(Notícias Zap in Zap.aeiou, 23/01/2026)
O discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos aponta com enorme clareza a forma como países de poder intermédio como o seu podem prosperar neste novo mundo turbulento — em que as grandes potências já não fazem de conta que seguem as regras estabelecidas.
“Hoje, falarei sobre a ruptura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal onde a geopolítica entre as grandes potências não está sujeita a quaisquer restrições“.
Assim começou o discurso de Mark Carney durante o Fórum de Davos, a cimeira anual do World Economic Forum, que decorre esta semana na Suíça.
Mais do que um diagnóstico, o marcante discurso do primeiro-ministro do Canadá aponta com enorme clareza a forma como países de poder intermédio podem prosperar neste novo mundo turbulento.
Durante décadas, estas potências intermédias, como o Canadá, o Reino Unido e a maior parte da Europa, prosperaram partindo do pressuposto de que uma ordem internacional baseada em regras, por mais imperfeita que fosse, continuaria a sustentar a estabilidade global.
Esse pressuposto, considera Mark Carney, já não se mantém.
No seu discurso, o Primeiro-Ministro canadiano rejeitou tanto a nostalgia como o fatalismo, e descreveu o novo mundo em que vivemos, no qual a rivalidade entre grandes potências regressou com força, a interdependência económica se tornou um instrumento de coerção e os rituais do multilateralismo mascaram cada vez mais uma realidade mais dura.
No cerne do marcante discurso de Carney, estava, incontornável, um desafio: deixarmos de fingir que a velha ordem ainda funciona e confrontar o mundo tal como ele é, e não como muitos países gostariam que fosse.
Uma ordem mundial que se quebrou, não evoluiu
Carney é inequívoco no seu diagnóstico, salienta a Geographical: o mundo não está a atravessar um período de transição controlada, mas a viver uma ruptura.
A ordem internacional baseada em regras que moldou a política global durante grande parte da era pós-guerra não enfraqueceu simplesmente; perdeu a sua capacidade de condicionar comportamentos. As grandes potências estão cada vez mais dispostas a contornar, reinterpretar ou ignorar normas partilhadas quando estas entram em conflito com o seu interesse nacional.
O que torna este momento distinto, argumenta Carney, é a forma como a própria interdependência económica foi transformada. O comércio, as finanças e as cadeias de abastecimento foram outrora apresentados como fontes de benefício mútuo e estabilidade.
Hoje, são rotineiramente utilizados como instrumentos de pressão, punição e controlo. As tarifas, o acesso aos mercados e as infraestruturas financeiras tornaram-se ferramentas de coerção em vez de cooperação.
Para as potências intermédias, isto representa uma mudança fundamental: o pressuposto de que a abertura proporciona automaticamente segurança e prosperidade já não é credível.
O custo de “viver dentro de uma mentira”
Para explicar como a velha ordem persistiu durante tanto tempo apesar das suas falhas, Carney recorre ao antigo dissidente checo Václav Havel para explicar como podemos “viver coletivamente dentro de uma mentira”.
Em 1978, Havel escreveu um ensaio intitulado “O Poder dos Sem Poder“, no qual fazia uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?
Segundo Havel, simplesmente com a participação de pessoas comuns em rituais que sabem ser falsos, e da disposição de todos em agir como se fossem verdade.
O sistema internacional, diz Carney, perdurou não porque funcionasse como anunciado, mas porque os países continuaram a agir como se funcionasse. Os governos elogiaram regras que sabiam ser aplicadas de forma desigual, defenderam instituições que sabiam estar a enfraquecer e evitaram denunciar incongruências para preservar a estabilidade a curto prazo.
Esta representação coletiva teve um preço. Ao tolerar critérios dúplices e aplicação seletiva, as potências intermédias ajudaram a sustentar uma ilusão que acabou por esvaziar a legitimidade.
Agora que as grandes potências abandonam até a aparência de contenção, continuar a cumprir, ficar em silêncio ou aplicar princípios de forma inconsistente já não garante proteção. Pelo contrário, aprofunda a vulnerabilidade.
