Eleições – adiar não é legítimo, nem legal

(João Gomes, in Facebook, 06/02/2026)


Há momentos em que a natureza parece querer impor-se à vontade humana, lembrando-nos da nossa fragilidade coletiva. Tempestades, cheias, destruição de infraestruturas, isolamento de populações – tudo isso exige resposta rápida do Estado, solidariedade social e capacidade de organização. O que não pode exigir é a suspensão da democracia.

Em Portugal, a lei é clara: após a primeira volta das eleições presidenciais, não havendo vencedor, a segunda volta deve ocorrer vinte e um dias depois. Não é uma sugestão política, nem uma cláusula opcional moldável ao sabor das circunstâncias. É uma regra jurídica que protege algo essencial – a previsibilidade do poder democrático e a igualdade entre cidadãos. Quando se começa a admitir exceções fora do quadro legal, abre-se uma porta perigosa onde a urgência do momento pode transformar-se em conveniência política.

Pedir o adiamento das eleições por causa de tempestades pode soar prudente, até humano. Mas, numa democracia madura, a pergunta correta não é se se vota, mas como garantir que todos possam votar em segurança. A diferença é decisiva. Suspender o ato eleitoral fragiliza a legitimidade democrática; adaptá-lo reforça-a.

Nas localidades afetadas, o ambiente eleitoral não será o ideal – talvez nunca seja. Haverá estradas danificadas, energia intermitente, famílias ainda a recuperar perdas. Justamente por isso, o voto ganha um significado mais profundo: não apenas escolher um Presidente, mas afirmar que a comunidade resiste, que a vida coletiva continua, que a lei não cede perante a adversidade.

Aqui, o papel do Governo e do Estado é inequívoco. Compete-lhes mobilizar meios logísticos, transporte gratuito onde necessário, mesas de voto alternativas, apoio às populações isoladas, coordenação com autarquias e forças de segurança. Não para adiar a democracia, mas para a tornar possível. A proteção civil não substitui o sufrágio; deve servi-lo quando as circunstâncias o ameaçam.

Também os principais atores políticos têm responsabilidade acrescida. Num tempo de crise, a tentação de instrumentalizar o medo ou a dificuldade logística para ganho partidário é real. Resistir a essa tentação é prova de maturidade democrática. Defender o direito ao voto – mesmo quando o contexto é adverso – é defender algo maior do que qualquer candidatura.

A história mostra que povos sujeitos a guerras, catástrofes e privações muitas vezes encontraram no ato de votar um gesto de unidade e esperança. Não porque ignorassem o sofrimento, mas porque compreendiam que abdicar da escolha coletiva seria acrescentar perda à perda.

Adiar eleições fora do quadro legal não é prudência: é erosão silenciosa da democracia. Cumprir a lei, garantir condições, mobilizar o país e votar – isso sim, é resiliência.

No fim, talvez a verdadeira questão seja simples: se a tempestade pode derrubar árvores e postes, não deve poder derrubar direitos. E entre todos eles, poucos são tão fundamentais como o direito de escolher, em liberdade, quem nos representa.

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18 pensamentos sobre “Eleições – adiar não é legítimo, nem legal

  1. Porra, choramingas de m*rda, sou mais novo do que tu, que já nasceste velho! És um enjoo, pá, e nunca conseguirás percebê-lo!

  2. Não perdes uma oportunidade de me xingar pois não?
    Vai ver se o mar da choco.
    Folgo em saber que continuas vivo porque, acredites ou não, sei que já não és novo e não te quero mal.
    Acredites ou não quem deu uma sova num aspirante a PIDE merece o meu respeito.
    Mas justamente porque foste adolescente num tempo que felizmente não vivi sei que já não és novo e temi que tivesses morrido ou estivesses muito doente.
    Porque apesar de não me respeitares não te quero mal.
    Ainda bem que não e assim. Que estás bem. Enquanto me insultares de certeza que estás bem, por isso continua a aparecer por aqui nem que seja só para isso, como já tem acontecido.
    Espero que não acredites em sondagens e vás votar.
    O resto e conversa.

  3. Na página 766 da 8ª edição (1998) do ‘Dicionário da Língua Portuguesa’ da Porto Editora, que tenho cá em casa, define-se “fogo-fátuo” como “fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefacção”. Tal como a segunda componente indica, trata-se de um fenómeno efémero, que rapidamente desaparece, por falta de “combustível” para lhe alimentar durante muito tempo a visibilidade. É o caso do jagunço hiperactivo André Ventrulhas, penso eu de que. Além disso, não há fusível que aguente aquela cabeça de ventoinha a girar permanentemente à velocidade da luz e, mais cedo do que tarde, um inevitável curto-circuito deixará a barraca às escuras.

