(José Catarino Soares, in A Tertúlia Orwelliana, 16/06/2025)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Na cidade algarvia de Lagos, a convite do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a romancista e conselheira de Estado Lídia Jorge proferiu um longo discurso no dia 10 de Junho [de 2025] — “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.
Ler artigo completo aqui.
E garantidamente pode o homem ficar descansado.
Esta gente está mais ocupada a promover a escravatura moderna sobre os descendentes das vítimas de ontem, nomeadamente através de apoio a regimes corruptos, mudanças de regime, grupos terroristas e afins para pensar sequer em indemnizar quem quer que seja.
Os portugueses de hoje poderão não ter culpa do que fizeram as bestas de ontem mas se pelo menos tivessem aprendido alguma coisa com as atrocidade talvez não tivéssemos ministros a dizer que não ficarao para trás nos gastos com “defesa”, Presidentes da República a dizer a um representante de um povo massacrado há 80 anos que desta vez foram eles que começaram ou um primeiro ministro a por se ao lado de agressores que pretendiam voltar a entregar quase 90 milhões de pessoas nas garras de uma dinastia sanguinária.
Pretendiam e pretendem mas parece que até agora não tem corrido lá muito bem.
Isto não era só sobre o programa nuclear do Irão, era sobre voltar a por no trono um filho de um passado dos cornos sanguinário que pelos seus discursos pareceu me também pouco certo em contas de cabeça e com muito pouco sentido de humanidade.
Estejam descansados que nenhum português vivo pagara porra nenhuma quaisquer que sejam os estudos que apareçam.
Mas podem ter a certeza de que talvez paguem mais para comprarmos maravilhosas e eficazes armas americanas para nós protegermos dos russos.
Vão pagar e não vão bufar.
E vao continuar a votar no quatro Pastorinho e outros que também garantem que isto de muçulmanos e tudo uma cambada sendo que os seus crimes lavam mais branco os nossos como o que foi o mandar milhões de pessoas para lá do Sol posto, em barcos negreiros, em condições tão desumanas que por vezes metade morria no caminho.
Quem esquece o passado esta condenado a repeti lo. E e por o termos esquecido que estamos a repeti lo.
O quarto Pastorinho que o diga que isso tem lhe dado um jeitão.
Quanto as armas que compraremos resta nos esperar que a Rússia se esteja mesmo nas tintas para nós.
Israel foi equipado para esta aventura iraniana com o melhor que aqueles sujeitos teem e foi ver os mísseis iranianos a atravessar aquilo como uma faca corta manteiga no Verao. Nem sabiam de onde elas vinham.
Já agora os israelitas de hoje não teem culpa das atrocidades cometidas ontem como essa de arranjar maneira de pendurar numa cruz quem punha em causa o poder de uma classe sacerdotal que vivia gorda e anafada a custa de um povo que passava fome.
Nos 10 anos antes da morte de Jesus consta que 27 outros desgraçados tinham sido assim mortos por acusações de blasfémia.
Mas certamente o facto de os israelitas de hoje ainda se orgulharem destes e de outros crimes do passado, como o massacre dos habitantes da “Terra Prometida” contribuiu para a crueldade com que continuam a cometer crimes hediondos nos dias de hoje. Com a mesma frieza, desumanidade e crueldade.
Das atrocidades cometidas nos tempos de hoje parece que a única que falta e mesmo pendurar desgraçados numa cruz mas não ponho as mãos no fogo se no fundo daquelas masmorras ninguém terá encontrado semelhante destino. Pelo menos tiveram o bom senso de ainda não terem filmado uma atrocidadade semelhante mas filmaram outras que não ficam muito atrás.
Que nos continuemos a orgulhar de tudo o que fizemos nos Descobrimentos, ou que menorizemos crimes hediondos como o tráfico internacional de escravos com a desculpa que os outros também faziam, isso sim engorda a extrema direita.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
Peço desculpa por voltar a este assunto, mas o apreço pela verdade dos factos assim o exige.
Dois comentários publicados na “Estátua de Sal” a um artigo (intitulado «Indulgências para pecados imaginários, remorsos fictícios e ressentimentos melífluos no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas») que publiquei no blogue “Tertúlia Orwelliana”, levaram-me a escrever um Post-Scriptum [P.S.] de 6 páginas a esse meu artigo. A importância do assunto ⎼ que foi tema de discurso de Estado no dia 10 de Junho de 2025 ⎼ justifica, parece-me, esse esforço adicional de esclarecimento.
Publiquei esse P.S., como é lógico, a seguir ao artigo e no mesmo blogue (“Tertúlia Orwelliana”) onde o artigo foi publicado. E por uma questão de boa educação, tive o cuidado de informar publicamente os autores dos ditos comentários (e outros leitores da “Estátua de Sal”, a quem o assunto pudesse eventualmente interessar) da existência desse P.S., indicando-lhes o modo de lhe aceder.
