Triliões

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 04/11/2025)

(Em tempos idos a Dona Clara era visita assídua da Estátua de Sal. Depois foi perdendo gaz e brilho, vieram as guerras, veio ao de cima o seu “americanismo” meio blasé, pelo que tem andado arredada. Só que, a Dona Clara sempre foi grande escriba e, confesso, este texto surpreendeu-me pela positiva. Fala de uma realidade de que ninguém fala, nem partidos políticos, nem sindicatos, nem a esquerda e muito menos a direita: os “excluídos” em contraponto com a riqueza pornográfica dos bilionários.

Pelo que só me resta publicar esta incursão da Dona Clara. Para a Estátua valem as mensagens, independentemente dos amores ou antipatias de estimação que tenha pelos mensageiros.

Estátua de Sal, 04/11/2025)


Os sentimentais e divulgadores de piedades, os cantores e artistas melancólicos, gostam de dizer que é o amor que faz mover o mundo, mas não é verdade. É o dinheiro.


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Um a um, meia dúzia de homens e uma mulher deitaram-se encostados a um edifício abandonado na principal rua de Madrid. A Gran Via. O edifício, uma monstruosidade em vias de reabilitação e muito investimento, estava entaipado na face que dava para a rua, num dos cruzamentos mais concorridos, e durante o dia não tinha ninguém em frente. Não sei se o primeiro a chegar foi um rapaz loiro de uns 30 anos, com um cartaz que dizia que tinha uma doença mental e tinha fome. Deem qualquer coisa para comer. Esse aparecia durante o dia, ao contrário dos outros que viajavam a coberto da noite. A noite estava fria, aquele frio seco que faz gretas nas mãos e na boca e envelhece as caras. Muito diferente do verão é o inverno de Madrid.

Estenderam umas mantas ou sacos-camas sujos e velhos no chão, sujo e velho também, e aninharam-se em fila. O do cartaz era agora outro com outro cartaz também sobre doença mental. Numa das camas improvisadas, aninhavam-se dois sem-abrigo que se aqueciam um ao outro. Por trás, a decoração era de graffiti e slogans, com preponderância para Free Palestine. As cidades europeias são agora iguais às cidades americanas nos anos 80, quando os pavimentos, cantos e vãos foram invadidos por vagabundos e restos de humanidade caídos para fora da malha social. Veteranos da guerra com trauma, alcoólicos, drogados, desempregados, doentes, sobretudo os doentes mentais que os asilos e hospitais despejaram na rua de um dia para o outro, em nome da liberdade e da proibição do encarceramento. E por razões económicas.

As operações de limpeza do mayor Giuliani completaram o quadro. Nas ruas e subúrbios da América tropeçava-se nesta população que acabaria a construir cidades dentro das cidades, em tendas e tetos improvisados. Assim aconteceu em Los Angeles, Skid Row, ou em São Francisco, hoje uma metrópole onde os techies ocuparam as casas e inflacionaram as rendas e os preços, ajudando a expulsar os antigos habitantes que não acompanharam. A distância entre a miséria e a opulência é pequena se medida em metros.

As cidades da Europa são agora assim. O Estado social arranjou um nome para esta gente, os excluídos, e continuam a enxamear as ruas e becos, os vãos das pontes e viadutos, os cantos dos bancos desertos de noite. Ou bancos de jardins, mais expostos às intempéries. Alguns penetram nos aeroportos, donde são expulsos. De manhã, mudam de poiso e disfarçam a condição para não serem perseguidos. Os samaritanos entregam comida e tentam ajudar, e as instituições oficiais do Estado, os abrigos dos sem-abrigo, são repudiados pela insegurança e pelo ambiente perigoso e insalubre. As mulheres temem as violações. Preferem a rua e a liberdade.

