Voando sobre uma terra de cucos

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 10/10/2025)

Tudo visto e apurado, o Governo limitou-se a dar seguimento a uma tradição imutável da nossa política externa — a subserviência perante os Estados Unidos, Israel e Angola, por esta ordem.


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Então, recapitulemos: é verdade que o primeiro-ministro garantiu que Portugal não aceitaria a passagem de armas para Israel, mas caças F-35 não são armas, esclareceu ele, são brinquedos, daqueles que um ex-embaixador americano em Lisboa dizia que os nossos chefes militares tanto gostam e com os quais nos preparamos para ir gastar — segurem-se — 5 mil milhões de euros. É verdade que, por denúncia unilateral dos Estados Unidos, as Lajes deixaram de estar concessionadas a uma base aérea americana permanente, mas isso não impede que possa ser livremente utilizada por eles, sem contrapartidas e sempre que lhes convier — como para ajudar o amigo israelita, tal como em 1967 ou em 1973. Também é verdade que, apenas por uma questão de manter as aparências sobre a nossa soberania, os americanos estão vinculados a pedir autorização de sobrevoo e aterragem previamente, mas, como se viu no caso, nem é necessário que recebam uma resposta formal: basta que não haja resposta breve e está concedida a autorização por “deferimento tácito”, como sucede com um banal acto administrativo. É ainda verdade que estes factos, revelados por um jornal espanhol, ocasionaram uma imensa trapalhada no Governo, com a Defesa e os Negócios Estrangeiros a empurrarem culpas um para o outro e o PM a desabafar que não percebia tanta histeria sobre o assunto. De facto, tudo visto e apurado, o Governo limitou-se a dar cumprimento a uma tradição imutável da nossa política externa — a subserviência perante os Estados Unidos, Israel e Angola, por esta ordem —, especialmente marcante quando está em funções um Governo de direita (lembrem-se da Cimeira das Lajes e de Durão Barroso a dizer que tinha visto provas indesmentíveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque).

2 Como toda a gente percebeu, o CDS já não existe: estava morto e não sabia, como escreveu Cesare Pavese no “Ofício de Viver”. Aquilo que Luís Montenegro generosamente fez nem foi a impossível ressurreição de um cadáver, mas apenas dar uma oportunidade de emprego a Nuno Melo e a três amigos seus, depois de anos sem fim no bem-bom de Bruxelas. Mas, volta e meia, Nuno Melo empertiga-se, Paulo Núncio estrebucha na sua inconsciência gravatal e a gente do CDS que resta nas televisões lança umas atordoadas para cima da mesa, para ver se os distinguem do Chega. Ultimamente, o tema é quase sempre Israel, de cujos crimes o CDS e a nossa extrema-direita são acérrimos defensores, em nome, pasme-se, da civilização e dos valores cristãos. Com a história da flotilha para Gaza, Nuno Melo derreteu-se de prazer, esquecendo-se de que é membro menor de um Governo, que não lhe cabe a política externa desse Governo e que nele se representa apenas a si mesmo e não a um partido inexistente. Resultado: um chorrilho de disparates. Dizer que os integrantes da missão eram apoiantes dos terroristas do Hamas, como se os 2,2 milhões de palestinianos de Gaza fossem todos do Hamas, é típico do discurso propagandístico de Israel. E dizer que eles iam em direcção a um “território ocupado por terroristas” até está certo, embora seja o oposto do que quis dizer: Gaza é, de facto, um território ocupado, e ocupado por quem já matou 67 mil dos seus habitantes, ao serviço do Governo terrorista de Benjamin Netanyahu. Porque é que ele não se informa?

3 No ano passado, o SNS gastou 627 milhões de euros em cirurgias feitas em horas extraordinárias e pagas como tal. O esquema — porque é disso que se trata — permitiu a dermatologistas, ortopedistas e cirurgiões de outras especialidades (curiosamente, não urgentes) acumular súbitas fortunas não justificáveis e explica porque é que o SNS dobrou practicamente os seus custos em menos de cinco anos. Só não explica como é que os administradores hospitalares, os chefes de serviço, o Ministério assistem, conformados, a uma situação em que metade das cirurgias, em média, é feita fora do horário normal (no Porto, são só 20%). O que farão estes cirurgiões durante as horas de expediente?

