(António Garcia Pereira, in NoticiasOnline, 05/06/2025)

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Crise em Portugal
Vive-se hoje, em Portugal, uma situação de impasse político e de grave crise económica e social, que ameaça explodir a qualquer momento. Segundo um recente relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), existem dois milhões e cem mil pessoas em risco de pobreza e exclusão social, mesmo após as chamadas transferências sociais. Ou seja, mesmo depois de receberem subsídios como os de doença ou dedesemprego, o Rendimento Social de Inserção ou o Complemento Solidário para Idosos. Sem essas prestações sociais, o número de concidadãos nessa situação de risco de pobreza ou exclusão duplicaria.
Ainda segundo o INE, um quarto destas pessoas tem trabalho, mas os seus salários são de tal forma miseráveis que não conseguem escapar à pobreza; e mais de 50% dos jovens têm contratos precários. Por outro lado, segundo o Eurostat, enquanto o custo médio da mão-de-obra por hora(incluindo salários, contribuições patronais para a Segurança Social, apólices de seguros e outros encargos) na zona euro, em 2024, foi de 37,30€, em Portugal não ultrapassou os 18,20€, ou seja, apenas 48,8% daquele valor.
A Saúde é o desastre que se conhece, com cerca de um milhão e seiscentos mil portugueses sem médico de família e inúmeras urgências hospitalares sistematicamente encerradas.
A crise da Habitação não cessa de se agravar, com rendas cada vez mais incomportáveis e despejos contínuos e crescentes, alguns dos quais já executados pelos senhorios através do recurso a milícias privadas.
Austeridade à vista
Sob o pretexto da guerra na Ucrânia e ao mesmo tempo que se calam quanto ao genocídio praticado pelo governo de Israel na Palestina, tanto o Governo português como os demais governos europeus preparam-se, servilmente, para aumentar as despesas militares. Começa, igualmente, afalar-se abertamente no regresso do défice, com tudo o que isso representa em termos de política de austeridade – algo que Povo Português conhece bem, sobretudo desde os tempos da tróica. Ou seja, cortes nos já magros salários, pensões e direitos sociais, bem como facilitação e embaratecimento da contratação precária e dos despedimentos – tudo isto num contínuo anunciar de medidas em que as de um dia são ainda piores do que as da véspera. Não por acaso, o antigo ministro de Passos Coelho e actual economista chefe da OCDE, Álvaro Santos Pereira, veio mesmo dizer aquilo que os grandes patrões sempre pretenderam, ou seja, que, para combater o défice – reconhecido, assim, expressamente – será preciso rever a Constituição e acabar com a proibição dos despedimentos sem justa causa.
A ameaça autoritária em construção
Ora numa situação como esta, de crise grave e de relativo impasse político, a solução encontrada pelas grandes corporações – desde logo a banca e as grandes empresas multinacionais – é a de pôr o PSD, com a cumplicidade de um PS dito responsável e colaborante, a aplicar o programa do partido fascista Chega: defesa intransigente dos interesses da banca e das grandes empresas,privatização de tudo o que ainda puder ser privatizado(não apenas na economia, mas também na saúde e na educação), cortes nos direitos sociais, combate a tudo o que cheire a cultura e desenvolvimento do espírito crítico e reforço da repressão (legal, institucional e policial) sobre quem proteste ou pense de forma diferente.
Neste quadro, e dentro da velha e conhecida táctica de procurar “colocar todos os ovos no mesmo cesto”, é muito importante, para as forças mais retrógradas da sociedade portuguesa, fazerem eleger um Presidente da República que, sob a capa de uma pretensa independência, de um pretenso rigor e de uma suposta eficácia, garanta luz verde ao regresso em força das políticas de austeridade e da repressão — e que, simultaneamente, reforce os seuspoderes, atropelando tudo e todos, inclusive a própria Constituição que jurou respeitar e fazer respeitar.