O autor de um desses comentários, Albarda-mos, considerou-se muito ofendido por este meu procedimento. Segundo ele, o que eu fiz ao publicar no blogue que criei (e não na “Estátua de Sal”) esse meu P.S. «parece algo mesquinho, mas mesmo que não seja, é sem dúvida muito auto-centrado no seu próprio umbigo». Ou seja, Albarda-mos acha lógico, generoso e altruísta fazer comentários a um artigo alheio não no blogue onde ele foi publicado (“Tertúlia Orwelliana”), mas no blogue (“Estátua de Sal”) que amavelmente chamou à atenção dos seus leitores para a sua existência, publicando o seu primeiro parágrafo. Mas já acha ilógico, mesquinho e egoísta o autor do referido artigo publicar um P.S. no blogue onde o seu artigo foi publicado…Um belo exemplo das incongruências que resultam de se ter dois pesos e duas medidas.
Mas que estas e outras pirraças não nos façam perder de vista a questão de fundo, que abordei no meu artigo, no seu P.S. e num comentário, a saber:
— as referidas indulgências pelos pecados cometidos pelos traficantes portugueses de escravos africanos dos séculos XV-XIX custariam, segundo os seus questores (a empresa americana multinacional de peritos económico-financeiros Brattle Group, contratada expressamente para o efeito), 2 milhões de euros a cada português vivo.
Sobre o triplo significado desse plano piedoso para nos irem ao bolso e sobre a capacidade de discernimento dos seus apoiantes em Portugal, Joaquim Camacho já disse tudo, na sua inimitável prosa tersa. Resumidamente:
«Do que se trata, fundamentalmente, é de uma macaquice de imitação, uma americanice wokista que resulta da mania que muita gente tem de que tudo o que vem da América (tirando o Trump) é do melhor que há, o suco da barbatana!».
Por outro lado, «pretender que os descendentes dos responsáveis [por esse tráfico] paguem, literalmente, pelo pecado dos antepassados é parvoíce. Parvoíce tão parva como a dos cristãos que, mais de dois mil anos passados, continuam a culpar os judeus de hoje “por terem matado Deus Nosso Senhor”, ou o filho dele, ou o que for, e acham que, apenas por serem judeus, devem continuar a expiar e pagar pelo pecado.
É UMA PARVOÍCE QUE, ALÉM DE INCONSEQUENTE, SERVE APENAS PARA ENGORDAR VENTURAS, MÁRIOS MACHADOS E AFINS».
“Considerei-me muito ofendido?”
Mais uma vez tresleu o que escrevi, o seu egocentrismo não me ofende, deixa-me é de pé atrás, porque pensava que era mais desinteressado, afinal é mesmo uma questão de narcisismo.
Tal como a obsessão com o discurso da Lídia Jorge e o tema em questão, que serve mais para desviar atenção dos esclavagistas do presente (os da precariedade, do preço inacessível da habitação, que passou a ser um luxo quando é um direito, tal como o direito à dignidade e a não viver na miséria e na pobreza), os saqueadores, os encantadores de pategos… isso sim é preocupante e urgente denunciar e combater.
Se me tivesse ofendido, não me despedia com cumprimentos nem lhe recomendava os mais recentes episódios do programa Visita Guiada, bastante instrutivos e precisamente a abordarem o tráfico de escravos da África Negra para o Brasil efectuado pelos portugueses, ou uma parte dele, e lhe demonstrei como a sua régua de escalas tem os números e algarismos apagados.
E vejamos, por falar em esclavagismo negreiro, se somarmos os escravos dos portugueses aos dos espanhóis, franceses, holandeses, ingleses, quantos milhões não traficaram os cristãos em “apenas” 4 séculos (até à abolição da escravatura)? Faltou também fazer essas contas no seu artigo, bastante incompleto e hiatoricamente mal contado, ou mal resumido, como ficou explícito.
Ah, e a mesquinhice principal foi fazer um post scriptum no texto original, que além de mostrar problemas de interpretação do meu comentário (talvez pelo ego ferido), ainda insistiu em escamotear o que expus como falhas históricas e argumentativas flagrantes, além das distorções e das “paralaxes de escala”, como referi.
Um comentário não se responde com um post scriptum num texto acabado e finalizado que foi criticado, e sim rebatendo a partir daí, tal como faz nas respostas do seu blogue aos comentários que escrevem aos seus textos. No meu caso e do Whale Project, resolveu fazer diferente, pelos vistos. Isso não me ofende, mas percebe-se que é incomum.
Se comentei aqui foi por ser este o blogue que escolhi participar, tal como comento outros textos de outros autores e blogues aqui partilhados (news flash, são quase todos e não apenas os seus), no todo ou só em parte, quando apenas se transcreve uma introdução ou os primeiros parágrafos.
Melhores artigos virão, esperemos. Mais uma vez, cumprimentos.
Ah, curiosamente o Ventura e o M&M’s devem ter gostado bastante do seu artigo, se calhar até lhe deve saber a pouco, devia ter realçado mais o papel do Islão e dissimulado ainda mais o papel do Cristianismo (ao qual não acrescentou somas e “contas gerais”, como se não fosse também uma religião com “culpas no cartório” do tema em debate).
