PAN para mangas

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 01/06/2019)

Miguel Sousa Tavares
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1 O PAN é uma fraude política contada às criancinhas e aos incautos. No fundamental, constrói o seu caminho numa geração e num tempo desprovido de causas, servindo uma causa pronta a vestir, supostamente moderna, correcta e que não dá trabalho algum a enfiar. Cavalga ainda o discurso anti-sistema e antipartidos, que também é uma moda — uma moda perigosa. E alimenta-se da ignorância de quem confunde os direitos dos animais com a defesa do ambiente e o veganismo com a protecção da natureza. Não admira que tenha três ou quatro vezes mais votos nos centros urbanos do que nas zonas rurais, 10% de votos em Oeiras e zero votos em Barrancos.

Mas o que caracteriza o PAN não é só aquilo que defende, aberta ou encapotadamente, mas também a forma como o faz. E fá-lo de forma totalitária, intimidatória e arrogante — como quando André Silva, dissertando sobre a caça ao javali em montarias, declara que se trata de escolher entre “o lado do progresso ou dos sectores mais violentos da sociedade”, só faltando chamar assassinos aos caçadores (coisa que no seu íntimo deve ser o que pensa). Experimentei isso na pele quando, depois de dizer mais ou menos isto no domingo, logo me caíram em cima, com fúria animal, todos os corajosos das redes sociais, numa verdadeira caça em matilha. Como não frequento as redes sociais, esse é o lado para que melhor durmo, mas não deixei de constatar como estes neoambientalistas são gente aberta à troca de argumentos e ao contraditório.

Justamente, a maior fraude do PAN é agora a tentativa de se reconverter (de se disfarçar, melhor dizendo) em partido ambientalista, que nunca foi, para, aproveitando o seu sucesso nas europeias, conseguir uma acreditação na grande família dos verdes europeus e, por arrasto, aqui também. O seu deputado em Bruxelas anunciou até que quer integrar a Comissão de Agricultura — eles que aqui nunca estiveram preocupados com a proliferação fatal de eucaliptos, até já em zonas de Reserva Agrícola, com o olival super-intensivo do Alqueva, com a desafectação de terrenos agrícolas para especulação imobiliária turística, com a política da água e dos rios e, sobretudo, com o mundo rural, que vive e prolonga a agricultura, a caça, a pecuária, a produção de queijos e enchidos e tantas outras coisas que fazem parte do Index do PAN e que, a serem cumpridas, significariam a morte da agricultura e de todo o mundo rural.

A maior fraude do PAN é agora a tentativa de se disfarçar de partido ambientalista

Mas se o PAN pode ensaiar agora despudoradamente a máscara de partido ambientalista é porque todos os outros se demitiram de o ser e todos viveram uma legislatura inteira agachados com medo do PAN. Para começar, há uma coisa chamada o PEV — Partido Ambientalista Os Verdes — mas que não passa de um estratagema para duplicar os tempos de intervenção do PCP na Assembleia, sem jamais ter tido voz própria e sem jamais ter ido a votos. Quando, por razões eleitorais do PCP, foi necessário apoiar os ocupantes ilegais das ilhas do Parque Natural da Ria Formosa, os verdes lá o fizeram, deixando cair qualquer resquício de fachada ambientalista.

O PS, particularmente, vive no terror do deputado André Silva, e agora, com a perspectiva de vir a encontrar em Outubro mais uns quantos como ele, passou do terror ao namoro descarado: se for preciso vender as touradas e a caça para garantir o apoio do PAN para governar, fá-lo-á, sem vergonha. O PSD, como vem sendo habitual, não sabe o que fazer, ainda não entendeu se deve temer mais o PAN ou os professores, os camionistas ou os magistrados.