Para Carney, a honestidade — nomear a realidade tal como ela é — torna-se o primeiro ato de autodefesa estratégica.
Porque recuar para trás de muralhas nacionais não é a resposta
À medida que a confiança nas regras globais se esvai, muitos países procuram autonomia estratégica na energia, alimentação, defesa e cadeias de abastecimento críticas.
Carney trata este instinto com compreensão. Um país que não consegue alimentar-se, abastecer-se de energia ou defender-se tem poucas opções quando é pressionado. Num mundo onde a integração económica pode ser transformada em arma, reduzir a exposição é uma resposta racional.
Mas Carney é lúcido quanto aos riscos. A autonomia prosseguida isoladamente conduz a um mundo de fortalezas nacionais: fragmentado, ineficiente e, em última análise, mais pobre.
Cada país que tenta duplicar cadeias de abastecimento, acumular recursos e isolar-se de choques aumenta os custos e diminui a resiliência. O resultado seria um sistema global mais frágil, não mais seguro.
O argumento de Carney é que a resiliência não tem de significar recuo; pode ser construída através de investimento partilhado, normas comuns e diversificação coordenada entre parceiros de confiança.
Um tema central do discurso do primeiro-ministro canadiano em Davos foi a clara distinção entre grandes potências e os que são apanhados no meio. As grandes potências, por agora, mantêm a dimensão de mercado, a capacidade militar e a influência para ditar condições. As potências intermédias, segundo Carney, não.
Carney é direto quanto às consequências. Isto não é soberania genuína, argumenta, mas a sua encenação — a aparência de autonomia enquanto se aceita a subordinação.
A alternativa é a ação coletiva, diz o governante canadiano, que entretanto foi “desconvidado” por Donald Trump para o seu “Conselho da Paz” — em que têm lugar Putin, Lula e Milei.
Ao coordenar as suas políticas, investimentos e normas, as potências intermédias poderiam potencialmente concentrar influência, partilhar riscos e criar um terceiro caminho entre a submissão e o isolamento.
Agindo em conjunto, as potências intermédias têm maior probabilidade de moldar regras, em vez de apenas absorverem as consequências da política de poder.
A resposta do Canadá: honestidade, força e união
A estratégia do Canadá, conforme delineada por Carney, assenta naquilo a que ele chama “realismo baseado em valores“.
Isto significa manter-se firme em princípios fundamentais — soberania, integridade territorial, direitos humanos e a proibição do uso da força — enquanto se age pragmaticamente num mundo de interesses divergentes. É uma abordagem que rejeita tanto a postura moral grandiloquente como a aquiescência silenciosa.
Na prática, implica construir força internamente através de reforma económica, investimento significativo em energia, tecnologia e defesa, e a remoção de barreiras internas ao crescimento.
No exterior, significa diversificar parcerias e formar coligações flexíveis e específicas por tema — sobre comércio, minerais críticos, segurança no Ártico e inteligência artificial — em vez de depender exclusivamente de instituições universais que já não funcionam conforme previsto.
O argumento central de Carney sugere que as potências intermédias conquistam o direito a uma política externa baseada em princípios ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações e ao agirem em conjunto, em vez de isoladamente.
Como escrevia esta quinta-feira um leitor do ZAP num comentário, há um antes e um depois do discurso de Mark Carney.
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Pelo menos, esta sessão de Davos marcou indelevelmente um antes e um depois. A máscara caiu finalmente. Já não é mais possível ir alimentando a hipocrisia e a mentira com que o ocidente se vinha comprazendo, mesmo a saber que era tudo treta. Tanto a ordem baseada em regras como a globalização acabaram finalmente por serem reconhecidas como extintas. Agora só falta acabar com a fantasia do “atlantismo”, seja qual for o entendimento que disso se tenha para se poder enfim partir para outra.
