Salazar e Ventura

(Carlos Esperança, in Facebook, 25/10/2025)


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Há em Ventura os 3 Salazares de que – segundo diz –, Portugal precisa, o que é, o que sonha ser e o que não pensa, com uma feliz coincidência, nenhum procriou.

O verdadeiro não comentava futebol, tinha horror às câmaras de televisão e não exibia a sua fé em público; o genérico é comentador, não sai do ar e leva o rosário no bolso para mostrar durante os refluxos esofágicos.

Salazar vivia em S. Bento, era avesso a multidões e parco em palavras; Ventura vive no Parque das Nações, fala pelos cotovelos, adora ser escutado e dá mais entrevistas num só mês do que o seu ídolo em toda a vida.

O ditador estabeleceu a censura, a bufaria, as perseguições, a prisão, a tortura, o degredo e o assassinato para os adversários; o 4.º Pastorinho ainda não.

O verdadeiro lançou Portugal na guerra colonial e fez morrer jovens durante uma dúzia de anos numa causa perdida, injusta e criminosa, e ficou impune. Hoje as tropas não se arriscam sequer a reconquistar Olivença e quem as mandar morrer não fica impune.

Salazar falava pouco para não se contradizer; este contradiz-se para falar ainda mais.

O sinistro estadista não se confessava, porque alegava que os segredos de Estado não se podiam revelar, não se ajoelhava perante o clero e era este que se ajoelhava perante ele.

Salazar prescindiu do diretor espiritual do seminário e não o substituiu. E, porque eram outros os tempos ou porque era mais casto, não foi publicamente suspeito de pedofilia.

Salazar morreu na cama convencido de que era ainda o primeiro-ministro, e o André só sabe como morreu Mussolini, o católico que prestou maiores serviços à Igreja católica e de quem o Deus do André se esqueceu.

Salazar era sóbrio, não era palhaço, mas também era um homem a quem os portugueses insultavam a mãe. Em privado, naturalmente. Com Ventura ainda é às escâncaras.

Foto: Ventura com o seu confessor do seminário e diretor espiritual na vida adulta.

12 pensamentos sobre “Salazar e Ventura

  1. Valha te um burro aos coices Manelinho.
    Claro que torturar e matar opositores a torto e a direito, alguém poder ir preso por dizer que a vida estava cara, jovens estudantes apanharem anos de cadeia por brindarem a liberdade ou uma mulher ser fuzilada por dizer que queria pão para dar aos filhos não era terrorismo.
    Eram, como dizia o douto professor “uns safanões dados a tempo”.
    Já agora, num tempo em que ninguém podia vir para a rua manifestar se, em que mais de três era ajuntamento e os únicos ajuntamentos permitidos eram as procissões e as paradas do 10 de Junho não estou a ver de que outra maneira se podia chamar a atenção para o que se passava cá dentro que se resumia a fome, pobreza extrema e, nos últimos anos do regime guerra e emigração em massa para fugir a pobreza e a essa guerra.
    Pelo menos nesse terrorismo não morria ninguém ao contrário do que aconteceu a opositores como o Humberto Delgado e a sua secretária espanhola, está última selvaticamente violada antes de ser morta.
    Vai ver se o mar da tubarão branco faminto e votos para que encontres mesmo um.
    Fascismo nunca mais.

  2. Talvez preferisses voltar ao trabalho do tempo do Salazar onde não havia férias nem subsídio de Natal e a malta ia gozar cinco ou seis dias não remunerados, não eram férias, era “ir gozar os dias”.
    Deixa lá o Quarto Pastorinho chegar a algum lado que logo ves o que era frustração laboral.
    Vai ver se o mar da choco do grande, daquele que e bom para grelhar.