Há doentes mentais, desencarcerados, desacompanhados, alcoólicos, desempregados, adolescentes fugidos, refugiados, toxicodependentes, velhos sem família e sem dinheiro, imigrantes, tal como naquela rua de Madrid. Na Gran Via, um destes vagabundos era uma mulher da América Latina, que de dia se escondia dentro do saco-cama com uma criança lá dentro e dormia o tempo todo com um copo de plástico ao lado para as moedas. Há sempre uns que escrevinham em bocados de papel, nada frustrados com a falta de esmola, que a digitalização tornou mais difícil. Ninguém, a não ser os mais pobres, carrega moedas.

Embora sejam inofensivos, o cheiro e o medo da visão desta solidão ou da loucura fazem com que as pessoas não se aproximem. São hoje tantos e tão banais que passaram a ser ignorados. Nos anos 80, quando não se podia caminhar no centro de cidades como Filadélfia sem tropeçar em dezenas de vagabundos, eram uma excentricidade. Nas cidades europeias havia pedintes, mas não havia a crise da habitação e a crise das migrações, e a economia capitalista ainda não tinha evoluído para o ponto em que hoje está.

Ninguém representa a gente sem voz nem voto, e ninguém os quer representar. São os “excluídos”, excluídos até pelas esquerdas que defendem sempre os pobres, os funcionários do Estado e os imigrantes com toda a virtude, mas nunca se pronunciam sobre os “excluídos”. Os excluídos não votam. Restam os samaritanos e a Igreja, mais os restos do Estado social que trata destes assuntos sem grande empenho. E sem dinheiro.

O problema tem-se agravado, como se vê por qualquer passeio pelas nossas cidades. Durante a guerra civil síria, nas ruas de Paris viam-se famílias inteiras a dormir na rua. No rescaldo da guerra do Afeganistão, viam-se tendas montadas num canto de Hyde Park, com refugiados afegãos lá dentro. Foram varridos.

Saiba mais aqui

 

Na outra ponta do espectro social está o dinheiro, muito dinheiro, muito mais dinheiro do que alguma vez a Humanidade deteve ou acumulou. O capital, a única força que faz mover o mundo. Os sentimentais e divulgadores de piedades, os cantores e artistas melancólicos, gostam de dizer que é o amor que faz mover o mundo, mas não é verdade. É o dinheiro.

E o dinheiro deixou de ser contado em milhões, é agora em biliões ou milhares de milhões. Nasceu a novíssima unidade, o trilião. O trilião é comum. Elon Musk pretende ser aumentado para um trilião antes da reunião de acionistas da Tesla. Se não for, deixa o cargo de CEO. Um trilião em “performance-based compensation package”. Este o nome. E quase de certeza ganhará, porque sem Musk as empresas valeriam muito menos e os acionistas perderiam. Um trilião é um valor incontável, incalculável, e fácil de torrar em aventuras espaciais ou nas aventuras da IA, que nesta fase precisa de torrar biliões para recolher triliões, tal como vaticinou Bill Gates.

Gates deixou de se preocupar com as alterações climáticas porque a Microsoft precisa de investir biliões na parceria com a Open AI de Sam Altman. E sabe que a IA precisa de água e de energia sem fim, consumindo recursos naturais finitos. Recomendou às Nações Unidas que se deixassem de climas e se preocupassem com a “pobreza” e a “doença” sabendo bem que as alterações climáticas trarão ainda mais doença e mais pobreza.

A benemerência acaba aqui e acaba assim. A IA é hoje o suporte fundamental da economia americana, ao ritmo de triliões. Quantidades de dinheiro em que se move uma empresa como a Nvidia. E em breve se moverão a Apple. Ou a Meta. Ou a Alphabet, mais conhecida por Google. O bilião é manifestamente insuficiente para quantificar a realidade. Os seis bilionários da tech, Elon Musk, Larry Ellison, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg, Larry Page e Sergey Brin já ultrapassaram os 200 biliões da riqueza pessoal e juntos detêm 1,7 triliões. Musk sozinho tem 475 biliões. E faz o ultimato para o trilião. As grandes tecnológicas valem mais do que muitos países. Portugal podia ser comprado por eles, e nem tem valor residual. Bezos é agora o terceiro mais rico, ultrapassado por Musk e Ellison, que está a comprar os media americanos porque os filhos se interessam por cinema e televisão.

