(Raquel Varela, in Blog raquelcardeiravarela.wordpress.com, 13/09/2025)

Uma vez, como aluna, na Faculdade, contra um professor que nos olhava de forma excessiva, estou a ser bondosa, combinámos, um grupo de amigas, ir entregar o trabalho, em fila indiana, com o maior decote que tínhamos no armário. O assunto morreu ali, debaixo de intensos suores do nosso professor, risos contidos da turma, e desbragados cá fora. O tipo era um insuportável pós-moderno, que, se fosse acusado de assédio, eu estaria na linha da frente a defendê-lo. Não pode valer tudo. O nosso professor compreendeu que admirar é bom, há um limite vermelho que incomoda. A vida seguiu.
Vivemos tempos de vigiar e punir, desde o Metoo, e do wookismo, que começou, para quem tem boa memória, não na esquerda, que lhe foi dando cobro, mas no Observador e neocons, um projecto de extrema direita, cuja director agora apresenta livros contra o wookismo, ao lado de neofascistas.
Num país onde há milhares de casos de assédio contra trabalhadores, torturados colocados em gaiolas de vidro à frente de colegas, deixados abandonados num edifício sem função alguma, ameaçados de despedimento, processo disciplinares aos milhares – e isto como método de gestão corrente de sub chefias e chefias-, muitos deles provados em tribunal, os únicos casos médiáticos são os de alegado, não provado, assédio que denunciam professores e artistas, e por norma de esquerda. Uma guerra contra a cultura e a Universidade, um ambiente totalitário de extrema direita, que infantiliza alunos e mulheres, como se fossem crianças. E faz dos jornais, onde assédio de editores contra jornalistas já foi amplamente revelado, folhas de mal dizer e campanhas negras – a verdade que se lixe, à segunda “noticiam” o assédio sem provas, há terça combatem a “desinformação”.
Cresci como aluna com vários casos – vários -de alunas que casaram com professores, eles e elas eram adultas, muitos deles figuras públicas, casamentos felizes, alguns com filhos. Quando estava na Universidade eu era aluna, não era cliente, nunca assinei folhas anónimas de “avaliação” de professores. Também havia gestão democrática e nós, alunos, participávamos dos órgãos de gestão onde assuntos delicados foram resolvidos, com debate democrático, sem queimar vivos os colegas. Não há nenhum combate, como alegam com estas campanhas ao corporativismo, pelo contrário, estes denúncias são o super poder que os directores e gestores querem, à frente das escolas e Universidades, sobretudo agora que a carreira se faz de pontos nos lugares de gestão. Nunca ninguém chegava a director por outra carreira que não fosse cientifica, hoje chega-se lá pelos lugares de gestão, cada vez mais, e esses lugares querem o poder de ter na mão, como os padres tinham na aldeia, na confissão, a caixa de denúncias.
Os meus melhores colegas estão a deixar de conviver com alunos, recebem-nos na cantina, não se aproximam, não olham, nem admirando a beleza, ou de forma exagerada. O ambiente de medo tomou conta das Universidades, e das instituições de cultura, com as guerras pelo poder a usarem o ressentimento de alunos e colegas para fazer valer tudo. Tal como na Inquisição importa semear a desconfiança. E assim mandar mais e melhor.
Conheci de perto um único caso de assédio sexual, e ela perdia o emprego se denunciasse o gestor. Vivia aterrorizada. Foi há 30 anos, podia até ser crime público, não era, que ela, sem dinheiro, não o ia denunciar – porque seria despedida e pagava as contas dela e da mãe doente com esse emprego. Teria que haver uma greve democrática, com assembleia, de todos os trabalhadores por ela, nada mais a podia salvar.
A palavra “denúncia” dá-me náuseas, não suporto bufos e participantes de pelourinhos, fazedores de minis processos de Moscovo, ontem para salvar o Partido, a Nação, as mulheres, Israel (sim, nos EUA a denúncia é o centro da luta contra quem luta contra o genocídio). E claro estes salvadores são o exemplo da decência de uma vida sem olhares, sem decotes, sem gente real, só bons e maus. A mulher olhada é uma vítima, com gordas de jornais. A violada à noite a sair do turno, com horários que não pode recusar, em direcção a uma bairro periférico, expulsa pela especulação imobiliária, essa mulher nem existe, embora seja a maioria dos casos de violação, um dos mais hediondos crimes, em Portugal. Essas mulheres só vêm no Correio da Manhã, em nota de rodapé.
