Ter Confiança!

(Joaquim Vassalo Abreu, 29/05/2019)

Vassalo Abreu

A CONFIANÇA para mim, que toda a vida trabalhei em áreas ligadas às economias, e estou certo que por todos os economistas e mesmo empresários, é a principal variável de qualquer decisão económica.

É ela quem incentiva o consumo que por sua vez determina a produção e as consequentes importações e exportações e é também ela quem ajuda nas decisões de investimentos que, juntamente com o enunciado, proporcionam o crescimento económico.

Ainda nesta cadeia e sempre como consequência, surge o crescimento do emprego e logo mais impostos cobrados pelo Estado e menos despesas sociais e, ainda, mais redistribuição. A CONFIANÇA tanto em quem nos governa como nas Instituições Públicas e nos dados estatísticos oficiais é, portanto, e como é fácil intuir, o principal elo de uma cadeia que se quer estável e firme.

Ora foram estes os pressupostos que, se bem se lembram, Mário Centeno e toda a equipa de economistas que António Costa convidou para trabalharem o programa económico com que ele e o PS se apresentaram às últimas eleições, em 2015.

Se bem se lembram também, ainda em tempos da cruzada austeritária e da “TINA ( there is no alternative), tal programa económico mereceu a viva repulsa da PAF e de tudo o que era comentador arregimentado e mesmo de economistas instalados…

Mas, depois das peripécias que todos lembramos, Costa conseguiu, com o apoio Parlamentar dos seus aliados à esquerda, formar Governo e, sendo criada a chamada Geringonça, acabou com o maior mito da política portuguesa que era a impossibilidade de haver um Governo suportado por todas as Esquerdas (as radicais, como a Direita gosta de dizer…) e implementou mesmo, para grande irritação dos acima citados, o programa que tinha proposto, baseado no aumento do consumo proporcionado pela reposição de rendimentos e anulação de cortes.

A montanha era muito dura de escalar e os autênticos trabalhos de “Sisifo” não tardaram a surgir. Os escolhos eram mais que muitos, uma Banca deixada em estado decrépito para sanear, um défice que até alguns “portugueses” queriam penalizar e, ainda por cima, Centeno é acusado por um ilustre comentador e articulista desta praça, que se define como das Esquerdas, o Daniel Oliveira, ser o Centeno um “nabo em política que só estava no Governo para complicar a vida ao Costa”! Escreveu, escreveu mesmo (lembram-se daquela questão do Domingues que era para ser Presidente da Caixa e acabou por não ser?) e, da minha parte obteve uma imediata resposta: aquele meu texto que intitulei de ”Daniel, Um Noviço em Nabiças” (https://wp.me/p4c5So-LG).

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Só que mais tarde, com a Economia a engrenar, as promessas sendo cumpridas e os compromissos com o exterior a serem honrados, o Centeno passou de repente a ser um bom político tendo até sido proposto para Presidente do Eurogrupo! Só poderão estar a brincar comigo, terá pensado o Daniel, e o comentador micro Mendes foi até mais longe: que só podia ser piada do 1 de Abril! No fim todos engoliram em seco e foi mesmo nomeado pelos seus pares Presidente do Eurogrupo!

E a Banca foi saneada, o défice começou a descer, a dívida também, o Rating da Republica a subir, o consumo a aumentar, os juros a caírem progressivamente, o desemprego a baixar, as receitas a subirem e as despesas a serem controladas. Portugal tornou-se um País na moda e um modelo de governação e exemplo a seguir no combate à crise.

De tal modo que Costa e Centeno foram a pulso conquistando a credibilidade perdida e criando mesmo uma certa aura na Europa. E começaram a ser ouvidos e respeitados e o País muito tem ganho com isso e as sondagens de aprovação de Costa, de Centeno, da Governação e da Geringonça continuam a mostrar-se amplamente positivas e esclarecedoras.

Assim, passadas as Eleições Europeias que Costa conseguiu que se transformassem num quase plebiscito à governação e num teste do qual os Partidos da Geringonça saíram com distinção tendo obtido praticamente o dobro dos deputados eleitos pela Direita (13 eleitos contra 7 não contando com o PAN), põe-se agora um especial ênfase no próximo acto eleitoral, este mais decisivo e importante: as Legislativas!

E todo o meu raciocínio aqui exposto conduz, como podem facilmente intuir, a uma essencial pergunta: Merece ou não Costa e o seu Governo a nossa Confiança?

É perfeitamente natural haver questões políticas em que podemos estar em desacordo, que não concordemos com com determinadas posturas, com algumas decisões que poderemos considerar polémicas, pecando umas por excesso e outras por defeito e mesmo com alguns princípios para nós básicos e fundamentais dos quais nos custa muito prescindir e coisas que não foram contempladas nesta Legislatura e deveriam tê-lo sido.

Tudo isso é verdade mas, no essencial, o que é que eu penso, e tenho por certo que a grande maioria também assim pensa, que deveremos desejar de um Governo? Desejamos que haja Previsibilidade e Estabilidade! De modo que a pergunta é: e no essencial não estamos  maioritariamente de acordo?

E a notícia, falando ainda de Confiança, é de que, muito embora a nossa Direita, sem qualquer sustentação fale em falhanço, em desmoralização e descontentamento generalizado, em artifícios e ilusionismos e as pessoas não confiam neste Governo “radical”, como afirma Cristas ( Rio nem diz nada porque nada tem para dizer…), a realidade teima em desmenti-la e a grande verdade é que muitos dos seus apoiantes e até militantes acham precisamente o contrário!