4 São coisas destas que levam o Conselho das Finanças Públicas (CFP), na esteira de outros organismos, a prever que Portugal regressará já aos défices este ano, a menos que o Governo recorra a alguns truques de contabilidade bem conhecidos. Mas, a partir de 2026, não escaparemos nem com contabilidade criativa. A situação é tão transparente de ver que chega a ser irritante: o Governo da AD recebeu as contas públicas com um superavit de 1,2%, correspondente a 2,3 mil milhões de euros em caixa — a herança socialista. Dois anos e duas eleições depois, após ter satisfeito todas as reivindicações do funcionalismo público e de ter atirado sucessivos pacotes de dinheiro aos pensionistas, prepara-se para ver as contas públicas regressarem ao vermelho. Digam os ministros o que disserem, vai ser difícil justificar isto. Pelo que, segundo ainda o CFP, é de esperar que o Governo lance mão da arma mais a jeito: abandonar ou adiar até possível os investimentos a serem feitos com financiamento bonificado do BCE, mas que contam para o défice. Esgotamos, se o conseguirmos, os investimentos financiados a fundo perdido e, quando for necessário entrar com dinheiro para aproveitar juros baratos e uma oportunidade de apostar no desenvolvimento, passamos. Traduzindo: o Governo abdica de investir na economia para poder gastar dinheiro em despesa corrente e permanente. Para ganhar eleições.

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5 Quando não se esgota na exigência de aumentos dos salários e pensões ou na acusação ao PS de estar ao serviço da direita — um mantra que eu imagino que seja de cumprimento semanal obrigatório para um secretário-geral do PCP —, Paulo Raimundo gosta de produzir frases que imagina de efeito instantâneo, tipo quizz, e em estilo irónico-evidente, como se acabasse de descobrir a pólvora. A última destas foi a afirmação de que “o povo não come PIB”. Mas está enganado: come, sim. Eu explico: o PIB representa toda a riqueza produzida num país, seja na indústria, na agricultura, nas pescas, nas minas, nas exportações, e é o resultado do esforço de todos — trabalhadores, empresários, investidores, Estado. O PIB português foi de 290 mil milhões de euros no ano passado, mas se por azar vivêssemos num país africano mediano seria, talvez, de 29 mil milhões, 10 vezes menos. Haveria portugueses a passar fome a sério, muito mais deficiências na Saúde pública, nos transportes, na qualidade de vida em geral, porque quanto mais rico é um país melhor vivem os seus. Isto, que é do senso comum, ainda não entrou na cabeça dos comunistas portugueses, amarrados a mandamentos pré-históricos do marxismo-leninismo, para o qual quanto mais pobre e desigual for um país mais hipóteses de sucesso terá a revolução comunista. A História, porém, tem-se encarregado de mostrar que, quando podem escolher, os povos preferem o primeiro cenário, preferem o PIB. Porque é que Paulo Raimundo também não se informa melhor?

6 A procuradora-geral da República, que passou à História como aquela que conseguiu derrubar um Governo de maio­ria absoluta com um simples parágrafo em que lançava para o ar suspeitas sobre a idoneidade do primeiro-ministro, foi sucedida por um PGR que acha absolutamente normal que, dois anos volvidos, o Ministério Público (MP) a que preside continue a investigar se esse PM foi ou não corrompido. E que acaba agora de declarar que também acha absolutamente “regular” que o MP ande três anos a investigar, seguir e devassar a vida de um juiz de instrução de quem não gosta, abrindo-lhe quatro diferentes inquéritos, escudado numa denúncia de corrupção supostamente anónima e fundada em supostos factos facilmente desmentíveis. Naquela casa confundem autonomia com arrogância e roda livre, e nem o apelo a uma reflexão por parte do Presidente da República os faz pensar. Pior para eles: não querem reflectir a bem, talvez tenham de o fazer a mal, quando o Estado de Direito, que assim vão descredibilizando, conduzir ao poder os populistas que se alimentam desse descrédito. E a autonomia do MP for uma das primeiras coisas a ser sacrificada.



P.S. 1 — Brilhante, corajoso e inteligente o programa de Filomena Cautela sobre as redes sociais, na RTP1, esta semana. Devia passar em todas as aulas de cidadania, em todas as escolas do país.

