(João Gomes, in Facebook, 12/02/2026)

Há desastres naturais. E há desastres cuidadosamente preparados pela inércia humana. O que aconteceu junto ao Mondego, com o colapso do dique e a subsequente ferida aberta na Autoestrada 1, não surgiu de surpresa, como um capricho súbito das águas. Não foi um relâmpago em céu limpo. Foi, antes, um acontecimento anunciado – repetido, descrito, antecipado durante dias por técnicos, autarcas e pela própria evidência do rio a subir lentamente, como quem avisa antes de entrar.
Durante duas semanas soube-se que os diques estavam sob pressão. Soube-se que o caudal aumentava. Soube-se que o risco existia. E, sobretudo, soube-se que havia um ponto sensível: a zona onde o dique protegia o talude que sustenta uma das infraestruturas rodoviárias mais importantes do país. Nada disto pertence ao domínio do imprevisível. Pertence ao domínio da decisão. Mas a engenharia não chegou a acontecer. Em proteção hidráulica, há uma regra simples: quando o risco cresce todos os dias, intervém-se antes do pico, não depois do colapso.
As soluções não exigiam milagres tecnológicos nem ciência futurista. Pediam apenas aquilo que a engenharia conhece há séculos:
– reforço do dique com enrocamento pesado;
– estabilização do talude com cascalho, geotêxteis e drenagens;
– proteção dos pilares contra erosão regressiva;
– obras de emergência capazes, pelo menos, de ganhar tempo.
Ganhar tempo é, muitas vezes, salvar infraestruturas. E salvar infraestruturas é poupar milhões, meses de interrupção e o caos logístico que agora se anuncia. Nada disso aconteceu a tempo. E quando a água finalmente fez o que sempre faz – procurar o ponto mais fraco – já não havia engenharia possível, apenas gestão de danos.
A política do “vamos ver”
Portugal desenvolveu uma especialização curiosa: a arte de monitorizar.
– Monitoriza-se o risco.
– Monitoriza-se a subida do rio.
– Monitoriza-se a previsão meteorológica.
– Monitoriza-se tudo… exceto a decisão.
Entre o alarme técnico e a ação política existe frequentemente um vazio administrativo onde o tempo passa com notável eficiência.
E a natureza, menos paciente, aproveita. Depois chega o momento solene das declarações: “Era impossível prever.” “Foi um evento excecional.” “As estruturas estavam a ser acompanhadas.” Acompanhar, neste caso, revelou-se uma forma elegante de assistir.
O custo da inação
Agora, a A1 ficará cortada durante meses. Virão desvios, prejuízos económicos, transtornos diários e obras de emergência muito mais caras do que qualquer prevenção teria sido. É a velha matemática portuguesa: adiar é barato – até deixar de ser. Quando finalmente se intervém, já não se protege. Reconstrói-se. E reconstruir custa sempre mais do que prevenir. Em dinheiro, em tempo e em credibilidade.
Se o Marquês de Pombal estivesse vivo
Depois do terramoto de 1755, Lisboa não ficou à espera de relatórios intermináveis nem de consensos burocráticos. Reconstruiu-se com rapidez, método e autoridade técnica. Pode discutir-se tudo sobre o Marquês de Pombal – menos a capacidade de decidir quando o país ardia, ruía ou inundava.
Hoje, perante um dique a ceder lentamente durante duas semanas, talvez perguntasse apenas: “Já reforçaram?” E perante a resposta negativa, provavelmente não convocaria uma conferência de imprensa. Convocaria pedra, terra, homens e urgência.
O verdadeiro problema
O problema não é apenas hidráulico. É estrutural – mas no Estado. Não falta conhecimento técnico. Não faltam avisos. Não falta experiência histórica. Falta, demasiadas vezes, o momento exato em que alguém decide agir antes da catástrofe, e não apenas explicá-la depois. Porque há uma diferença fundamental entre fatalidade e falha: a fatalidade não avisa durante duas semanas.
A incompetência – essa – vão agora pagando os portugueses, cujo arrependimento de terem optado pela AD, nas últimas eleições legislativas, deve ser agora tremendo.
Bom dia!
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Meus lindos meninos que ainda não engoliram que aqui não aconteceu como na Argentina ou no Chile.
O fascista foi a segunda e perdeu.
E assim temos o escravo que se diz alforriado a servir nos uma indigesta caldeirada e o Manuel a fazer a sua profissão de fé na defunta ditadura salazarista.
Vão mas e para os Estados Unidos. A Alcatraz dos Aligators espera vos.
Ainda não recuperou do desgosto, nem o vinho o ajuda a esquecer… Queria tanto o CU (candidato único) na cadeira do Presidente, e saiu mais uma borrada..
https://www.paginaum.pt/2026/02/13/cheias-no-baixo-mondego-nao-nos-atirem-girabolhos-para-os-olhos
Este não é assunto que me tire o sono.
Mais barreira caída, menos barreira caída, sempre foi assim. Mais talude, dique, muralha, estrada cortada, linha férrea sem balastro, … sempre foi assim.
