2019 às 5:48 pm

    Virgínia, tenha dó.

    Li-a pela manhãzinha e tenho sorrido, aliás, se somar tudo o que aconteceu, atingi, há bocado, não o nirvana mas o patamar do bastante, e lamento que não tenha tempo para lhe responder com mais jeito do que isto.

    1. Tal como faz com o seu ex-PS [José Sócrates] para si própria, no fundamental, utiliza exactamente a mesma estratégia que é a da vitimização contra quem lhe aparece à frente. Uma verdadeira #socratete, acho qu’é isto.

    2. Dito isto, é vítima de quê (tem exemplos) a propósito? Do «chorrilho de disparates» que utilizou aqui há tempos n’A Estátua de Sal sobre o quadro do Júlio Pomar apreendido pelo MP olvidando todos os outros que fazem parte da acusação do MP quando, na sua nova vida, noções como Antigo Regime ou Estado Moderno ou sei lá o quê, pó dos arquivos, Braudel e todos os outros, deveriam estar presentes? Ah, e quê, coitada da senhora qu’isto não é desonestidade intelectual e política (há aqui uma diferença!), tens de compreender, menino, faltam-lhe as bases para abraçar, um pouquinho só que seja, esta vida nova e talvez, assim como assim, consiga perceber finalmente a importância do rasto documental deixado pela compra, transmissão e posse de propriedades várias nomeadamente das obras de arte (ou do nosso património, como hoje se diz)… É nabice, não se trata de desonestidade política, desculpa-se e eu segui o baile acredite. Mas, pergunto, nunca leu nada sobre isto, nunca ouviu uma ou duas conferências de HMC, um seminário?, em que estes e outros assuntos são obrigatoriamente debatidos?*

    3. Desonestidade, senhora donzela atrevida, tal como já lembrei ao Dieter a propósito da alegadamente corrupta Joana Marques Vidal, num divertido comentário em que entrava o Silva Santos Carlos, o Gordo, perdão o Magro, uma caixa de robalos, perdão, umas latinhas de atum Tenório para a cave dos mormons é coisa que, vosotros/as, não devem usar sobre os outros. E é simples de perceber o porquê, acho, basta lembrarem-se do vosso cadastro político.

    [Tlim, e vivó velho!]

    _____

    Asterisco. A licenciada Virgínia Celeste das Neves Rodrigues da Silva Veiga fez um mestrado em História Medieval e do Renascimento, na FLUP, tendo voltado à RDP como especialista em antena durante o/s governo/s de José Sócrates. Não aprofundo o assunto que pode, ou deve, ser suculento.

  22. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra N de É dos nervos, ou o quanto Karl Marx estava errado)*

    Pacheco Pereira a caminho de Damasco
    23 Março 2017 às 16:43 por Valupi

    Paulo Pedroso elogiou o Pacheco por causa do texto Impedir abusos, defender direitos, liberdades e garantias é connosco e não com Sócrates, onde, para além da referência ao processo Casa Pia, encontrou uma denúncia dos abusos do Ministério Público sobre Sócrates e demais arguidos na “Operação Marquês”. Abusos que está em condições de compreender por experiência própria. Pedroso viu a sua carreira política, altamente promissora, ficar destruída precisamente por ter sido vítima de uma Justiça onde se praticam recorrentes, sistemáticas e capitosas injustiças.

    Ora, o texto do Pacheco nasceu da intervenção de Nuno Nabais no Expresso da Meia Noite no passado dia 17. Esse episódio de indignação foi uma pedrada no charco no marasmo e atrofio cívico dos espectadores que ainda não perderam o respeito por si próprios. Porque Nabais estava rodeado de 5 jornalistas, uma delas armada em advogada para o deboche ser maior, que, por actos e omissões (sim, Nicolau, esta é para ti apesar do tudo que não és), estavam a validar o comportamento criminoso do Ministério Público nas investigações acerca da suspeitada corrupção de Sócrates. E Nabais disse-lhes na cara que a sua cumplicidade com o escândalo em que o processo se transformou desde o seu primeiro momento público (e poderíamos inclusive situar o escândalo muito antes) só se explicava pela obsessão com Sócrates. Uma desvairada obsessão que permite a jornalistas da suposta “imprensa de referência” usarem a sua carteira profissional para mostrarem que sabem mais sobre um dado processo judicial do que os próprios arguidos e sua defesa. Uma obsessão feita de ódio, mas também de sectarismo e dependências várias a vários poderes fácticos, que se celebra a si própria num frenesim de ilegalidades inerentes a um linchamento em curso.

    Este diálogo, ao minuto 33, sintetiza a “operação Sócrates” que parte da “imprensa” está a fazer:

    Inês Serra Lopes – O importante é que exista uma acusação!

    Nuno Nabais – Mas porque é que tem que haver uma acusação?… Pode haver um despacho de arquivamento.

    […]

    aeiou
    23 de Março de 2017 às 16:54

    Nuno Nabais é o irmão, Valupi.
    O sôtor chama-se João.

    [Não precisas de.]