É claríssimo que nenhum político, liberal ou não, controla este universo opaco e virtual, que não compreende ou pode compreender. A plebe, com os dados capturados sem resistência, não se importa de ser pastoreada pela tecnologia, que lhe facilita a vida e vai criando empregos e subempregos e cada vez mais inovação. E dinheiro. E destituição.

O poder político é como o amor. Pensa que o mundo se move pela sua força, não é verdade. Musk enfrentou e combateu Trump e nada aconteceu, desiludindo os liberais que viam ali um mortal combate de gladiadores com mútua destruição. Cada um ficou no seu canto e Trump pode ameaçar verbalmente Musk mas não o pode contrariar ou impedir. O poder está no dinheiro e um tem mais dinheiro do que tem o outro. Todo o Napoleão tem o seu Waterloo.

À esquerda, defunta e faminta, restam as causas remotas, Palestina, migrações, uma teoria universal dos direitos humanos, e, se a História se repetisse, a revolução. Mas não se repetirá. A esquerda, como toda a gente, é ignorante sobre este dinheiro e sobre a ciência, a sapiência, as técnicas que o sustentam, e está capturada pela tecnologia. Incapaz de parar o futuro.

Os vagabundos irão morrer longe, longe da vista. O darwinismo social pode ser pseudocientífico sem deixar de ser uma experiência humana.


E pronto, money, money, money

23 pensamentos sobre “Triliões

  1. Claro que em Portugal tinha de ter havido mais “pressa”.
    Depois de uma guerra que tinha causado milhares de mortos portugueses e provavelmente centenas de milhares de mortos africanos, do pais estar economicamente de rastos e sangrado por uma emigração que se fazia também para fugir a guerra, de Lisboa se ter tornado a cidade da Europa onde se podiam ver mais mutilados devias estar a espera que a coisa durasse outros tantos anos.

  2. O problema é que a Clara não disse nada de jeito. Acusou a esquerda de negligenciar os excluídos quando esta sempre se bateu conra as políticas de direita que os criam, e com cujas consequências nunca ela se preocupou, a atoarda “é para isso que serve a santa Casa” foi simplesmente vomitiva, e tentou usar esses excuidos para nos dizer como era errado preocupar-nos com a Palestina por estas pessoas existirem entre nós.
    E até deu a entender que o ideal era que esses excluídos estivessem presos em instituições. Coisa que quem teve o azar de ter visto por dentro uma instituição publica para suposto tratamento de doentes mentais sabe que é uma barbaridade e que é mil vezes melhor a rua.

  3. Há uns anos, ouvi a Clarinha retorquir, a propósito dos protestos pelo despejo de inquilinos idosos do centro histórico de Lisboa: “É para isso que serve a Santa Casa”. Qualquer ilusão que tivesse sobre esta senhora morreu ali.

  4. Não sei que zurrapa a Estátua tem andado a beber, mas nos últimos dias tem andado a descambar. E muito. Como o Carlos Marques, num bom comentário mais abaixo, já explicou como a Estátua engoliu o isco, o anzol, a linha e tudo, fica aqui um pequeno digestivo. Bom proveito:
    …..

    A Alves

    Ao contrário do que se possa pensar, o jornalismo de merda, o verdadeiro jornalismo de merda, não se faz só com carregadores de pianos. Também tem os seus virtuosi; e até, naturalmente, a sua prima donna. Este é o caso de Clara Ferreira Alves, a ferreirinha Alves, que assina no Espesso, há mais de vinte anos, uma coluna de opinião com o capitoso nome de Pluma Caprichosa.

