(Jorge Bettencourt, in Facebook, 02/12/2025)

Enquanto lança uma campanha militar agressiva no Caribe, dando ordens para “matar toda a gente” a bordo de embarcações civis suspeitas de narcotráfico, ordens essas consideradas por antigos advogados militares como “crimes de guerra, homicídio ou ambos”, Trump concede o “perdão completo” a Juan Orlando Hernández, o ex-presidente das Honduras condenado nos Estados Unidos por conspirar para importar centenas de toneladas de cocaína para o país. Este paradoxo revela uma nova doutrina de política externa, onde a soberania nacional e a justiça criminal são subalternizadas face aos interesses de uma oligarquia tecnológica bilionária.
Para compreender a magnitude e o significado do perdão de Trump, é necessário entender primeiro a gravidade dos crimes cometidos por Juan Orlando Hernández. Hernández foi o presidente das Honduras de 2014 a 2022, utilizando a sua posição para facilitar uma das maiores operações de narcotráfico do mundo.
Um tribunal federal dos EUA considerou-o culpado, não apenas de corrupção, mas de envolvimento directo na violência do narcotráfico. As suas condenações incluem: conspirar para importar centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos; receber milhões de dólares em subornos de traficantes, incluindo um milhão de dólares do notório Joaquín “El Chapo” Guzmán, líder do cartel de Sinaloa; possuir armamento para proteger os seus carregamentos de droga.
O juiz do caso, P. Kevin Castel, descreveu Hernández como um “político de duas caras, faminto por poder” que geria o seu país como um narcoestado, enquanto se mascarava de cruzado anti-drogas. Foi condenado a 45 anos de prisão. O Procurador-Geral dos EUA, Merrick B. Garland, resumiu o abuso de poder de Hernández de forma inequívoca: “Como presidente das Honduras, Juan Orlando Hernández abusou do seu poder para apoiar uma das maiores e mais violentas conspirações de tráfico de droga do mundo, e o povo das Honduras e dos Estados Unidos sofreu as consequências.”
A clemência para com um narco-barão desta magnitude só se torna inteligível através da análise de um projeto de investimento multibilionário numa utopia libertária na costa das Honduras.
Para decifrar o enigma do perdão de Trump, é preciso seguir os interesses dos seus aliados mais poderosos. A peça-chave neste quebra-cabeças é um enclave chamado Próspera, uma cidade-estado liberal privada, com fins lucrativos, construída numa jurisdição semiautónoma, conhecida como Zona de Emprego e Desenvolvimento Económico.
Este projeto não é uma novidade histórica, mas uma reencarnação moderna da era em que as Honduras se tornaram a “república das bananas”, onde empresas americanas como a United Fruit construíram infraestruturas em troca de controlo político e territorial.
A Próspera oferece um modelo de governação que representa o ideal das elites tecnológicas. Com impostos baixos e regulação à la carte, as empresas podem escolher o seu próprio enquadramento regulatório.
É comercializada para “pioneiros do século XXI” como um refúgio da supervisão governamental, com a Bitcoin como moeda legal, e um centro de arbitragem privado, gerido por juízes americanos reformados, que substitui o sistema judicial nacional. A entrada requer a assinatura de um “acordo de coexistência” de milhares de páginas, subjugando todos ao seu poder judicial privado.
Os críticos descrevem-na como um “estado neocolonial dentro de um estado” ou uma “monarquia corporativa”, concebida para extrair valor de uma nação empobrecida.
Por detrás deste enclave, encontram-se alguns dos nomes mais influentes de Silicon Valley como Peter Thiel, Sam Altman e Marc Andreessen. O projecto representa a ambição da “broligarchy crypto/tech” de escapar à supervisão democrática e criar os seus próprios feudos soberanos — efetivamente, um “governo de, por e para bilionários”.
A existência deste paraíso, contudo, dependia inteiramente do poder político e da corrupção de um homem: Juan Orlando Hernández. O regime corrupto de Juan Orlando Hernández tornou a Próspera possível. A sua queda ameaçou a viabilidade do empreendimento, gerando um risco soberano inaceitável para os investidores e estabelecendo o motivo para a intervenção de Trump.
A cronologia revela uma manipulação descarada do sistema judicial hondurenho. A lei de 2013 que permitiu a criação das Zonas de Emprego e Desenvolvimento Económico foi inicialmente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal das Honduras. Para contornar esta decisão, o Congresso, então liderado por Juan Orlando Hernández, demitiu os quatro juízes opositores.
A existência da Próspera não é um subproduto da corrupção de Hernández; é o seu propósito directo, viabilizado por um ataque frontal ao poder judicial hondurenho. Com a eleição do governo de Xiomara Castro, a lei das Zonas de Emprego e Desenvolvimento Económico foi revogada, colocando a Próspera num “limbo legal”. Em resposta, a Honduras Próspera Inc. processou o estado hondurenho num tribunal do Banco Mundial, exigindo uma indeminização astronómica.