A denúncia é uma palavra fascista. As ditaduras adoram-na. As palavras de luta são assembleia, gestão democrática, e greve. E socialismo, entre iguais, livres.
Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Excelente artigo sobre bufos, informadores e maus camaradas.
Podem por as culpas na direita, só que em Portugal não há Direita. Por isso, as culpas vão andar por aí como almas-penadas.
https://www.paginaum.pt/2025/09/16/estado-da-uniao-das-republicas-socialistas-europeias-urse
Esta é que é a verdadeira PIDE/Gestapo/… (não me refiro às agências de repressão do campo ‘socialista’ para não provocar a fúria dos esquerdistas de pacotilha). 😀
“Cantiga do Aldrabão”
(in Jovem Conservador de Extrema-Direita).
https://youtu.be/jyhCb4mCXqE?si=4rri5LA2YDMELGOL
Espero que os controleiros os chamem à razão. Não lavem as ceroulas aqui. Falem de política, da força, do assim se vê a forca do …
“Onde é que já me viste choramingar?”, pergunta ele, choramingando.
«DENUNCIANTE» E »BUFO»: Embora ambos os termos se refiram a alguém que revela informações sobre comportamentos impróprios ou ilegais, o contexto e a conotação são bem diferentes:
🕵️♂️ Denunciante
• Definição neutra ou positiva: Pessoa que comunica uma infração, irregularidade ou crime às autoridades competentes.
• Motivação: Geralmente movido por um sentido de justiça, ética ou dever cívico.
• Proteção legal: Em Portugal, o Regime Geral de Proteção de Denunciantes de Infrações (transposição da diretiva europeia “Whistleblower”) garante proteção contra represálias.
• Exemplo: Um funcionário que denuncia corrupção na empresa através de um canal oficial.
🐀 Bufo
• Conotação negativa: Termo pejorativo, associado à delação por interesse próprio, vingança ou submissão a regimes autoritários.
• Histórico em Portugal: Muito ligado ao período da PIDE, onde os “bufos” eram informadores que denunciavam vizinhos ou colegas por motivos políticos ou pessoais.
• Motivação: Pode incluir ganhos pessoais, medo, ou simples malícia.
• Exemplo: Alguém que denuncia um colega por inveja ou para obter vantagem.
⚖️ Em resumo:
A distinção não está apenas no ato de denunciar, mas na intenção, no contexto e na forma como a sociedade interpreta esse ato. Hoje, com leis que protegem denunciantes, há um esforço para desmistificar o estigma do “bufo” e valorizar quem age com integridade.
Onde e que já me viste a choramingar?
E se eu faço marcação cerrada tu fazes outro tanto, por isso estamos quites.
Ficaste danado desde aquele comentário azedo a propósito do Putin, já me acusaste de vir para aqui com os copos e tudo quanto te apeteceu.
Não faço marcação a ninguém mas quando escravos que se dizem alforriados vêem para aqui cantar loas a extrema direita tenho de os mandar ir ver se o mar da qualquer coisa de pouco bom.
Porque a maior parte das vezes que tu mandas bocas a minha condição eu até te deixo correr.
Mas a paciência também tem limites.
E tivesses tu passado por perder dezenas de quilos em quatro meses, estares tão rebentado que até levar durante uns 300 metros um garrafão de cinco litros corre mal, teres uma anemia de tal ordem que o médico te pergunta como é que ainda estás de pé e quando te começas a tratar a coisa até melhora mas perdes mais peso ainda eras capaz de ter mais tento na língua.
Se tivesses todos os teus amigos a engolir em seco quanto te viam na rua, pensando que se calhar tinhas o cancro de sangue que há 10 anos dizem que o Putin tem de certeza ias gozar com outro.
E se falo disto não e para me queixar mas para que se perceba o que está em causa.
Porque está não foi a última doença “nova” que apareceu e podem tentar fazer nos o mesmo outra vez. Alias, vao de certeza fazer nos o mesmo outra vez. E e preciso estar a postos para fazer a mala se a coisa se tornar obrigatória. Porque a alternativa e o caixão.
E não me queixo muito porque a alternativa para pessoas boas que conhecia foi mesmo o caixão.