    Frequentas a Fábrica de Braço de Prata, é?
    Ou passas os tempos livres na FLUL?
    Chavalo, um ex-aluno, …?

    aeiou
    23 de Março de 2017 às 16:58

    Vá, corrige lá isso senão esta semana não ganhas um extra para os copos.

    Valupi
    23 de Março de 2017 às 16:59

    aeiou, thanks.

    aeiou
    23 de Março de 2017 às 17:01

    Muito bem, agora em baixo (é dos nervos, entendo-te).

    Nuno Nabais – Mas porque é que tem que haver uma acusação?… Pode haver um despacho de arquivamento.

    Valupi
    23 de Março de 2017 às 17:02

    aeiou, tens de enviar a tua candidatura para revisor aqui do pardieiro. Thanks.

    aeiou
    23 de Março de 2017 às 17:13

    Canta, canta que isto está bonito p’ró José Sócrates.

    _____

    Eu ainda ontem vi o grunho do Hugo Soares, do PSD, a fazer um figurão perante o Armando Vara a debitar umas tangas sobre a CGD e sobre os desgraçados do MP que tanto preocupam hoje as traquinices do Miguel Romão, e até deu pena. Deixo-te um extracto do Expresso online, chega.

    […]

    Hugo Soares, deputado do PSD, insistiu no tema e perguntou a Vara se tinha falado com o antigo primeiro-ministro sobre o banco público enquanto lá trabalhou.

    “Não me lembro de ter falado com o engenheiro Sócrates sobre a CGD, por muito estranho que pareça. Se tivesse falado lembrar-me-ia”, disse o antigo administrador do banco estatal.

    Hugo Soares enfatizou: “Não falou ou não se lembra”, com Vara a insistir que não se lembra.

    “Não se lembra, mas não nega que tenha falado”, anotou o deputado social-democrata.

    Hugo Soares continuou a insistir, questionando: “Lembra-se que há uma dezena de anos almoçou com o Dr. Campos e Cunha no CCB, mas não se lembra de ter falado sobre a CGD com o engenheiro Sócrates. Ninguém acredita que o senhor não se lembra se falou com o engenheiro Sócrates sobre a CGD”.

    Alves Reis
    23 de Março de 2017 às 17:29

    Oh, Vogal,

    Então não achas normal recordares melhor o que falaste com quem viste duas ou tres vezes na vida do que aquilo que falaste com quem conversas quase todos os dias ?

    Se não achas normal, és ainda mais idiota que o Hugo Soares.

    jpferra
    23 de Março de 2017 às 17:32

    Alves Reis e novidades tens???

    reis
    23 de Março de 2017 às 17:39

    Revisor do pardieiro. Quem podesse, gostaría. Candidatar-me-ei?
    Revisor do pardieiro : que lindo é o português. Com duas palavras enche un mundo, como se galego fosse.

    Revisor, leva-me a infância quando eu dava o revisor o bilhete no autocarro para que ele , o senhor revisor, comprovasse a validade. Hoje no galego está quase perdida a palavra, que tristura.

    aeiou
    23 de Março de 2017 às 17:46

    Alves, vá toma lá a reportagem da RTP 3 que é para não seres parvo (pensa que é possível que os desgraçados do MP se tenham fartado de rir por causa das escutas malditas e encolhido os ombros… e que deve vir aí mais trabalho, é do caraças mas acontece).

    Nota, importante. Chamo a atenção para a gaffe sobre o nome do engenheiro Santos Silva, porra! perdão que afinal é o José Sócrates. Até dá pena, divirtam-se!

    ______

    PSD quer que Ministério Público analise declarações de Vara na comissão à CGD

    23 Mar, 2017, 09:29 | Política

    Aqui, ao vivo e a cores: https://www.rtp.pt/noticias/politica/psd-quer-que-ministerio-publico-analise-declaracoes-de-vara-na-comissao-a-cgd_v990684

    [Até deu pena, já disse isto?]

    aeiou
    23 de Março de 2017 às 17:55

    Adenda: chamo ainda a atenção para o esgar de dor estampado no rosto do João Galamba no final,, que não tinha observado, enquanto coça o cocuruto num sinal de uma eventual qualquer aflição.
    Como quem diz:

    – Foda-se, este gajo, com quem eu me meti!!

    ______

    Asterisco. Estávamos em 23 de Março de 2017 e este seria mais um dia para o tipo conseguir um dinheirinho extra para os copos, vinco bem. “A História repete-se, primeiro como tragédia e, depois, como farsa”, dizia Karl Marx. Estava errado o senhor Karl, claro, se acaso tivesse encontrado a personagem Valupiana num armário onde ocultava a sua eventual colecção de borboletas: “A História repete-se, primeiro como comédia e, depois, como palhaçada!”, deveria dizer… Cfr. Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep1), 25 Abril 2020 às 8:44 por Valupi. Desta vez o transe durou dias ou semanas (ou quase três anos?), e foi memorável!

    • Off.

      Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra Q de Quem tramou Armando Vara? Nós todos: substitui a anterior Letra N de É dos nervos, ou o quanto Karl Marx estava errado)*

      […]

      Correcção: Letra Q, e por extenso.

