A História reescreve-se por novas mãos

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 16/06/2020)

Daniel Oliveira

Sem querer entrar em polémica com Vítor Serrão, porque é de outra coisa que quero tratar, foi-me impossível ler uma frase do seu texto sem espanto, apesar de ela repetir uma das muitas ideias indiscutíveis que foram ditas e escritas nestas semanas. Referindo-se à “vandalização de monumentos que em algum momento passaram a ser vistos como símbolos nefastos por parte de determinadas dinâmicas políticas, sociais, religiosas, ou de defesa de um gosto preestabelecido”, coisa que mostra “à saciedade quão acéfalo é o pendor dos homens para a violência gratuita”, o historiador escreve: “a violência contra as obras de arte é sempre um ato fascista, sejam quais forem as razões invocadas ou as bandeiras que se desfraldem para o levar à prática.” Recordo que se está a falar de monumentos no espaço público, a que genericamente se chama “obras de arte”, mandados erguer pelo poder político circunstancial para celebrar o passado de uma determinada forma, e não de peças de museu para o compreender.

D.R.

Não consegui, ao ler esta frase, deixar de me recordar das cabeças das estátuas de Hitler, numa rua de Berlim depois da libertação, e de Estaline, em Budapeste, durante a revolta húngara. Ou as de Lenine um pouco por todo o bloco de Leste. Ou a de Saddam, em Bagdad. Terão sido aqueles atos violentos contra objetos manifestações de “fascismo”? É das poucas coisas que aqui escreverei com toda a certeza: mil vezes não. E só alguém tão embrenhado na sua função zeladora do objeto mas totalmente desprovida de sentido de justiça política e empatia pode atrever-se a dizer que o foi. Foi um ato libertador, e não há coisa mais justa para dizer que as estátuas do poder que oprime estão condenadas a cair dos seus pedestais. Porque elas não se limitam a ser obras de arte para os estudiosos observarem. São instrumentos de poder e, quando enfrentadas, de libertação.

D.R.

Dirão que não faz sentido comparar aquelas estátuas decapitadas ou derrubadas com o que se passa hoje. Não estou ainda aí. O autor diz que é “sempre”, por isso só pode incluir estes momentos numa demonstração de “fascismo” “acéfalo”. Não me passaria tal ideia pela cabeça, talvez por achar que os símbolos são isso mesmo: símbolos. Pelo menos quando estão numa praça. Outra coisa, bem diferente, é quando são removidos para um museu. Mas, para que isso aconteça, é preciso que o poder político o decida fazer. É preciso um ato político. A forma como isso acontece em democracia já a deixei no meu texto de sábado e não preciso de voltar a ele. Mas talvez comece, como começou em Bristol, por uma revolta.

Se me acompanham no regozijo de ver o povo celebrar a queda de estátuas de genocíidas como Hitler e Estaline, quer dizer que abandonaram a posição principista que transforma estátuas construídas pelo poder em objetos sagrados. Ótimo, porque isso torna o debate mais complicado e, em regra, menos “acéfalo”.

Passemos para a outra frase que por aí campeia: que a História não se reescreve. Até se tem dito mais: que ela não se apaga – mas disso também já tratei no sábado. Quando uma comunidade se confronta como uma estátua que está no espaço público que usa faz o oposto de apagar a História. Está a sublinhar a História. Apagar a História é a estátua ficar lá, já sem qualquer significado, como mero adorno, sem que a maioria saiba quem é o representado.

A ideia de que a História não se reescreve resulta de haver quem ache que ela já está escrita. Definitivamente. Na pedra. Não me espanta que alguns acreditem nisso. Há quem ache que a História é um conjunto de factos indisputáveis. Mas, verdade seja dita, ninguém acha mesmo isso. É conforme o desconforto e o conforto que sentem com o que já foi fixado. Os mesmos que pedem que não se reescreva a História gostam de ver historiadores como Rui Ramos a reescrever o que era apresentado como certezas sobre o Estado Novo. E vice-versa: os mesmos que querem rever a história dos “descobrimentos” chamam “revisionista”, em tom acusatório, a Rui Ramos por querer rescrever a história do Estado Novo.