Como para um belo de um cetaceo que conheci, não exteriormente musculado mas forte como um touro, que enfrentava manhas de geada de mangas curtas e um dia em que foi preciso levar um homem de bom tamanho em cadeira de rodas para um serviço público cheio de barreiras arquitectónicas levou homem e cadeira pelas escadas acima como quem leva um garrafão de cinco litros. Tinha sido jogador de rugby em novo e contava pouco mais de 50 anos.
Pois esse homem forte como um touro definhou, esse sim virou um peixe seco, com problemas de coração atrás de problemas de coração, depois de dar a coisa e pelo menos um reforço, pois que na qualidade de criatura considerada obesa era prioritário.
Ainda hoje quando chego ao serviço penso que o vou ver, enfrentando em mangas curtas a geada da manhã.
Ele era um candidato a morrer de qualquer doença de gordo mas quando já estivesse reformado, aos mais de 70 anos, a bater os 80, como aconteceu aos meus avós e a outros belos cetáceos que conheci.
Chama lhe outra vez obsessão mas estou me nas tintas.
E se venho cá muitas vezes e porque justamente não perco tempo com a televisão e alguma coisa tem de se fazer, nomeadamente quando se está de férias.
Ou como não sei o que e isso de dormir uma noite de seguida, e assim tipo dormir duas horas, acordar uma, dormir mais duas, voltar a acordar e talvez com um pouco de sorte dormir mais uma ou duas até o despertador cantar.
Deito me com as galinhas e levanto me com elas.
E assim tens explicado algumas entradas de comentário tipo as quatro da matina.
Só falta explicar a história do peixe seco. Quanto comecei a pesquisar na internet encontrei dezenas de desgraçados que enfrentavam o mesmo desafio.
Um brasileiro dizia ter 1,74 e pesar 54 quilos. Perguntava o que podia fazer nestes termos “alguém me ajude se não vou virar um peixe seco”.
Eu lembrei me dos peixes secos que o meu avô punha a secar nos anos da minha infância. Eram umas coisas compridas, salgadas como o raio, nunca fui capaz de comer um mas os velhos comiam aquilo com vinho branco e era um manjar para eles.
Ora uma das soluções apresentadas era justamente fazer musculação, porque ficar comendo porcaria para ganhar volume só ia encher o desgraçado de colesterol e outras coisas e talvez não ganhasse tamanho porra nenhuma.
Para mim, que a noção de exercício que tinha era caminhadas e ir lavar as banhas ao mar o ano todo não era fácil mas sendo a alternativa não ter nada para lavar vamos lá malhar no meio dos bofias, seguranças privados, meninos lingrinhas que querem ser o Searzennegger e senhoras que correm quilómetros na passadeira e levantam halteres com a barriga para ver se não engordam e não ganham a temida barriga.
Mal e porcamente tem resultado e pelo menos sei que não sou o único a olhar esse céu.
Há uns meses vi uma reportagem espanhola sobre uma obsessão que teria dado as senhoras depois da pandemia no sentido de ganharem massa muscular.
Pensei ca para comigo “depois da pandemia ou depois da vacina levar as desgraçadas a carne que tinham e que não tinham?”.
Enfim, obsessões cada um tem as suas mas pelo menos quem não me vê há muito tempo já não tem num comentário a minha magreza a primeira coisa que diz.
E isso faz tudo valer a pena até chamarem nos cetaceo musculado ou perguntarem nos se queremos ser porteiro de discoteca nas horas vagas.
Pelo menos a maior parte dos quilos que perdi estao de volta.
E isso já vai longo, não te peço um bocadinho de respeito porque e impossível mas não digas e que o cetaceo musculado não se deu ao trabalho de explicar tudo.
Fartas-te de choramingar que te fazem (faço) maldades, mas não perdes uma oportunidade para me encharcar as calças, ó cetáceo musculado! Achas justo fornicares-me o orçamento de reformado com o que me obrigas a gastar em lavandaria? Dizes que entre o trabalho e o ginásio que tens de frequentar “para não virar um peixe seco” (???) o tempo que te sobra é para tentar dormir. Com a marcação cerrada que aqui fazes a tudo o que mexe, 24 sobre 24, olha que ninguém diria, pá, ninguém diria!
Ninguém aqui tirou a ninguém a liberdade de pensar. Nem ninguém se armou em puro.