Não creio, mas não vou para aqueles lados há muito tempo, que tenham deixado de tirar areia no Douro. Bateram palmas ao ex-esquerdista, quando ele se pirou a toda a pressa, dizendo que a ‘culpa não deveria morrer solteira’, para onde foi ele, quando sai do Governo chucha? Para os do costume, estou a referir-me a Entre-os-Rios.
Aprenderam alguma coisa entretanto? NADA!!!!!
Fica bem mostrarem-se indignados, como é o caso deste autor-facebook.
Continuem indignados.
Só que agora estão todos, menos os que não votaram no inSeguro, no mesmo barco. Operação Mãos Limpas! deste lado. Esta é a vossa gente, os vossos queridos governantes. Fazeis parte daquela Geringonça monstruosa, dirá o Gaspar ex-ministro se for interrogado, qual Frente Nacional Unida votou contra a tentativa de acabar com o “estado a que isto chegou”, palavras de Salgueiro Maia ao seus pessoal antes de saírem para derrubar o Regime, não o Antigo-Regime, que esse a Revolução Francesa já tinha-se encarregado de derrubar, mas o Estado Novo.
Um dia, numa daquelas muitas viagens que Mário só ares fez, ele de quem se dizia e diz: “Deus está em toda a parte. Mário Soares já esteve” numa sessão de “esclarecimento” a assistência grita: ” ò marquês vem cá abaixo!” Ele, p+++ velha, respondeu logo à canalha que não era preciso vir cá abaixo um ditador, que ele “demnocrata” mais os seus “democratas” davam conta do assunto.
Pelos vistos o autor faceboqueiro é um proto-ditador, não me admira, é esse o ADN da “esquerda”.
A AD que foi escolhida pelo POVO em eleições, é o ‘compagnon de route’ da esquerda comunista portuguesa. para Belém.
A voltas que o Mundo dá.
O autor fala em “autoridade técnica”. Será que agora vivemos em democraticidade técnica? Quem ganha as eleições escolhe os directores, incluindo os das obras públicas?
Afinal temos de reconhecer que a demitida ministra é que tinha razão, carradas de razão:
“Plano ? Mas qual plano? Estamos aqui é para aprender. Estamos sempre a aprender!”
O maior problema é que nunca se passa do aprender ao fazer. Que o diga o Costinha que boicotou a barragem que teria impedido muita da desgraça. Agora dizemos que tivemos azar. Mas não há crise pq a UE vai entregar um novo pacote de resiliência e mais não sei o quê. Artistas portugueses é o que dá.
Da Brisa (privatizada, claro!), alguma notícia?
Anda o presidente Pires de Lima, ex-ministro de um governo AD, a aparecer ao lado do Ministro das Infraestruturas, etc… são muito amigos, o governo e ele, representante máximo da Brisa. Resta saber quem vai sacar mais, e se o Pinto Luz vai um dia suceder sua eminência, seguindo-lhe os passos.
Claro que não e só a AD que se podem imputar responsabilidades mas agora é a AD que governa, ou desgoverna, e tem agido com uma responsabilidade e falta de senso tremenda.
Já para não falar em desumanidade em estado puro.
O Montepardo veio dar as condolências “as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida em consequência desta tragédia”.
Como se estivesse a dizer que as pessoas se tinham posto a jeito.
A Ministra agora demitida andou por onde quis e lhe apeteceu, só apareceu dois dias depois e Leitão Amaro fez se filmar a fazer qualquer coisa.
Sabendo que o mau tempo continuava o que se fez foi deixar arder, no caso, molhar e assim temos coisas como diques a rebentar.
No meio disto tudo ainda aparece o crápula do Passos Coelho a dizer que o estado está a impedir o desenvolvimento do país quando foi justamente a falta dele que tornou esta tragédia uma catástrofe de proporções bíblicas.
E ninguém lhe dá uma trapada de m*rda no focinho.
Não sei se há gente arrependida de ter votado AD mas e mesmo preciso que se aprenda que votar num sujeito que disse que a nossa vida não estava melhor mas o país estava e não achou nada de errado em ter uma empresa privada de construção e mediação imobiliária enquanto era primeiro ministro só podia dar nisto.
O planeamento, a organização e o funcionamento deste governo (que está encarregue da administração do Estado, mas subitamente descobriu que tinha uma ministra da administração interna que não estava à altura dos desafios e das responsabilidades) assentam como uma luva na realidade territorial (previsível e antecipada por estudos científicos), com uma naturalidade expressiva de estilo dantesco ou apocalíptico – a natureza, ao contrário do que muitos acreditam, tem os seus caprichos e tendências próprias, é muito versátil e dinâmica, há quem diga que bipolar)… aconteceu, acontece e tem acontecido, perante uma impotência super-eficiente e determinada pelas altas patentes da política nacional, que têm recursos para dar e oferecer, quando se trata de outras paragens mais longínquas.