    A Alves licenciou-se em Direito por Coimbrameudeus mas nunca exerceu. Segundo a sua página da Wikipédia, “abandonou o estágio de advocacia para se tornar jornalista”. Fez o seu tirocínio com Nuno Rocha, no jornal “A Tarde”, esse farol do “centro-direita”. A seguir foi sempre a subir, por aí abaixo: o Correio da Manhã, a “experiência política no gabinete de imprensa de Mário Soares” e finalmente o Espesso, onde assinou reportagens de guerra(!), entrevistas, críticas literárias e a pluma caprichosa, lado-a-lado com outras divas e virtuosi do nosso jornalismo-de-merda como esta, e este.

    Pelo meio a Alves, que também é xcritora, foi, alternadamente, santanéte e socratista, assumidamente anglo-saxónica (só lê livros em inglês e compra-os todos na amazon) e anti-comunista praticante (até espumar), descobriu a fé católica (que também pratica até ao delíquio), recusou um convite para ser directora do “Diário de Notícias” e aceitou outro para uma reunião do clube de Bilderberg. O seu trabalho, em palavras suas, escritas pela sua própria pluma caprichosa e desassombrada, “vende opiniões sujeita ao rating das audiências e comentários online”.

    Ora se para emporcalhar reputações o jornalismo-de-merda serve-se sempre, sobretudo, de carregadores-de-pianos – para as limpar (sobretudo reputações mais sujas do que um pau de galinheiro – como a do sinistro Júdice, um velho coirão oportunista e troca-tintas a quem entretanto foi concedida uma cátedra de comentário político num canal de televisão do mesmo grupo impresarial) o Espesso recorre invariavelmente a virtuosi ou primas donnas, como a Alves.
    Porque para um jornalista-de-merda qualquer sale besogne é uma oportunidade. Para a Alves é muito mais – é um desígnio, e um refrigério.
    ….

    Texto original aqui, devidamente formatado, com retrato e tudo:

    https://ositiodosdesenhos.blogspot.com/2019/07/a-alves.html

      • E o que há para discutir, cara Estátua? Neste caso, e noutros como o do MST, discutir a mensagem é discutir o autor. E aqui não há nada para discutir porque o objectivo do texto é manipular e branquear, coisas que a Ferreirinha faz há décadas.

        O que este artigo tem nas entrelinhas é um ataque à “esquerda ignorante, defunta e faminta”, insinuações sobre o falhanço do Estado social, o perigo dos imigrantes e a inutilidade de nos opormos a um genocídio. E, além disso, o branqueamento das causas e condições que nos trouxeram ao estado em que estamos. Ou seja, a mensagem é a velha e gasta “não há alternativa”. Mas há.

        O que vale a pena discutir, ou pelo menos reflectir, é se um blogue importante e que merece ser apoiado como é a Estátua de Sal deve andar a pagar assinaturas a este jornalismo-de-merda para lermos aqui aquilo que eles querem precisamente que seja lido. Não veja nisto uma crítica ao blogue, que não o é, mas sim um pequeno alerta. Compreende-se que manter um blogue destes dê trabalho e implique muitas leituras, que por vezes serão feitas sem a devida atenção. Mas a Estátua é importante na blogosfera portuguesa e por isso mesmo deve ser mais cuidadosa na escolha de materiais.

          • Sim, o mesmo, Albarda-mos. Não vejo diferença nenhuma entre ela e os outros, são todos flores do mesmo canteiro, isto é do tal jornalismo-coiso. O comentário era irónico e por isso lá meti o vídeo, mas agora que o reli reconheço que foi ironia a mais. 🙂

        • Não publico certos textos por falta de atenção na sua leitura, mas porque acho que são pertinentes, independentemente da identidade de quem os assina. Não temos preconceitos como muitos têm, e discordamos da sua interpretação do texto. Chamar a atenção para a pornografia da riqueza dos Musks e afins – como o texto faz, e bem -, também é uma manobra encapotada contra a esquerda, como você diz que é falar da inoperância da esquerda com o tema dos excluídos?! Leia melhor o texto e não deixe que o preconceito leia por si.