O CDS é um caso à parte: tem a notável excepção da deputada por Santarém, Patrícia Fonseca, a única com coragem e conhecimentos para os enfrentar, e depois um vazio arrepiante que é o paradigma do vazio ideológico em que caiu a direita portuguesa, incapaz de incarnar esta como qualquer outra causa, uma ideia alternativa, um projecto diferente para o país. No anterior Governo, Assunção Cristas conseguiu a pasta com que Gonçalo Ribeiro Telles sempre sonhou, reunindo num mesmo Ministério a Agricultura, as Florestas, o Mar, o Ambiente (com a Habitação) e o Ordenamento do Território — talvez o Ministério mais importante para traçar o futuro do país nas próximas décadas. Infelizmente, porém, a sua absoluta impreparação em cada uma das pastas e a sua insensibilidade para sequer perceber a importância do que tinha em mãos conduziram a um dos maiores desperdícios políticos a que já assisti. Quanto ao Bloco de Esquerda, tem sido, sem surpresa, o parceiro de serviço do PAN. Têm a mesma raiz sociológica — a burguesia urbana e a juventude das redes sociais e das causas da moda — e o mesmo desprezo e ignorância pelo país do interior. Não fossem eles fazedores de leis, e até daria vontade de rir ver o BE justificar o seu voto a favor da proibição da caça ao javali com matilhas de cães (declaração de interesses: não pratico) com o argumento de que assim se “impede a luta entre animais”. Será que eles alguma vez passaram um dia no campo a observar como os animais gastam o tempo todo a lutarem, a caçarem e a comerem-se uns aos outros? Ou acharão que os animaizinhos comem todos couves e curgetes? Resta o PCP que, honra lhe seja feita, tem sido inabalável naquilo que considera a defesa do modo de vida do mundo rural e da actividade económica dos seus sobreviventes, que, muito justamente, põe a par da luta contra o encerramento de postos de correio, centros de saúde, linhas férreas. Dirão que é o PCP a defender o seu eleitorado natural, mas isso só lhe fica bem.

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O PAN cavalga o vazio. O vazio de quem associe a protecção do ambiente com o ordenamento do território, a defesa da agricultura sustentável contra as monoculturas intensivas e predadoras, a defesa do mundo rural, das suas regras, valores e tradições contra a arrogância e ignorância dos ayatollahs urbanos, de quem tenha um pouco mais de humildade e de respeito quando fala de coisas de que não sabe e de gente que pensa diferente. Mas, sabem que mais? Talvez um dia, mais cedo do que tarde, esse vazio seja preenchido. Talvez um dia o PAN seja enfrentado como merece por quem não tenha medo de o fazer. Oxalá não tenham de ser outros populistas como eles a fazê-lo.

2 Dois presidentes de Câmara do PS estão detidos provisoriamente sob suspeita de várias trafulhices com dinheiros públicos, envolvendo, no centro da “teia”, a mulher de um deles. Outro está a ser julgado por motivos semelhantes. É cedo para qualquer juízo de culpabilidade, mas não para constatar as coincidências. São tudo distintos autarcas socialistas, excelentíssimos dinossauros do poder local, gente influente na terrinha, provavelmente comendadores da República. E são todos naturalmente candidatos a mais altos voos num futuro Portugal regionalizado. Tenham medo, muito medo.

3 Berardo vai processar as câmaras da Assembleia da República que o filmaram no desempenho do papel de orgulhoso caloteiro, que desempenhou com indisfarçável gozo e inultrapassável brio. Diz que o faz em nome do direito à protecção da imagem. Ou seja: como, reflexão feita, não gostou da imagem que deu, Berardo processa-se a si mesmo. É, de facto, uma originalidade. E, atendendo a que não tem quaisquer bens próprios, não será de espantar que ainda venha pedir assistência judiciária, com dispensa do pagamento de custas.


Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

14 pensamentos sobre “PAN para mangas

  1. Ah, afinal o “progressismo” do MST é bastante conservador quando é obrigado a elaborar sobre algo que ataque a sua amada esfera social dos anos 70. É absolutamente delicioso ler a quantidade de asneiras que o senhor profere em relação a esse “mundo rural” (que basicamente se circunscrevem às experiências labregas que teve na juventude lá nas herdades dos primos latifundiários) que na realidade mostram que, do mundo rural, MST não sabe nada.
    O facto de o PAN não ter tido votos em Barrancos diz mais sobre esse desterro que do partido. O mundo rural que o MST descreve é o que via à distância, quando nos anos 60 ia à caça com os primos e passava pelas tascas lá da aldeola e as encontrava cheias de homens (sim, porque o mundo rural é extremamente misógino, fruto de décadas entregues à religião e ao alcoolismo, mas o MST habilmente ignora estas coisas menos bonitas) enquanto as mulheres andavam atarefadas a cuidar das dezenas de filhos e, pelo meio, colhia-se a azeitona, a uva e o trigo para o patrão. Pois ele que experimente ir ao “mundo rural” de hoje para ver o que é que encontra…
    Agora a verdadeira azia em relação ao PAN vem obviamente do ataque cerrado que estes têm feito à grande vergonha nacional que são as touradas. Que a esmagadora maioria dos portugueses, muitos até no mundo rural por estranho que pareça, à anos que pedem o fim dessa estupidez, pois, ignorância selectiva lá está. Que muitos dos seus primos caçadores sejam também cobardolas forcados? Coincidência. Ninguém é mais objectivo que o Miguel. Quem disser o contrário é um radical urbano! (Humm, onde é que eu já vi este tipo de retórica?)
    O mundo rural que lhe molha as calças morreu na década de 90 quando os primos dele e demais latifundiários, perante continuar a tal tradição agrícola que ele tanto venera ou recolher cheques chorudos de fundos comunitários para que Portugal se tornasse dependente das outras agriculturas da Europa, bem, digamos a tradição deve ser respeitada sim senhor, mas enquanto não afectar o volume da carteira.
    E como se não bastasse ainda à a questão da automação. Porque o MST só ia ao Alentejo quando havia batida ao javali ou uma touradinha com os primos. Outros, como eu, passam por lá a maioria da vida. O impacto da automação já se sente no Alentejo (e no resto do país) quando antes se viam montes de cabecinhas nas vinhas, plantações de tomate e até nos olivais e hoje não se vê literalmente nada. Mas a uva, o tomate e a azeitona continua colhida. Só que agora basta um tractor com o adaptador próprio e aquilo despacha uma vinha em horas quando as pessoas precisavam de dias. O MST quer chorar pelo mundo rural? Então faça-o com os primos que foram os primeiros a descartar os tais aldeões, cuja miséria tanto lhe insuflava o ego, por o último modelo da John Deere.
    O voto no PAN por parte das cidades foi a atitude mais patriótica que os portugueses tiveram desde o 25 de Abril. Muitos talvez o fizeram porque, como qualquer pessoa que não tenha sido formatada pelo lobby das touradas, são sensíveis ao sofrimento animal. Não significa que sejam vegans sequer, demonstra apenas que possuem empatia, que é mais do que posso dizer do senhor. Mas acredito que a maioria, tal como eu, fê-lo porque não é cego e têm assistido com algum receio à miríade de catástrofes ambientais que têm assolado o mundo, assim como à quantidade avassaladora de estudos científicos que provam que o aquecimento global, existe, é provocado pelo homem e que senão for combatido com urgência pode facilmente extinguir-nos como espécie. Será que em Barrancos se discute estes temas nas praças de aldeia, onde a idade média é 85 anos?
    A ironia aqui é que um voto no PAN faz mais por Barrancos que todos os seus habitantes. Porque da próxima vez que o Alentejo se apanhar numa seca prolongada, ou num daqueles verões de 55ºC à sombra, em Barrancos vai-se rezar. No resto do país, os tais urbano-depressivos que votam PAN, vão se discutir formas de combater o excesso de CO2 na atmosfera. O tempo dirá qual das estratégias resulta.
    Apesar de tudo, esta crónica do MST acaba por ser tanto trágica como cómica e mostra apenas que a objectividade é inversamente proporcional às rugas.

  2. O país não necessita de mais um partido radical. O PAN usa chavões como alterações climáticas, somos ambientalistas, protecção dos animais e muitos outros. Ora tudo isto são temas comuns a todos o cidadãos, assim sendo porque cresce o PAN, Na minha opinião existe um motivo: o povo anda zangado com os partidos tradicionais, tendo nós uma enorme quantidade de cães (basta ver os passeios das nossas cidades) e gatos, resolveram votar no PAN que pensam que é o partido que defende os seu animais, Claro que isto é passageiro e no próximo acto eleitoral tanto pode eleger um deputado como nenhum.

  3. A Estátua de Sal é o único blog que subscrevo, e recebo a newsletter desde há anos, porque sempre tem sido uma mais valia na divulgação de artigos inteligentes e reflexivos – quer concorde ou não com as posições dos autores – e por isso agradeço. Já li artigos magníficos que teria perdido certamente e também artigos maus que dispensaria. Faz parte, naturalmente, não é uma selecção específica para ninguém. Mas tem sido uma selecção inteligente e diversificada.
    A razão porque estou a escrever este comentário com esta introdução a servir de contextualização, é porque, genuinamente, fiquei enjoada e irritada com este artigo desde o seu início. Até fui reconfirmar se tinha sido postado pelo Estátua.
    O MST tem dias e horas, algumas mais felizes na sua escrita. Mas este?!
    Parece uma dos seus desabafos rancorosos em que perde totalmente o distanciamento das emoções, a noção de que não é o dono do conhecimento da realidade e destila ódio e rancor em cada frase disfarçados de prosa… é estúpido, ignorante e totalmente estéril.
    Que raio, Estátua, aconteceu nesta postagem?!
    É apenas a minha opinião, que quero seja construtiva, e vale o que vale, mas foi uma desilusão e irritação tão grande que tive de a manifestar.
    Uma boa continuação de trabalho.