Dentro ou fora do Parlamento os partidos só se finam se forem ilegalizados como foi o Ergue te e devia ter sido o Chega assim que o CU falou em locais de confinamento especial só para ciganos por estes alegadamente não respeitarem as restrições do COVID.
E realmente és mesmo burro que nem um cepo porque eu não liguei o Katrina ao fascismo de Trump mas ao fascismo e que sempre caracterizou aquela sociedade.
Que não nasceu com Trump como aprenderam certamente a sua custa os desgraçados, a esmagadora maioria dos quais negros que ficaram três dias sobre o telhado das casas a espera de helicópteros que não chegaram. Só de lá saíram quando as águas desceram.
Ao tempo do Katrina nem se falava desse empresário medíocre como possível presidente do país.
Mas não adianta tentar explicar isso a um disco riscado que anda aqui a tentar impingir nos o CU como o senhor Orlando tenta justificar o Trampas.
Vao os dois ver se o mar da choco porque esta noite também está fresquinha e vocês estão mesmo a precisar de refrescar a cachola.
O ardina da Folha Nacional e os seus “links seguros”, os quais usa para fazer extrapolações “tiradas do CU”… ridículo e sintomático do estado mental alienado em que se encontra.
Já se percebeu que é um “ganda macho”, um alfa, daqueles que adora homens vestidos de farda, sejam militares ou polícias, ou até escoteiros, e derrete-se todo com demagogos prepotentes e imbecis que só dizem caca, esbracejam como polícias sinaleiros e urram como um adepto do seu clube a celebrar os raros triunfos do “special one”, além de açambarcarem riqueza como este açambarca indemnizações por despedimento precoce.
É um autêntico patego com laivos de homossexualidade reprimida, provavelmente vem da adolescência reprimida que teve, onde queria ser como a filha do Nené, mas tanta foi a repressão que se tornou fã do autoritarismo abrutalhado e de figuras paternais ícones da sociopatia, às quais beija o cu avidamente.
É um guloso que sendo limitado e reprimido, provavelmente pelo ambiente familiar e social, projecta na gula de figuras desequilibradas a sua feminilidade, o seu desejo homo-erótico, a sua luxúria e ânsia de satisfação libidinal. Tem ciúmes da Melania e inveja da coelha, que roía as cenouras que o CU lhe dava com afecto que ele não tem, apesar de se matar a mudar cartazes do CU, a ir aos ajuntamentos de cheganos com neo-nazis e a escrever e a apregoar a folha nacional pelas internetes.
Vamos lá a por aqui um link “Seguro” para os adeptos da porno-chachada de esquerda:
https://swentr.site/news/631379-france-us-masculinist-threat/
“O governo francês está falhando em combater o masculinismo, que se tornou o elemento central do “movimento reacionário internacional” liderado pelos EUA sob o presidente Donald Trump, afirmou o Alto Conselho para a Igualdade (HCE).
…”
Até o disco-riscado-vermelho aqui se rói de inveja, ele que conseguiu ligar o furacão Katrina ao “fascismo” do Trump.
Vá lá, mais um esforço de imaginação. Ficamos à espera dessa soberba prosa, que vai ser igual à anterior, que era igual à anterior, assim até que o Mundo se fez Mundo.
Com intelectuais deste jaez querem ser Poder, sim, mas só como bengala do partido do seguro.
Depois admiram-se que, quem trabalha lhes faça o gesto do Bordallo. Preocupados com o sexo dos anjos, estavam à espera de quê?
A fotografia do “revolucionário” Mark Karney ainda com mais detalhe:
https://reseauinternational-net.translate.goog/les-elites-ne-se-revoltent-jamais-elles-changent-juste-de-nappe-2/?_x_tr_sl=auto&_x_tr_tl=pt-PT&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=wapp
Deve ser por isso. Realmente nunca pensei nisso. Sempre achei estranho, que os “revolucionários” fossem quase todos filhos da Nobreza, da Burguesia.