Até lhe digo mais, eles devem ser tão obcecados e contrários quanto você em relação ao discurso da Lídia Jorge no 10 de Junho, ou talvez ainda mais, e também se opõem às “indemnizações ou reparações coloniais” – como já expressou André Ventura publicamente, e atacando o próprio PR Marcelo Rebelo de Sousa e acusando-o de traição à Pátria quando abordou esse assunto.
Por isso, se há alguém que o apoia nessa obsessão e nas suas posições, são precisamente os líderes da extrema-direita portuguesa. Que não se aperceba disso revela ainda mais a sua cegueira e a falta de noção, ou de informação, daquilo que peremptoriamente afirma sobre esta questão!
O Ventura, engordar com o anti-judaísmo primário de “catequese”? O homem pode ser o 4.º pastorinho, mas acima de tudo é um lambe-botas do Trump, dos americanos em geral, e dos sionistas em particular. Esse não levanta cabelo para o lobby sionista, tem como alvo ciganos e muçulmanos, e mesmo o M&M’s, que nem cabelo tem, prefere instigar o ódio ao muçulmano e perseguir banglas e hindus.
Isto é um assunto da treta, nem as corporações deixavam os estados indemnizar cidadãos avulso, arranjando um pretexto, uma crise, uma emergência para lhes sacar antes uns milhões de milhões e uns triliões.
“Não minimizo a responsabilidade europeia na escravatura, MAS PRETENDER QUE OS DESCENDENTES DOS RESPONSÁVEIS PAGUEM, LITERALMENTE, PELO PECADO DOS ANTEPASSADOS É PARVOÍCE. Parvoíce tão parva como a dos cristãos que, mais de dois mil anos passados, continuam a culpar os judeus de hoje “por terem matado Deus Nosso Senhor”, ou o filho dele, ou o que for, e acham que, apenas por serem judeus, devem continuar a expiar e pagar pelo pecado. É UMA PARVOÍCE QUE, ALÉM DE INCONSEQUENTE, SERVE APENAS PARA ENGORDAR VENTURAS, MÁRIOS MACHADOS E AFINS.”
Se leres com atenção o que escrevi, verás que a parvoíce a que me refiro é a que destaco em maiúsculas na transcrição acima, ou seja, a parvoíce de Lídia Jorge, de que infelizmente não tem o exclusivo. É essa parvoíce que engorda os fachos, porque é essa que as pessoas ouvem e os fachos aproveitam. A comparação com os cristãos de catequese serve apenas reforçar o absurdo da parvoíce e não me parece que o meu pobre comentário na Estátua de Sal interesse sequer ao Menino Jesus, ao ponto de Ventrulhas e afins o usarem demagogicamente para engrossar as hostes.
E sim, o 4.º pastorinho lambe as botas, o cu e a pilinha ao Trump, ao Biden, aos americanos em geral e ao Nazinyahu e toda a quadrilha genocida em particular, não tenho sobre isso a mínima dúvida.
Parece-me que o principal objectivo do José Catarino Soares é defender que a ideia da culpa branca europeia na escravatura, em exclusivo, é no mínimo absurda, para não dizer idiota. E que a ideia correlativa das indemnizações, ou reparações (para falar em americano), impraticável e idiota é. Não minimizo a responsabilidade europeia na escravatura, mas pretender que os descendentes dos responsáveis paguem, literalmente, pelo pecado dos antepassados é parvoíce. Parvoíce tão parva como a dos cristãos que, mais de dois mil anos passados, continuam a culpar os judeus de hoje “por terem matado Deus Nosso Senhor”, ou o filho dele, ou o que for, e acham que, apenas por serem judeus, devem continuar a expiar e pagar pelo pecado. É uma parvoíce que, além de inconsequente, serve apenas para engordar Venturas, Mários Machados e afins.
Além dos negros descendentes de escravos, não foram igualmente lixados os índios sul-americanos? Ou o facto de, maioritariamente, terem sido “apenas” miseravelmente explorados e assassinados faz com que os seus descendentes não cumpram “os mínimos”? Porque os índios da América do Norte, apesar de dizimados pela colonização europeia, parece que, ainda assim, conseguiram safar-se um pouco melhor.
Voltando à América do Norte, a quanto remonta a dívida dos descendentes de irlandeses que para lá imigraram em massa, eles próprios colonizados pelos ingleses, numa colonização pouco diferente da escravatura? E o que dizer dos camponeses miseravelmente explorados do império czarista, que foram para a América para não morrerem de fome? Que responsabilidades têm eles na escravatura e no tráfico de escravos africanos? Para todos os efeitos, foram e são europeus brancos, pá! Portantes, paga e não bufes!