    • Obrigado pelo sue comentário. Nem sempre concordo com os textos que publico, e muitos são publicados pelo seu lado polémico e pelo debate que podem suscitar. Foi o caso deste.

      Um grande bem-haja.

  4. Miguel, Miguel, Miguel.

    Quando foi eleito, o PAN foi
    olhado com alguma
    condescendência. Depois das
    europeias, surgiram ataques.
    Quem tem medo do PAN?

    Primeiro ignoram-te, depois riem
    de ti, depois agridem-te, depois
    aceitam-te. Este é o caminho das
    pedras que o PAN tem feito.
    Estamos, se calhar, na terceira fase.
    Em que há cada vez mais pessoas a
    reverem-se nas propostas do PAN,
    há este reconhecimento expresso
    nas urnas. E as principais forças
    políticas percebem que o PAN já
    conta ou pode contar, assim os
    portugueses queiram. Essas
    reacções têm vindo de alguma
    desinformação, mas [sobretudo] de
    interpretações propositadas para
    dar uma determinada imagem.
    Através de posições de alguns
    comentadores, há o veicular de
    uma mensagem algo deturpada.
    Quando se diz que não é um partido
    ambientalista porque não fala de
    ambiente nem de alterações
    climáticas, é ser pouco honesto.
    Basta olharmos para todos os
    debates quinzenais, em que
    estamos constantemente a falar
    dessa matéria.

    Fonte: P., 1.6.2019, pp. 2-3 (entrevista de André Silva, que hoje também está no Expresso e no Sol).

    • […]

      Segundo o site “Hemiciclo”, ao votar no Parlamento,
      o PAN alinha mais com a esquerda: o deputado único do
      partido votou a favor de 52%
      dos projetos do PSD, 55% dos
      do CDS, 60% dos do PS, 68%
      dos do PCP, 72% dos do PEV
      e 74% dos do BE. Mesmo sem
      polarizar com a direita, apesar
      de alguma resistência em ligar
      o PAN a uma ideologia, o deputado acaba por admitir que,
      do ponto de vista do Estado
      Social, dos valores sociais, do
      SNS, “por analogia, por confrontação”, são de esquerda.
      Rejeitando a ideia de que o
      PAN representa um voto de
      protesto, André Silva defende
      que o partido que lidera veio
      preencher uma lacuna: a falta
      de um partido ecologista, num
      momento em que em Portugal
      também se vive uma onda verde, com cada vez mais pessoas
      preocupadas com o ambiente.
      “O resultado de domingo veio
      dizer, na Europa e em Portugal, que o campo político da
      ecologia é uma força autónoma, tal como são a esquerda
      e a direita, e deixou de ser um
      pequeno apontamento residual
      nas políticas dos países.”

      Fonte: Expresso, 1.6.2019, p. 8 (idem, entrevista com André Silva).

      • […]