    A estúpida aventura do Ventura na incursão presidencial vai sair-lhe cara. Ao apostar as fichas todas numa ilusão de “vitória” que a passagem à segunda volta representaria, não ocorreu ao cabeça de ventoinha que a taxa de rejeição que provoca, não lhe dando a mínima hipótese de sucesso na votação final, deixaria a nu a verdadeira dimensão da sua influência real, que os meus modestos dois neurónios e meio há muito perceberam (contra a opinião da cassandra de aviário residente) que é bué de fraquita! Ruidosa, sim senhor! Hiperactiva, sim senhora! Tiktokicamente omnipresente, ao que me dizem! Mas fraquita, meus e minhas, não há volta a dar!

    O jagunço hiperactivo Ventrulhas não passa de um fogo-fátuo, uma “fosforescência produzida por emanações de gases de cadáveres em putrefacção”, mal enterrados em Abril de 1974 por excesso de confiança dos coveiros. Mas o excesso de gases que emite permite-nos ainda um neologismo: além de fogo-fátuo, o jagunço hiperactivo Ventrulhas é também um fogo-flato! E flatuleia pra caraças, a flatulosa criatura! Oremos, mas, pelo sim pelo não, tapemos o nariz!

  4. Na Ucrânia é que a “demo-cracia” está a bombar! Uma constituição revista a martelo, com partidos da oposição proibidos, cujos afiliados são perseguidos, presos, torturados e mortos!
    Estas carolas direitolas não páram! E com estas chuvadas, ventanias e nevões, “Como é do conhecimento de todos a diminuição da abstenção favorece as forças à direita, não as à esquerda.”

  5. Herr Zelensky e o ditador de facto da Ucrânia quer queiras quer não e se a lei do país mais corrupto da Europa, aprovada depois da ilegalização de quase todos os partidos políticos do país, e um dos mais corruptos do mundo lhe permite perpetuar se no poder proveito lhe faça.
    E proveito lhe faça a todos os bandalhos que lhe estendem passadeiras vermelhas e continuam a sonhar com o saque dos recursos da Rússia.
    Proveito faça a todos os que desviam recursos dos seus países para continuar a alimentar o monstro do nazismo ucraniano que aprovou leis a sua medida.
    Que prende e mata opositores, que nem devolve cadáveres as família porque os mortos nas cadeias são tantos que queimam e são umas supostas cinzas a família. Sabias que foi essa a justificação dada a família do jornalista Gonzalo Lira, morto nas masmorras ucranianas?
    Também não e contra a lei ucraniana deixar morrer opositores como tordos mas e certamente contra a humanidade e a decência.
    O que se passa na Ucrânia e uma barbaridade.
    E quem os apoia e cúmplice e tão culpado como eles por todas as mortes.
    Mas e isso que o CU quer fazer aqui, mandando as urtigas a Constituição.
    A lei no Irão também permite que sejam os líderes religiosos a mandar de facto no país.
    Mas aí já tu achas que não e normal e merece os nossos bombardeamentos libertadores.
    E conforme voz da jeito porque vergonha no focinho e coisa que vocês não teem.
    Escravo que se diz alforriado, vai ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.
    Fascismo nunca mais. Não passarão.

  6. A Orka-vermellha como sempre descuida-se e emite metano para a ionosfera. Metano que é pior que o CO2 para efeitos de “estufa”.

    Disse a Orka que, tínhamos o exemplo da Ukraina do Herr Zé, como exemplo funesto do adiar as eleições.
    Disse, mas não disse que mentiu.

    Senão vejamos. Esta criatura quando lhe dá jeito, chama à colação a Constituição, esse Boi Ápis intocável, quando não lhe dá jeito,manda a Constituição à urtigas.

    Cometeu Herr Zé alguma ilegalidade Meritíssimo Juiz?
    Não!

    https://www.constituteproject.org/constitution/Ukraine_2019
    Reza o artigo 83º da Constituição da Ukraina que:
    “…
    Caso o Presidente da Ucrânia declare, por meio de decreto, lei marcial ou estado de emergência em todo o território da Ucrânia ou em algumas áreas do Estado, a Verkhovna Rada da Ucrânia se reunirá em até dois dias, sem convocação prévia.