E o Barack Obama, que, quando lhe convém, se afirma “negro”, para esmifrar mais uns votinhos ou para armar em vítima? Mãe branca de ascendência britânica, nascida nos EUA. Pai negro, do Quénia, estudante bolsista na Universidade do Havai, onde conheceu a mulher. Tanto quanto sei, nem ele nem os antepassados foram alguma vez escravizados. O droner-in-chief Barack Obama também seria indemnizado? A metade branca do Barack vai indemnizar a metade preta do Obama? E será que a sua metade branca terá de indemnizar a mulher, ela sim descendente de escravos?
A autoflagelação de Lídia Jorge, a que pretende associar, sem para isso ter mandato, o seu país e os seus compatriotas (apenas os brancos, claro), releva de uma bem-pensância masoquista que assim pensa varrer para debaixo da mesa pecados presentes, como o de muitos negros, principalmente nos EUA, mas também por cá, continuarem a vegetar nos níveis mais baixos da escala social.
É verdade que isso acontece, em grande parte, por causa das sacanices a que foram sujeitos os seus antepassados, mas também, pura e simplesmente, porque é assim que o capitalismo, o colonialismo e o neocolonialismo funcionam. A que indemnização têm direito os negros imigrados das ex-colónias que por cá vegetam, cujos trisavós nunca foram escravizados, “apenas” miseravelmente explorados? Não têm direito a nada? E os governantes e empresários exploradores dos seus países, presentes e passados, não têm mácula? Quanto é que Lídia Jorge paga à empregada cabo-verdiana ou angolana que lhe limpa a retrete? Mais do que o salário mínimo? Se as contas do José Catarino estiverem correctas, não vejo a Lídia Jorge a vender a casa ou pedir um empréstimo bancário para pagar a “dívida” dos seus antepassados alegadamente esclavagistas. Mas lá que expiou verbalmente a culpa com uma grande pintarola, no 10 de Junho, lá isso expiou! E por aí se ficará, penso eu de que.
Do que se trata, fundamentalmente, é de uma macaquice de imitação, uma americanice wokista que resulta da mania que muita gente tem de que tudo o que vem da América (tirando o Trump) é do melhor que há, o suco da barbatana! Tenho uma informação importante para dar à Lídia Jorge: não é!
*usurários
Também para o programa Rearm Europe poderão ser alocados uns milhões de milhões para comprar brinquedos americanos, franceses, ingleses, alemães, italianos, espanhóis, e fabricar uns drones tugas de “raça lusitana”… e vamos ver se não há uma recessão aí à espreita, e uns mais uns “resgates imperiosos e urgentes” pelo caminho, uns “sacrifícios dos portugueses” no altar do Atlantismo.
Os “lesados da escravatura” vão ter que penar bem mais que os do BES, no que toca a serem ressarcidos, não se preocupem. Aliás, já penavam…
Isto é que me preocupa, e Novos Bancos há muitos, e haverá sempre espaço para mais um…
https://www.abrilabril.pt/nacional/venda-do-novo-banco-estado-todos-nos-fica-arder-em-seis-mil-milhoes-de-euros
Quando as compensações coloniais chegarem a metade desse valor (e se chegarem sequer a ser efectivas, mais que paleio), avisem-me.
E preferia que tivéssemos pago os 6 mil milhões de diferença a um fundo honesto para distribuir por gente honesta nos PALOP que aos usuários extorsionários de colarinho branco do costume, muitos deles criminosos.
Já agora fica a sugestão para a publicação deste artigo, que o assunto tem passado “despercebido”…
Sinceramente, preocupa-me muito mais as invariáveis e inevitáveis “reparações à banca”, por nós “cidadãos livres” que “andámos a viver acima das nossas possibilidades” (foi um ex-primeiro-ministro português muito “bom aluno que o disse em discurso oficial), com a venda do BES/Novo Banco também ela brm recente e nem presente na memória (que será feito do Banco Mau, que foi separado do Bom como os gémeos na concepção intra-uterina), que esse pavor das “reparações coloniais”, ou o que lhe queiram chamar, “indemnizações”, etc.
Por questões de escala, alguém será capaz de relembrar quanto já pagámos (e o que lucrámos ou adquirimos), com umas e com as outras?
Mas há sempre uma treta qualquer para desviar atenções dos verdadeiros “esclavagistas” e “rentistas”, os de ontem, os de hoje e os de amanhã… entretenham-se, da minha parte não dou mais para este peditório.
A propósito de escravos, a principal “actividade económica” (com o seu quê de “desporto”) da Crimeia sob domínio tártaro muçulmano (o chamado Canato da Crimeia) era a execução de raides para norte e oeste, regiões maioritariamente cristãs que actualmente fazem parte da Rússia e da Ucrânia, com o objectivo raptar e escravizar homens, mulheres e crianças, que depois eram vendidos para toda a Europa, Império Bizantino, Império Otomano e Arábia, principalmente. É óbvio que esses escravos não eram negros.
Alguns deles, quando não eram vendidos, acabavam por se ocupar em actividades profissionais variadas, eram por vezes libertados ou compravam a sua liberdade e integravam-se no tecido socioeconómico da Crimeia, levando a uma alteração progressiva da demografia da península.