Não fazemos outra coisa na História que não seja reescrever a História. Reescrevemos porque conhecemos novos factos. Reescrevemos porque mudam-se os valores e o nosso olhar muda sobre esses factos. Pelo menos sobre a forma como os ligamos e enquadramos. E reescrevemos porque são mãos diferentes, com origens diferentes, a escrever a História. A ideia de que não devemos ter um olhar anacrónico sobre o passado está globalmente certa mas tem os seus limites. A expulsão dos judeus aconteceu há mais de meio milénio e nenhuma pessoa decente deixa de dizer que foi intrinsecamente errada. Curiosamente, com menos rodriguinhos e adversativas do que quando se fala da escravatura. E dizê-lo nunca impediu que houvesse contexto.

Quando se fala de “devolver” artefactos às ex-colónias isso é tratado como um absurdo. A História não se repara, dizem. Quando se tratou de “devolver” a nacionalidade aos descendentes de judeus sefarditas a votação foi unânime no Parlamento. Concordo evidentemente com as duas mas, se não se importam, não quero debater o seu conteúdo. Quero tentar perceber porque está a nossa relação com os judeus que perseguimos e expulsámos relativamente pacificada, de tal forma que não nos importamos de fazer julgamentos supostamente anacrónicos sobre a História, e a nossa relação com os negros que escravizámos é tratada como algo que deve ser confinado ao seu contexto. Já nem falo dos ciganos, que pura e simplesmente foram obliterados da História, sem direito a que sequer se reconhecesse a perseguição de que também foram alvo.

A diferença está no facto de os judeus, depois da segunda guerra, terem conquistado o direito à visibilidade e terem, até porque contaram com o apoio de grande parte dos vitoriosos, passado a ser fazedores da sua própria História. O seu sofrimento coletivo, mesmo quando herdado pela memória, passou a condicionar a forma como olhamos para o passado. De tal forma que garantimos aos herdeiros da expulsão, muitos séculos passados, o direito à nacionalidade. Reparámos uma História que nem sempre foi contada como se conta hoje. E fizemos muito bem. Fomos forçados a isso.

Quando as pessoas se perguntam como pode um jovem negro sentir-se insultado com a estátua de um traficante de escravos, que morreu há séculos, não se pergunta porque se sente o judeu insultado com uma suástica ou, andando mais para trás, com qualquer glorificação de responsáveis pelos pogroms Porque a herança de sofrimento é aceite para uns e não é aceite para outros. E não é por o antissemitismo ter deixado de existir que é aceite para uns e não para outros. É porque uns conquistaram o direito à visibilidade, enquanto herdeiros e sujeitos da História, e outros não.

O que está a acontecer, um pouco por todo o mundo ocidental, é que novos sujeitos ganham (muito mais nos EUA e no Reino Unido do que cá, onde as ações espetaculares ainda são mimetismo inconsequente) o direito a reescrever a História. E é bom sublinhar que aqueles que não escreveram a História que está fixada também não tiveram o direito de erguer estátuas. Esta chegada de novos atores à disputa do espaço público e da História é dolorosa para quem acha que ela já está convenientemente escrita. Não percebendo – ou percebendo muito bem – que a disputa pelo passado é sempre uma disputa pelo presente.


35 pensamentos sobre “A História reescreve-se por novas mãos

  1. Hum?

    Nota. Bem, isto anda tudo doido! O DO quer discutir exactamente o quê com o Vitor Serrão, pás? Isto é pior do que as cartas de amor que o João Miguel Tavares escreve recorrentemente ao JPP e a outros sabedores e que, divertidamente, o senhor armazenista do Barreiro ou o Vasco Pulido Valente obviamente não liga/m pevide…