  23. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra Q de Quem tramou Armando Vara? Nós todos: substitui a anterior Letra N de É dos nervos, ou o quanto Karl Marx estava errado) | extra

    Pacheco Pereira a caminho de Damasco
    23 Março 2017 às 16:43 por Valupi

    […]

    «Sócrates hoje está sozinho no seu labirinto. A direita que o louvou como o “social-democrata” do PS, como aquele que tinha “roubado” o programa ao PSD, que andou ali a fazer-lhe a corte nos interesses e na política, agora, certamente por complexo de culpa, vai lá apedrejá-lo como se nada tivesse que ver com o homem. Mais, em vários momentos cruciais, protegeu-o de acusações muito semelhantes àquelas de que hoje lhe faz o Ministério Público.»

    A tese é a de que Passos e Relvas foram cúmplices de Sócrates quando o sabiam culpado de ilegalidades. Uma tese literalmente maravilhosa, que se explicita a si própria quanto à sua origem mental sem carência de mais palavras. O que realmente importa na citação está nesta oração: “protegeu-o de acusações muito semelhantes àquelas de que hoje lhe faz o Ministério Público.“. Do que fala é do “Face Oculta” e da operação que levou a que se espiasse ilegalmente um primeiro-ministro com vista a abrir um processo judicial contra ele em cima das eleições de 2009. Pois bem, quando o Pacheco repete estas bojardas a troco de dinheiro, e como estrela da política-espectáculo no suposto “jornalismo de referência”, a sua mensagem consiste efectivamente nos seguintes elementos:

    – Que Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento são ainda mais culpados do que Passos e Relvas, pois sabiam tanto ou mais do que eles e tinham a acrescida responsabilidade de agir no cumprimento do seu dever. Com isto, o Pacheco contribui intencionalmente para espalhar no espaço público uma suspeita conspiracionista cuja lógica é a de levar ao sentimento de que as instituições da República e o Estado de direito ruíram pelo poder diabólico – portanto, inexplicável e indomável – de uma coligação de agentes, uns nomeados e outros apenas subentendidos.

    – Que nada se tem de concretizar para atacar Sócrates e terceiros com quem se alucinem ligações de parceria, basta apenas lançar suspeições sem fundamento. O Pacheco repete que tomou conhecimento dos registos da espionagem feita a Sócrates, que eles são “terríveis” e que há muita gente a mentir, mas nunca se foi oferecer ao Ministério Público para os ajudar a apanhar essa malandragem nem sequer permite que se saiba do que está a falar. É pura canalhice.

    – Que o “Face Oculta” não tinha matéria que legitimasse a intervenção da Justiça mas chegava para judicializar a política na forma de mais comissões de inquérito e, com sorte, levando a que o Ministério Público abrisse uma investigação, de modo a que então se fizesse a exploração político-mediática e devassa da privacidade que tem sido feita na “Operação Marquês”. O Pacheco parece não ter qualquer consciência de que o combate político a Sócrates pela direita não foi feito no páreo de modelos de sociedade e desenvolvimento económico mas, logo desde 2004 com o Freeport e os boatos de ser homossexual, exclusivamente recorrendo a assassinatos de carácter – os quais tiveram sempre a participação de agentes da Justiça e/ou da comunicação social.

    De repente, aparentemente, em Março de 2017, oito anos depois do que andou a fazer e com quem o andou a fazer, o Pacheco começa a dar-se conta de que, talvez, quer-se dizer, vai na volta, isto que se passa com Sócrates no tandem Justiça-indústria da calúnia é capaz, se calhar, talvez, vai na volta, de ser mesmo, ai jasus, uma perseguição política. Talvez.

    Já que é notório o teu desequilíbrio em cima do cavalo, Pacheco, só posso desejar que te aleijes na queda.

    Manolo Heredia
    23 de Março de 2017 às 17:54

    Que levais no regaço, senhora?
    São indícios, senhor! e, abrindo o regaço mostrou:

    https://youtu.be/Fqsn2DoxbuU
    Conheça a «loja mais cara do mundo», onde Sócrates faz compras
    26/11/2014

    aeiou diz:
    24 de Março de 2017 às 19:24

    Manolo Heredia:
    Que levais no regaço, senhora?
    São indícios, senhor! e, abrindo o regaço mostrou:

    https://youtu.be/Fqsn2DoxbuU

    Vi agora, glup!

    [Fui.]

  24. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra I de Idem, ibidem, inquilino d’Évora, Universidade Independente e in extremis, no original Da série “Sugestões de leitura para a gente da Província…”) | hors-text

    I

    O Deputado de Aveiro
    (Virgínia da Silva Veiga, 17/01/2019)

    Há um pormenor que me não canso de lembrar: Luís Montenegro, esse todo, é o nosso deputado por Aveiro. O PSD foi o partido mais votado nas últimas legislativas neste distrito e o cabeça de lista foi exactamente este mesmo indivíduo.