P.S. 2 — Este artigo foi escrito antes de ser anunciado que estava fechado um acordo de paz para o Médio Oriente.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

17 pensamentos sobre “Voando sobre uma terra de cucos

  1. Não admira que MST valorize tanto o PIB: para um e outro, a administração pública (isto é, os funcionários públicos) só contabiliza(m) em “custos”. A única “produção” que conta é a do sector privado. Nem que seja em PPP…

  2. MST quanto a pib sabe pouco. O pib é uma medida estatística e nada diz sobre a realidade; pense-se num pib MAL DISTRIBUÍDO ( tipo 40% para 10% da população ) para se entender que o pib ( rendimento ou riqueza ) pode não matar a fome mas estar na base dela. MST é lúcido ATÉ chegar a questões levantadas pelo PCP. Por certo MST nasceu e criou-se no sistema que paira sobre a vida concreta dos cidadãos de menores rendimentos, agora gente que trabalha e não tem dinheiro suficiente para viver com dignidade. Famílias e famílias. O limiar da pobreza toca 40% da população e sem apoios sociais 60% de nós. Números que o pib, propositadamente, esconde para não mostrar que o capitalismo é e sempre foi um regime produtor de pobreza ( MST nunca leu 2 linhas de economia marxista e não sabe que o capital exige que os salários estejam sempre perto do nível de subsistência… ). MST já não está em idade de estudar e nota-se.

  3. E os ninhos de cucos andam aí. Mark “eutanásia” Rutte veio dizer que “e provável que a China mande o seu sócio menor, a Russia, atacar a Europa”.
    Deve ser também essa a retórica em que o escravo que se diz alforriado não quer que se mexa.

  4. Se os resultados tivessem sido como nas legislativas se calhar até tinham sido mais de 30.
    No Algarve se calhar só escapava uma e no Alentejo mais de metade tinham ido.
    Os cheganos ficaram com uma abóbora dos diabos porque já viam favas contadas.
    Mas em boa parte dos casos cagou lhes o cão no caminho.
    E ainda bem porque a última coisa de que precisamos a frente de serviços de proximidade como são as autarquias e de canalha fascista que até diz que quem não nasceu cá porque os pais tiveram de emigrar por isto no tempo da Outra Senhora de quem esses bandalhos teem saudades não e português.
    Gostei muito da grande cabazada que levaram. Não gosto do Assis mas também espero que este tenha sido o início do ocaso eleitoral do fascismo descarado.
    Um fascismo que inclui um repugnante culto da personalidade pois que tínhamos de ver o focinho do CU em todos os cartazes de propaganda do Chega.
    E descansa que aqui ninguém tapa o Sol com a peneira. Todos sabemos bem o que temos pela frente.
    Fascismo puro e duro que já garantiu que nunca mais haverá Festa do Avante quando chegarem ao poder.
    Mas já derrotamos o fascismo uma vez, foram 48 longos anos, podemos voltar a fazer lo meu escravo que se diz alforriado.
    Mas se estás a espera que também comecemos a dizer que a culpa desta merda toda, desde a falta de casas, as rendas obscenas, a degradação dos cuidados de saúde, a legislação laboral assassina que se perfila, aos ordenados miseráveis e dos imigrantes e do Putin podes esperar sentado que de pé apanhas uma grande canseira nas pernas.
    Já agora, o CU devia ter tido o partido ilegalizado quando propôs espacos de confinamento especial para onde deveriam ser arrebanhados todos os cidadãos de etnia cigana. Porque a Constituição proíbe taxativamente partidos que apelem a discriminação.
    Mas poucos foram os que levantaram essa lebre, nomeadamente os que tu acusas de olhar para o Sol com a peneira.
    Mas cá continuaremos felizmente sem termos, na maior parte dos casos, de ter gente abertamente fascista a frente das autarquias.
    E a população dos três concelhos que votaram nesses bandalhos agora teem quatro anos para se assoar nesse guardanapo.
    Comecem a ir a missa e a tourada que provavelmente serão as únicas ofertas culturais que vao ter. Afinal de contas os turistas também gostam de uma bullfight e os maricons que não podem ver sangue que fiquem em casa.
    E vão ver se o mar da choco.

  5. Pois é. O MST, de vez enquando, tenta parecer muito progressista e aparecer do lado certo, mas a sua essência rapidamente é levada a destapar os seus ódios se estimação – Trabalhadores, pensionistas, PCP e aliados enfim, enjoativo, mas não é por acaso que continua no Expresso, enquanto que outros vão sendo afastados, sempre que “mijam fora do penico”. Tem cumprido escrupulosamente o seu papel

  6. Receio que «o PIB que o povo come», na ótica do Tavares, se traduza em haver alguém que come dois bifes todos os dias e outrem nem os conseguindo cheirar, para, depois, concluir, efusivamente, que ambos comem, em média, um bife por dia! 🥸

  7. Então “camaradas” contentes com mais uma vitória?
    Olhei para os resultados aqui da freguesia, o CH teve +718 votos e o PCP -67.
    Em retórica que vence, não se mexe.
    Continuem firmes a segurar a peneira, com que olham para o Sol.