O facto de a maioria da população da Crimeia ser russa, com à volta de 58% (já foi bastante mais), seguida de 24% de ucranianos, 12% de tártaros e o resto constituído por variadíssimas minorias (gregos, húngaros, etc.), resulta de a maioria dos escravizados ser raptada precisamente na Rússia. Um desses raides chegou a “render” dez mil escravos de uma assentada! Ora toma que é democrático!
Os tártaros muçulmanos são presentemente apenas 12% porque, durante a II Guerra Mundial, incomodados com o crescente desequilíbrio demográfico a favor dos cristãos, aproveitaram a ocupação nazi e colaboraram activamente com o ocupante no sentido de reverter esse desequilíbrio. Como? Elementar, meus caros Watsons: matando-os, à boa maneira dos escuteiros do Adolfo. Com aqueles pretos das neves da Moscóvia, eslavos sub-humanos, só se perdem as que caem no chão, tázaver?
Quando a guerra acabou, Estaline, como castigo, deportou-os em massa para as então repúblicas soviéticas do Cáspio (principalmente Azerbaijão, julgo eu), maioritariamente também muçulmanas. Pelo menos não os matou em massa, como eles haviam feito aos vizinhos cristãos. Antes da guerra, andariam pelos 40%, com a deportação ficaram praticamente reduzidos a zero e só começaram a ser autorizados a regressar nos anos 80 do século passado, chegando agora aos 12%.
Estou a escrever de memória, de quando, há alguns anos, investiguei o assunto. A percentagem de tártaros antes da guerra poderá não ter rigor absoluto, mas não andará muito longe. Bora perguntar à Lídia Jorge quem é que vai bater na peitaça um vigoroso mea culpa e, odespois, indemnizar os russos e ucranianos da Crimeia, descendentes desses escravos?
https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:EU:7c3035de-aece-4537-8f0a-4149ea9b54dd
Já me dei ao trabalho de ler a parte da resposta em “post scriptum” (PS) a mim dirigida, e na sequência do artigo, é capciosa.
Para já não percebo como se utiliza um comentário na Estátua ao seu artigo aqui publicado para redireccioná-lo a uma resposta em PS do seu artigo no seu blogue original. Até parece algo mesquinho, mas mesmo que não seja, é sem dúvida muito auto-centrado no seu próprio umbigo.
Nem sequer tenho de me justificar, o artigo com pretensões de lição de história (mal contada, como ficou evidente, mesmo após o PS) não merece grande perda de tempo, e claro que a insinuação que não percebi que havia uma relação com o discurso de Lídia Jorge no 10 de Junho em Lagos é ridícula, pois a obsessão do artigo com esse discurso é notória desde as primeiras linhas, e constitui a primeira parte do mesmo.
Temporalmente e por questões de crescimento demográfico, é normal que na Antiguidade Clássica e no período pré-medieval houvesse não apenas uma densidade populacional muito inferior à da Idade Média (e exponencialmente inferior à da actualidade), pelo que não faz sentido comparar escalas. Reduzir a escravatura de africanos sub-sarianos a “apenas um oitavo do total de escravos” dos romanos cerca de 300 d.C., sem sequer indicar uma quantidade mensurável, e depois de tantas obras citadas, para depois avançar com os “5,7 milhões”, se não falho o número “exacto” (sic), escravizados pelos islâmicos, é uma estratégia que costuma ser bastante utilizada por efabuladores e propagandistas, fazendo tábua rasa das questões históricas de escala populacional, com 400 anos de diferença a separar as datas, e depois mais 8 séculos até ao fim da Idade Média (deduzo que os 5,7 milhões não tenham sido todos escravizados no século VII e VIII).
Para questões de escala do tráfico negreiro português, que é o assunto que tanto o atormenta no discurso de Lídia Jorge, aconselho a ver os programas Visita Guiada das últimas semanas, certamente disponíveis no site RTP Play, realizados no Brasil, em S. Salvador da Bahia, Rio de Janeiro, etc, e justamente sobre essa questão da colaboração de reinos e nações africanas com ele, e também sobre os sistemas de escravatura, a origem étnica dos escravos, a sua cultura e religião, a economia dos engenhos de cana de açúcar, a organização social e política, etc. Coincidência ou não, de tão recentes tenho-os bem presentes na memória. Veja o que dizem os historiadores, professores, arquitectos e curadores brasileiros convidados nas entrevistas desses programas. Não divague no meio de bibliografias parciais, ouça o que dizem os especialistas lusófonos actuais sobre o tema. Para que depois não se ande a jogar com questões de “paralaxe de escala”, e se tenha a informação não enviesada por “estudiosos visionários”.
Quanto ao “álibi” que mencionei e parece que não entendeu a quem me referia, falava dos próprios cristãos (alguns judeus) portugueses “negreiros”, ou esclavagistas, não é grande álibi invocar os muçulmanos antes deles paea justificar o que faziam. E continua claro e inequívoco que antes sequer de haver Islão já pagãos e cristãos tinham escravizado e traficado escravos para todos os fins, sub-sarianos inclusive, fosse a escala a que fosse.