  3. Há outras diferenças. O de Sta. Comba sabíamos bem qual era o seu pensamento geopolítico internacional, mas o desventuras prefere ( como prefere!) ocultar as suas elocubrações (se é que eventualmente as tem) sobre tudo o que se passa do lado de fora do rectângulo. Claro, fez uma rápida excepção aquando da viagem marítima da Mariana e da Sofia, mas enfim, voltou logo à sua zona de conforto da tugalândia, pois é aí que se sente como peixe na água, nojentamente bajulado por toda a comunicação social que virou descaradamente caixa de ressonância dos poderes instituidos. Veja-se como nem as greves foram noticiadas em favor da ardorosa religião benfiquista. Com elites deste calibre, não sei o que possa dar errado.

  4. Os 3 Salazares que o CU (candidato único) invoca amiúde (segundo o que diz parece ser tradição familiar) não serão uma forma pagã (“ligeiramente” herética) de adoração à Santíssima Trindade?
    Assim teríamos o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que simbolizariam na crença da seita do CU o próprio do Homem Providencial que caiu da cadeira como figura patriarcal; o que quer subir à cadeira como figura filial, herdeiro do primeiro e encarnando nesta vivência religiosa a missão de Quarto Pastorinho; e por fim o Espírito Santo do fascismo como elo entre ambos e os demais crentes, discípulos e seguidores, permeando toda a “nação patega”, desde as beatas às ateias, passando pelas agnósticas, as satânicas e as freiras.
    Penso que esta síntese da teologia de AVentura, que faz dele uma espécie de profeta ungido, um Messias, um Salvador, não deverá estar muito longe do que se passa dentro da sua cabeça, no seu âmago, e revela a essência de culto de primadona, pois que também ele tem qualquer coisa de Nossa Senhora de Fátima, nem que seja apenas uma estatueta, e partilha da sua visão no que toca à Rússia.
    Enfim, teologias da libertação professadas por muito beija-CU charlatão… e benzidas e dirigidas por muito Capelão e assistidas por muito sacristão.

  5. Pensadores em Portugal
    Tem todos o mesmo canto
    Não ultrapassam o quanto
    Fica impossível o qual

    A esquerda e a direita
    Unidas e muito afinadas
    Sem dissonâncias notadas
    Servindo estranja seita.

    Revolta colorida com cravos
    Transforma Nação soberana
    Em povo vassalo e pobretana
    Uns lacaios outros escravos.

    A diferença é um abismo
    Muito abaixo da sua altura
    Pois o labrego do Ventura
    Não sabe o que é terrorismo.

  6. Parece que está bem claro que o homem não quer nem um nem outro.
    Simplesmente chama a atenção para o que e igual em ambos apesar das diferenças.
    Lembrando que são só de forma. Salazar não precisou de se fazer querido pelo povo. Chegou ao poder por ter sido nomeado por aqueles que tomaram o poder pela força e que ergueram a sua bolha uma teia de terror que o manteria seguro se ele assegurasse os privilégios dos donos disto tudo e mantivesse o povo ignorante e submisso. E isso ele fez na perfeição.
    Por isso pode morrer calmamente na cama e convencido que ainda mandava.
    Este tem de se impor porque sabe que só pelo voto pode chegar a algum lado. Daí brilhar na comunicação social e contar com uma teia de comentadeiros e produtores de aldrabices nas redes sociais também financiados pelos donos disto tudo.
    Por ele também se esconderia numa caverna a mandar matar, prender e torturar.
    Talvez mais ainda. Há nos dois a mesma religiosidade bafienta, a mesma misoginia, o mesmo ódio a tudo o que sai da norma de um mundo ordenado de cima para baixo.
    Mas hoje os tempos são outros e se esta gente acordar a tempo pode ser que ninguém volte a conhecer esse tempo em que se podia ir preso e torturado, talvez morto por dizer que a vida estava cara.

    • De facto cometer atentados e sabotagems, assaltar um navio de passageiros, etc, etc é liberdade de expressão, para os avôzinhos do Louçã o PCP era Social-Fascista, para o PCP o PCI e o PCE eram traidores e Enrico Berlinguer e e Santiago Carrilo uns vendidos, parece que a coisa não era bem assim.
      O Mário Soares viveu toda a vida equivocado. Basta pesquisar no Youtube.

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