    • Grande vitória para o CU (candidato único)! Só faltava vir o propagandista patego e falar dos resultados espantosos da sua freguesia.
      Escusado será dizer que das 30 câmaras que o CU augurava conquistar (em tantas outras que apareceu nos cartazes ao lado dos cabecilhas de lista), nem à dezena chegou. Verdade que conquistou uma no Algarve (o tal “bastião” do Chega), ironicamente uma das que tem mais cus e assholes a bambolear, agora até neste outono escaldante. De resto, kaput. Em Lisboa o Moscaranhas nem sequer ficou à frente do João Ferreira, mas na freguesia do Capelão é que é, deve morar na paróquia de Olivais e Moscavide ou então na do Parque das Nações.
      Cada vez mais ridículos, os lambe e beija-CUs!

    • E o sucesso estrondoso do n.º 2 e da n.º 3 em Faro e em Sintra? Até a barraca abanou com o Pedro Pinto e a Rita Matias a celebrar a vitória… e estes eram daqueles que nem precisavam de ter o CU no cartaz, tal o seu prodigioso protagonismo de beija-CUs…

  8. E a alimaria, que tem também entre os seus ódios de estimação os partidos a esquerda do PS sabe muito bem em que sentido é que o Raimundo disse que o povo não come PIB.
    Ano apos ano temos Governos a gabar o crescimento do malfadado PIB ou a dizer que ele não cresce porque os trabalhadores são pouco produtivos por terem direitos a mais.
    E ano após ano temos cerca de um quinto ou mais da população em situação de pobreza e não fossem os apoios sociais e seriam quatro em cada 10.
    Não serve de nada ter um PIB elevado se depois esse é mal distribuído.
    O problema do Brasil nunca foi falta de PIB. Foi o modo como era distribuído. Criando uma desigualdade verdadeiramente assassina. Na primeira vez que o Lula tomou posse cerca de dois terços dos brasileiros passava fome.
    Aliviar esse garrote foi uma das prioridades, nomeadamente o programa Fome 0.
    Que num país em que a fome era vista como o resultado da preguiça brasileira teve muitos detractores.
    Um padre que era um dos gestores locais da coisa dizia que era simplesmente anti cristão dizer vida dessas.
    Dizia o homem, padre numa cidade nordestina que depois da implementação do programa, que procurava garantir a toda a gente um cabaz básico, nunca mais tinha feito um funeral de criança. E antes fazia dezenas.
    Na década de 90 o PIB brasileiro crescia mas os brasileiros fugiam para tudo quanto era lado nomeadamente fazendo a rota de Pedro Álvares Cabral ao contrário. Decididamente não comiam PIB.
    E também em Portugal, o segundo mais desigual da OCDE, pior só os Estados Unidos, decididamente não se come PIB.
    E com o pacote laboral e as borlas fiscais que aí vêem vai ser pior ainda.
    Mas sobre isso não tem a criatura nada a dizer.
    Va ver se o mar da choco.

  9. Mas o homem tem uma lata dos diabos. Para ele a culpa de podermos voltar aos defices e dos funcionários públicos e da peste grisalha.
    Não meu lindo menino. A culpa de podermos voltar aos defices e da perda de receita fiscal causada pelas sucessivas borlas fiscais aos grandes grupos económicos que teem lucros obscenos, nomeadamente a descida do IRC.
    E as borlas fiscais não ficam por aqui. Também os proprietários de casas, que cobram rendas obscenas, vao ter umas borlas se cobrarem rendas que o Governo diz serem moderadas, leia se até 2300 euros.
    Os funcionários públicos estiveram quase 10 anos com os salários congelados, há funcionários publicos que a sorte de não estarem a levar para casa 700 paus e por o ordenado mínimo ter subido e uma alimaria destas diz que a culpa e dos funcionários públicos terem finalmente visto o fim desse garrote aplicado as suas vidas.
    E onde e que ele viu “sucessivos pacotes de dinheiro atirados aos pensionistas?”.
    Num país com reformas miseráveis e onde para ter direito ao tal do complemento solidário para idosos com que o Montepardo decidiu fazer campanha e preciso provar ser indigente?
    Não há uma palavra sobre a brutal perda de receita fiscal causadas pelas borlas aos grandes grupos económicos e aos proprietários de imóveis.
    O homem prefere bater nos dois ódios de estimação. E um deles são sem dúvida os funcionários públicos. O outro sao os pensionistas pois que o sujeito não deve precisar de reforma dado os cabedais que vai acumulando em comentários da treta e escritos vários.
    Um dos quais, um livro escrito nos anos da troika, em que explicava a situação porque “a verdade e que andamos todos a roubar o Estado”.
    Valha lhe um burro aos coices. Cada vez tenho menos pachorra para o homem.