Sem muito mais a acrescentar a uma resposta a um PS que visou o meu anterior comentário aqui na Estátua, cumprimentos, e desejo que os seus artigos melhorem, pois já os li mais factuais, menos enviezados.
E a ver se ainda arranjo tempo para ler o discurso da Lídia Jorge, depois logo lhe conto, se tiver algo a dizer ou acrescentar.
Os últimos comentários de Albarda-mos e Whale Project a este meu artigo, suscitaram-me uma resposta que acrescentei ao artigo como Post-Scriptum. Para quem esse P.S. possa interessar, aqui fica a hiperligação ao sítio onde ele pode ser lido:
https://tertuliaorwelliana.blogspot.com/2025/06/indulgencias-para-pecados-imaginarios.html
Pois, eu também não disse que devíamos pagar ou bater com a cabeça num muro das lamentações por faltas cometidos por bestas mortas séculos antes de nós nascermos.
Mas recuso qualquer discurso desculpabilizante porque muita gente fez o mesmo.
Quem esquece o passado esta condenado a repeti lo.
Por mim já seria suficiente que tenhamos consciência dos crimes que cometemos e abandonemos a mentalidade supremacista que nos faz levar a cabo operações de mudanças de regime, desestabilização, apoio a regimes corruptos e outras, de modo a controlar os seus recursos.
Criando situações de miseria extrema que desaguam no Mediterrâneo cobrando milhares de vidas todos os anos.
A destruição da Libia foi uma dessa ações que garantidamente fez a vida de muita gente na África subsaariana andar para trás. Tres milhões de pessoas ganhavam ai a vida. Agora o país é um campo de escravos.
Que reconheçamos que o racismo que nos fez cometer crimes no passado continua bem vivo e uma da suas faces e o crescimento da extrema direita xenófoba.
Agora dizer que não foi assim tão mau porque outros já o faziam e até não nos leva a lado nenhum.
Nem impede o crescimento avassalador de movimentos extremistas de direita que apostam na negação ou atenuação dos crimes do passado para poder comete los impunemente agora.
O artigo aborda um tema interessante e controverso, porém, do que li, parece-me ter algumas incongruências e ser um pouco confuso.
Por exemplo, menciona-se que antes dos europeus “brancos”, os muçulmanos já tinham escravizado e comprado/traficado escravos. Mas isso não serve de grande álibi, mais a mais antes sequer de existir a religião islâmica, ou seja, antes de Maomé ter nascido, já os gregos tinham conquistado o Egipto e escravizado, e os Romanos depois deles também conqistaram grande parte do Norte de África (Cartago, Egipto, Númidia), escravizando também africanos subsarianos, já nem falando dos Alanos e dos Vândalos que posteriormente, após as invasões bárbaras ao Império Romano, se estabeleceram no Norte de África.
Portanto, não percebo a alusão aos muçulmanos para enquadrar o esclavagismo externo de africanos, pois antes sequer do Islão existir, os pagãos romanos, posteriormente convertidos ao Cristianismo pelo imperador Constantino, já lá iam importar escravos para vários fins, utilizá-los para mineração e obras de construção, ou como serviçais, ou como gladiadores de circo, assim como inúmeras espécies de animais que foram dizimadas nas arenas ou cozinhadas e comidas na excêntrica gastronomia dos patrícios romanos.
Foi por isso que não dei muito mais importância a este artigo, que me parece ser particularmente fraco devido à sua estrutura cronológica mal urdida e aos raciocínios deturpados por essas deturpações históricas e culturais.
«E essa que praticamente não há problema nenhum em que tenhamos traficado gente em barcos negreiros, em condições tão inumanas que muitas vezes metade morria no caminho, para o outro lado do mundo porque os negros também o faziam vale o que vale» (Whale Project).
Não é isso o que é dito no artigo. E não há nele nada que permita deduzir tal conclusão, absurda. Não há (mas houve, sim) um grave problema chamado tráfico de escravos africanos em barcos ditos “negreiros”. Mas esse problema foi resolvido (mais exactamente, semi-resolvido) na segunda metade do século XIX com a abolição da escravidão e a proibição da escravatura (aqui, sinónimo de tráfico de escravos). “Semi-resolvido”, porque os ex-escravos e as suas famílias (quando as tinham) não foram indemnizados como seria curial e justo, pelos nossos critérios actuais. Foi o que ficou por fazer.
Além disso, o regulamento de 21 de Novembro de 1878, ao mesmo tempo que garantia aos ex-escravos a liberdade de alugarem a sua força de trabalho em troca de um salário, abria a porta a abusos ao manter o trabalho obrigatório, por um período até 2 anos e a troco de um salário estipulado pelo respectivo governador nas possessões ultramarinas de Portugal, para todos os que fossem considerados vadios. Deste modo, o trabalho obrigatório continuaria a ser mantido sob uma terminologia diversa ⎼ “trabalho correccional”, “compelido” ou “forçado” ⎼ pela legislação de 1894, 1899, 1911 e 1914.
