(Por Sófia Puschinka, in Facebook, 25/11/2024, revisão da Estátua)

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Os festejos dos 49 anos do 25 de novembro, pela primeira e no ano dos 50 anos do 25 de abril, são a confirmação da radicalização do país e da extrema-direita. Não me venham dizer que foi uma data importante para a democracia porque o que não falta na nossa História contemporânea são datas importantes que, podem ser ou não do agrado de todos.
No mínimo tinham disfarçado e comemoravam os 50 anos do 25 de novembro no próximo ano, mas não, quiseram fazê-lo no ano em que o 25 de abril fez 50 anos, desrespeitando por completo aquela que foi efetivamente a data importante e que implementou em Portugal a democracia e meteu fim a uma ditadura.
O 25 de novembro, ainda por cima, teve influência de entidades estrangeiras, como a CIA por exemplo; os americanos sempre gostaram de meter o bedelho nas revoluções alheias.
O mais absurdo nisto tudo é que os atuais festejos foram propostos por aqueles que, há décadas e por todo o lado, temos visto a defenderem o regime do Estado Novo e que odeiam e sempre odiaram o 25 de abril e que, com uma grande lata, vêm agora falar em reposição da democracia, bla, bla, bla.
São os mesmos que eu, em miúda, vi ao vivo e a cores saírem de carros, armados e aos tiros, com o intuito de arruinarem uma festa de crianças no 1° de maio no jardim Constantino. Eu estava lá, era muito pequena mas a imagem jamais se me apagou da memória. Recordo-me de estar sentada no chão com outras crianças a pintar a aguarela, de ouvir tiros e ver os pais das crianças em pânico a pegá-las ao colo; foi a primeira vez que vi mulheres polícias. São estes, aqueles que falam agora em democracia e nos festejos do 25 de novembro.
Não posso deixar de referir a vergonha que é, partidos que se dizem de esquerda há anos, estarem presentes nas comemorações desta vergonha, da confirmação do radicalismo da nação. Mas não é novidade, são os mesmos que aplaudiram de pé o chefe de um regime banderista minado de radicais neonazis.
É também a confirmação que partidos, como o BE e o Livre, não são de esquerda, são partidos vendidos ao neoliberalismo e à agenda woke, financiados por George Soros, que se fazem passar por esquerda para enganarem tolinhos enquanto vão apoiando políticas e ações de direita.
Se tivessem vergonha na cara tinham a atitude que tem o PCP mas, o medo de perderem o tacho e o “pilim” que os sustenta sobrepõe-se à decência e ao carácter. É pena que exista muita gente séria e honesta a serem enganados por esta malta. Na verdade não passam de uns betinhos que acharam giro ser diferente, ser de esquerda e serem rebeldes, mas depois aquilo bem analisado já nem ideologia têm, é o disparate completo e não há limites para a escalada do absurdo e do incoerente.
O PCP não está presente e a Comissão do 25 de abril não está presente e muito bem. Parte do povo português também não apoia o disparate, gente de todos os quadrantes políticos. Isto é uma vergonha, eu, não apoio os festejos sejam na AR, na rua ou no raio que os parta, estes anormais não me representam.
Hoje estou de luto por Portugal e pela democracia, jamais apoio a radicalização do país, jamais apoio um bando de grunhos que resolveram sentar na AR.
Reparem que isto foi proposto pelo partido que perdeu assento parlamentar e perdeu até a sua sede, um partido constituído pelas supostas famílias ricas mas que me parece que, na verdade, são apenas uns pelintras armados em ricos, uns oportunistas que vivem à custa do dinheiro público, caso contrário não teriam passado pela humilhação de perderem tudo e pagavam no mínimo a renda da sede do partido. Que fiéis que são às suas ideologias e partido, já viram? Deixarem aquilo descambar e perderem a sede.
Os portugueses devem convencer-se que ideologias há várias, oportunistas ainda mais: o difícil, mesmo, na atualidade é, encontrar gente honesta e fiel às suas convicções, gente que paga e dá a vida por aquilo em que acredita, pela igualdade, pela liberdade em todas as suas formas, pela educação e saúde para todos, pelas condições de vida de todo um povo, sejam qual for a sua ideologia.
Isto é uma vergonha