    Livro de instruções. Entede-se o artigo do Vitor Serrão, que é o que interessa!, à luz ténue do comunicado (estranho, digamos assim) emanado dos camaradas PCP sobre a saloice da estátua do padre António Vieira plantada em Lisboa, e vice versa. Ma-mass, como eu venho avisando, para os entender é preciso entrar nos domínios teóricos e idiossincráticos dos dirigentes comunistas coisa que não é, obviamente, nada recomendável…

    • Adenda. Ainda não o li de fio a pavio, mas o Pedro Aires Oliveira da FCSH entra hoje em diálogo. Apresenta uma ideia que vem do Guardian, parece-me, sobre os Parques dos Heróis Caídos para os pedagogos (e nostálgico-deprimidos, o Pedrinho). E este é que é ponto, isto é, umas partes dele.

      […]

      Esta parece-me ser uma atitude mais cívica e pedagógica, mas não tenhamos ilusões. Para persuadirmos aqueles que se sentem vítimas do racismo e da discriminação, é fundamental que nos confrontemos com os episódios mais violentos do nosso passado. Há quem diga que Portugal realizou a sua descolonização política em 1975, mas tem ainda de fazer a sua descolonização mental e cultural. Na minha bolha académica e social, muitas vezes nem me dou conta de quão socialmente difundidas estão certas imagens ingénuas acerca da nossa expansão, ou de quão desconhecidas são ainda as realidades mais violentas do nosso colonialismo moderno. Há uns anos atrás, foi quase com um sentimento de vexame que percorri com vários alunos, alguns de origem africana, as salas das “campanhas de pacificação” do Museu Militar, em Santa Apolónia. Figuras corajosas, mas cruéis, como Mouzinho de Albuquerque, tinham direito a legendas laudatórias, ao passo que os povos e sociedades que entre c. 1850 e c. 1920 ofereceram uma resistência continuada às depredações coloniais portuguesas eram totalmente ignorados. Talvez seja muito esperar que da instituição militar possa surgir um movimento de actualização histórica pós-imperial (afinal de contas, Mouzinho ainda é o patrono de um Regimento de Lanceiros). Mas se um dia a Câmara Municipal de Lisboa tirar da gaveta a ideia do “Museu das Descobertas”, seria importante que estas facetas da nossa experiência colonial não fossem votadas ao esquecimento.

      Aqui, online: https://www.publico.pt/2020/06/17/opiniao/opiniao/memoria-historica-nova-iconoclastia-1920899 .

      • Sei que para um clubista é difícil, mas seja menos mentiroso.

        Eu não sou “nostalgico” nem nacionalista e sou o primeiro a denunciar a visão da história tradicional que vê a civilização ocidental como angelical..

        Apenas digo que a vossa visão esquerdista demonizadora dessa civilização é igualmente MENTIROSA.

        Os ocidentais não são melhores ou piores do que todos os outros povos.

        Ora, vocês pretenderem apagar toda a história ocidental como criminosa enquanto escondem o facto de todos os outros povos terem sido iguais denota uma agenda RACISTA. Para além da pura estupidez claro, que também concedo que ressalta de toda a sua “argumentação”.

        O que vocês pretendem com o atiçar constante de ódios raciais é o genocídio cultural do ocidente.

        Note, eu até me estou um bocado nas tintas, porque sou individualista e estou-me nas tintas para o ocidente – apenas noto que vocês não fazem grande diferença dos khmers vermelhos ou dos nazis.

        E, calro, também pergunto o que vai acontecer quando não houver mais monumentos de “homens brancos” para destruir e só restarem as pessoas brancas se o ódio racista que vocês andam a disseminar vai ficar por aí.

        É que lembro-me do que os negros “intrinsecamente bonzinhos” fizeram no Ruanda a outros negros só por serem de uma etnia diferente e penso nos países acontecerá no países ocidentais quando os brancos forem uma minoria, o que irá acontecer se se mantiverem os trends demográficos actuais, confortada com uma população negra alimentada durante gerações com a vossa propaganda racista que culpabiliza as pessoas brancas por tudo o que de mau possa acontecer a um negro.