Mas não se pode alterar o passado, ainda que com a intenção de o corrigir de acordo com as nossas preferências no presente. Isso é impossível.
O artigo parte desse pressuposto, bem conhecido e fácil de compreender. O ponto principal do artigo é o de que nenhum dos seus leitores e, na verdade, nenhum cidadão português contemporâneo (incluindo, a existirem, os descendentes em linha recta do infante D. Henrique e de outros escravistas) tem de ter remorsos por crimes que NÃO cometeu nem tinha os meios de impedir que fossem cometidos. Por maioria de razão, nenhum cidadão português contemporâneo tem de expiar crimes que NÃO cometeu nem tinha os meios de impedir que fossem comedidos, por mais hediondos que sejam, como são os relacionados com a escravatura. Seria uma punição tão injusta quanto cruel, que atinge as raias da insanidade se tivermos em conta que os alegados crimes foram cometidos há 100, 200, 300, 400, 500 anos e que a punição consiste em pagar indemnizações multimilionárias aos putativos descendentes das suas vítimas.
Já para não falar na impossibilidade teórica e prática de identificar cabalmente esses descendentes, até pela razão apontada por Lídia Jorge no seu discurso:
«Somos descendentes do escravo e do senhor que o escravizou. Filhos do pirata e do que foi roubado. Mistura daquele que punia até à morte e do misericordioso que lhe limpava as feridas».
A população residente em Portugal era, em 2023, de 10 milhões e 639.726 pessoas (fonte: PORDATA). Portugal tem oficialmente 1 milhão e 546.521 estrangeiros a residir no seu território. É o número actualizado após o último relatório da Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA) divulgado em Setembro de 2024. Quer isto dizer, que existem actualmente 9 milhões e 93.205 cidadãos portugueses residentes em Portugal. Segundo o Brattle Group (a multinacional americana de consultadoria financeira que fez os cálculos das “reparações” pelo comércio transatlântico de escravos africanos), Portugal teria de pagar 18 biliões de euros (18.000.000.000.000). Façamos, então, a divisão desse número pelo número de portugueses residentes em Portugal. Dá a bonita quantia de quase 2 milhões de euros (1.979.500) a cada português residente (!!), incluindo bebés, crianças e jovens menores de 18 anos.
Por outras palavras, o que os piedosos defensores das “reparações” pelo tráfico atlântico e transatlântico de escravos africanos de meados do século XV a meados do século XIX ⎼ que seria a consequência mais dolorosa d’ «o pecado dos Descobrimentos» (!!) ⎼ nos propõem, com a chancela do Brattle Group, é uma nova escravidão: a de ficarmos amarrados de pés e mãos a uma monstruosa dívida multigeracional aos bancos que nos emprestariam o dinheiro para pagarmos essas “reparações”. Insista-se neste ponto: tais “reparações” serviriam, segundo os seus defensores, para expiarmos a nossa culpa (?!) individual e colectiva…pelo tráfico dos escravos que europeus E AFRICANOS escravistas e há muito defuntos fizeram em PARCERIA, mas de cuja expiação os descendentes dos africanos escravistas envolvidos nesse tráfico estariam isentos !
É difícil imaginar maior hipocrisia, maior incongruência e um conto do vigário mais ardiloso. E quem seriam os beneficiários desse super-euromilhões completamente viciado nas suas premissas e batoteiro nos seus resultados? Pergunta de 1 milhão de euros, de que conhecemos metade da resposta: uns bons milhares de pessoas, mas NUNCA as vítimas da escravatura desses tempos ominosos (ou sequer os seus actuais e anónimos descendentes).
Sim, esses eram tempos ominosos, tanto mais que sabemos, de fonte segura, que os traficantes de escravos dessa época (como de épocas anteriores) se guiavam, no que respeita à escravidão e à escravatura, por preceitos morais e religiosos que compartilhavam com a maioria dos seus contemporâneos, fossem eles “brancos”, “pretos” ou de outra cor qualquer, que não viam nesse negócio hediondo nada de especialmente malévolo. Os preceitos morais e religiosos relativos à escravidão e à escravatura só começaram a alterar-se na segunda metade século XVIII e foi na Europa que, primeiro, se começaram a alterar.
Quanto à questão de saber o que podem os portugueses actualmente fazer para ajudar os africanos e timorenses dos países de língua oficial portuguesa a progredirem e prosperarem num mundo sem exploração nem opressão do homem pelo homem ⎼ e vice-versa, o que podem eles fazer para ajudarem os portugueses a trilhar esse caminho ⎼, é todo um outro debate que nada tem a ver com indulgências por pecados imaginários, remorsos fictícios e ressentimentos melífluos.
Apoiar fascizóides e genocidas de Extrema-Direita e levá-los nas palminhas ao poder e ao controlo do país (qualquer que seja) traz sempre consequências, só os pategos que ainda não perceberam as leis históricas da causalidade e as leis naturais e kármicas do devir, nem se interessam pelas lições da História e da Vida.