        Há uma outra mudança de fundo
        que as europeias revelam: a
        entrada do PAN no quadro
        partidário de primeira linha, se se
        consolidar nas legislativas de 6 de
        Outubro. Olhar o PAN como um
        partido de causas é um erro de
        análise e uma prova de ignorância
        sobre o que este partido defende e
        também sobre o que é o mundo de
        hoje. É fácil ridicularizar o PAN,
        reduzindo-o ao partido dos
        maluquinhos dos cães e gatos ou
        da alimentação biológica. É certo
        que o PAN defende que os animais
        são “seres sencientes”, ainda que
        não conscientes como os humanos.
        Mas a verdade é que a forma como
        os humanos os encaram e tratam,
        além de ter consequências sobre a
        vida dos animais, define os
        próprios humanos.
        O PAN é muito mais que a defesa
        dos direitos dos animais: tem uma
        visão actual sobre o que são os
        direitos humanos e como devem
        ser centrais nas políticas mundiais
        em sociedades democráticas
        inclusivas das diferenças e
        reconhecedoras da diversidade. A
        sua visão sobre o problema dos
        refugiados e dos imigrantes que
        procuram abrigo e uma nova vida
        na Europa não é absurda. Nas suas
        linhas mestras, é similar a outras,
        até mesmo em Portugal. E o
        problema não vai resolver-se
        apenas porque a União Europeia o
        tem “empurrado com a barriga”.
        O PAN tem também uma visão
        apurada das questões que se
        prendem com as alterações
        climáticas e as mudanças que é
        necessário introduzir no modelo
        produtivo capitalista, para garantir
        a normal sobrevivência da vida na
        Terra dentro de algumas (poucas)
        gerações. Isto significa que o PAN
        não é um defensor de causas
        “giras”, mas um partido que se
        afirrma na busca de um novo
        modelo de organização produtiva.
        As preocupações do PAN são tão
        centrais no mundo e na política,
        hoje em dia, que estiveram
        presentes, ainda que em grau
        menor ou idêntico, nos programas
        e manifestos de outros partidos
        nestas eleições. E isso torna estas
        europeias importantes, não só pela
        afirmação de Costa como líder, mas
        também pela alteração ao quadro
        partidário.

        Fonte: P. 6.1.2019, p. 10 (artigo de São José Almeida ontem, ora bem).

  5. Opah, este post cheira mesmo a velho e ao Restelo. Camões continua actual pelos vistos.
    Não admira que o Miguel não se atreva a por o focinho nas redes sociais, não vá ele ter de ser confrontado com o cheiro a bolor que já emana daquele cérebro.
    Acho piada ao senhor que tão depressa escreve sobre quando a maezinha o levava a comprar roupa na Baixa Pombalina como de repente já anda até ao tornozelo em lama e poeira nas suas aventuras no “mundo rural” (vai na volta às vezes ia cavar buracos e jogar ao berlinde ali para o descampado antes de chegar às Olaias, que para o menino da Baixa deve ser tão rural como outra coisa qualquer)
    Mas vá, o Miguelito está a tentar salvar o ganha pão dele. Fez vida a escrever sobre políticos profissionais, pelo que é exímio a comentar como estes descrevem círculos em torno das questões sem nunca lhes tocar como deve ser. Mas agora aparece um bicho novo no horizonte e este não se deixa tourear como os outros. Compreensivelmente, o Miguel está borradinho de medo.
    Porque o problema é que o PAN é um partido de causas, que até se ofende quando o tentam colocar no espectro ideológico do costume. Os de esquerda gostam de dizer que ele é de direita enquanto os conservadores depressa os apelidam de comunistas e afins. Ora sem a framework ideológica de que tanto depende, o Miguel simplesmente não tem forma de abordar o partido. O André Silva, engenheiro de profissão e logo aí uma raridade no meio de tanto advogado, economista e sociólogo, foi para o parlamento e com ele levou a objectividade e a sistematização na abordagem dos problemas que caracterizam a profissão (os bons lá está). Logo aí o Miguel ficou a ver estrelas. Um “político” informado que baseia as suas acções em factos e não se dá aos malabarismos da tanga tão comuns nos outros? E agora?
    Modas diz ele, coitadinho. Houve quem tivesse dito o mesmo da abolição da escravatura, 8h de trabalho diárias, sufrágio feminino e afins. Mas desses não reza a história e é fácil perceber porquê.
    Depois há ainda o passatempo favorito do escriba latifundiário, a tourada, que é de onde vem a maioria do fel deste artigo. O Miguel teve anos para evoluir e em vez disso acendeu mais um cigarro, puxou o jeans para o umbigo e assobiou para o lado para disfarçar os urros de dor do touro lá em baixo na praça. Agora olha, és irrelevante e as pessoas não têm pudor nenhum em esfregá-lo na tua cara. Paciência. Se o PAN só com um deputado e sem experiência política quase nenhuma já meteu os toureiros nas cordas em menos de 2 anos, imagino se conseguirem mais 5 em Outubro, como as previsões apontam. Pode sempre mudar-se para a Andaluzia e juntar-se ao Vox. Esses gostam de touradinhas como o Miguel!

  6. O PAN não chega a ser um partido ecologista urbano. Amigo dos animais de estimação e do tofu. Quanto muito é um partido ecologista das redes sociais. E quem não frequenta as redes sociais não conhece as suas preocupações com o ambiente. Digital claro.

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