        Provavelmente já cá não estarei e não tenho filhos.

        Mas se tu os tiveres espero que paguem bem caro o racismo que tu andas a disseminar.

        • Ó Pedro, essa de desejares aplicar a “Lei de Talião”, aos hipotéticos filhos do RFC, não é coerente com a tua argumentação.- Se tinhas alguma razão, perdeste-a toda… 🙂

          • Olhe que se alguém tivesse avisado os alemães que votaram no Hitler que os seus filhos poderiam vir a arder nos bombardeamentos de Dresden e Hamburgo talvez se tivesse evitado muito sofrimento.

            O que os radicais estão a fazer é a atiçar ódio racista contra tudo o que é ocidental, tal como o Hitler fez com os judeus.

            Provavelmente as pessoas de raça branca vão ser uma minoria envelhecida nos seus próprios países dentro de algumas gerações.

            Quando forem confrontadas com uma maioria negra alimentada durante gerações com propaganda de ódio contra tudo o que é branco não sei o que vai acontecer.

            Os racistas de esquerda garantem-nos que só a raça branca é capaz de praticar o mal, tal como o racismo, a xenofobia, a intolerância.

            Mas qualquer pessoa que não seja um imbecil sabe que essas coisas são transversais a todas as raças e que deitar gasolina para a fogueira é CRIMINOSO.

            https://r.search.yahoo.com/_ylt=AwrIS.a_BuxeNT4AMwF3Bwx.;_ylu=X3oDMTByZm5kMHEyBGNvbG8DaXIyBHBvcwM3BHZ0aWQDBHNlYwNzcg–/RV=2/RE=1592555328/RO=10/RU=https%3a%2f%2fwww.bbc.com%2fnews%2fworld-africa-26875506/RK=2/RS=SbPY9b5sicQIHsMxUHlkJR6tvEQ-

            Os racistas de esquerda deviam ser abrangidos na legislação anti-racista que manda os racistas de direita para a prisão.

      • … «não sou “nostalgico” nem».

        ERRATA.

        Onde se lê: «(e nostálgico-deprimidos, o Pedrinho).»

        Deve ler-se: «(e deprimidos, o Pedrinho).»

        🙂

        • Sim, é deprimente ver alguém pintar um alvo nas costas de si próprio e da sua própria familia, apresentando a sua etnia como uma monstruosidade causadora de todos os males do mundo, presentes, passados, futuros, reais e até imaginários.

  2. Portanto o plano da esquerda radical é destruir todos os monumentos de figuras históricas que não se enquadrem no pensamento político dominante pós-25 de Abril.

    Ou seja, está aberta a estação de demolição da estátua do marquês de Pombal, dos Jerónimos, da torre de Belém, do mosteiro da batalha, da queima pública e proibição dos lusíadas, da obra de Vieira, de Fernão Mendes Pinto etc.

    Mas o que é que estes gajos querem realmente ?

    A brincar a brincar isto parece o programa dos Khmers vermelhos.

      • Sim ?

        O Camões é menos “imperialista” que o Padre António Vieira ?

        Você já leu ao menos a contracapa dos lusíadas ?

        Olha que o padre é um menino ao pé daquilo.

        E o Mosteiro da batalha não foi construído para homenagear a dinastia que iniciou a expansão imperial ?

        E os Gerónimos e a Torre de Belém não foram construídos nesse âmbito de glorificação imperial ?

        Até lá está enterrado esse fascista do Vasco da Gama.

        E o padrão dos descobrimentos ? E a estátua do Afonso de Albuquerque ?

        E o Pombal não era um sacana de um ditador, e as colónias estavam cheias de escravos naquela altura.

        Deita abaixo a estátua.

        Força camarada khmer vermelho, deita tudo abaixo até não ficar pedra sobre pedra e não ficar qualquer vestígio da história de Portugal.

      • A tua “argumentação” é só insultos ?

        Aprendeste isso com as tuas leituras do Pol Pot ?

        Deves ser um grande intelectual de esquerda.