O candidato do sistema e o que se esconde por detrás da máscara
Ora, este é o papel que assenta, que nem uma luva, nalaboriosamente construída, e mediaticamente amplificada, figura de Gouveia e Melo. Na verdade, este não passa de um produto encomendado pela classe dominante a uma Comunicação Social que, desde há anos, se gaba de criar e vender presidentes como quem vende sabonetes,produzindo e amplificando tudo o que possa favorecer aimagem messiânica do “Salvador da Pátria” e escondendo tudo o que, do seu passado e do seu presente, possa contribuir para pôr a claro o seu verdadeiro carácter, bem como as suas reais ideias e ambições.
Tal já vem sendo denunciado – é certo que por muito poucos –, mas quem quiser analisar mais detalhadamente alguns desses aspectos pode fazê-lo facilmente, consultando, por exemplo, tanto um artigo que escrevi em 2024 – Gouveia e Melo: o “Messias” da Marinha ou o naufrágio da Democracia? – como um artigo de Jorge Silva Paulo, publicado em Novembro de 2021 – Não Aprenderam Nada: Gouveia e Melo, outro Menino-de-Oiro.
E, seguramente, um dia se saberá quais as razões que terão levado grande parte da Comunicação Social, dos jornalistas e dos comentadores do pensamento dominante a incensar continuamente Gouveia e Melo, silenciando factos e circunstâncias como os seguintes (e que desafio os seus habituais defensores oficiosos a, com provas, virem desmentir):
− O modo como, por meio de sinistras operações de homicídio de carácter, afastou e “liquidou”, um a um,todos os seus potenciais concorrentes ao cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA).
− A forma prepotente e ultra-autoritária com que sempre exerceu todos os cargos por onde passou – dos submarinos ao CEMA – instaurando um clima de medo, atacando, destituindo e demitindo quem dele discordasse ou simplesmente quisesse cumprir a lei.
− O modo e os verdadeiros motivos por que foram, por sua iniciativa, demitidos responsáveis da Marinha,designadamente no Algarve, ou a razão por que temmovido processos judiciais, inclusive criminais, com custas pagas pela Marinha, contra os seus críticos.
− A verdadeira máquina de propaganda e de autoelogio que montou na Armada: desde a criação de um gabinete de comunicação – que monitoriza toda a Comunicação Social e as redes sociais para fazer clipping de tudo o que diga respeito à Marinha e, sobretudo, a si próprio – até ao cultivo de relações privilegiadas com certos jornalistas, sempre prontos a publicitar as suas posições sob a tão anónima quanto desresponsabilizante fórmula das “fontes próximas da Marinha”.
− A publicação – que ninguém quis investigar nemdebater a sério – no último número da Revista da Armada sob a sua direcção, de um póster de página inteira que o retrata de braço dado com El-Rei D. João II, como se de um autêntico herói nacional se tratasse.
− A realização de operações navais, como a da passagem das linhas do Equador e do Círculo Polar pelo submarino Arpão, com Gouveia e Melo a bordo, sem qualquer justificação ou utilidade militar, implicandoelevadíssimos custos e servindo apenas para finspropagandísticos em seu proveito.
− A “doutrina” – a qual, de acordo com Gouveia e Melo e alguns dos seus apoiantes, porque modelando condutas, prevaleceria sobre a própria Constituição – do chamado “duplo uso” dos meios da Marinha, com a qual tem procurado justificar concepções e práticas absolutamente ilegais e inconstitucionais, como a colocação desses meios a praticar, sozinhos, actos da competência exclusiva das autoridades judiciárias ou dos órgãos de polícia criminal (tais como detenções ou apreensões de droga ou de pesca ilegal). E alguém se preocupou em saber se o Ministério Público – sempre célere em instaurar processos-crime ou averiguações preventivas – adoptou semelhante conduta perante estas actuações de Gouveia e Melo, em especial no Algarve?
− A forma abusiva – por vezes até ridícula, mas amplamente propagandeada – com que tentou retomar o protagonismo público após o período da vacinação, por meio de entrevistas televisivas encomendadas, procurando escamotear o papel desempenhado por forças policiais especializadas, como a Polícia Judiciária, para se vangloriar de uma alegada “inovadora estratégia” no combate ao narcotráfico no Algarve, chegando mesmo a afirmar ser bem mais eficaz do que as autoridades espanholas.