O texto fala em denúncias e e preciso distinguir entre denúncias justas e injustas.
E e essa distinção que não me parece muito bem feita mas liberdade também é isso.
Discordar e dizer porque e que se discorda.
Quanto a bufos, na minha terra aos chibos cortasse lhe a cabeça.
Não gosto deles mas essa especie provou estar muito bem viva e a mexer no tempo das restrições covideiras.
No interior do Algarve o dono de um restaurante foi denunciado por deixar trabalhadores de estrada comer debaixo de telha. Livrou se da multa porque os agentes da GNR tiveram decência. Disseram ao homem que não voltasse a fazer isso pois que tinham tido uma denúncia. E havendo denúncia da próxima vez teriam mesmo de multar. Quem pagou o pato foram os desgraçados obrigados a comer ao frio e a chuva, como animais.
E o restaurante ficava no meio do nada.
Um dono de uma tasca no centro do país foi multado por reunir quatro amigos lá dentro, em volta dos copos, farto da solidão e de ter a casa fechada.
Muita gente teve multas por causa de denúncias de estar na rua em horas de recolher ou de estar a lavar as banhas no mar em pleno Inverno.
Por sorte nunca fui alvo de tal tipo de denúncias apesar de ter furado todas as restrições covideiras que pude. Mas sei de muita gente que se viu quente.
As restrições covideiras fizeram muita gente encontrar o bufo que havia em si.
Mas muitos desses continuam a dizer que não são bufos e detestam bufos. Mas em nome da saúde fizeram no.
Por isso os motivos que podem fazer alguém que diz que detesta bufos ser bufo podem ser os mais loucos possíveis por isso não ponho as maos no fogo por ninguém.
Conheço gente que efectivamente detestava bufaria, que viveu o tempo da Outra Senhora em que bufar era desporto nacional e que detestava tal coisa.
Mas com a lavagem ao cérebro certa foi mesmo isso que fez.
Em nome da salvação da saúde contra quem furava as restrições e, mais tarde, contra quem não se queria ir vacinar ou contra quem não tinha dado reforcos da coisa.
Essas são as denuncias que não devem acontecer.
Mas as que devem acontecer, devem mesmo acontecer. Como o de ter havido desgraçados despedidos dos empregos nos Estados Unidos por terem sido denunciados aos empregadores. Motivo? Dizer nas redes sociais que Charlie Kirk ficou a fazer tanta falta como a fome ou a viola num enterro.
Mas estas denúncias injustas não fazem da denúncia como direito que assiste a vítimas ou a quem fala em nome de vítimas uma palavra fascista.
Fascista pode ser sim o uso que fazemos da denúncia.
A tal denúncia que visa assassinar caracteres e desqualificar discursos.
E claro que alguns dos denunciados não podem ter o carácter assassinado porque não teem nenhum.
E o caso do quarto Pastorinho, um ente sem vergonha na cara e que e bem capaz de para mal dos nossos pecados ser o próximo PR. Tudo porque não se denunciou como deve ser o fascismo em Portugal e os seus hediondos crimes.
A ter acontecido essa denúncia não seria uma palavra fascista mas talvez nos tivesse livrado do fascismo.
Raquel Varela esceveu, ali acima:
“nos EUA a denúncia é o centro da luta contra QUEM LUTA contra o genocídio”
Podia ter escrito, porque foi isso, exactamente, que quis dizer:
“nos EUA a denúncia é o centro da luta contra quem DENUNCIA o genocídio”
Mas há quem ache útil implicar com a impureza da forma negligenciando o conteúdo. Quem reclame por uma pepita de chocolate mal esmagada numa mousse de lamber os dedos. Quem bata no peito e se ponha em bicos dos pés para exibir a sua imaculada “pureza” e infalível “rigor”. Quem tenha orgasmos a dar caneladas em companheiros de trincheira. Enfim, quem não tem mais que fazer faz colheres.
Raquel Varela podia ter sido mais clara e rigorosa, mas, admitindo que o disse mal, custa-me a crer que não tenha sido entendido o que quis dizer.
Nem todos são livres de pensar.
A Historiadora Raquel Varela é.
Já o Residente não ousou insultar, não que não pense, ele até pensa, mas o mar estava ‘flat’ para surfar.
