É a Justiça portuguesa, estúpido!

(Por Pedro Almeida Vieira, in Página Um, 24/01/2025)

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Vivemos em Portugal há quase meio século num regime democrático, que gostamos de abrilhantar com descidas pela Avenida da Liberdade, que nos prometeu liberdade e igualdade e, pensava eu, transparência. Contudo, o cravo na lapela tornou-se mais símbolo do que substância.

O peito de muitos continua a encher-se de orgulho com discursos comemorativos e celebrações públicas, brandindo a ameaça de tempos sombrios se os partidos populistas ascenderem ao poder, mas por baixo da retórica subsiste um sistema cada vez mais corrompido, corrompendo valores e princípios, alimentado por compadrios, nepotismos e uma cultura de opacidade que mina os fundamentos da democracia. É aqui que reside a grande tragédia do nosso país: instituições que deveriam ser o pilar de uma sociedade justa tornaram-se cúmplices da perpetuação de um poder corrupto e ineficaz. E no epicentro dessa disfunção encontra-se a Justiça.

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2 pensamentos sobre “É a Justiça portuguesa, estúpido!

  1. Os argumentos de defesa do abafador de malas do Chega são de uma incoerência atroz, próprias para ludibriar a pategada, um pouco à semelhança do que fazia como político e deputado, tal como os outros 49 e todo o seu séquito.

    As imagens da videovigilância nos aeroportos onde aparece a açambarcar, desviar e ocultar as malas? Possivelmente produzidas com recurso a Inteligência Artificial, justificou. Mais tarde disse que o entenderam mal, o que queria dizer era que podiam ter sido editadas, usando um sósia ou pós-produção.

    O conteúdo (vestuário e calçado) que vendia na plataforma online onde estava registado? Diz que era dos pais, que já morreram, e vendia as peças barato para se ver livre, com a ajuda da mulher?

    A conta na plataforma online com o seu nome e data de nascimento, e fotos da localidade onde reside? Não se lembrava mas afinal tinha outrora usado, mas agora era a mulher que usava, e que não tinha sido ele a desactivar, não sabia de nada.

    Se dúvidas houvessem para quem ainda tem discernimento e as capacidades cognitivas invioladas por tanta patranha e propaganda disseminada não só nas redes sociais, mas sobretudo nos orgãos de comunicação portugueses, é está a pategada que apregoa que vai “limpar Portugal”, mas nunca os vi nem a limpar a boca das mentiras que debitam, quanto mais…
    É ridículo, e não é de agora. Lamentável como se manipula as “percepções” para favorecer estes “encantadores de pategos”, levando muitos incautos de arrasto. Será a mídia cúmplice destes “mala-baristas”?
    Alerta Pategos!🚨

  2. Mais um que situa a corrupção depois do 25 de Abril e não antes.
    A corrupção sempre existiu e atrevo me a dizer que era muito mais que hoje.
    Porque permeava toda a sociedade, desde os políticos ao mais obscuro funcionário público.
    Os ordenados na função pública eram positivamente miseráveis e já eram calculados a contar com o que o funcionário iria conseguir ganhar por fora.
    O que fazia a corrupção generalizada era justamente a miséria dos salários que fazia com que o funcionário que se desse ao luxo de ser honesto morreria simplesmente a fome.
    Hoje seria impensável um funcionário das finanças pedir um por fora a cara podre para passar uma caderneta predial, um guarda receber um por fora para deixar passar mercadorias ilegais sem que no outro dia tivesse o nome e o focinho escarrapachado nos jornais e um processo disciplinar em cima.
    Porque outra coisa que havia nesse belo tempo era a censura como os trastes dos partidos populistas também sabem.
    A censura que impedia o conhecimento da corrupção que ia dos ministros ao mais obscuro funcionário de um serviço camarário ou repartição pública.
    O furto era também prática generalizada. Tão generalizada que as fábricas de peixe tinham apalpadeiras.
    Tentar desculpar os grunhos que votam no Chega porque cada vez há mais corrupção e a justiça não funciona e uma falsa questão.
    A corrupção hoje e mais percebia porque podemos mais livremente falar dela.
    Se a extrema direita alguma vês tomar o poder volta a Lei da Rolha e aí de quem diga que um deputado deles rouba malas no aeroporto.
    A impunidade dos titulares de cargos políticos era outra regra do tempo.
    Quanto a justiça funcionava que era uma maravilha mas era para meter na cadeia quem chamasse ladrão a gente dessa.
    Toda a gente sabia que a única justiça que funcionava era a dos tribunais plenários que condenavam opositores ao regime a tempos de cadeia indeterminados e davam cobertura legal aos desmandos da polícia política.
    Se e voltar a esse tempo que queremos e só continuar a dizer coisinhas destas.
    Depois já não haverá corrupção e quem disser que há vai dentro.

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