          • Neste texto o problema da riqueza dos bilionários, incontestável para toda a gente, é apenas o chamariz, o isco para engolirmos o resto. “É claríssimo que nenhum político, liberal ou não, controla este universo opaco e virtual, que não compreende ou pode compreender”, ou seja, não há nada a fazer. No entanto, na China e até na Rússia, por exemplo, não é o que acontece, mas isso não interessa nada à Clarinha. Mas continue a publicar o que achar pertinente, que eu continuo a emitir a minha opinião enquanto me for permitido. Amigos na mesma.

  5. O RESTO DO MUNDO de GABRIEL O PENSADOR

    Fica o link
    https://youtu.be/5d9V0_EkGJw

    Eu queria morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    O meu sonho é morar numa favela

    Eu me chamo de cheiroso como alguém me chamou
    Mas pode me chamar do que quiser, Seu Doutor
    Eu não tenho nome, eu não tenho identidade
    Eu não tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
    Eu não tenho nada, mas gostaria de ter

    Aproveita, Seu Doutor, e dá um trocado pra eu comer
    Que trocado o quê, tem vergonha nessa cara suja, não?
    Vai trabalhar, ô vagabundo!
    Eu gostaria de ter um pingo de orgulho
    Mas isso é impossível pra quem come o entulho
    Misturado com os ratos e com as baratas
    E com o papel higiênico usado, nas latas de lixo

    Eu vivo como um bicho ou pior que isso
    Eu sou o resto, o resto do mundo
    Eu sou mendigo, um indigente
    Um indigesto, um vagabundo
    Eu sou… Eu num sou ninguém

    Eu tô com fome, tenho que me alimentar
    Eu posso não ter nome, mas o estômago tá lá
    Por isso eu tenho que ser cara de pau
    Ou eu peço dinheiro ou fico aqui passando mal
    Tenho que me rebaixar a esse ponto

    Porque a necessidade é maior do que a moral
    Eu sou sujo, eu sou feio, eu sou antissocial
    Eu não posso aparecer na foto do cartão postal
    Porque pro rico e pro turista eu sou poluição

    Sei que sou um brasileiro, mas eu não sou cidadão
    Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar
    E o meu banheiro é a rua e sem papel pra me limpar
    Honra? Não tenho, eu já nasci sem ela
    E o meu sonho é morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    O meu sonho é morar numa favela

    A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar
    Eu não tenho perspectivas de sair do lugar
    A minha sina é suportar viver abaixo do chão
    E ser um resto solitário esquecido na multidão
    Eu sou o resto do mundo

    Eu sou um mendigo, um indigente
    Um indigesto, um vagabundo
    Eu sou o resto do mundo
    Eu não sou ninguém, eu não sou nada
    Eu não sou gente
    Eu sou o resto do mundo
    Eu sou um mendigo, um indigente
    Um indigesto, um vagabundo
    Eu sou o resto
    Eu não sou ninguém

    Frustração, é o resumo do meu ser
    Eu sou filho da miséria e o meu castigo é viver
    Eu vejo gente nascendo com a vida ganha
    E eu não tenho uma chance
    Deus, me diga por quê?
    Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
    Mas eu não chego a ser pobre, eu sou podre!
    Um fracassado, mas não fui eu que fracassei
    Porque eu não pude tentar, então que culpa eu terei

    Quando eu me revoltar, quebrar, queimar, matar
    Não tenho nada a perder, meu dia vai chegar
    Será que vai chegar?
    Mas por enquanto eu sou o resto
    O resto do mundo
    Eu sou um mendigo, um indigente
    Um indigesto, um vagabundo
    Eu sou o resto do mundo
    Eu não sou ninguém, eu não sou nada
    Eu não sou gente
    Eu sou o resto do mundo
    Eu sou um mendigo, um indigente
    Um indigesto, um vagabundo
    Eu sou o resto do mundo
    Eu não sou ninguém