    Daqui se deveriam tirar duas simples conclusões. A primeira delas é que nada tendo feito por Aveiro nada se esperava fizesse pelo País. Mas. é conclusão demasiado simplista, porque pelo país fez: ajudou a vender a pataco os nossos sectores estratégicos enquanto aumentava a dívida pública e permanecíamos devedores ao FMI. Lá se foi a nossa esperança de independência energética, os nossos lucrativos CTT, o nosso emblemático, e igualmente lucrativo, Oceanário, concessionado, e até a desgraçada TAP ia indo pelo cano da falta de visão estratégica, para não lhe chamar outros nomes.

    A segunda conclusão, mais fácil, tira-se das afirmações que então fez, quando assumiu esse papel de liderar Aveiro: a nova direcção do PSD de então varreu 40% dos antigos militantes das listas para deputados e instalou os que se viram de que ele próprio é exemplo. Gabou-se então disso. Pode ouvir-se ainda, numa simples pesquisa na net.

    Aí têm o retrato do nosso deputado que hoje se apresenta a instalar a confusão na política nacional e, logo, na estabilidade que nos tem feito ser emblema internacional.

    […]

    RFC diz:
    Janeiro 17, 2019 às XX:XX pm

    Da série “Sugestões de leitura para a gente da Província…”

    Nota, sobre o Pensamento Político Contemporâneo ou sobre a falta que ele faz. «Daqui se deveriam tirar duas simples conclusões. A primeira delas é que nada tendo feito por Aveiro nada se esperava fizesse pelo País.», hum?!

    «Por força dessas circunstancias, o acto eleitoral assumiu um dramatismo inusitado. O confronto polarizou-se em torno de duas personalidades: o conselheiro Manuel Berardo, proprietário da Quinta do Mosteiro, descendente de uma família da burguesia agrária compradora de «bens nacionais» e principal notável local, que há longos anos exercia o mandato de deputado; e Eusébio Seabra, um antigo emigrante que acumulara uma vasta fortuna no Brasil, orgulhoso do seu sucesso material e ávido de promoção social, que procurava disputar a primazia ao primeiro. O conselheiro — que, apesar de ser então conotado com a oposição, mantinha relações de cumplicidade com a parcialidade no poder, reivindicando por isso a paternidade dos melhoramentos locais — renovava, uma vez mais, a sua candidatura pelo circulo natal; o «brasileiro», cujos horizontes políticos eram mais estreitos, não estando interessado numa carreira parlamentar, promovia o apoio ao candidato entretanto indicado pelo governo, um obscuro funcionário público lisboeta.

    A motivação real da contenda eleitoral era essencialmente de natureza pessoal, ainda que, por extensão, envolvesse interesses de grupo; o que estava em jogo era uma disputa de poder entre dois influentes locais, em torno de quem se definiam as fidelidades individuais e se organizavam as facções rivais na expectativa de colherem os benefícios do triunfo do seu chefe e protector A questão do cemitério e da estrada, sendo uma fome potencial de conflito servira sobretudo como um pretexto oportuno para desencadear as hostilidades e capitalizar descontentamentos, tendo sido, por isso, empolada pelas hostes do «brasileiro». Do mesmo modo, o alinhamento dos bandos rivais no eixo governamentais/oposicionistas era uma mera referência topológica de circunstância, não traduzindo quaisquer clivagens políticas definidas, nem mesmo tendo, aqui, reflexos decisivos no equilíbrio de forças: o contexto de isolamento, a par das reconhecidas insuficiências estruturais do Estado na época, limitava a capacidade de penetração do centro na periferia , tornando os jogos de influência locais menos permeáveis aos influxos governamentais.»

    Fonte: ALMEIDA, Pedro Tavares de, Eleições e Caciquismo no Portugal Oitocentista (1868-1890), Lisboa, Difel, 1991, pp. 100-101.

  25. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra I de Idem, ibidem, inquilino d’Évora, Universidade Independente e in extremis, no original Da série “Sugestões de leitura para a gente da Província…”) | hors-text

    II

    O Deputado de Aveiro
    (Virgínia da Silva Veiga, 17/01/2019)

    […]

    RFC diz:
    Janeiro 17, 2019 às 8:44 pm

    Idem, ibidem mas entretanto.

    – Opá, fica quieto e não gastes mais o teu Latim!
    – Não, achas? Tu achas mesmo, pá?
    – Sim, então tu não viste a bio do tipo de Ligarelhos* ou lá o que é, ontem na SIC?
    – ?
    – Pois é, pá, o novo inquilino d’Évora. Aquilo é tudo tão mauzinho que até meteu um canudo dado à pressão pela Universidade Independente, imagina… Lembras-te?
    – Ui, vou já vestir a batina e vou mas é catequisar o Portugal Profundo.

    Asterisco, nota um. É de Vinhais, Vilar de Ossos, Lagarelhos, o tipo.