A este artigo não acorrem os xarrocos do costume. Nem mesmo ao chamamento: ” A palavra “denúncia” dá-me náuseas, não suporto bufos e participantes de pelourinhos, fazedores de minis processos de Moscovo, ontem para salvar o Partido, a Nação, as mulheres, Israel (sim, nos EUA a denúncia é o centro da luta contra quem luta contra o genocídio). ”
Fossem os integrantes da esquerda deste calibre e estávamos todos bem.
Infelizmente …
Concordo muitas vezes com Raquel Varela, mas neste caso, sinceramente, não percebo o que pretende. Esse professor que olhava de forma “excessiva”, mas que bastou levar uma barrigada de decotes para encarreirar, é uma raridade, mesmo nos dias que correm. Seria ainda mais nos tempos de estudante de Raquel Varela, em que ver e ouvir gestos e “piropos” nauseabundos na rua, mesmo dirigidos a miúdas de 12 anos, era o pão-nosso de cada dia e ninguém questionava… era assim. E isto era o que se via e ouvia. Muitas raparigas e mulheres não tomariam, nem tinham de o fazer, a atitude de Raquel Varela e de suas amigas, porque não achariam piada nenhuma e teriam até medo de o fazer. Muitas pessoas, como aquela operária que trabalha por turnos, única que parece merecer a compaixão de Raquel Varela, não se sentiriam confiantes para o fazer. E não me parece correcto que se use essa historieta “benigna” para desvalorizar as queixas por assédio, geralmente bem mais graves, como certamente RV sabe. Tem razão quando diz que há um aproveitamento político dos casos que envolvem figuras de “esquerda” e acredito que estes canais de denúncia sejam usados nas universidades com os objetivos que descreve. É evidente que os casos que envolvem figuras sem essa conotação política, como os casos recentes nas universidades do Porto e de Lisboa, são tratados com maior “discrição”. A exposição pública é terrível para os envolvidos e injusta se forem inocentes daquilo de que os acusam. Mas esta exposição não depende dos queixosos, antes do interesse político-mediático que o alvo da queixa suscita. Então porquê atacar o elo mais fraco, aqueles que se declaram vítimas de abuso? Devem calar-se? Ou, como parece insinuar Raquel Varela, devemos partir do princípio de que são denúncias falsas, porque as figuras em causa são intocáveis, ou irrelevantes, porque é tudo boa gente, que poderia facilmente ser corrigida com uma barrigada de decotes, sem ser preciso “vir para a rua gritar”? E aos rapazes assediados o que sugere? Que abanem os rabos? A Raquel Varela que fala nas operárias que trabalham por turnos, o seu exemplo ad nauseum, parece pensar que, fora da fábrica, se vive no paraíso. É claro que não é impossível que haja denúncias falsas, embora, como saberá Raquel Varela, elas sejam raras nestes casos, até por toda a exposição a que também se presta quem denuncia e que, normalmente, tem menos poder do que quem é denunciado. RV não concretiza, parecendo acusar genericamente todas e todos os queixosos. É comum, mas perturbador que nestes casos se ponha automaticamente em causa a palavra de quem se queixa, talvez o único crime em que isso acontece de forma recorrente, uma desconfiança” por defeito”. Porque será? Por fim, numa coisa concordo com Raquel Varela, embora talvez por razões diferentes, que é na crítica ao uso da palavra “denúncia”. O portal da Universidade do Porto, por exemplo, chama-se “da denúncia”, congregando nele a possibilidade de denúncia de infracções relacionadas com assédio e com fraude, o que é estranho. No primeiro caso, geralmente são as próprias vítimas a fazer a “denúncia” e estas pessoas são, mais exactamente, queixosas. Queixam-se de um dano que lhes terá sido causado a si pessoalmente, e não à instituição, pela pessoa que é acusada. Enquadrar as queixas por assédio na categoria “denúncia” aponta para delação, na qual quem denuncia pode não ter sido a vítima, sugerindo assim, de facto, um ambiente de caça às bruxas associado ao assédio. Mas talvez tudo isto seja intencional.
Concordo. Há coisas que devem ser denuciadas. A denúncia do crime de genocídio em Gaza, mais de 10 por cento da população do enclave morreu ou ficou ferida, não é uma palavra fascista, e uma palavra necessária.