− Do ponto de vista da Ética, que ele tantas vezes invoca, o ensurdecedor silêncio que Sua Excelência manteve perante a forma miserável como o anterior CEMA, Almirante Mendes Calado, foi afastado do cargo antes de tempo por António Costa, para permitir a ascensão de Gouveia e Melo ao mesmo cargo – situação que gerou uma mais do que justificada onda de indignação e de solidariedade praticamente por toda a Marinha, com a única e significativa excepção do próprio Gouveia e Melo.
Tudo isto revela bem o carácter e o pensamento de Gouveia e Melo, em múltiplos campos e aspectos que, em alguns casos desde há muitos anos, embora conhecidos,praticamente ninguém questiona – nem a Comunicação Social, nem os outros candidatos ou putativos candidatos presidenciais.
Mas práticas e concepções anticonstitucionais sobre o papel das Forças Armadas num Estado que se proclama de Direito democrático, e também sobre a natureza e a missão da Autoridade Marítima Nacional e da Polícia Marítima; vaidade extrema e total narcisismo; perseguição implacável a quem dele discorde ou critique; ausência de camaradagem e de solidariedade; malversação da verdade dos factos para construir as narrativas convenientes; e contínua auto-promoção pessoal, inclusive à custa do erário público, tudo isto já deveria ser mais do que suficiente para, ao contrário do que por aí se diz, sabermos ao que vem Gouveia e Melo.
Acresce que, após a apresentação da sua candidatura, vem agora ao de cima (ainda que disfarçado ou “modernizado”) o bafiento e salazarento discurso dos “Salvadores da Pátria”. Mesmo que, a conselho dos seus assessores, tente agora dizer o contrário, esse discurso ésignificativamente próximo do de Ventura e do partido Chega: o descrédito dos partidos políticos e do parlamentarismo, a suposta necessidade de “regenerar” a Nação e, sobretudo, a ideia de que o país só pode ser salvo por um Messias independente, supostamente impoluto, eficaz e de pulso firme.
E assim se chega ao ponto mais significativo da natureza ultra-reaccionária e perigosa das posições de Gouveia e Melo, tão típica dos Bonapartes de todos os tempos: o culto da personalidade levado ao extremo; a ideia de que, por supostamente encarnar os anseios de toda a comunidade, tudo lhe é legítimo fazer, porque os fins justificariam os meios, mesmo os mais ilícitos ou ilegítimos, inclusive faltar à verdade e sacudir responsabilidades para os seus subordinados quando as coisas correm mal.
O caso Mondego
Foi assim, aliás, na entrevista conduzida pela jornalista Sandra Felgueiras, na passada segunda-feira, 2 de Junho, quando Gouveia e Melo, confrontado com a demonstração da completa e muito grave ilicitude da conduta da Marinha por si então chefiada face aos marinheiros do Mondego – patente no Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 30 de Abril último, que arrasou a argumentação da mesma Marinha e anulou, por quatro fundamentos distintos, as sanções aplicadas a 11 dos 13 militares – tentou defender o indefensável.
Antes de mais, tentou negar que foi ele quem, em claríssima violação da ética militar e do próprio Regulamento de Disciplina Militar, deu, de dedo esticado, uma reprimenda pública a todos os 13 militares do “Mondego” (superiores e subordinados hierárquicos), com altifalantes ligados e a Comunicação Social chamada para dar publicidade ao vexatório “puxão de orelhas”, numa postura absolutamente indigna, que, aliás, lhe valeu bastantes (ainda que “encolhidas”) críticas, desde logo no interior da própria Marinha.
Depois, e por um lado, mostrou que, apesar de estar na reserva há cinco meses, continuou, e continua, a ter acesso a informação sobre o processo. Mas mais grave ainda:faltou deliberadamente à verdade sobre este, ao mesmo tempo que deixava claro qual é, afinal, a sua concepção, muito própria e completamente errónea, de um Estado de Direito.
Já antes, quando, em Dezembro último, o Tribunal Central Administrativo Sul anulara as referidas sanções, Gouveia e Melo tentara fazer crer que a decisão ilícita não fora sua, mas do seu subordinado Comandante Naval – o que é falso. O que foi então anulado judicialmente foi a decisão do próprio Chefe do Estado-Maior da Armada, relativa ao recurso hierárquico que para ele fora interposto. Decisão essa subscrita por Gouveia e Melo e com 12 (doze!?)páginas de tentativa de justificação do injustificável.