    «A preparação das eleições, como era habitual, iniciou-se cerca de um mês antes da data oficial para a ida às urnas. Ambas as facções empenharam-se energicamente na conquista de adesões e na mobilização dos eleitores. Os meios de persuasão eram basicamente idênticos: promessas de empregos, resgate de hipotecas, perdão de dívidas, subornos, coacção psicológica, ameaças físicas. Apesar da intensa actívídade desenvolvida e da prodigalidade dos favores distribuídos, as hipóteses de reeleição do conselheiro pareciam, todavia, seriamente comprometidas; a polémica e as movimentações a propósito do cemitério e da estrada tinham-lhe sido prejudiciais, denegrindo a sua imagem de prestígio e alienando-lhe o apoio decisivo de alguns mandões eleitorais — como era, sobretudo, o caso de Joãozinho das Perdizes, arquétipo do morgado decadente e paternalista, que conservava uma autoridade incontestada junto dos eleitores da sua freguesia, os quais cumpriam disdplinadamente as suas instruções de voto. Tudo se conjugava, enfim, para que o resultado do escrutínio viesse confirmar a irresistível ascensão política de Eusébio Seabra e a vitória do seu candidato

    À semelhança do que muitas vezes sucedia na realidade, mercê da inconsistência e volubilidade das alianças eleitorais, o dia do sufrágio seria, no entanto, cenário de uma reviravolta espectacular, aqui motivada pela intervenção inesperada e in extremis de uma figura carismática da aldeia, o velho ervanário, em prol do conselheiro, perdoando-lhe recentes agravos de que fora vítima. Esse gesto magnânimo, que exaltava o valor simbólico das amigas solidariedades e amizades pessoais — então abaladas por divergências mesquinhas — , reavivou o sentimento de honra de Joãozinho das Perdizes, tanto mais que aquela era a sua derradeira oportunidade para resgatar uma velha divida de gratidão que tinha para com o moribundo ancião. Num ápice, a prévia orientação de voto transmitida aos «seus» eleitores foi inflectida e, contrariando os prognósticos iniciais, Manuel Berardo triunfou com uma vantagem de 135 votos. Resolvida a contenda eleitoral, restabelecidas as hierarquias de poder, os ânimos serenaram e o espírito de reconciliação sobrepôs-se às hostilidades e ressentimentos. A tranquilidade reinstalou-se na aldeia.»

    Fonte: ALMEIDA, Pedro Tavares de, Eleições e Caciquismo no Portugal Oitocentista (1868-1890), Lisboa, Difel, 1991, pp. 101-102.

    Nota dois e ainda. O cenário de uma reviravolta espectacular, aqui motivada pela intervenção inesperada e in extremis de uma figura carismática da aldeia, o velho ervanário?! Epá, sempre o carisma, onde é que já ouvi isto?

    RFC diz:
    Janeiro 18, 2019 às 12:00 pm

    É simpático ter um local onde se concentram opiniões divergentes e interessantes.
    – Virgínia da Silva Veiga.
    Dezembro 31, 2018 às 7:31 pm

    Mas, confesso, o seu é interessantíssimo e fez-me sorrir. O “ apesar do sotaque” não é o que pensa. Sabemos – sei que sabe – que nos media lisboetas não é fonte de mais-valia. Era só essa constatação a que fiz.
    – Virgínia da Silva Veiga.
    Janeiro 17, 2019 às 9:13 pm

    http://museudastelecomunicacoes.org.br/wp-content/uploads/2015/10/1921-antiga-estao-norte-telefonistas-na-mesa-b-em-dezembro-de-1921_8684274748_o.png

    #ameninadostelefones

  26. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra V de Vamos lá a saber, um passatempo alegre durante as primeiras semanas de confinamento)

    Vamos lá a saber
    27 MARÇO DE 2020 15:00 POR VALUPI Deixe o seu comentário

    1. Quem é que salvou Portugal da tragédia da Segunda Guerra Mundial?

    a. José Sócrates
    b. António Costa
    c. António de Oliveira Salazar

    2. Quem é que salvou Portugal e os portugueses, qual o político que mais pugnou pelo projecto Europeu, pela importância das Nações Unidas na resolução dos conflitos, quem abriu as portas a António Guterres, quem mais profundamente apontou o caminho para uma Esquerda moderna, quem é que os militantes-totós do Partido Socialista mais amaram, quem salvou a Fernanda Câncio da chatice de uma carreira profissional sem pica, no DN, e acendeu a sua caliente fogosidade nas águas de Formentera, ai a Sandra!, quem salvou o adorável VaLULUpi que então estava à beira do suicídio assim se correndo o risco de se perder uma das mais luminosas cabeças de burro, perdão, as suas lambidelas na minha cabeça, a dondoca d’Um Jeito Manso de uma triste rotina na sua vida conjugal, salvando-os da indigência, conferido uma nova vida ao aparentemente cansado José Neves com o seu pujante estilo literário, aos camaradas Joaquim Vassalo de Abreu, Virgínia da Silva Veiga, Carlos Esperança, Armando Vara, Jorge Coelho, António Vitorino, Vitalino Canas, Sérgio Sousa Pinto, Tiago Barbosa Ribeiro e, acima de todos, ao imperdível Dieter Dellinger, todos com uns intelectos superiormente apetrechados graças a Mim, os simples mas sinceros pensamentos de José do Remanso Pernalta, do Joaquim Madeira, do calhambeque, do Moura, eu sei lá!, da troupe do Aspirina B que antigamente obedecia a uma besta tristemente sóbria sem conhecer/em os prazeres das bebedeiras provocadas pelos mais refinados licores, pelos penalties da bagaceira Aldeia Velha e pelos garrafões do tinto, quem conheceria hoje a enorme capacidade profissional que sem favor os tribunais portugueses, sem excepção!, reconhecem aos licenciados João Araújo e Pedro Delille, um Domingos Farinho, um Rui Rangel, mesmo o João Perna, os meus amigos Carlos Santos Silva, Ricardo Salgado, Rosário Teixeira e… Carlos Alexandre? Quem, porra?

    a. José Sócrates
    b. José Sócrates
    c. José Sócrates

    3. E quem está prestes a salvar Portugal da pandemia do Covid-19?

    a. António de Oliveira Salazar
    b. António Costa
    c. José Sócrates

    Enjoy it, cuidem-se!