    • Qual plano? Quais gajos? Que proibições? O que é que a esquerda relevante (por exemplo, a parlamentar) tem a ver com o assunto? E se tudo isto fosse relevante, que não é, o que um processo legislativo teria de ditatorial?

      • A “esquerda relevante” está por detrás de todas estas manifestações.

        Não se faça de inocentezinho.

        Há anos que vocês andam a atiçar o fogo do racismo.

        Entre a esquerda e a extrema direita a diferença é só que uns atiçam os pretos e outros atiçam os brancos.

        Quem ouvir uns e outros fica a pensar que uma das raças é a culpada por todos os males do mundo.

        Tem de se pensar seriamente em começar a incluir a esquerda nos alvos da legislação anti-racista.

        • A esquerda, o Soros, os Judeus, todos, pá.

          Não é culpada de todos os males do mundo, é culpada de não reconhecer os seus. Acabou por ser a dominante, obrigando os outros a reconhecer falhas reais e imaginárias (como a aceitação de algum homosexualismo no império Otomano), e essa falsa autoridade moral deixou de ser aceitável. É um movimento para que não sejam só palavras ocas da boca para fora para atirar aos outros.
          Com a China e a Rússia do outro lado a apontar a hipocrisia, não há alternativa a lidar com as falhas se a ideia de farol do mundo não é só imperialismo.

  3. Eu queria sugerir aos nossos amigos khmers vermelhos disfarçados de “esquerdistas moderados” que exigem também aos outros povos que fizessem o mesmo e destruíssem a memória de todos os seus governantes ou personalidades que viveram em tempos de escravatura.

    Podia-se começar por deitar abaixo as pirâmides do Egipto, que aqueles faraós eram uns verdadeiros fascistas.

    Em seguida o Taj-mahal, o Potala, as pirâmides Aztecas.

    E já agora peçam ao governo sul africano para deitar abaixo o monumento do imperador Shaka Zulo, que o gajo tinha imensos escravos.

    • Sugiro também uma manifestação contra os nórdicos pelas invasões bárbaras, depois podemos reclamar dos romanos, dos muçulmanos e do Napoleão. Só não podemos reclamar do Marx que era um fulano “inteligentíssimo”.
      A maioria dos manifestantes que vai para estes actos não sabe nada de história. Já vi manifestantes LGBT com camisolas do Che Guevara.

      • Nota.

        Ou seja, há um dress code para as manifs LGBT, outro para as LGBTI e por aí fora.

        Salvem As Baleias, Salvem Os Oceanos, Greenpeace, WWF, Robin des Bois, Greta e Pangolins, de um lado; O Povo É Quem Mais Ordena, do outro (ali para os lados de Baleizão, da Grândola Vila Morena ou da Quinta da Atalaia).

        E a icónica fotografia de Che não pode ser apropriada pelos maricones, é pecado revolucionário (razão tinha O Álvaro, camaradas).

        https://3.bp.blogspot.com/-cF7K9PhZeUY/Ula5yOPTRpI/AAAAAAAAKTc/b8MgWKDw108/s400/cheguevaragay.jpg

        • Decididamente, só podes ser intelectual de esquerda.

          Se fosses uma pessoa com um mínimo de cultura geral tinhas percebido que a boca do Carlos à imbecilidade de um LGBT andar com uma camisola do Che.

          É que a revolução cubana agravou a perseguição aos homossexuais em relação ao regime capitalista anterior.

          A homoseuxalidade foi apresentada na propaganda castrista como causada pela decadência moral do capitalismo.

          Concretamente muitos homossexuais firam mandados para campos de concentração pela revolução cubana.

          Logo, um LGBT andar com uma camisola do Che é tão “inteligente” como um preto andar com uma camisola do KKK.

          • Nota, única.

            Pedrinho, não sei se consegues perceber que a minha caridade tem limites.

