(Por José Gabriel, in Facebook, 25/10/2026, Revisão da Estátua)

Quando hoje abri o Facebook dei, em má hora, com uma página onde abundavam os comentários laudatórios à polícia e ao governo. Há horas de azar.
Surpreendido – não foi nada disso que vi na transmissão em direto – fui-me informar melhor, até porque um dos comentários falava da “valentia” da PSP e do governo. Sem dúvida extensível ao Pedro, El Implacable, presidente da Câmara do Porto, e Carlos, El Gilipollas, presidente da Câmara de Lisboa. Da valentia dos governantes não obtive provas. Porventura estarão ainda a dormir, quiçá corajosamente debaixo das camas, tentando dominar as aflições nas miudezas, designadamente intestinais.

Da valentia da polícia, sim, há numerosas provas. Que coragem! Ignorando a nova lei das burcas, posto que iam de capacete opaco e irreconhecíveis, bateram, agrediram com denodada vontade, enfrentando aqueles perigosos pacifistas. Levaram, até, cães, não fossem os manifestantes darem-lhes tau-tau. De caminho, tentaram repor, não só a ordem pública, como pedagogicamente espancaram firmemente jovens mulheres, tentando mostrar-lhes que lugar delas é em casa.
Aqui ficam algumas imagem que testemunham essa valentia. Não estranhem que para cada jovem – e não tão jovem – manifestante haja, pelo menos, dois polícias que, apesar de estarem armados, não deixaram de se precaver contra a perigosa potencial violência dos manifestantes, alguns dos quais ostentavam fatais recursos de combate como cravos – ainda por cima vermelhos, que são os piores.

E gritavam frases tão perigosas como “o povo unido jamais será vencido” e “fascismo nunca mais“. Ora, nas suas instruções, aos polícias sempre ensinaram que se o povo está unido, é desancá-lo, para que se desuna e não tenha ideias subversivas. Quanto a fascismo, nunca ouviram falar. Só lhes disseram que é preciso manter a ordem pública, custe o que custar, mesmo que não haja desordem nenhuma – sempre treinam, que nunca se sabe o que vem aí. Isto para não falar nas sábias palavras do senhor almirante Gouveia e Melo, que explicou que aqueles manifestantes eram dirigidos pela Rússia, nada menos!
E pronto. Agora é esperar que o senhor Presidente da República saia debaixo da secretária – honi soit qui mal y pense – e nos fale do consenso que deve existir entre os manifestantes e a polícia, e que o senhor Primeiro-ministro apareça, já que continuar escondido “será-lhe“, sem dúvida, politicamente funesto. É que Passos Coelho não deixará de lhe lembrar que a carga policial foi escusadamente postergada. Devia sido logo, ou até antes, como ensinava Salazar, El Descaderado.
E a Estátua convida-vos a ver o vídeo abaixo, do youtuber Pedro Lourenço, uma excelente peça de reportagem sobre a manifestação no Porto e os abusivos desmandos policiais.
E estão a ver o que e que se andaria a dizer se isto se estivesse a passar na Rússia?
Coitada da mãe do Putin, o que já não teriam chamado a senhora.
E perguntar a cada um destes bandalhos quanto lhes custou a casa onde vivem.
O que as pessoas fazem para viver sem trabalhar a sério.