  27. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra D de Da Cobardia!, da decadência e Da falta de vergonha)

    I

    Apologia da liberdade
    21 Setembro 2016 às 18:49 por Valupi

    Creio que não há registo de Sócrates ter proferido em público alguma difamação ou calúnia enquanto foi dirigente do PS e governante – e isto apesar dos permanentes ataques e violentações selvagens de que foi alvo. Se houver, peço que me corrijam. Também não há registo de Sócrates ter recorrido a tácticas moralistas e populistas onde quisesse aparecer como “humilde”, “modesto”, “pobrezinho”, “chefe de família”, “cristão”, “sério”, “honesto”, “incorruptível”, “bonzinho”. Pelo contrário, tinha a ousadia de querer ganhar debates no Parlamento e na comunicação social defendendo as suas propostas políticas com ímpeto guerreiro, de aparecer com fatos caros (ou assim diziam os cães que ladravam, que por mim não faço a mínima ideia de quais sejam os preços nesse mercado) e de fazer férias em hotéis de luxo. Era visto com frequência nos melhores restaurantes de Lisboa. Gastava dinheiro a comer, a vestir e a passar férias; e não se importava de ser visto a fazê-lo, para gáudio dos pulhas que lhe mandavam tiros ao carácter. Uma loucura o que aquele gajo fazia com o dinheiro, portanto. Incrível, um estroina do pior. Corolário destas características, igualmente não havia um culto da personalidade de Sócrates no PS. Liderança forte sim, culto da personalidade não. Mas havia um culto da personalidade de Sócrates, em modo diabolização, à volta do PS, em especial na direita. O impacto sociológico e político de Sócrates na direita portuguesa dá para várias investigações em diferentes disciplinas ao longo de muitos anos. E também para hilariantes gargalhadas.

    Com a “Operação Marquês”, colocou-se em cima da mesa, como nunca antes se tinha conseguido fazer, a balança que iria pesar a integridade de carácter de Sócrates (pelo menos). Ele chegou a esse processo sem ter sido sequer alguma vez arguido nos diferentes casos onde o seu nome apareceu referido judicial e mediaticamente. Pelo que, ao se deter e prender Sócrates, a Justiça estava a garantir ter recolhido provas suficientes de algo que ficaria como uma mancha indelével na sua biografia, no seu percurso político e no seu carácter. Restaria só descobrir o tamanho dessa mancha. Para Sócrates conseguir sair impoluto do caso, a Justiça teria de ter cometido erros colossalmente grosseiros ou estar ao serviço de uma pura perseguição política. Ora, ao admitir parte das suspeitas inerentes à “Operação Marquês”, o facto de ter usado para os seus gastos pessoais dinheiro que era de um amigo na forma de empréstimos ou dádivas, Sócrates validou a abertura da investigação judicial. E, no plano moral, ficou sujeito a legítimas repreensões de vária monta e origem, inclusive do seu partido e de apoiantes de longa data. Na prática, e independentemente do quadro psicológico que o levou a escolher essas opções ou do desfecho judicial do caso, Sócrates mostrou que preferia o usufruto do conforto material e vivencial possibilitado pela amizade com Santos Silva à realização de um destino político que ainda poderia ter muito para lhe dar. Nesse sentido, Sócrates foi desleal para com a cidade mesmo que o caso acabe sem que venha a ser culpado de crimes de qualquer ordem. É que a ele, na sua posição e com a sua tarimba, não se admite que ignorasse as consequências de vir a ser apanhado neste rol de suspeitas e neste impacto político que a sua condição de arguido como suspeito de corrupção provoca no PS e na democracia. E a probabilidade de vir a ser apanhado era altíssima.

    O texto da Fernanda Câncio, “O processo Marquês e eu”, veio aumentar o peso da irresponsabilidade de Sócrates nesta dimensão das suas finanças, porque revelou aspectos da sua relação privada com alguém da sua maior proximidade que ficavam como agravantes danosos para a avaliação do seu carácter. Embora a Fernanda tenha tido precisão cirúrgica na exposição do que estava em causa, o que estava em causa consolidava, ou até cristalizava, uma imagem negativa na opinião pública a respeito de Sócrates como político e como pessoa. Registe-se que Sócrates não desmentiu o texto, pelo que não temos qualquer razão para duvidar do testemunho nele inscrito. As suas posteriores declarações onde volta a ligar a “Operação Marquês” a um suposto boicote à sua candidatura presidencial em 2016 também nada trouxeram de positivo à sua recuperação pública, pois exibem uma preocupante cegueira para as consequências políticas incontornáveis de ter tomado certas decisões privadas que não são compatíveis com o que consideramos adequado ao perfil de um Presidente da República. Isto é, mesmo que Sócrates tivesse razão quanto à existência dessa conspiração, e nada se conhece que permita suportar factualmente uma mera hipótese, continua a perder a razão ao não assumir a sua incompatibilidade para o cargo – pelo menos, enquanto candidato apoiado pelo PS – por causa da exótica forma do seu financiamento pessoal.