    Caso o mandato da Verkhovna Rada da Ucrânia expire enquanto a lei marcial ou o estado de emergência estiverem em vigor, seu mandato será prorrogado até o dia da primeira reunião da primeira sessão da Verkhovna Rada da Ucrânia, eleita após a revogação da lei marcial ou do estado de emergência.
    …”

    Ah mas tem que se mudar a Constituição, dirá a Orka.

    Também a CRP tem de ser mudada e ela não quer, não quer, enquanto a pagela do Partido não disser o contrário, entretanto, passeia-se por aqui como Dona Absoluta da Verdade e todo aquele que a contradisser é FASCISTA.

    São estes o votos que zézé tem garantidos.

    Como é do conhecimento de todos a diminuição da abstenção favorece as forças à direita, não as à esquerda. Daí a posição do zézé e de todos aqueles que, se sentem irmanados com ele.

    Para mim como disse, é-me indiferente a data.

    • Tirando o exercício de desonestidade intelectual sobre um país que tem um ditador de facto, sonho molhado de todos os ardinas da Folha Nacional, não ias ser tu a excepção, que separas com reticências da conclusão final, sobre a nossa Constituição e as nossas eleições, e os insultos ou tentativa de contraditório, acabas por assumir que afinal todos os argumentos do CU para adiar as eleições, sobre as populações e o estado de calamidade, servem apenas para encobrir o seu interesse em adiar o sufrágio, pois acreditam que isso favorece os “eleitores de direita”, vá-se lá saber com que fundamento científico ou estatístico… um momento em que ficou exposta a verdadeira e interessada razão por trás da farsa…
      Estas carolas direitolas não páram…

      Se fosse ardina da Folha Nacional, estava preocupado com as figuras que o Quarto Pastorinho tem andado a fazer, qualquer dia a Isabel Jonet ainda fica com ciúmes de perder o estatuto de distritbuidora-mor de garrafas de água e latas de comida, e o CU ainda fica mais isolado sem os votos das tias de Cascais e arredores…

      Já agora, ontem dizia um tal de Henrique Raposo que a base eleitoral do partido do CU é distinta da do PSD e IL, pois tinha o apoio de eleitores da esquerda (presumo que se referia a ascendência nos votos a sul do Tejo)… mais uma pedrinha no sapato da tua/vossa teoria patega…

      “Como é do conhecimento de todos a diminuição da abstenção favorece as forças à direita, não as à esquerda.”

      Fantástico!

  7. Gente de esquerda.
    Gente que é ‘woke’.
    Relembro que Susan Sontag é. É isso mesmo. Seria do bloco, se fosse tuga, como está velha, talvez do pcp.
    Não é de esquerda?
    Então é o quê o bloco?
    O pequeno e quase extinto pcp, andou de braço dado com essa coisa, a apoiar o Bosta na Geringonça?
    😁

    Gente de ‘esquerda’ é isto:
    https://petapixel.com/2026/02/07/street-photography-has-a-predator-problem/

    são a estes que o PS (partido do seguro) dá dinheiro a fundo perdido, porque esta gente tem uma língua muito porca, assim ao jeito de um certo apresentadora de uma Ti Vê, que anda por aí a prometer a bvenda e bananas, pepinos e tomates, tudo fruta com saída à Esquerda, nos folhetos do supermercado alemão.