Portanto, a pategada que continue a levar ao colo o 4.º Pastorinho e o Almirante Marmelo e depois não se admire quando sobrar para eles ou os seus familiares, amigos e conhecidos.
Serão os primeiros a sacrificar o povo, incluindo a pategada que os elege e apoia, quando tiverem de escolher entre a sua continuidade no poder e o melhor para todos.
“Depois não se queixe…”
Quanto à Abóbada Férrea, mais parece o casco do Titanic quando embateu no iceberg enquanto a orquestra tocava valsas, é sempre a meter água. Nem a Ferra Aveia ou o Isidro Mortais têm tanta falta de ferro no sangue… e não precisam de transfusões constantes (leia-se, apoio defensivo dos aliados NATO, Jordânia, Arábia Saudita, etc)… cada um se amanha na patranha que acreditou ou pregou.
Se não me engano acho que esse texto, muito bom, já foi aqui replicado.
Mas bons textos nunca são demais.
E falando em pecados, já dizia o outro que se entrarmos nessa do olho por olho, dente por dente, acabamos todos cegos e desdentados.
Esta noite um míssil atingiu o maior hospital de Israel e está tudo em ruínas.
Não sendo suposto que tenham conseguido meter em bunkers os doentes e pessoal médico nem quero imaginar quantos morreram.
Um comentário que já li diz que foi replicado em Israel o que Israel fez em Gaza.
No centro de Tel Aviv está tudo partido e aí de quem não se conseguiu ou não quis enfiar se num bunker.
Israel e os Estados Unidos teem agora o pretexto perfeito para atacar e garantidamente não havia necessidade de visar gente doente quaisquer que fossem as suas opções politicas.
O Irão sempre tentou evitar baixas civis e isso foi bem visível no ataque com drones feito em resposta ao ataque a sua embaixada na Síria e mesmo nos ataques anteriores desde que Israel cometeu aquele crime de sexta feira.
Agora uma coisa tem de ficar clara. Era justo tentar atacar os aeroportos militares, os centros de lançamento de mísseis e o diabo a sete.
Os Estados Unidos teem agora o pretexto perfeito para atacar directamente mas a verdade e que um crime e um crime seja quem for que o pratique e quem quer que tenham sido as vítimas.
E esta noite foi cometido um crime.
Isto não me faz pro israelita nem pouco mais ou menos, desta vez é preciso admitir que foram eles que começaram.
Não sei o que vai acontecer mas o Irão não tinha necessidade de se sujar com um crime destes.
E porra, não há razão para achar normal que Israel tenha sofrido um pouco do que fez em Gaza.
A infame Lei de Taliao devia ter ficado há uns três mil anos atrás, quando foi escrita.
E aqui também tem muita culpa quem votou Netanyahu sabendo que ele era um corrupto sem vergonha no focinho e não melhoraria as suas vidas mas porque ele prometeu destruir a vida dos outros.
E o mesmo motivo que leva gente na Europa toda a votar na extrema direita.
Se não começarmos todos a pensar que a nossa vida importa, não a destruição da vida dos outros, muita coisa pode correr mal mesmo que não tenhamos um primeiro ministro louco e messiânico, que prega genocídio desde os anos 80 do Século passado, definindo consequências destas como um preço justo a pagar pela destruição do inimigo.
Por isso minha gente, da próxima vez que formos a votos pensem também nisto.
A MERECER DESTAQUE NA «ESTÁTUA DE SAL. «Primeira tarefa: esclarecer, informar, clarificar, congregar, lutar e resistir, porque a democracia corre risco de vida».
https://www.abrilabril.pt/nacional/salvemo-nos-do-salvador
Obrigado.
E essa que praticamente não há problema nenhum em que tenhamos traficado gente em barcos negreiros, em condições tão inumanas que muitas vezes metade morria no caminho, para o outro lado do mundo porque os negros também o faziam vale o que vale.
A esse preço ninguém ia preso porque se alguem já matou numa discussão de trânsito qualquer outro o pode fazer.🦈
«A história foi feita pelos homens que viveram cada momento e que avaliaram os problemas da sua época com os seus conceitos, com os seus valores, com a sua capacidade de intervenção. É possível, aceitável, corrigir coisas recentes. Agora, tentar corrigir coisas que aconteceram há 400, 500 anos, e que eram consideradas aceitáveis na altura é uma coisa completamente absurda».
Já não será absurdo pedir indemnização por coisas mais recentes, ocorridas, apenas, há cerca de meio século, como, por exemplo, as «galhetas» dadas pelos pais nos filhos e as «reguadas» dos professores nos alunos, ainda que, então, fossem formas de «educação» tidas como normais, socialmente aceitáveis? Por outras palavras, a partir de quando, temporal e retroativamente, coisas aceitáveis, mas depois repudiadas, deixam de ter lugar a indemnização? Mais de 400 anos? Decididamente, a filosofia, por vezes, é complicada!🥸