    Por mim, é-me completamente indiferente para a avaliação do Sócrates político do passado o que se sabe actualmente a respeito do Sócrates privado desse mesmo passado ou do presente. Nada vejo de bizarro na situação de ter um amigo rico que lhe empresta ou dá dinheiro. Eu, que sou um pelintra, faço isso com amigos meus e espero deles que façam o mesmo comigo. Imagino que se fosse proprietário de dezenas ou centenas de milhões de euros, como consta Santos Silva ser, teria a maior liberalidade no uso desse dinheiro para com aqueles que pertencessem à minha intimidade, e não só. No fundo, ver a direita, e em especial os liberais de pacotilha, a babar-se porque Sócrates tem um amigo que faz o que lhe apetece com o que ganhou e é legitimamente seu só evidencia a decadência dessa mesma direita que nos calhou em azar. Outra conversa é a de se vir a provar qualquer tipo de actividade ilegal na origem desse dinheiro de Santos Silva ou no modo como Sócrates o recebeu e gastou – qualquer – pois isso, dada a importância política e histórica de Sócrates, transporta o caso para uma questão de regime. E obrigará o PS a ter uma resposta condizente com a desgraça. Porque será uma desgraça se tal acontecer.

    Até ao desfecho do processo, deve Sócrates ficar calado e quieto? Não deve participar em eventos partidários ou políticos de qualquer tipologia? Nós estamos exactamente como no princípio do lançamento público da “Operação Marquês”, com um dos lados a garantir ter apanhado um dos maiores criminosos da História de Portugal e o outro a declarar ininterrupta e veementemente a sua completa inocência. É sabido que as prisões estão cheias de inocentes, no sentido em que há muitos presos com crimes provados que continuam a negar a sua responsabilidade. E também sabemos que os arguidos não têm a obrigação de ajudar na feitura da sua acusação. Esse é o papel do Ministério Público, um papel cheio de nódoas e buracos num processo que devia ter sido exemplar por boas razões e já é exemplar pelos crimes e abusos de poder que vai gerando a partir da Justiça. Não só Sócrates se tenta defender, e vai marcando pontos porque o que a sua defesa mostra vai alimentando as piores suspeitas sobre os procuradores responsáveis e sobre o juiz de instrução, como à sua volta há muitos camaradas e amigos que aparecem publicamente ao seu lado sem temerem a contaminação moral ou política. Neste sentido, e até como forma de homenagear Soares que teve no caso Sócrates um eventualmente último fôlego de combate político, o melhor será que Sócrates leve até ao fim a sua legítima pulsão de se afirmar inocente no espaço público. É essa a melhor forma de respeitarmos esse instituto chamado “presunção de inocência”. Se se revelar um logro, tal será somado à sua culpa. Se se revelar um escudo precioso do Estado de direito democrático, a liberdade terá sido servida.

    É a liberdade que nos salva. Sempre e sempre.

    […]

    ignatz
    21 de Setembro de 2016 às 20:04

    o sócras pediu emprestado a um amigo e não ficou a dever nada ao país, é condenável.
    o sá carneiro pediu emprestado ao bes e os portugueses pagaram, é uma referência moral da direita.

    http://www.fmsoares.pt/aeb/biblioteca/indices_resumos/resumos/006934.htm

    podes ir apanhar no cu mais a tua autoridade moral para condenar o sócras.

  28. Off.

    Da série “Subsídios para um Dicionário Breve do Aspirina B” (Letra D de Da Cobardia!, da decadencia e Da falta de vergonha)

    II

    Apologia da liberdade
    21 Setembro 2016 às 18:49 por Valupi

    […]

    Eric
    22 de Setembro de 2016 às 18:23

    Valupi, li e reli ontem e hoje e tenho seguido à distância (esqueçam o cerimonial escolhido mas sou como um daqueles tios porreiros que vem de fora e que chega quando já está o funeral a decorrer, que verdadeiramente prefere ficar a observar por entre os jazigos e manter uma confortável distância sem se confundir com os mais ou menos sinceros dos presentes, os mais nevróticos familiares e amigos que do defunto eram próximos e que acendem um cigarro e depois outro, que fica a galar as gajas e a medir os gajos que são os maridos e as mulheres de alguém e que estão ali, apenas, por afinidade, sou um dos que preferiria surgir apenas no fim; e o fim para mim é agora, que é o que dá).

    Por partes poucas, que é o teu post que interessa.