  8. Vai para o diabo que te carregue ardina da folha nacional.
    Fui tomar a vacina porque não sabia que aquilo me podia por a vida em risco sua besta quadrada.
    Quando percebi que podia por a vida em risco já não fui e passei exactamente pelo mesmo que passou quem não deu nenhuma simplesmente porque seguiu os ditames das bestas da extrema direita que só falavam mal da vacina por achar que ela podia mesmo salvar vidas.
    Porque eles queriam destruir os vulneráveis, aqueles que só estavam cá a dar despesas e uma vacina era uma chatice.
    E era por isso que falavam mal e não por saberem por Deus lhes ter dito que na realidade aquilo era uma experiência cientifica sinistra.
    Quando a vacina nos começou a matar que nem tordos vê lá se os ouviste ladrar.
    Quanto as restrições covideiras se alguém não as aceitou esse alguém não fui eu.
    Sempre os mandei a m*rda, sempre que pude, arrisquei multas. A proibição de beber álcool na rua? Para que raio e que servem as garrafas térmicas?
    Continuei a ir lavar as banhas ao mar todos os domingos, tendo como única companhia as gaivotas que pareciam olhar me com gula.
    Andava com a mesma máscara 15 dias até ficar nojenta.
    Levei uma corrida em osso de um grupo por falar mal das restrições covideiras.
    Fui castigado pela DGS sendo obrigado a ficar sete dias com uma pessoa doente, sem poder sair de casa, por não ter a dose de reforço.
    Foi só nessa altura, seis meses depois da vacina que supostamente acabaria com a doença que apanhei COVID. A gripe mais santa que já tive.
    Mas quem me deu aquele castigo “por não ter a dose de reforço”, nunca esquecerei aquela gravação, queria que me corresse o pior possível.
    Quanto a dose que recusei foi aquela que eu sabia que me mataria se a fosse dar.
    Quando percebi que podia morrer fiz o que tinha de fazer. Aconselhei outros, expus o que me aconteceu para que percebessem. Para que a outros não acontecesse ainda pior. Sei de gente que parou de dar reforços por isso. Salvei vidas.
    Sempre fui contra restrições loucas a pretexto do COVID.
    Não achei normal que estivéssemos ano e meio em estado de emergência, cercas sanitárias, recolher obrigatório e o raio que os parta.
    Por isso não me venham com m*rdas.
    Já agora, não sei que corrector tem no telemóvel quem escreve arrasado com z. E onde e quando e que foi a escola.
    Agora não vamos a votos porque metade do pais está debaixo de água.
    Nas próximas não vamos porque há seca e ninguém está com cabeça para votar com os campos sem dar um tomate nem um pepino. Ou porque está calor.
    Ou porque o raio que os parta.
    Se agora levar uma corrida em osso por ofensas ao ardina terei de aceitar.
    Mas em minha defesa só posso dizer que há duas classes de pessoas que me tiram do sério depois de tudo o que me aconteceu.
    Vacineiros, já não são muitos, uns acordaram e outros a sorte acabou num dos reforços desta vida, e extremistas de direita como os que acham normal que se adie eleições a ver se o seu candidato ainda tem uma chance.
    Porque nas tintas para os campos e casas arrasados nem que seja com z estão eles.
    E por mim nada está garantido porque as sondagens não votam.
    Quem tem de ir votar somos nós.
    Nos e que temos de garantir que não teremos um fascista no mais alto cargo da Nação.
    E eu vou votar. Isto só acaba quando todos os votos estiverem contados. Não em sondagens da treta.
    Fascismo nunca mais.

  9. O voto não é o Natal nem a Passagem de Ano, que tem de estar tudo sentado à mesa e sincronizar os relógios à mesma hora! O voto é uma decisão pessoal, que tem um período de tempo de mais de meio dia para ser efectuado. Neste caso dois meios dias, e eventualmente mais um no próximo fim-de-semana!
    Os que votam no estrangeiro também costumam votar noutro calendário, será que também cometem o sacrilégio de não votar em sincronia com Portugal?
    Estas carolas direitolas não páram…

    • Agora as eleições são a reunião do condomínio com hora marcada. Só que em vez de estarem 30 pessoas reunidas às 21h00, estão 3 ou 4 milhões de portugueses a entrar nas escolas à mesma hora. E quem faltar, chapéu! Perdeu todas as oportunidades de ir votar, nem sequer no próximo fim-de-semana, pelo princípio da igualdade horária e cronométrica de todos os eleitores.
      Realmente nos dias que correm é muito, muito fácil, para alguns, encantar pategos! Ou não tivéssemos todos um patego latente em cada um de nós. E é com isso que eles jogam, uns coleccionam cromos de caderneta, outros pategos de caderno eleitoral.
      Vão ver se a ribeira dá lavagante…

    • Agora imagine-se, pegando no exemplo da reunião de condomínio, que esta só teria validade se todos os condóminos estivessem presentes à mesma! Nem as reuniões de condomínio se conseguia fazer, estavam sempre a ser adiadas, basta uma fracção dos votantes não comparecer!

      Como esta ideia peregrina tem tanto eco, apesar de já ter sido esclarecida pela CNE e outros protagonistas (PR, PM, etc), é que é de admirar. Ainda por cima com tantos a cair na esparrela.