A Lei dos Solos, e os solos sem lei… o que será feito “em nome da grei”? Construir desalmadamente em todo o tipo de terrenos, com condicionantes geográficas, hidrográficas, geológicas, paisagísticas que passam a ser secundarizadas em busca do ressurgimento da indústria do pato bravo? Ou, por outro lado, regrar, demarcar, planificar o desenvolvimento urbano, das cidades e das povoações, integradas na paisagem, nos ecossistemas, nas propriedades geológicas e geográficas, respeitando os limites naturais para uma maior harmonia entre desenvolvimento civilizacional e o meio-ambiente, as características próprias da natureza? Cada cavadela, cada minhoca…
*Estive para escrever país em vez de território, mas aí não era ironia pretendida, e sim uma constatação, visto que na Pategónia, país dos pategos, tudo funciona numa lógica própria e numa realidade alternativa. A solução, como sempre, são as promessas de apoios em forma de dinheiro e investimento em quantidades colossais, que serão depois filtradas e desviadas ou esgotadas noutros “caudais”, passando ao lado das populações afectadas que servem de figurantes nas notícias dos dias que correm – as aparições dos salvadores Primeiro-Ministro e Presidente da República, entre outros actores principais e secundários… fluxos monetários que provavelmente acabarão em algum off-shore ou nos lucros de um cartel bancário ou da construção qualquer. Como acabaram as bazucas da Ursula desviadas para a Ucrânia, ou os custos das vacinas acumuladas pela Ursula e companhia, que as farmacêuticas açambarcaram.
Um bom texto com um final infeliz.
Como só à AD se pudessem imputar responsabilidades…
Acabar o texto assim é acabar com a credibilidade do texto e de quem o escreve
O governo de Pedro Passos Coelho (2011–2015) levou a cabo uma reestruturação profunda ao nível da chefia e dos cargos dirigentes da administração pública. Na modesta opinião de um septuagenário como eu foi a machadada final ou seja a decapitação da função publica. Nos dias de hoje ninguém sabe onde está enterrada a canalização!
Porque acredito que um senhor de nome alemão pode surgir de repente na nossa vida sempre tirei notas escritas para memória futura.
Entre essas notas tenho a história “O Velho da Secção de Tinturaria” que aqui tento reproduzir foi-me contada por um velho colega infelizmente já falecido. Um colega que não tinha formação académica mas era possuidor de uma grande sabedoria.
O Velho da Secção de Tinturaria
Um velho empregado numa muito antiga fábrica de chapéus era o responsável técnico pela secção de tinturaria.
Nos tempos que corriam a bengala já não era sinal de “status” mas o velho não prescindia do uso da bengala a qual fazia parte da indumentária.
Conhecedor do mecanismo físico-químico do processo de tingimento e das variáveis que a controlam assim como a definição de mecanismo de tingimento através de parâmetros termodinâmicos e físico-químicos elaborou a fórmula da tinta para tingir os chapéus produzidos na fábrica.
Durante muitos anos a sua principal tarefa era confirmar se a qualidade da mistura de tingimento cumpria os requisitos de qualidade.
A equipa munida da receita “cozinhava” a mistura e chamava o velho para dar o OK.
O velho aproximava-se da tina enfiava a sua bengala na mistura …agitava…observava o escorrimento na bengala e dizia:
– Está perfeito!
O ritual durante anos se repetia sem qualquer alteração.
Numa mudança de gestão na fábrica, os novos gerentes a fim de aumentarem o lucro restruturaram a empresa prescindindo dos colaboradores mais antigos entre eles o velho chefe da tinturaria.
É claro que a qualidade dos chapéus decaiu as reclamações dos clientes aumentaram e o produto de excelência desapareceu do mercado.
Na receita do velho não constava o importantíssimo fixador o qual era sempre introduzido na mistura por uma seringa dissimulada na sua bengala.
Combater o Preconceito Etário
Na generalidade das empresas existem aqueles colaboradores que foram admitidos e criam raízes. Penso que muitos poucos duvidam das vantagens de ter colaboradores a trabalhar na mesma empresa por longos períodos (não poucas vezes uma vida inteira).
Neste mundo em constante mudança, em que as exigências das novas rotinas e do quotidiano implicam maior dinâmica, a tecnologia é um poderoso aliado e é um facto que os empregados mais velhos são de uma forma geral menos aptos ao uso das mesmas, no entanto os mais novos têm muito a aprender com a experiência dos mais velhos.
Os colaboradores mais velhos são mais resilientes e mais flexíveis frente às dificuldades além de possuírem uma experiência acumulada que os mais novos (ainda) não têm, pois embora adquiram conhecimento em cursos, livros, internet, conferencias, seminários…, algumas experiências não são mencionadas nesses meios.
Assim como os funcionários mais velhos necessitam conhecer mais sobre tecnologia e tendências, os mais novos têm muito a aprender com sua experiência pelo que colocar duas gerações em contacto é a solução mais obvia para a partilha de conhecimento.
Com uma cajadada se mata dois coelhos:
1- Atenua os problemas do inevitável fenómeno do envelhecimento da população no Mundo Ocidental (directamente relacionado com a diminuição da colónia de cegonhas brancas como é evidente).
2- Mantem no interior da organização a arte do saber fazer e fazer bem condição necessária para obter o bem feito!