            O que exibes por aqui é de uma enorme ignorância, já o disse suavemente, chouriços com parvoíces da net e que não dão espaço a qualquer subtileza de linguagem, essas sim mariconices, e que de que são seguramente culpadas a falta de leituras que in illo tempore te ajudassem a pensar: pelo que vais parvejando, freneticamente, a propósito de tudo e de nada…

            E é assim, menino: ontem, anteontem, há uma semana ou há um mês, andavas perdidamente pel’A Estátua de Sal e por outros lugares do estilo com elogios aos escravocratas, morte à ciganagem, em defesa do ocidente, glup!, transportando uma albarda de foleirices várias sobre a/s esquerda/s e a/s direita/s não me interessa, sacando do bolso desse kispo oleoso o mesmo tipo de argumentário de que se encontram pejadas as mal-frequentadas caixas de comentários dos jornais online (antes era o Expresso, depois transferiram-se em massa para o Sol e até o outrora asseado P. da Sonae foi invadido pela malta da m. do FB há muito tempo).

            Hoje por exemplo, como é que queres troco?, falas de um tal de p-r-e-t-o (algo que te define mais a ti, já agora, do que a alguém que pretendas atingir pelo que, saiba-se lá, deve ser essa uma alcunha de família dos cabrões dos senhores teus antepassados) e outras grosserias do género.

            Portanto, não parvariques comigo e vai pastar.

            • Eu estou-me nas tintas para o ocidente, apenas noto que é uma aldrabice racista pretender que tudo o que é branco ou ocidental é mau e que tudo o que não é é santo.

              Todas as civilizações, brancas, pretas, amarelas praticaram a escravatura e por acaso até foi a ocidental que a veio a abolir.

              Do mesmo modo nem todas as pessoas de raça negra ou cigana são santas, e as pessoas brancas não são inferiores, (geneticamente?) para serem as únicas no mundo a serem racistas ou machistas ou xenófobas.

              Essas afirmações que vocês fazem são Racistas.
              .

              Tu és um SS de esquerda .

              Porque as raças humanas são todas essencialmente iguais e quem afirmar o contrário é racista como os nazis e os esquerdistas.

              – E todas essas tuas parvoíces para branqueares a perseguição aos homossexuais praticada pela revolução cubana ?

              Até há um discurso do Fidel a acusar os homos de serem um produto do capitalismo.

              Sei que não tens capacidade mental para compreender a ironia que é um LGBT andar com uma camisola do che, que o teria mandado direitinho para um campo de concentração.

              Mas é natural, todos os fanáticos são broncos de compreensão lenta.

    • O Thomas Mann disse um dia que onde se queimam livros um dia vão ser queimadas pessoas.

      Aplica-se o mesmo a qualquer monumento.

      Este ódio racista que está a ser fomentado contra tudo o que é ocidental pode vir a fazer muitas vitimas de carne e osso.

      • Qual queima de livros, a única coisa que existe são empresas capitalistas a tentar agradar ao mercado com o mínimo esforço possível, mal e cinicamente, como é hábito.

        • Tretas.

          O mercado se não quiser não compra.

          O que está a acontecer é o contrário, querem retirar do alcance do público uma série de obras.

          Os ataques que estamos a ver são censura política.

          Qualquer dia não podemos ler Os Lusíadas e o Tintin no Congo por causa “da luta contra o imperialismo”.

          Só contra o imperialismo que for ocidental, bem entendido, porque está tudo muito caladinho com o que a China está a fazer, NESTE MOMENTO, nas suas colónias do Tibete e do Xinjiang.

          • São as empresas privadas que o fazem por sua vontade, se se atacam a si próprias isso é lá com elas, mas é porque acham que compensa.

  4. Uma coisa é ser iconoclasta no rescaldo de uma revolução/golpe de estado/conflito militar/ocupação, há um grande ressentimento e vontade de “acabar” com aquele passado que ainda é presente. Outra, completamente diferente, é estarmos a destruir o passado de séculos por um presente que se pretende mudar à força e desligar da história!