  10. Discordo em absoluto dos articulistas. É completamente falso que a democracia estaria em causa devido a um eventual adiamento, sequer suspensa (o que é isso?). Ninguém quer suspender nada, nem o desventuras. Se ninguém miou durante a FRAUDEMIA por a democracia ter sido posta na gaveta durante largo período, por as liberdades e direitos fundamentais terem ficado em banho Maria, se nem sequer se podia ir aos jardins, esses terríveis antros de contaminação, nem ir trabalhar nem ir desentorpecer as pernas e as mentes para os passeios marginais ou as praias ou apanhar Sol para repor as vitaminas (isso nunca!), cabe perguntar: onde estavam então esses furiosos zelotas tão amantes dessa coisa chamada democracia? Andavam a dormir, certamente. Mas agora querem fazer crer que acordaram desse sono letárgico. O facto de algumas regiões do país estarem isoladas, debaixo de água, casas e empresas arrazadas, estradas cortadas, sem electricidade e sem água, muitas populações completamente entregues a si próprias sem sequer comunicações, a terem ficado sem nada… dizia-me um amigo: esquece os que vês na TV. Isto aqui é muitíssimo pior; nada disso parece ter a mínima das mínimas importâncias para esses lídimos defensores de pacotilha da democracia de ocasião. O facto de a tal maravilha votacional ir ficar suspensa até uns votem depois dos outros, sabe-see lá como, causando uma confusão palerma, ná, isso não tem problema nenhum. Eu ir votar numa eleição da qual já sei o resultado, é coisa normalíssima, até aliciante, suscita alívio, atrai como um iman, o desejo de participar é incontornável.
    Contrariamente a esses talibãs da democracia da treta, entendo que o acto de escolher um presidente em nenhum caso se deve prestar a salganhadas desse tipo. Nunca por nunca pode ser transformado numa farsa, uns agora, outros prá semana e depois logo se verá. Isso é que não é nada. E não me venham com legalismos de trazer por casa, pois ninguém se preocupa com a lei quando não dá jeito. Neste caso, bastaria que fosse declarado o estado de emergência nacional como o foi na Fraudemia sem problema nenhum na altura. Então não caiu o Carmo nem a Trindade por ficarmos meses na dita Emergência estúpida. Aliás, ninguém pode garantir que daqui a uma semanita as zonas afectadas estarão supostamente em condições. Mesmo que as águas baixem, aquilo fica tudo coberto de llama e detritos. Em conclusão, votar sim , mas com condições e elas neste momento não existem. Vamos aguardar que o monte-escuro reponha alguma normalidade (?) ou não? Ou vamos alinhar no caos?

    • A “fraudemia”, a Ucrania, a ventania… tanta coisa para justificar o adiamento do voto a nível nacional? Pois que não tem jeito uns votarem numa semana e outros noutra?
      Você sabe que o voto antecipado o permite fazer? Votei no fim-de-semana passado, precisamente para precaver situações impeditivas ou dificultadoras do voto neste fim-de-semana. Sacrilégio.
      O voto não é obrigatório neste país! Os concelhos sem condições para organizar o sufrágio adiarão naturalmente uma semana, e assim os votos serão recolhidos na semana que vem, como os antecipados foram na semana que passou.
      Não inventem. Gostava que fossem igualmente exigentes quando os direitolas privatizam os CTT aos americanos ou a EDP aos chineses, mas aí nunca interessa o dia da semana ou o do mês, e ninguém tem voto na matéria. Agora ainda querem ser pastados pelo Quarto Pastorinho, que anda chateado com a democracia porque esta tem tendência para não o deixar ganhar eleições. É ele e o ardina da Folha Nacional, os idiotas do costume…

  11. Para mim é-me indiferente a data.

    Quanto aos “doutos” argumentos do argumentista, sobre a tenacidade que os “democratas” dele, devem demonstrar, lembro-lhe que, uma inventona criada a martelo no ‘Event 201’
    [o link dá-me o erro 404 https://centerforhealthsecurity.org/event201/ já começaram a varrer o lixo] por Gates e outros amigos do Judeu, que agora vende ‘share’ em todo o lado, serviu para que o Bosta do PS (partido do seguro) suspendesse a CRP.

    Que fez o argumentista? Não sei, mas presumo que tenha mudado várias vezes de fralda, tal o medo, agora sei, porque a Orka-vermelha aqui o disse:
    – aiiii fui tomar a vacina para ter a minha liberdade.
    Nem foi preciso mandar os jagunços da famosa força militarizada à porta dele.

    Quanto aos dramas e às causas para estas e outras desgraçadas, não espero que papagaios as enumerem. Está para além da sua retórica de café.

    Os leitos de cheia continuam ocupados e depois disto, irei ver, como vi outras vezes, ser expandida a sua ocupação. Em nome da CRP, dos direitos nela expressos, as câmaras sejam elas quais forem assim o permitiram. Até hoje, foi assim que actuaram. Daqui para a frente veremos, se as que escaparem ao controlo dos “democratas”, se comportam da mesma maneira que as dos “democratas”. É só aguardar.