Eles acham que existe claramente confiança, que o Governo a tem sabido criar e muitos agentes económicos, Empresários e empregadores isso mesmo atestam. Como se costuma dizer: “contra factos não há argumentos…”. E sentem-se maioritariamente satisfeitos com os apoios, com o diálogo e com as medidas de carácter económico implementados por este Governo!

Então vamos ser nós Trabalhadores, Reformados e Aposentados, Funcionários Públicos, Pequenos e Médios Empresários, dos da Restauração ao Turismo e todos os demais, todos esses a quem este Governo trouxe mais dignidade e esperança que lhe vamos negar essa Confiança?

Eu tenho confiança em António Costa, no seu Governo e num futuro Governo também de Esquerda e de preferência com a Geringonça, sempre à Esquerda. E daqui a cinco meses é isso mesmo que vai estar em cima da mesa: Renovar a Confiança em  quem amostrou merecer!

Nas últimas eleições votei em António Costa e na Geringonça! Tenho alguma razão para não o voltar a fazer? É claro que não!

Eu CONFIO!


(Nota: Pelos vistos não é só o autor que confia, já que em sondagem recente, feita pelo ISCTE, a opinião maioritária dos inquiridos vai no mesmo sentido).

Ver a sondagem completa aqui

8 pensamentos sobre “Ter Confiança!

      • Economia
        Armando Vara sai de Évora para prestar declarações sobre a Caixa Geral de Depósito

        Lusa

        O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Armando Vara vai ser ouvido na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão do banco público no dia 14 de junho, indicou esta quinta-feira o presidente da comissão.

        […]

        No Expresso online, há bocado.

        Nota. Vassalo de Abreu e Virgínia da Silva Veiga, camaradas, já sabem que têm de estar por Lisboa no dia 14 onde se vai desenrolar uma grandiosa manifestação de boas-vindas ao ex-camarada Armando Vara? O Valulupi, a dondoca d’Um Jeito Manso, o Calhambeque, o José Neves, o Corvo Negro e a restante pandilha alcoolizada do Aspirina B estão a preparar as coisas com tempo mas disseram-me que, pelo sim pelo não, trazem de certeza farnel e um pipo frequinho de cinquenta litros… De Évora, de Setúbal vem a pomada até à desbunda na AR imagina onde são esperadas umas largas centenas de pessoas, Vitóóooooorrrrrrria!

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  1. É de uma desonestidade a toda a prova não reconhecerem o autor da dita geringonça, Então não foi Jerónimo de Sousa que no dia das eleições dirigindo-se a António Costa disse: “Só não formas governo se não quiseres”.

  2. António Costa é um político com uma habilidade inata para sobreviver no meio da derrota. Com uma argúcia incomum, consegue ler a realidade muito mais rápido que a maioria dos outros políticos. Essa é para mim, a melhor parte de António Costa.
    Vamos por partes:
    A campanha eleitoral de 2015, com Sócrates na agenda mediática, pelos piores motivos, verdadeiros ou não, era ele a notícia, foi fatal para o PS. Ora, o PS é um partido charneira. A direita, depois de quatro anos e meio a malhar na população com uma violência fora do comum, sabia que estava desgastado. Tem a verdadeira noção disso, já no ano de 2014, no final do Verão. Tinha de ter um álibi para se desculpar, mas acima de tudo, um “terrorista”, um culpado. Mas tinha de lhe pegar pelo lado do caráter.
    Só na Ditadura, no período colonial, ainda muito jovem, entre os meus 14 e 17 anos, na fase de agonia do regime, em África, assisti a propaganda deste género, contra os terroristas da Frelimo, contra o Mário Soares, com a treta da bandeira em Londres, etc…
    O PCP já há muito se apercebeu de que o partido envelheceu. Viveu os anos do PREC a cativar adeptos, mas a economia modificou-se. Essa geração tem hoje mais de sessenta anos. Hoje as grandes fábricas, tirando a Auto Europa e pouco mais, contam-se pelos dedos. O operário é um informático. Um consumidor e viajante compulsivo, despolitizado.
    O BE, depois da saída de Louçã, passou por uma fase difícil, mas acabou por ser ele o grande vencedor das eleições de 2015, ao angariar mais de 205 000 eleitores, vindos em boa parte da sua direita. Pouco se fala nisto, até me dá piada, agora, quando se fala do PAN, esquecendo-se dessa “vitória” do BE, bem mais significativa e simbólica.
    Na há volta a dar-lhe. A Geringonça nasceu porque tinha de nascer. O BE não ia deitar duzentos mil votos fora, a fazer oposição à PàF. O PCP em declínio, sempre foi um partido de resistência e perseverança. Não tem propensão para o suicídio. Morrer, mas de pé. Isso é mais à direita, como ainda agora se viu, com o caso dos professores. Só de loucos, em desespero de causa. Devem rezar todos os Verões, por um incêndio.
    A direita deixou sequelas sociais e económicas no país, que vão perdurar por vários anos. O seu regresso ao Poder não é fácil.
    Sim, Costa foi o homem que leu os acontecimentos com a frieza de um felino. Não se deixou emocionar com a tormenta. Mas atirar a direita para a oposição, com uma azia que perdura há anos, não resolve os problemas. Até agora, Costa fez algumas coisas muito boas. Mas fez pouco. A medida dos passes sociais foi uma delas. Os livros escolares, também. Mas há mais coisas a fazer. O problema é que o PS não resiste à tentação do lobismo capitalista de desregular a economia, desequilibrando as relações sociais entre os seus intervenientes, tal como propõe a direita. E uma economia desregulada, é uma economia que gera pobreza.
    Se o PS não for capaz de superar essa barreira, acabará mais cedo do que pensa, na oposição.

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