O plano político é transparente: os investidores da Próspera necessitam de restaurar um regime politicamente alinhado nas Honduras para proteger o seu projecto. Ao perdoar Hernández e ao endossar publicamente Nasry Asfura — o candidato do mesmo partido de direita — Trump envia uma mensagem transacional às elites globais e a líderes corruptíveis: facilitem os interesses dos seus aliados e o sistema de justiça americano pode ser torcido a vosso favor. Este acto não é um caso isolado, mas parte de um padrão mais vasto.
De facto, o perdão a Hernández não é uma anomalia. É o exemplo mais recente de uma série de ações de Trump que favorecem criminosos, demonstrando um claro padrão de impunidade para os poderosos, especialmente os que estão ligados à sua base de apoio libertária e tecnológica.
Este padrão inclui clemência para figuras cujos crimes serviram os interesses desta elite: Ross Ulbricht, fundador do Silk Road, um mercado clandestino na dark web conhecido pelo tráfico de drogas; Changpeng Zhao, o ex-CEO da Binance, a maior bolsa de criptomoedas do mundo, que se declarou culpada de violações massivas das leis dos EUA contra a lavagem de dinheiro; Larry Hoover, um chefe do crime de Chicago, condenado a várias penas de prisão perpétua por liderar os Gangster Disciples.
Estes perdões estão profundamente ligados à ideologia da “broligarchy crypto/tech”: a crença de que as leis e os regulamentos são obstáculos à liberdade. Na sua visão, atividades como a lavagem de dinheiro ou a facilitação do crime são passos necessários para um mundo “livre” da supervisão estatal. Este padrão revela que a corrupção não é um defeito do sistema, mas sim a sua lógica operacional: a política externa e a segurança nacional são instrumentalizadas para proteger e recompensar uma classe de criminosos ideologicamente alinhados.
Enquanto Trump acusa a Venezuela de narcotráfico para justificar a sua agressão militar, apoia abertamente o partido político que nas Honduras, sob a liderança de Juan Orlando Hernández, permitiu o contrabando de centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. A razão? Proteger a Próspera, a utopia privada dos seus financiadores.
O perdão a Juan Orlando Hernández não é apenas um insulto às vítimas do narcotráfico e ao sistema de justiça americano. É a prova de que, para esta administração, a ilegalidade ao serviço dos interesses dos bilionários da tecnologia é uma política de Estado.
Em última análise, a justiça, a soberania e a segurança nacional não são apenas ignoradas; são ativamente manipuladas para garantir uma utopia bilionária, deixando para trás os cidadãos comuns e as vítimas do narcotráfico. E isso deveria preocupar-nos a todos.
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Se fossem só os estado unidenses a sofrer os desmandos desse canalha não haveria problema.
Votaram num traste que quer deixar os pobres doentes morrer como cães, encarcerar gente em condições inumanas por da cá aquela palha e mandar as mulheres para casa que se assoassem a esse guardanapo.
O problema são todos os outros povos do mundo.
Cuba a sofrer um bloqueio ainda mais intenso, Honduras alvo de chantagem para ter um presidente corrupto e abertamente fascista, Venezuela a beira de ser o novo Iraque, gente a ser assassinada no mar, migrantes a ser mandados para campos de concentração em El Salvador ou para África, Europa a perder tudo para pagar a sua guerra proxy contra a Russia, a lista de atrocidades e infinita.
Todos os presidentes americanos querem a supremacia americana a todo o custo.
Mas este bate os todos.
Porque e aquilo que acusa os outros de serem, uma má pessoa, uma pessoa terrível.
Por isso age mais a descarada, com muito mais letalidade. Porque e um psicopata e as vidas humanas não interessam.
E outra ma notícia quanto ao sujeito. A psicopatia não e uma doença mental e não tem cura.
E se querem um sujeito destes a mandar aqui votem CU nas próximas eleições.
Esse pelo menos só pode lixar nos a nós e a quem tem a desdita de para cá emigrar.
O problema e haver um psicopata destes num pais com poder militar para nos mandar a todos pelos ares.
E para destruir todos os que não se curvam a viver na miséria para sustentar a gordura dos estado unidenses.
Demos graças por nunca aqui se ter descoberto petróleo. Mas o Porto de Sines e capaz de já nos ter valido uma regime Change que nos lançou nas unhas desta direita torta.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
O Biden podia até estar a ficar demente, mas destas, à descarada e à vista de toda a gente, não fazia. Com ou sem autopen.
Mas o que esperar de um fascista como Trump, se não mesmo favorecer uns escroques em detrimento de outros que não lhe fazem os serviços que ele exige ou obedecem à sua vontade?
Ser um direitola MAGA ou da alt-right trumpista deve provocar constantes dessarranjos intestinais e refluxos esofágicos, de tantos sapos que passam a vida a engolir, para no dia a seguir já estarem a ressacar por mais patranhas para pategos engolirem. Chego à conclusão que devem ter uma adicção maior que um viciado em mentanfetaminas, ou fentanil, e muitos devem ter ambos os vícios, e ainda beber em demasia, para esquecer no fim.
Os americanos têm o que merecem, um hiPOpoTaMUS sem escrúpulos, e cuja palavra tem menos valor e autenticidade que um traque de um boi-almiscarado. Não passam de uma seita corrupta, alienada e viciada em dinheiro sujo e esquemas ilegais.
*metanfetaminas e não só…