  10. 5. O PIB é um indicador macroeconómico, e nunca traduz a (re)distribuição da riqueza interna pelos cidadãos, nem a desigualdade social. Os EUA podem ter o maior PIB do mundo (ou lá perto), e nem por isso deixam de ter 40 milhões de cidadãos abaixo do limiar da pobreza, ou seja, 20 % da população. Daí a extrema-direita andar a purgar as camadas mais pobres e desfavorecidas, é a sua forma de “eliminar” ou tentar abafar as desigualdades do seu sistema de capitalismo desenfreado e ultra-liberalismo especulativo, de casino. O Miguel continua agarrado a mandamentos mais arcaicos que os do marxismo-leninismo e ainda não o conseguiu perceber, nem as as consequências do modelo económico actual, e agarra-se aos clichés tão na moda da IL e dos libelinhas para não parecer tão arcaico, rústico e conservador. Também a ascensão da extrema-direita não se deve apenas à arbitrariedade na Justiça em Portugal, cheia de capelinhas e vícios de antanho, só falta ilibar os “moderados” fanáticos pelo modelo macroeconómico actual de responsabilidades…

    Quanto ao resto, já li coisas piores…

    • Também nunca vi esses “entendidos” em macro-economia, e os pseudo-“entendidos”, como Miguel Sousa Tavares, referirem as paralisações da função pública nos Estados norte-americano, que têm origem nos mecanismos financeiros e políticos do aparelho federal estatal.
      Por outro lado, quando há uma greve em Portugal, aqui d’El-Rey! Lá estão os esquerdistas e os sindicatos e grevistas a bloquear o país, a produção económica e o desenvolvimento, a empatar a vida das pessoas e dos outros trabalhadores!
      E nunca vi estes economistas e pseudo-economistas residentes que comentam tudo e um par de botas nos telejornais, e aqui incluo as Susanas Peralta e as Helenas Garrido, a terem o mesmo critério quando se trata de criticar as paralisações grevistas, particularmente em Portugal, e as paralisações do “maior país/ potência do mundo”, “maior economia do mundo”, e “farol das liberdades e democracias liberais”, “motor dos mercados livres”, cuja origem não está em sindicatos e greves, e sim no “soluço”, ou na suspensão, do financiamento dos trabalhadores do estado. O que diriam se fosse funcionamento do Estado português a ficar em suspenso, ainda clamavam pelo regresso da Troika, do Vítor Gaspar, do “irrevogável”, do “não há linhas vermelhas”, etc…

      É só para se perceber o tratamento totalmente parcial e acrítico que dão aos vários aspectos políticos e sócio-económicos do capitalismo e dos seus expoentes principais, que parece que nunca têm defeitos, são infalíveis e só geram riqueza, nunca desigualdade, concentração de poder e riqueza, e a pobreza de uma fatia cada vez mais ampla da população (pela acumulação crescente do capital e dos meios de produção, como é visível e confirmável, e por acaso o marxismo até é bastante preciso, mesmo que algo datado, no estudo da dialéctica materialista e dos enguiços do sistema capitalista sem regulação dos mercados, defendido por Libelinhas e pelas corporações que financiam e protegem a extrema-direita como alternativa aos auto-proclamados “moderados”.

    • E depois estes “intelectuais”, “livres pensadores”, ainda têm a lata de andar a chorar por causa do “marxismo cultural”, ou do “guevarismo do século passado”… quando só sabem repetir clichés de propaganda recauchutada, que analiticamente ponderados se revelam tão vazios quanto falaciosos, enganadores.
      Nem sequer são capazes de desenvolver esses tópicos problemáticos para a narrativa de marketing capitalista em esteróides, e os poucos que o tentam fazer, expondo a realidade como é e não como a contam, são criticados pela “dissonância cognitiva” que provocam nestas “cabecinhas pensantes”, trocando por novilíngua, “fazedores de opinião”, e seus editores, redactores, e directores.

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