    Eis uma primeira interpretação: este não é um post de quem esteve no alegado jantar de ontem, e ainda bem. Tal como os artigos da F. [Fernanda Câncio] e do P. e e e e, e outros, vejo-o como o momento de libertação, pessoalmente significante, e acompanho-te. Segunda, todas as qualidades pessoais que tu apontas, como algo que nunca foi utilizado por José Sócrates – depreende-se que na sua vida pública – como «tácticas moralistas e populistas», não ajudam a compreender completamente a personagem porque, a cada uma, se poderão adicionar outras imagens que, por efeito de um simples reflexo no espelho, se tornam pesadamente narcísicas mas que estão mais de acordo com o que do ex-PM hoje se sabe. Ou seja, sabido que como disse algures o Augusto Santos Silva as “partes” não são crime mas assentam numa longa mentira que não é apenas do domínio privado porque a persona foi sendo construída pelo próprio até se saber que assim não era: humilde/endinheirado, rico, abastado etc., modesto/ostensivo, arrogante, vaidoso, petulante, gabarola, etc., idem sobre o pobrezinho, chefe de família (do que se sabe sobre as suas finanças privadas não é inteiramente verdade, mas compreendo que te refiras à ausência de um cachucho no anelar), cristão, “honesto, sério, honesto e incorruptível” que são, em si, um lote das qualidades necessárias para quem pretende fazer vida pública de mãos limpas ou ser um bandido (aqui toda a gente se entende, ou entende do que fala), ah!, e bonzinho (a ideia do nosso Zézito para as/os camaradas e o cognome de “Menino de Ouro” parecem ir em sentido contrário, mas). Terceiro, não discuto agora o tal artigo da Visão nem sinto a necessidade de lhe dar hoje um novo sentido até porque, oportunamente, já o fiz no Aspirina B. Em todo o caso, como me parece que está meridianamente implícito no teu post, ele foi integrado por cada um dos que o leu como fazendo parte de um processo em que as certezas simples ou complexas do passado deram lugar a dúvidas e perplexidades sobre esse mesmo passado e, ao mesmo tempo, a profecias com carimbo notarial sobre o futuro político de José Sócrates. Quarto, também não vejo esses «muitos camaradas e amigos», recomendáveis, que citas e que estejam disponíveis não para jantares mas para a guerra (acho que funciona ainda o seu núcleo duro, que veio da AR, e cuja última piedosa acção terá sido assinarem colectivamente o requerimento dirigido ao Tribunal Constitucional sobre as pensões vitalícias que teve, pelo menos, uma morta em combate de nome Maria de Belém aquando das últimas eleições presidenciais). Mais, e pior: acho que o tempo em que José Sócrates teve oportunidade de fazer a sua defesa pela própria voz, e em que só ele pode ser responsabilizado por isso, depressa entrou em roda-livre e, a partir de determinada altura, tem sido uma sucessão de erros (o Big Show Marão aplaudido pelo Jorge Coelho na SIC N vá-se lá saber porquê, o road-map dos comícios “evangélicos” pelos caminhos de Portugal, o discurso ensaiado no museu do Torga em que mais parecia que um ex-PM lusitano passara a fazer inopinadas “presenças” nas festas e discotecas deste país, não como a Lili para se “dar a ver” na imprensa da especialidade, mas como os moços e as raparigas da Casa dos Segredos e derivados goste-se ou não da comparação, a conferência de imprensa em que acusou o MP de recear a sua esperada glória presidencial, ocasião em que, sendo pela enésima vez tratado acintosamente na capa do CM sobre do que vive, confessou, enfadado, que pedira uns patacos mensais para todo o sempre sob a forma indecorosa de pensão vitalícia, ou, ainda há dias, o disparate da entrevista à TSF em que ataca o PR com teorias filosoficamente delirantes). Em sua defesa, reconheça-se que competentemente no espaço público, estão os seus advogados, seguramente outros, e, fazendo quase sempre pior do que melhor, as vozes daquilo a que poderia ser chamado “o efeito Tony Carreira” que, aqui no Aspirina B por exemplo, ocupam o seu espaço. Quinto e último, que o sol vai desaparecendo, e agora o que fazer? É certo que as pessoas são idiossincraticamente diferentes e que, no fundo de si, sabem o que devem fazer a cada momento. Disto isto, primeiro, espero que o blogue do Valupi volte a ser um espaço de (criativa) liberdade em que os passos dos muitos Josés sejam seguidos como os demais criticando-os se houver razões para isso ou elogiando-os (valeria a pena reflectir sobre os últimos tempos e deixá-lo em letra de imprensa, aliás). E, segundo, que aquilo que o jornal i e o P. online escreveram ontem, e que copiei,* não se torne no último disparate da nossa res publica.

    Asterisco. «A questão Sócrates pode ter, porém, mais desenvolvimentos. Ao que noticiou o jornal i esta manhã, o ex-primeiro-ministro tem vários eventos agendados nos próximos tempos que sugerem a preparação de um regresso político, a começar por um jantar restrito (esta quarta-feira) e a terminar num almoço de homenagem (no próximo sábado), supostamente para definir outras iniciativas públicas.» (copiado do P. online, sorry). 21 de Setembro de 2016 às 19:52, online.

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