O Governo tem neste Ministro material inflamável

(In Blog O Jumento, 28/07/2019)

A forma como o ministro da Administração Interna reagiu às perguntas dos jornalistas em relação às golas revela alguma incompetência pessoal, para não referir a forma desastrada e arrogante com que o ministro falou.

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Não seria necessária muita inteligência para explicar aos jornalistas a diferença entre explosivo e inflamável. Não seria difícil de explicar que para que o material começasse a arder seria necessário muito mais calor e chamas do que uma simples fagulha e nesse caso a questão dos materiais coloca-se não só nas golas mas também em toda a indumentária.

Enfim, se os bombeiros estivessem impedidos de usar materiais inflamáveis teriam de se deslocar a pé e em vez de mangueiras teriam de voltar a usar os tradicionais baldes em chapa de alumínio.

Mas em vez de explicar isto o ministro fez lembrar os tempos de deputado, na célebre cena de disputa do microfone do parlamento com o então SEAF Paulo Núncio. O ministro reagiu de forma disparatada e levou demasiado tempo a perceber que a resposta imediata teria sido um inquérito.

Para ajudar à festa veio o secretário de Estado da Proteção Civil atirar as culpas para baixo, isto é anuncia-se um inquérito e ainda antes de quaisquer conclusões já se sacode a água do capote.

É evidente que as golas estão longe de ser um caso, se existe um caso foi o ministro que o criou.


Fonte aqui

11 pensamentos sobre “O Governo tem neste Ministro material inflamável

  1. Resumindo, o mal não é a proteção civil andar a distribuir roupa de proteção em poliester para as pessoas usarem durante os incêndios, mas o facto do ministro não ter conseguido convencer as pessoas de que semelhante barbaridade é perfeitamente natural.

    Outra coisa, não consta que nenhuma peça de vestuário dos bombeiros sejam feita desse material…

    Não é preciso andar vestido com um balde de lata com aberturas para os braços para saber que num incêndio não se deve usar material particularmente inflamável.

    Eu até posso ter roupa desse material, mas se me lembrar disso, na confusão de um incêndio, vou tirar e não vestir esse tipo de roupa.

    Ora essas golas são distribuídas num kit para incêndios.

    Este tipo de posts é verdadeiramente CRIMINOSO.

    • O kit não é para combater incêndios, é para ajudar a fugir aos mesmos.
      Se são um desperdício, isso é outra coisa.

      • Fugir a um incêndio costuma implicar haver um incêndio por perto…

        Uma gola de poliester NÃO deve ser usada perto de um incêndio.

        Como um incêndio não faz acordos de timing e de percurso com as suas vitimas, fugir a um incêndio implica muitas vezes contacto com as chamas e por vezes até ter de as combater.

        Um kit para incêndios com roupa de poliester é um CRIME.

        Nem se trata só da monstruosidade de ser distribuído pela suposta defesa civil, a própria comercialização de uma gola de proteção de poliester devia ser simplesmente proibida.

        Ainda para mais, aquando da distribuição não foi feito qualquer aviso de que aquilo não devia ser usado perto do fogo – isto é um exemplo de estupidez concentrada elevada ao grau de crime.

        • Mas, quem é que disse, que não pode ser usado o polyester, no combate a incêndios?
          A ignorância tem limites!
          Informem-se antes de falarem.
          O produto em causa, está para as chamas, como está o algodão e era isso que o orelhas da RTP, devia dizer, porque foi isso que ele leu nas investigações que fez, mas isso ia acabar com o festival de ignorância nas Redes Sociais, como se está a comprovar!

  2. […]

    «Enfim, se os bombeiros estivessem impedidos de usar materiais inflamáveis teriam de se deslocar a pé e em vez de mangueiras teriam de voltar a usar os tradicionais baldes em chapa de alumínio.», cito.

    Nota. Concordo com o post d’O Jumento, mas não se alcança exactamente a comicidade de que, segundo a douta opinião, háverá mangueiras usadas pelo bombeiral português feitas com… materias inflamáveis. Pelo contrário, se há algo que não arde nunca, de certeza, são as mangueiras que, durante o combate aos fogos sazonais, andam, quase sempre, em contacto com o chão em chamas (e sempre em brasa, hello!). Nem uma empresa manhosa de vão de escada singelamente baptizada “Fox Aventura” quem pelo que percebi, se dedica a costurar uns brindes, uma ideia altamente empreendedora e de valor acrescentado que saiu da tola da marida do senhor do PS, ou a do marido da senhora do PS de Guimarães e de Fafe, se lembraria de um mercado ali ao alcance de uma mão tão milionário… Em todo o caso é certo que, assim, ainda sobraria pilim para o Largo do Rato fazer as campanhas eleitorais e umas patuscadas, né?

    https://pbs.twimg.com/media/EABJUWFXoAEN3k6?format=jpg&name=small

    • Especialistas em incêndios e outras matérias . Isso é de fato uma coisa que me espanta: sempre que surge a implementação seja do que for aparecem uma legião de especialistas altamente dotados -basta aparecer na TV para se ser dotado – a informar que aquela não é a melhor decisão. E é isso que me desilude neste país: não sabemos decidir e implementar seja o que for: Ponte sobre o Tejo: começou a ser pensada no final do seculo 19 ( dezanove) e foi concluída na década de sessenta do seculo XX. Alqueva? Pensada na década de quarenta do seculo XX. Ainda não está acabada. Aeroporto ? Decidido no tempo do Marcelo Caetano. Eram 18 opções, ficaram duas e escolhida uma no tempo do Guterres. A bandalheira foi tanta que foi tudo esquecido e agora talvez seja no Montijo… Cais de contentores da Trafaria no tempo do promotor da exportação dos pasteis de nata e vendido como uma ideia nova, foi estudado na década de quarenta do seculo XX, como cais de carvão . Noto que nessa altura ainda nem os contentores existiam…. e claro o cais não foi feito e já surgiram variadas hipóteses alternativas ao local. Porto de Sines, foi feito creio que na década de sessenta do seculo XX,, considerado elefante branco, ficou às moscas ou quase e finalmente , agora é um sucesso e até vai ser aumentado. Mas isto são só exemplos de coisas que fariam avançar o país se construídas a tempo e horas , porque, agora, quando se querem fazer… o mundo é outro completamente diferente. Mas há pior: é que nem para destruir sabemos fazer:. Vejam a questão do pré Coutinho em Viana do Castelo. Era para ter 6 andares, fizeram 13 ( imediatamente ANTES do 25 de Abril. Creio que em 1975 foi aventada a hipótese de o deitar abaixo… Isso só se concretizou depois do ano 2000 ( a hipótese ). Agora em 2019 querem deitá-lo abaixo e toda a gente protesta. Mais , apareceu agora umas petição para o manter de pé porque é um ícone ( De quê ? Da nossa incapacidade de fazer seja o que for ? Se for, até assino a tal petição).
      Depois dizemos com orgulho parvo que somos muito desenrascados e por isso reconhecidos. Pois, isso a mim não me convence. Só se desenrasca quem se deixa ficar enrascado. E só fica enrascado quem não sabe decidir e fazer.

      Somos de fato uma desgraça .

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