    Eu não sou registrado, eu não sou batizado
    Eu não sou civilizado, eu não sou filho do Senhor
    Eu não sou computado, eu não sou consultado
    Eu não sou vacinado, contribuinte eu não sou
    Eu não sou comemorado, eu não sou considerado
    Eu não sou empregado, eu não sou consumidor
    Eu não sou amado, eu não sou respeitado
    Eu não sou perdoado e também sou pecador
    Eu não sou representado por ninguém
    Eu não sou apresentado pra ninguém
    Eu não sou convidado de ninguém
    Eu não posso ser visitado por ninguém
    Além da minha triste sobrevivência

    Eu tento entender a razão da minha existência
    Por que que eu nasci? Por que tô aqui?
    Um penetra no inferno sem lugar pra fugir
    Vivo na solidão, mas não tenho privacidade
    Não conheço a sensação de ter um lar de verdade
    Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir um barraco comigo
    Mas eu queria morar numa favela, amigo
    Eu queria morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    Eu queria morar numa favela
    O meu sonho é morar numa favela

  6. Certíssimo. Só faltou dizer como o Ventura que não temos de nos preocupar com Gaza porque também na Moita se vive mal e que não nos devemos preocupar com o facto de mais de 90 por cento das habitações de Gaza terem sido destruídas porque por cá temos sem abrigo.
    Com os quais ela demonstrou a grande preocupação quando lamentou que muitos fossem soltos dos antros onde estavam confinados.
    Por mim sempre que o zapping me levava ao “último apaga a luz” até se me revolviam as tripas com as atoardas que lhe ouvia. Ate pensava que a magreza extrema da criatura era fruto da ruindade pois lá diz o ditado “aquilo e tão ruim que nem engorda”.
    A esquerda sempre propôs soluções de habitação e integração que sempre foram torpedeadas por gente da cor política da Clara.
    O resto e conversa. E a falta de honestidade intelectual que sempre caracterizou a Clara e para a qual também a vida me deu muitas vacinas.

  7. De a Estátua teima em não perceber o que lê, eu explico:

    – esta PROSTITUTA (da CIP, da UE, e de Washington DC) recebeu uma avença dos seus donos para aqui fazer uma manipulação emocional, usando a pobreza para EXCLUSIVAMENTE atacar a Esquerda.
    E fê-lo com base em meia dúzia de preconceitos e outra meia dúzia de mentiras!

    Foi exatamente o que queria quem encomendou esta trampa, o Expresso.
    E é exatamente por isso, e só por isso, que ela continua a ter espaço para ser publicada.
    Se por acaso escrevesse as mesmas partes sobre a miséria e os pobres, mas fosse honesta sobre a Esquerda, e capaz de apontar o dedo ao sistema Capitalista (e à Direita e “Centro” que o defendem), o texto dela não passaria pelo PIDE Ricardo Costa.

    Quem não percebe isto ao ler este texto, não percebe nada do que leu.
    Foi esse o caso da Estátua, mais uma vez!

    A China erradicou a pobreza. A China com políticas de Esquerda, ora mais Socialistas ora mais de mercado, implementadas por um Partido Comunista. Um país onde o povo construiu um sistema político onde se pode enriquecer, mas onde os ricos não podem ganhar poder para mandar no regime. É exatamente isso que garante a representatividade (i.e. DEMOCRACIA) da China, ao CONTRÁRIO do que acontece em todo o Ocidente.
    Obviamente a PROSTITUTA não falou disto.

    O problema da Estátua de Sal é comum a muito boa gente: cega-se com os seus próprios princípios teóricos (neste caso o pluralismo absoluto, e a tolerância) em vez de perceber que um podre será sempre um podre, por melhor que escreva e por mais bonita que seja a “ideia” que um texto aparenra ter.
    Não!
    O que realmente interessa é a natureza da pessoa/autor/regime em causa.
    É por 99% das pessoaa comuns não perceberem isto (e por se cegarem pelos tais princípios teóricos) que depois a propaganda e manipulação funcionam tão bem sem que as vítimas algumas vez se apercebam. Assim numa espécie de ‘inception’.

