(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 29/12/2024, revisão da Estátua)

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Apanhei com as duas notícias quase em simultâneo. Israel destruiu o hospital Kamal Adwan, o último que ainda funcionava em Gaza. Os médicos e os doentes foram forçados a sair, alguns nus, como se encontravam, em fila indiana, antes do edifício ser incendiado.
No Público um extrato de um artigo de Alexandra Lucas Coelho, com o título “Israel acabou. O futuro é da Palestina.” (Ver texto completo aqui):
“Esse horror não seria possível sem as bombas e os milhões dos EUA. Biden é um criminoso de guerra. Como Scholz, Ursula, a maior parte da UE (com três ou quatro países a fazerem a diferença). O mundo que permite que se extermine um povo em nome de Deus, e ainda se considera religioso…”
O genocídio que Israel está a cometer na Palestina coloca a questão de ser a comunidade judaica que determina a política dos Estados Unidos ou se são os Estados Unidos que determinam a política de Israel. No fundo trata-se da mesma velha questão de saber se, enquanto existiu, era a Inquisição que determinava a política dos reinos de Portugal e de Espanha, ou se eram estes reinos, os Estados, que utilizavam a Inquisição como seu instrumento de poder. Israel elimina os palestinianos para impor o seu poder de forma inquestionável, no seu interesse próprio ou os Estados Unidos utilizavam Israel para imporem o seu poder no Médio Oriente?
A posição estratégica da Palestina no Médio Oriente faz com que o seu controlo constitua um objetivo vital para os Estados Unidos. Esse interesse é assegurado por Israel. A existência de palestinianos, os nativos, constitui um obstáculo para a justificação do direito de controlo absoluto do território por parte dos Estados Unidos. Israel foi criado, entre outras razões, com o argumento do direito dos judeus à posse do território pela ancestralidade bíblica (na realidade idêntica à de todos os povos semitas da região).
Israel foi criado, existe e atua com a violência e a crueldade que são impossíveis de ignorar para eliminar os palestinianos, para eliminar os que colocam em causa o poder dos Estados Unidos na região através de Israel.
A Santa Inquisição dispunha de um Manual do Inquisidor que justificava a tortura para obter a confissão e mesmo a conversão dos judeus, que entregava os condenados ao braço secular para execução da sentença de morte, que tanto punia os relapsos, como ajudava os conversos a irem para o Paraíso mais cedo.
A dúvida que se coloca na relação atual entre os Estados Unidos e Israel nesta adaptação do Manual do Inquisidor de eliminação de um povo é a antiga dúvida se era a Inquisição que determinava ao Estado a política de morte dos hereges, ou se era este, o Estado, que utilizava a Inquisição como um instrumento da sua política de poder absoluto. Ou se ambos atuavam em conluio. O direito da Inquisição, que representava a maioria cristã, armada, se defender dos hereges é, curiosamente, o mesmo atualmente invocado do direito à existência de Israel, que está fortemente armado e constitui a maioria reinante.
No século XV em Estanha, era Tomás Torquemada, o Inquisidor mor, insano e fanático, ou Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os reis católicos que governavam a Espanha e a “limpavam” de judeus e muçulmanos, e hoje, é Netanyahu ou o presidente dos Estados Unidos que determina a matança dos palestinianos, o auto de fé de Gaza?
O dramático, hoje, como há quinhentos anos, para quem tiver consciência, será responder à pergunta deixada pela Alexandra Lucas Coelho: – O que fizeram contra isto? – Que filhos ou netos farão aos seus pais ou avós, sobre nós. Isto na esperança de os nossos filhos e netos não serem iguais a nós e nós não sermos iguais aos que participavam nos autos de fé em ambiente de festa.
Pois, a diferença entre a Santa Inquisição e os israelitas e que estes últimos matam todos os que não são judeus porque acham que todos são impuros, sem se preocupar com a possibilidade de Deus distinguir um dos outros.
Ate um traste palestiniano que se converteu a religião dos carrascos do seu povo foi abatido como um cão.
Porque se os muçulmanos aceitam como igual desde o negro ao sueco cor de leite desde que partilhem a sua religião esses bandalhos são racistas todos os dias e e preciso também ter sangue judeu.
Já agora, só e considerado judeu se tiver mãe judia. Isso porque os bandalhos não confiam na probidade de uma mulher gentia que case com um judeu.
Estao a ver no tempo das grandes perseguições aos judeus uma mulher aceitava as perseguições e
a discriminação associada só mesmo para ter o prazer de cornear um judeu. Valia a pena.
Vao ver se o mar da megalodonte.
Gostaria de lembrar que, na Idade Média, durante a cruzada papal contra os càtaros, as tropas da Santa Sé cercaram a primeira grande cidade no percurso da “fé”. Sabendo que os cátaros viviam em paz com os cristãos, o comandante das tropas perguntou ao legado papal como iriam distinguir uns dos outros quando entrassem na cidade. O prelado respondeu sem hesitar: Não tenhais problema. Matai-os a todos. Deus, na sua infinita misericórdia saberá distinguir os que são por ele e os que não são! E assim foi feito. Não sobrou ninguém com vida.