    Há regulamentos para tudo e mais um par de botas, também os deveria haver, para os tomates e os pepinos dos “democratas”, mas não há, daí esta salada soviética que nos é servida, umas vezes pelo Fogo, outras pela Água e o Ar.

    Os sais de fruto já estão à mão? 🥒 🍅 🫙 parece-me dieta equilibrada para amanhã.

  12. Estava se mesmo a ver que quando Herr Zelensky se recusou há quase dois anos a ir a votos porque o país estava em guerra e todos acharam normal haveria alguém a tentar o mesmo noutro lado a pretexto de outra coisa qualquer.
    Não era preciso ir a China para saber que isso poderia acontecer noutro lado.
    O que provavelmente ninguém esperou e que isso surgiria tão rapidamente e com tanto descaro.
    Perguntava ontem a rubrica “crime e castigo” do Correio da Manhã, ” perante a catástrofe não devia haver uma excepção a lei?”.
    Mas em que azinheira bateu esta gente com os cornos?
    O problema é isto calar até em gente que sabe o perigo que enfrentamos.
    Uma criatura que até votou Seguro logo a primeira, apesar de não ser essa a sua escolha, porque os candidatos a direita lhe metiam todos medo e queria tentar a passagem do homem a segunda achava perfeitamente normal um adiamento.
    “As pessoas não estão com cabeça para votar, com a vida virada do avesso”.
    Perguntei lhe se achava que nos fechos de 2021 alguem estava com cabeça para isso, com mais metade da força de trabalho em lay off, ou em teletrabalho ou desempregada sem receber tostão, com gente com os negócios fechados, com a comunicação social a espalhar o pânico da doença alguém estava com muita cabeça para votar. E se ninguém tinha a vida virada do avesso.
    Ate eu que me encontrei entre os que tiveram a sorte de manter o ordenado sentia a vida virada do avesso. Em teletrabalho sem ter condições para isso, num pequeno quarto com um portátil em cima das barbatanas, sem poder frequentar todos os sítios onde ia, a ter de andar com uma espécie de açaime na rua e a olhar por cima do ombro quando ia, tendo como companhia a solidão, lavar as banhas ao mar. Sem dúvida que me sentia com a vida virada do avesso, o que não fariam outros.
    Também nessa altura houve algumas ideias peregrinas mas logo se calaram pois toda a gente viu que obrigar também a democracia a ficar em casa não tinha assunto nenhum.
    Mas desta vez muita gente estava a achar lógico.
    O que mudou? O caso Ucrânia.
    “Nessa altura não estava tudo partido”.
    La tive de lhe dizer que nem tudo está partido e que se na maior parte das zonas afectadas as escolas reabriram e são justamente as escolas os locais de voto por excelência há condições para ir votar.
    E lembrar qual o candidato que mais tem a ganhar com o adiamento do escrutínio e o desespero de uma população que enfrenta um dos Infernos mais cruéis que já nos atingiram.
    Porque se há uma coisa em que o candidato de extrema direita e mestre e a capitalizar em seu proveito o desespero.
    Mas não era preciso ser bruxo para adivinhar que o mesmo ia acontecer noutro lado depois de termos achado normal que o mesmo se tivesse passado na Ucrânia a pretexto da guerra.
    A palavra Ucrânia ainda não foi dita mas quem jogou esse barro a parede era certamente nisso que estava a pensar quando pensou que achariamos normal.
    E foi certamente a pensar nisso que muita gente estava a achar normal que o mesmo se fizesse agora, aqui, a pretexto da verdadeira guerra climática que estamos a enfrentar.
    Pelo menos aqui a Comissão Nacional de Eleições, que não viu nada errado nos cartazes discriminatórios e provocatórios do candidato extremista já veio dizer que adiamentos só com ordem do presidente da Câmara, onde a calamidade tenha sido oficialmente declarada e por não mais de uma semana.
    Depois o escrutínio terá mesmo de se realizar como for possível.
    A verdade e que muita gente nem daqui a uma semana estará “com cabeça para votar”.
    Os familiares daqueles “que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”, usando o discurso psicopatico do nosso primeiro ministro, de certeza não estarão.
    Mas não podemos suspender a democracia.
    Pelo menos desta vez a Comissão Nacional de Eleições abriu bem.
    Mas que isto sirva para que percebamos a fragilidade da democracia e como ela pode ser atacada.
    Por isso, amanhã, vamos votar.

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