Posteriormente, já em Abril de 2025, perante novo acórdão – desta vez do Supremo Tribunal Administrativo – que acrescentou um quarto fundamento (a não realização das relevantes diligências de prova requeridas pela defesa) aos três já enunciados pelo TCA Sul – Gouveia e Melo arrogou-se declarar que “não concordava” com a decisão. Como se, perante uma decisão judicial, fosse admissível àAdministração Pública (inclusive à Administração Militar) qualquer outra conduta que não a de cumprir e fazer cumprir essa decisão, tal como imperativamente estipula e impõe o artigo 205.º, n.º 2, da Constituição da República Portuguesa.
Mas, na referida entrevista televisiva, Gouveia e Melo foi ainda mais longe, desde logo insinuando que “o assunto ainda está na Justiça”, como se o Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo não fosse já definitivo. Ou será que o impoluto Almirante também defende – e opina, pelo menos – que a Marinha deve agora lançar mão de subterfúgios, manobras dilatórias ou pretensos recursos, designadamente de pretensa inconstitucionalidade, para assim tentar adiar o trânsito em julgado do Acórdão, tal como, por exemplo, fez recentemente o arguido Mário Machado?
Gouveia e Melo afirmou ainda – e também falsamente –que “os factos estão lá”, quando o Supremo, sem entrar na respectiva apreciação, apenas listou os factos que constavam do Acórdão do TCA-Sul, os quais resultaram (apenas) da versão e dos documentos apresentados pela Marinha. Precisamente porque não houve qualquer prova da defesa e, logo, também não houve.
Mais ainda: Sua Eminência afirmou que o Supremo Tribunal Administrativo teria dito que “há problemas que podem levar à anulação das sanções”, quando, na verdade, aquele Supremo Tribunal anulou efectivamente as sanções, e fê-lo com base em múltiplas violações da lei e da Constituição. Pretender, assim, reduzir essas violações (como a não informação dos arguidos quanto aos seus direitos, a nomeação de um instrutor com intervenção directa nos factos e evidente conflito de interesses, a ausência de audiência dos arguidos após novas diligências da acusação e a recusa da realização de prova essencial para a defesa, requerida de forma oportuna e fundamentadamente requerida) a meros “problemas”processuais, é desvalorizá-las de forma absolutamente inadmissível. Mais do que isso, constitui mesmo uma conduta absolutamente indigna, não apenas do cargo que Gouveia e Melo exercia, mas sobretudo do cargo de Chefe de Estado a que agora se candidata.
Na verdade, um personagem que considera meras formalidades os princípios constitucionais, que se apropria de todos os êxitos – mesmo os que o não são – e culpa sempre os subordinados pelos insucessos, e que não hesita em falsear a verdade dos factos, é um problema grave para a Democracia.
Até porque amanhã, dentro desta lógica profundamente ditatorial, poderá estar a defender, e a praticar, que, desde que seja para perseguir pessoas “perigosas” (como divergentes de opinião, opositores políticos ou dirigentes sindicais, por exemplo), não faz mal faltar à verdade ou violar a lei. E por que não – tal como foi feito aos militares do Mondego – impedir tais arguidos de terem advogado, de se defenderem ou de produzirem prova? Ou,já agora, permitir à acusação realizar diligências após conhecer a defesa e, de seguida, escondê-las da mesma?
O desafio que se impõe
É isto, Caros Concidadãos, que se pode esperar de um Presidente da República?!
E a verdade é também que todos aqueles que têm a possibilidade – e, sobretudo, a obrigação – de evidenciar e não deixar apagar ou destruir a verdade dos factos, como os políticos ditos democratas e os jornalistas ditos independentes, mas se escusam a fazê-lo – porventura embriagados com aquilo que lhes parece ser o cheiro a Poder – não merecem melhor juízo.
Inquisidores-mores do Reino (mesmo que disfarçados de impolutos democratas) e ferozes ditadores envergando paternalísticas e messiânicas vestes, já os tivemos vezes suficientes na nossa História.