Bem como a denúncia do cancelamento feito aos que denunciam os crimes israelitas, a denúncia da participação israelita em festivais da canção e provas desportivas na Europa, a denúncia do cada vez mais avassalador crescimento da extrema direita. Todas essas denúncias são necessárias.
A articulista devia ter dito, “a denúncia falsa” são duas palavras fascistas.
Como foi a denúncia de Julian Assange que fez muita gente se estar nas tintas para o que acontecesse ao desgraçado.
As denuncias que visam destruir caracteres, matar mensageiros, essas sim são palavras fascistas, são fruto do fascismo.
Quantos desgraçados que queriam apenas ordenados que permitissem chegar ao fim do mês não foram denunciados como comunistas, torturados e mortos?
Nunca saberemos quantos, Portugal tem uma extensa linha de costa, há número oficiais mas todas as terras teem na sua história dezenas de cidadãos que desapareceram sem deixar rasto. “Foi para França e deixou a família” era a conclusão a que se chegava.
Provavelmente estava era a ser comida de peixes ao largo da costa portuguesa, como se gabava um antigo torcionario fascista a própria filha.
O bandalho, como tantos outros, só foi castigado pela vida. Cancro cruel, com 1,92 morreu com 36 quilos. A filha garante que foi castigo. Talvez fosse. Elas não se pagam no outro lado, pagam se neste.
Todos estes crimes deviam ter sido denunciados e não foram.
E talvez por isso temos a possibilidade real de ter um celerado como André Ventura como próximo presidente da República.
Porque não houve a denúncia que devia ter sido feita e por isso muita gente acredita mesmo que nesse tempo e que era bom.
E por isso estamos as portas de ter um governo de extrema direita, com as consequências terríveis que isso pode ter para quase todos nós. Porque a elite que lhe paga, essa ficará bem e com o privilégio que tinha noutros tempos de assediar e até violar dependentes sem que haja denuncia. Porque quem denunciar ainda pode ir preso e uma vez dentro Deus sabe quando e como sairá.
Tudo isto porque Portugal quis simplesmente virar a página na atitude lirica que tambem aconteceu em Espanha e por isso correm os mesmos riscos que nos.
A denúncia do fascismo é necessária. Porque se não o fascismo vai engolir nos a todos.
E já agora vejam a entrevista de Mário Crespo na CNN. Alguém que não pode ser acusado de ser de esquerda e que fez o retrato que muita gente não se atreveu a fazer de Charlie Kirk. Uma denúncia contundente, um murro no estômago de quem acha que isto e so uma questão de liberdade de expressão.
E depois quem ficar escandalizado com quem diz que o sujeito não ficou a fazer cá falta nenhuma e livre de o continuar a fazer mas vá insultar o diabo que o carregue.
Estou verdadeiramente de acordo com o artigo. Agrada-me ouvir falar desta forma, honesta livre e verdadeira.
A denuncia, de que a Raquel escreve, é a forma mais brejeira de atacar alguém que se tem de banir.
Seja pelo que for!
Apresentem provas, e julgue-se! Nos tribunais!
A luta contra uma determinada injustiça faz todo o sentido.
A luta da Raquel Varela contra uma palavra é simplesmente ridícula.
A denúncia não é uma palavra fascista. As palavras não são nada a não ser o que elas próprias descrevem.
Uma palavra so6passa a ser mais do que é, após se avaliar o contexto em que é dita.
A DENÚNCIA feita por uma vítima real de assédio ou violação, não é uma palavra fascista. É uma palavra justa.
A DENÚNCIA feita por Julien Assange contra um império genocida não é uma palavra fascista. É uma palavra de direitos humanos.
A DENÚNCIA feita por Edward Sbowden contra uma máquina de espionagem em massa (o Big Brother orwelliano em que os regimes Ocidentais se tornaram) não é uma palavra fascista. É uma palavra de liberdade.
A DENÚNCIA feita pelos engenheiros da Boeing contra os gestores assassinos (que depois os “suicidaram” em vésperas de testemunharem em tribunal) não é uma palavra fascista. É uma palavra corajosa.
A Raquel Varela podia bem indignar-se contra este clima de inquisição, criticar as acusações infundadas, os “tribunais” públicos e sem direito a defesa.
Mas não. A Raquel Varela decidiu atacar a própria palavra. Isso é simplesmente ridículo.
E se calhar quer tirá-la do dicionário e proibir o próprio acto de denúncia… Isso sim seria fascista.