    Ora, neste texto desta PROSTITUTA, a inception foi executada duas vezes (para reforçar o efeito pretendido): por duaz vezes ela atacou a Esquerda e colou-a a um problema que é EXCLUSIVAMENTE resultado da Direita e do “Centro”.
    Foi por isso, e nada mais que isso, que ela falou destes pobres.
    Sabendo a natureza da besta em causa, eu sei que ela não tem um pingo de preocupação por quem sofre na pobreza e exclusão social.
    Pelo contrário, sei que essas pessoas são o centro das preocupações da Esquerda real.
    E sei que a preocupação por causas longínquas (como a Palestiniana) não é aquilo que esta PROSTITUTA quis fazer parecer que é, mas sim uma genuina preocupação pelas vítimas do capitalismo, estejam elas onde estiverem.
    Já a PROSTITUTA, se pudesse ter sido ela a escolher, tinha condenado milhões de portugueses à fome com a austeridade, e teria impedido o PCP e o BE de alguma vez na vida terem tido um pingo de influência temporária no poder para reverter alguma da austeridade.

    Acabei por ver só hoje o filme baseado no livro de Varoufakis: “Adults In The Room” – de 2019.
    Nem de propósito.
    Está lá tudo o que a PROSTITUTA defende: austeridade para o povo, riqueza pornográfica para o Capital, países sufocados pelos “mercados” e por tecnocratas estrangeiros, ditadura EUropeia.
    E o que fez ela no Expresso e na SIC durante estes anos todos?
    Atacar a Esquerda, que de facto luta contra esta podridão e injustiça, e tentou defender o povo e a soberania e a Constituição do país.
    Houve um dia, nunca vou esquecer, em que a PROSTITUTA teve um ataque de riso com a própria alarvidade que lhe pagam para dizer: “só o PS e o PSD podem governar bem este país”… Após estas palavras, ela própria não conteve o riso.
    É esta a natureza dela: vendida, aldrabona, uma manipuladora profissional.

    Em segundo lugar esta PROSTITUTA fez ainda uma segunda manipulação, ou semeou outra ‘inception’ os cérebros de quem a leu, sem sequer os leitores comuns se aperceberem disso: o ataque à causa Palestina.
    *olhem só para estes desgraçados abandonados pela Esquerda que só quer saber da Palestina lá longe*
    O refinamento do texto é de topo, mas a mensagem que no final passa é exatamente a mesma de André Ventura ao atacar a Esquerda neste assunto.
    Da próxima vez que os clientes da Impresa (Expresso e SIC) virem as palavras “Free Palestine”, o seu subconsciente irá voltar ao que sentiram no momento em que leram o texto da PROSTITUTA, e a semente da ‘inception’ irá transformar-sr numa ideia, e depois num ódio: *esses esquerdolas que se preocupam mais com terroristas do que com os pobres no seu país*.

    Foi por isso, e para isso, que este servicinho foi prestado por esta PROSTITUTA à empresa MainStreamMedia que em Portugal mais tem feito para levar o NeoLiberalismo austeritário (i.e. FASCISMO económico) ao colo, promover o fanatismo EUropeísta, espalhar o preconceito contra a Esquerda (em que o PROSTITUTO Daniel Oliveira é um dos principais colaboradores da Clara), insistir na normalização do imperialismo dos EUA, e todas as cambalhotas fazer para garantir o branqueamento fos nazis ucranianos e dos genocidas sionistas/israelitas.