Assim fica a coisa explicada, porque é que, o secretáruio-geral-único era filho de um administrador de concelho e porque é que, o partido está a finar-se. 😲
Um bom desmascaramento e antídoto deste discurso hiperbólico de Carney está aqui: https://resistir.info/p_escobar/davos_23jan26.html
E os militares canadiano estudam agora um cenário de invasão americana enquanto continuam a colaborar com o agressivo vizinho do Sul na construção do megalómano Golden Dome contra mísseis russos e chineses.
Como esquizofrenia não está mal.
Como não esta mal pensarem em técnicas de resistência ao estilo afegao contra a Uniao Soviética e os Estados Unidos.
Isso sim e viajar na maionese.
Os afegaos são um povo que combate invasores vindos do Ocidente há séculos. Os ingleses que o digam.
São um povo habituado a privações inimagináveis e que acima de tudo tem uma vertente religiosa que garante aos combatentes que depois de viverem um Inferno na terra irão para o paraíso se morrerem a combater invasores.
A população do Canadá, habituada a prosperidade conseguida muitas vezes por via da participação nas guerras americanas, muita dela sem grande religiosidade, conseguira fazer uma resistência que implica que a população esteja pronta para morrer?
Vao sonhando.
Depois ainda teem a pouca vergonha de dizer que as pessoas se importam com o Canadá ao contrário do que acontece com a Venezuela pelo que podem ter ajuda Europeia. Vao sonhando.
Pessoalmente não dou uma casca de alho se o Canadá provar o amargo remédio que durante décadas ajudou o vizinho do Sul a dar aos povos do Oriente e do Sul. Houve soldadesca canadiana em todos os cenários de invasões americanas e há mercenários canadianos na guerra contra a Rússia.
Por isso se provarem o mesmo remédio azedo só tenho pena dos cidadãos decentes que não merecem levar com o domínio de uma gente que vai arrasar com o que resta do estado social canadiano e transformar o território num estado policial porque e isso que os Estados Unidos são neste momento.
Mas quem boa cama fez nela se terá de deitar.
E a Europa não se vai arriscar pelo Canadá.
Por isso boa sorte para o país vassalo em vias de se tornar escravo como aconteceu a população do Hawaii.
O que eles nunca pensaram e que o mesmo poderia acontecer a gente branca.
Agora aguentem.
So falta ires ver se o mar da choco que a noite está fresquinha escravo que se diz alforriado.
Por mim os dirigentes do Canadá estão a ter o que merecem tal como todos os que ajudaram os Estados Unidos a cometer patifarias e ganharam com isso.
Carney foi pelo menos de alguma forma honesto quando reconheceu que a ordem mundial baseada em regras a americana trouxe prosperidade ao Ocidente.
A custa da morte e da pilhagem de outros povos que tinham o azar de ter os recursos que o Ocidente queria.
Mas agora, tal como Hitler, Trump quer o seu espaço vital.
Tratem de aguentar.
Quanto a Rússia vai continuar o que tiver a fazer na Ucrânia nazi porque depois do sequestro de Maduro nunca mais o Putin vai confiar nas boas intenções desta gente.
Danielle é uma velha comunista, nas duas acepções, em idade e em manha dialéctica. Por isso não admira que veja nos antigos inimigos virtudes, e no acossado canadiano, um ‘compagnon de route’.
https://histoireetsociete.com/pourquoi-les-modeles-dia-chinois-auront-un-attrait-mondial-plus-important-et-en-quoi-cela-joue-t-il-sur-le-basculement-historique/
Mas como o Mundo não pára, dois dos seus três donos, estão a trabalhar, empacotando margarina que há-se ser entregue nas diversas sedes de “poder” (querias!) europeias
https://sonar21.com/witkoff-and-kushner-spend-almost-four-hours-with-putin-but-no-diplomatic-breakthrough/
Só faltam em Abu Dhabi, o disco-riscado e a sua amiga agulham a do giradiscos, que o pica às vezes quando ele cheio de cachaça se estende ao comprido a comentar, para dizerem como é que as coisas devem ser feitas.