A Democracia não sobrevive à cumplicidade nem ao silêncio. E é disso, mais do que de qualquer inimigo externo, que ela corre hoje maior risco. A indiferença dos justos é o terreno mais fértil para o avanço dos autoritários. Cabe-nos impedir que a máscara caia tarde demais. Porque, depois, já não será apenas o passado que se repete – será o futuro que se perde!
Fonte aqui
Qualquer um e melhor que um desequilibrado que acha que os chacos da nossa marina evitaram uma invasão russa, manifesta desprezo pelos políticos e instituições democrática e está disposto a mandar nos a todos para a morte se tal for exigido pela NATO.
Ate o matraquilho do Marques Mendes ou o Seguro serao melhores, ou Antonio Vitorino, se se candidatar, seriam melhores.
Esses pelo menos ver se iam obrigados a mostrar um respeito pelas instituições democráticas que o almirante já disse com as letras todas que não terá.
Tudo bem. Mas qual é a alternativa que se propõe que aglutine toda a esquerda?
O problema é que qualquer outro que não o Almirante ou o Quarto Pastorinho ver se a obrigado a simular uma certa normalidade democrática e respeito pelos direitos das pessoas e pelas instituições.
Já o Almirante repete o discurso populista da extrema direita mais retrógrada, assume o combate a política e aos políticos e vê o país como um galinheiro onde lhe cabe impor a ordem custe o que custar.
E isso que o torna perigoso e faz da possibilidade da sua eleição uma desgraça para o país e para todos os que nele vivem.
Mas que irá mesmo acontecer dada a pulsão tuga para os grandes ditadores e homens providenciais.
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https://www.youtube.com/shorts/sYe1W89fgvY
E também parece gostarem especialmente de apanhar no focinho. As sondagens valem o que valem mas a última garante que a haver revisão constitucional os tugas acham que se deve dar mais impunidade a polícia para o uso da força e por os militares a resolver problemas de segurança interna.
Maus uma vez parecem ser os mais pobres e os que vivem no Sul do país a querer que assim seja.
Justamente aqueles que em tempos de antanho mais sofreram com a impunidade de policias e militares.
No caso dos mais pobres são também aqueles que mais podem sofrer se a polícia for impune.
Espero que a tecnologia permita um dia ressuscitar Sigmund Freud, Jung e outros porque só eles poderão explicar essa pulsão tuga para se querer meter na m*rda até ao pescoço.
Eu simplesmente desisto.
Isto tem tudo para correr mal.
Montenegro 2.0 promete ser bem pior que Montenegro 1.0.
Esta de volta em todo o seu esplendor o homem que disse que a vida das pessoas não estava melhor mas o país estava melhor e quem estivesse mal que se mudasse.
Nada que quem não sofre da tal memória curta não pudesse prever.
Agora, com um quadro eleitoral que da ampla maioria as forças de direita mais retrógradas, promete negociar a esquerda e a direita normalizando de vez o Chega.
Se isso já não fosse suficientemente mau até temos um DOGE a portuguesa chefiado por um afilhado do grupo empresarial Pingo Doce.
Dizem de Trump o que Maomé não disse do toucinho mas tratam de fazer exactamente igual.
Resta esperar que em nome da modernização não haja milhares de funcionários públicos com casas para pagar e famílias para sustentar a ver o olho da rua.
Entretanto temos o maior partido supostamente a esquerda a embarcar de vez nisso de meter o socialismo na gaveta, numa colagem a direita brutal e se calhar fiel aos reais princípios que nortearam a sua fundação. A divisão da esquerda.
E, claro, como se não fosse tudo suficientemente mau ainda vamos mesmo ter este artista como o próximo Presidente da República.
Toda a sua actuação como militar revela efectivamente uma personalidade sem escrúpulos de espécie alguma.
Mas as suas declarações públicas são simplesmente assustadoras e revelam uma sede de controle de tudo e todos digna de um ditador.
Um comentador previu que ele será o próximo presidente da República porque os portugueses gostam da sua “indigência intelectual”.
O problema e que os portugueses parecem ter um fascínio singular por gente que se propõe pensar por eles. Por ditadores.
E o mito de D. Sebastião, que regressaria numa manha de nevoeiro para nos livrar da grande alhada em que estávamos metidos justamente por causa da sua misoginia e fanatismo religioso que o levaram a partir para uma guerra contra o vizinho do Sul sem assegurar descendência.