    Quem, como eu, já se habituou a ter em conta a natureza das coisas, já está vacinado contra este tipo de propaganda e manipulação emocional.
    Digam o que disserem, eu pergunto primeiro: qual é a natureza desta pessoa/instituição/regime, e com base nisso qual é o real objectivo deste texto/comunicado.
    Vacinem-se vocês também, é só o que vos aconselho.
    E não caiam no ERRO da Estátua, mostrado no prefácio que hoje deu ao texto desta PROSTITUTA, de confundir a sua própria ingenuidade com uma falsa “superioridade” moral de quem só vê “ideias” e não vê caras…
    Não! Um texto sobre a pobreza, com críticas à Esquerda e menções à Palestina, quando escrito por uma PROSTITUTA do Capital e dos EUA e que recebe avença da MSM mais sionista de Portugal, não é mesmo um texto sobre pobreza, mas sim outra coisa bem diferente.
    Termino com uma analogia: o Expresso disponibilizou o palco, a Clara foi a ilusionista, as despesas foram pagam em dólares e shekels, e a Estátua foi o palerma no público que acreditou mesmo na “magia”.

    • A China demorou 24 a fazer uma «descolonização» que os portugueses tinham muita pressa. A China respeita os seus filósofos. Penso ter sido Lao Tsé a definir direita (consolidação) e esquerda (criação, modificação). O governante deveria favorecer a esquerda sem atacar a direita, porque não se deveria desfazer um rancor criando outro maior. Assim uma espécie de: «Para melhor está bem, está bem. Para pior já basta assim. Mao Tse Tung disse: o povo portugês foi o único povo europeu que nunca nos fez guerra. Quanto aos anglófilos aconselho as Cartas de Inglaterra do Eça de Queiroz e poderão pesquisar no mapa da google « Fortalezas do Monte Brasil, Angra do Heroismo». Eram para proteger da pirataria inglesa e holandesa.

  8. A sério que as esquerdas não falam dos excluídos, daqueles que a especulação imobiliária e a praga dos alojamentos locais, dos vistos Gold, dos estrangeiros endinheirados e dos nómadas digitais empurram para as ruas?
    Uma vez só não. Mas, claro, a Clarinha não lê publicações de esquerda.
    E ja agora, se me visse na miseria preferia viver nas ruas a ir para uma instituição para doentes mentais.
    São antros de podridão, sítios horrendos onde os doentes recebem comida que nem para porcos serve.
    Um familiar próximo foi parar a um.
    A vacina COVID correu lhe o pior possível e simplesmente não aguentou a ideia de que com pouco mais de 50 anos apanhar doença de velho. Uma trombose massiva que deixou sequelas. Eu ia vomitando quando pude ver o horrendo sítio por dentro no dia em que o fui buscar. Recusava comer aquelas lavagens, estava magro que nem um prisioneiro de Auschwitz e aqueles cerdos que se dizem psiquiatras pensaram que lhes poderia morrer nas unhas. Foi a sua sorte.
    Quartos que pareciam cavernas onde se amontoavam sete doentes em cada um, verdadeiros zombies afogados em medicação entorpecente vagueavam pelas zonas comuns como fantasmas.
    O espaco exterior era um sítio abandonado onde se viam toda as espécie de detritos. Nem pensar em dar ali um passeio ao ar livre.
    De noite os doentes alem de fortemente dopados eram amarrados as camas para haver a certeza que não incomodavam o pessoal.
    Mas para gente como a Clarinha claro que e melhor que essa febre esteja fechada em antros do que a perturbar o seu sossego burguês pelas ruas.
    No tempo do Salazar havia a Mitra.
    Va ver se o mar da choco pois que nenhum tubarão branco faminto pegava em tão chupada criatura. Tinha o bicho que estar mesmo desesperado.

  9. «Ninguém representa a gente sem voz nem voto, e ninguém os quer representar. São os “excluídos”, excluídos até pelas esquerdas que defendem sempre os pobres, os funcionários do Estado e os imigrantes com toda a virtude, mas nunca se pronunciam sobre os “excluídos”. Os excluídos não votam.» Nota-se neste pequeno detalhe um toque ‘Bilderberg Blaisê’ com acentuadas notas de ‘reacça-oxigené’!

  10. Deveria ter sido escrita uma nota a informar do erro da Sra Clara.
    Em Portugal, um bilião não é mil milhões.
    E por arrasto, um trilião também não é mil biliões

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