Tratado eleitoral para gente de má nota e amnésicos contumazes

(José Gabriel, 05/07/2019)

Promessas eleitorais

(Com nota de mui bom sustento para os que hão por fortuna governar)

1 Prometa tudo. Tenha confiança no poder da amnésia pré-eleitoral. Garanta que vai baixar os impostos, aumentar salários, diminuir a despesa, reduzir o défice e a dívida, aumentar o investimento público e proteger o privado. Não poupe no optimismo – poupe só na verdade, que interessa a poucos. É isso que lhe permite proclamar, sem corar, os defeitos de todos os outros e opô-los ás suas inúmeras e indiscutíveis qualidades. E, importante, jure que não vai retirar nenhum dos poucos benefícios de que gozam os que penam e trabalham – mas jamais se refira aos que tenciona oferecer aos ricos e já privilegiados.

2 Se for eleito e tem a maioria para governar, siga para o ponto 3. Se não tem, fique por aqui.

3 Vai governar. É altura de se queixar da “pesada herança” que recebeu, mesmo que ela tenha vindo do seu partido – a política feita arte menor não tem moral. O seu governo bem queria, mas vai-lhe ser difícil cumprir as metas e promessas feitas (acrescente aqui alguns argumentos herméticos colhidos nalgum tratado de macroeconomia, “ciência” muito útil nestes malabarismos). Lembre os “nosso compromissos europeus” que, para sua mágoa, o impedem de ir tão longe como desejaria – e, sobretudo, não lembre as responsabilidades que tem nesse facto. Se tiver de cortar salários, pensões, direitos, não se esqueça de distribuir culpas em todas as direcções – menos a sua, claro.

4 Está no final do seu mandato e vêm aí eleições. Tudo o que aconteceu de bom, foi obra do seu governo; tudo o que correu mal, é culpa de todas as entidades cuja lista os seus assessores não deixarão de fornecer. Mostre que, de futuro, segundo lhe asseguram estudos adrede realizados, tudo lhe correrá muito melhor.
4 a) É da oposição? Volte ao ponto 1.
4 b) É boa gente e não se revê no título deste Tratado? Continue a lutar, que eleições aldrabo-mediatizadas e batota não são a sua praia. E tenha coragem, já que a sua virtude não lhe garante sequer – dizem os entendidos – o reino dos céus.

Um pensamento sobre “Tratado eleitoral para gente de má nota e amnésicos contumazes

  1. Ui?

    Nota. José Gabriel, depois do bom artigo que escreveste sobre o prédio Coutinho voltaste a consumir o café com cheirinho antes de postares? Olha lá, pá, tu achas que Portugau voltou todo para a época dos cabeçudos* para tu andares nessa jigajoga?

    Asterisco. Sabemos que há excepções n’A Estátua de Sal, uns cabeçudos nevróticos!, mas vê lá que, até esses, não abriram até agora impertinentemente a sua ilustre… matraca.

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