    Acaba por derivar tudo do famigerado “white man guilt” – onde nos incluímos neste espectro (desde quem acha que o Homem branco foi a melhor coisa que existiu até quem o acha responsável por todos os males e defende indemnizações/contrições em massa, há todo um mar de possibilidades). A troupe do Oliveira sabe bem onde está…

    • Quando se fazem monumentos a pessoas, e não a acontecimentos/movimentos/…, é impossível questionar as pessoas, que inevitavelmente terão defeitos.

  5. Uma questão, algo off-topic (e daí talvez não, pois tem a ver com a história mais ou menos recente da Europa) e que, pelo que sei, ainda não foi debatida publicamente tem a ver com o seguinte: o discurso das instituições europeias e das cabeças bem-pensantes cá do burgo, nestes últimos anos, passou pela necessidade de importarmos mão de obra extra-europeia para dinamizar o mercado de trabalho, equilibrar as contas da segurança social e, basicamente, para termos quem faça o que os Europeus já não querem fazer. No contexto atual, em que se assiste diariamente à destruição inapelável de milhões de postos de trabalho e em que, mesmo que se avance para uma ré-industrialização será sempre um processo moroso (e vamos ver quantas multinacionais estarão de acordo com esta deslocalização…), ainda há necessidade de importar mão de obra oriunda de outros continentes? Ou o politicamente correto vai obrigar a juntar mais gasolina à fogueira do desemprego?

    • Mas qual necessidade.

      A “necessidade” foi só os capitalistas encherem-se roubando os trabalhadores com salários baixos formando um “exercito de reserva” (termo marxista) com imigrantes baratos.

      Os nossos trabalhadores emigraram para irem fazer exatamente os mesmos trabalhos que faziam aqui e nunca emigrariam se os salários por cá tivessem aumentado – e mesmo na Alemanha se esses trabalhos fossem bem pagos não faltariam alemães para os fazer.

      Agora que os não-europeus tenham direito a imigrar para cá, isso é outra conversa. que passa pela liberdade individual e pela divida ética que o ocidente tem por conta do colonialismo.

  6. Certo, os capitalistas têm esse objetivo.

    Muita da gente que emigrou, alguma até bastante qualificada, acabou por ir trabalhar nas limpezas, restaurantes e quejandos, coisa que cá não fariam (por motivos salariais mas também por “vergonha”).

    Sinceramente essa dívida ética de que fala não me assiste. Não me peçam para pagar indemnizações nem para sair de casa ou deixar o meu emprego em nome de um “pecado” que não cometi. Compreendo que toda a gente acabe por procurar o que é melhor para si, mesmo que tal implique emigrar para a Europa “decadente”, “não competitiva” e, claro está, “colonialista” e “racista” – o sapo que essa gente não tem que engolir… Curiosamente, não temos assistido a movimentos de emigração em massa para os tais países com brutais crescimentos económicos, é sempre aqui para os “racistas”.

    Só quero é saber se a Europa vai continuar a “precisar” de trabalhadores estrangeiros.

    Já sei a sua resposta: sim, nem que para tal nos tenhamos de suicidar todos. Presumo que considere este um comportamento eticamente “correto”, já que somos todos colonialistas!

    • Depende do que é pretendido. Como na eurolândia a única coisa que interessa é ter trabalho cada vez mais barato por causa do medo da suposta inflação causada pela ausência de contas certas, sem dúvida que é preciso.
      O que é errado na figura depende da ideologia económica de cada um, mas, se houvesse plano de pleno emprego (produtivo), duvido que o mesmo rácio fosse um problema.

      • Mas há uma alternativa, se deixarmos de forçar esses países a serem meros extractores de recursos sujeitos a crises derivadas de alterações cambiais (como acontece na eurolândia com mecanismos diferentes, incluindo também os serviços), a migração pára.

        • Concordo integralmente!

          Vou estar atento à narrativa oficial sobre este tema – é que agora isto está mau em todo o lado, já não há países “bons” para emigrar (onde há trabalho, trabalho “bem” pago) e a Europa pode mesmo constituir um último refúgio por ser onde ainda há estado social.

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