TAXAS, TAXINHAS, JANTARES E JANTARINHOS

(In Blog O Jumento, 13/11/2017)
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Parece que o país anda muito atrapalhado porque o Panteão Nacional é um dos monumentos que as empresas de catering oferecem como alternativa para a realização de eventos. Como neste país o que não faltam são “putas ofendidas” foi um borborinho que junto os que agora falam mal do Web Summit com os que são muito apegados aos valores nacionais. De repente, esqueceu-se o passado mais recente.
Quando Portas anunciou a realização em Portugal das próximas Web Summits não faltaram elogios, era o tempo do empreendedorismo, quando Portugal caminhava para ser um dos países mais competitivos do mundo, como prometia Passos Coelho. Agora que quem aparece é o António Costa, já o evento é parolo e tudo o que lá sucede serve para ser gozado pela gente fina do “Governo Sombra” que, como se sabe, é gente que está acima de qualquer parolice.
Os mesmos que acabaram com feriados nacionais como o 1.º de dezembro estão agora preocupados com os heróis nacionais, os que acabaram com o feriado do Dia de Todos os Santos preocupam-se agora com o respeito pelos mortos, os mesmos que gozaram com António Costa por causa das taxas e taxinhas, sabe-se agora, criaram uma tabela de taxas e taxinhas de aluguer dos monumentos nacionais, diz um ex-governante que foi para regularizar a situação.
O mesmo ex-governante diz agora que caberia a este governo decidir se um jantar poderia ou não ser realizado, isto é, o homem regularizou o negócio, mas esqueceu-se de especificar critérios para determinar o que ficavam bem para o local. Os que defendem que a escolha dos altos dirigentes do Estado deve ser feita por concurso acham que podem ser despedidos e humilhados por despacho. OS que regulamentaram, mas não definiram critérios acham que uma diretora-geral devia adotar os critérios que eles entenderam ser desnecessários.
Mas há outra questão que está sendo ignorada, o Estado português é assim tão pelintra que necessite de alugar o Panteão Nacional por três mil euros? Por este andar vão passar a alugar o Palácio de Belém para casamentos, incluindo os aposentos presidenciais para a consumação do matrimónio na Lua de Mel.
Seria interessante saber se os tais três mil euros que rendeu o aluguer do panteão Nacional são mesmo receita do orçamento do Estado, ou vai direitinho para um saco azul da direção-geral ou da secretaria de Estado da Cultura.
Nos últimos anos os portugueses, para além do IMI, do imposto de selo, do IRS, do Imposto de Circulação e do IVA, passaram a estar sujeito a mais um pesado imposto, constituído por taxas, taxinhas, multas, multinhas e outros expedientes inventados para alimentar sacos azuis dos mais diversos organismos. Há muitas passagens à reserva nas forças policiais, muitos jantares e jantarinhos de diretores-gerais, suplementos para dirigentes e outras mordomias pagas por este novo imposto aplicado de forma impiedosa, oportunista e sem regras.
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4 pensamentos sobre “TAXAS, TAXINHAS, JANTARES E JANTARINHOS

  1. O mesmo ex-governante diz agora que caberia a este governo decidir se um jantar poderia ou não ser realizado, isto é, o homem regularizou o negócio, mas esqueceu-se de especificar critérios para determinar o que ficavam bem para o local. Os que defendem que a escolha dos altos dirigentes do Estado deve ser feita por concurso acham que podem ser despedidos e humilhados por despacho. OS que regulamentaram, mas não definiram critérios acham que uma diretora-geral devia adotar os critérios que eles entenderam ser desnecessários.

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  2. Não faz qualquer sentido vir agora o anterior secretário de estado, responsável por colocar os monumentos nacionais palco de jantares, com tabelas de preços por si elaborados, vir agora sacudir a água do capote e atirar culpas para terceiros.
    O pecado original é dele e só dele.
    Não faz qualquer sentido afirmar agora que depende da sensatez do director autorizar ou não o pedido para jantares quando ele próprio os autorizou sem critério e estabeleceu valores tabelados para tal.
    Na tabela que ele redigiu e aprovou há um valor de 3.000 euros para jantares no Corpo Central do Panteão Nacional. Não faz qualquer sentido vir agora dizer que os jantares poderiam ser negados pelo director quando a legislação que ele produziu os permite. A responsabilidade é sua. E devia ser homenzinho e assumir sem tergiversações as consequências da medida que tomou.
    O governo de António Costa pode não conhecer todas as centenas e centenas de despachos de todos os secretários de estado que durante os quatro anos de governação PPD/PP foram publicados. Muitas asneiradas haverá ainda por descobrir e corrigir.
    E faz bem António Costa em proibir seja que evento for no Panteão nacional.

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