E também a preguiça intelectual que os leva a preferir ter alguém que pense por eles mesmo que se trate de alguém incapaz de afivelar um discurso coerente, como o tal almirante.
O português médio tem um fascínio pelos grandes ditadores daí o fascínio por trastes como Salazar ou o Marquês de Pombal.
Pombal pode ter comandado a reconstrução de Lisboa mas a verdade e que a cidade seria reconstruída com ou sem ele pois foi sempre assim nas grandes destruições.
Mais desorganizada? Talvez, mas seria reconstruída porque as populações não se limitariam a ficar na rua e porque uma cidade capital de um império teria mesmo de ser reconstruída com ou sem o grande capataz
O que ninguém diz é que Pombal foi um homicida sem entranhas que mandou enforcar centenas de habitantes da cidade no rescaldo do terror causado pelo terramoto a pretexto que eram pilhantes levando no bico até criados que voltavam as casas semi destruídas dos seus amos para tentar justamente evitar pilhagens.
Dezenas de forcas foram erguidas na cidade do Porto na sequência da revolta dos pequenos produtores da cidade a pretexto de que eram mixordeiros. Mais tarde os ingleses tomaram boa parte da produção também muito por culpa desta razia pombalina.
Famílias nobres digam chacinadas tendo a herdeira ao trono, mais tarde D. Maria I, uma criança, sido forçada a assistir aquilo, mortes em meio as torturas mais cruéis engendradas por cérebros degenerados, certamente para “enrijar”.
Depois ninguém sabia porque e que a pobre mulher não era certa em contas de cabeça e odiava o malandro do fundo do fígado.
Mas ainda hoje o que fica da figura e a sua chico espertice de ter ido a Lisboa com as patas enfiadas num vaso com terra de Pombal, para onde tinha sido exilado em vez de executado com a crueldade que aplicara a outros, como certamente merecia.
Os portugueses também parecem ter especial fascínio pela choco espertice daí que na realidade desvalorizem fenómenos de corrupção na linha do se estivesse lá fazia o mesmo.
Não e a promessa de combate a corrupção que na realidade cria os votos no Chega. E a aura de homem providencial que emana do seu líder. E, claro, esta vontade de lixar a vida a alguém.
Daí que vamos mesmo ter o almirante mitomano que acha que impediu um invasão russa como presidente da República. Ele personifica tudo o que o povo português, numa espécie de masoquismo parece admirar. Ditadura, controle absoluto, imposição, submissão.
E com Montenegro 2.0 nem precisamos do Chega no poder para isto corre tudo muito mal.
Porque simplesmente não e possível trocar o chip a um povo que parece ter um fascínio cruel pelos grandes ditadores.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
Puro engano. Tem tudo para correr bem.
O Presidente da República já não tem “avisos” nem “recados” para dar aos governos. Pelo contrário, passeia-se com o primeiro-ministro e garante que hoje vive-se um clima político mais favorável do que se vivia em 2024, até vê “sinais positivos” na abertura manifestada pelos principais partidos da oposição para dialogarem com o Governo.
A extrema-direita aproxima-se do poder, mas isso não preocupa o Presidente, que elogia o candidato a líder do PS pela sua abertura para… o diálogo com o Governo.
O PR tem razões para tanto otimismo. Afinal de contas o futuro líder do PS garante disponibilidade para acordos “de regime”, seja na área da “segurança”, da “defesa”, “justiça e organização do Estado” e da “política externa”. O que é que sobra? Coisa menores para fazer de conta que é oposição. Donde irá correr tudo bem. O Governo a governar com o “consenso” do PS e o futuro Presidente a homologar.
É aqui que discordo de quem elege o Almirante como o grande prenúncio do mal que se abate sobre as gentes. Vejamos, qual é a alternativa que se nos apresenta? Marques Mendes? José Seguro?
Seja qual for o PR eleito – Mendes, Seguro ou o Almirante – será o elemento que irá fechar a Troica governativa, formada por Montenegro + Carneiro + PR, que nos guiará pela legislatura fora e, com grande probabilidade, pela que se seguirá.
J. Carvalho