A ditosa pátria (farsa em três actos e uma cena triste)

(Fernando Campos, in O Sitio dos Desenhos, 10/07/2024)


Um tal estado de civilização faz gemer a moral – Stendhal


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Um golpe palaciano derruba um primeiro-ministro eleito com maioria absoluta. Logo a seguir é-lhe oferecida de bandeja uma sinecura no estrangeiro. Ninguém se espanta nem melindra: nem os que o haviam sufragado há menos de dois anos e com o mesmo entusiasmo aclamam agora o seu adversário, nem o próprio, contentinho e convencido, o desinfeliz, de que terá caído para cima.

O golpe, um pouco subtil parágrafo final num comunicado, foi desferido a partir do palácio Palmela, pla mão de uma abadessa pesada e ríspida que, em seis anos de actividade nunca foi questionada por nenhum orgão de comunicação social – o que, se diz algo da inefável senhora procuradora, diz tudo da comunicação social portuguesa, corroborando aliás a constatação do alarve Cavaco de que “temos uma imprensa muito suave”. Quando finalmente se decide magnânima, a conceder uma entrevista, a matrona, imperturbada, dita a sentença do fundo da sua altivez inapelável: tudo está bem assim e não podia ser de outra maneira.

Entretanto, nas redes sociais, o povo baixo (como se lhe refere Ana Gomes, outra matrona inflexível, mas do entretenimentoo povo baixo, dizia eu, comove-se, arrepiadinho de fervor patriótico, com o capitão de equipa de futebol, um marmanjo quarentão e milionário que chora baba e ranho por tudo, por nada e porque falhou um penalty.

Em fundo, ouve-se um coro frouxo a marchar contra os canhões enquanto a bandeira verde-rubra esvoaça os seus simbolozinhos medievais.

Fonte aqui

8 pensamentos sobre “A ditosa pátria (farsa em três actos e uma cena triste)

  1. Primeiro vinham aí as “bazucas” de Bruxelas, depois começámos a enviar os “tanques” para Kiev… no processo, a inflação a disparar, assim como a lavagem cerebral na mídia, onde qualquer voz ou opinião dissonante era um sacrilégio digno de levar com repressão pidesca.
    Agora, lá se vai a mítica “margem orçamental”… o Costa está em Bruxelas, faz de conta que não é com ele. Se fosse fazia igual, tinha ido no lugar do Montenegro, que aproveita e abusa, leva o Rangel e o Nuno Melo à cimeira da NATO, esses dois expoentes máximos da portugalidade política. Mas como o Costa não ficava tão bem na fotografia de grupo, fazia um contrastezinho, eles trataram de pôr no lugar dele um facilitador e colaboracionista ainda mais dócil, amestrado e servil.
    O mantra que tudo permite e para tudo serve é: “eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”. É como um encantamento para pategos, e funciona!

    • E até parece que antes das “bazucas” prometidas pela Ursula não houve um preâmbulo nada suave e tranquilo, foi a fase da Covid-19 servido a toda a hora, a campanha das profilaxias, em que quarentenas atrás de quarentenas, vacinações atrás de vacinações, nos diziam “vai ficar tudo bem”.
      Na minha família também não conheci ninguém que tenha morrido ou sido internado por esse motivo, mas alguns familiares tiveram problemas com as vacinas, efeitos adversos e complicações… e outras pessoas conheço que sofreram o mesmo.
      Vale o que vale, a amostra não é vastíssima, mas já vi sondagens publicadas com amostras maiores ou menores a saírem totalmente ao lado, e ainda agora nas eleições francesas foram um fiasco, por isso não percebo como se forma opinião a assistir a informação desse tipo nos canais de TV e jornais de referência, mas a nossa experiência pessoal e empírica deve valer mais, isto se ainda tivermos confiança nas nossas faculdades e não formos imbecis influenciáveis por campanhas mediáticas.
      Outra cenourinha à frente da manada era a história de imunidade de grupo com 85% da população vacinada, quando já mais de 90% tinham sido vacinados começaram a perceber que nem os vacinados continuavam a ser contagiados e a contagiar, e começaram a ser administradas doses sobre doses da vacina… já deve ter havido placebos a fazer melhor efeito e só com uma toma, sem ter de ser repetida.
      “Vai ficar tudo bem”, dizia ela… “We will deliver it!”

      • *que os vacinados continuavam a ser contagiados e a contagiar

        O que travou a periculosidade da doença para a pequena percentagem da população mais vulnerável (os mais idosos, com doenças respiratórias, cardíacas e outras co-morbilidades, sobretudo), foi o surgimento de estirpes menos agressivas (e também a resposta auto-imune da população, além de que tendo já morrido os mais frágeis, havia menor população de risco do que ao início dos surtos e da pandemia.
        A vacina serviu sobretudo para encher a indústria farmacêutica e os produtores e distribuidores da vacina, fazer grandes negociatas e desviar parte dos recursos económicos e financeiros dos estado. Podia ter havido perfeitamente uma gestão diferente, e não consta que os países onde não houve vacinas para a maior parte da população, alguns deles com uma população muito numerosa e na grande maioria pobre, tenha havido grandes quebras demográficas fruto da mortandade provocada pela pandemia. Nem o Ébola parou o aumento demográfico de África, quanto mais o Covid-19.
        Portanto, a forma como a realidade objectiva nos é apresentada nos meios de comunicação social mainstream, distorcida e manipulada por “entendidos”, alguns deles não passando de comunicadores mercenários agenciados por um Luís Bernardo ou Paixão Martins, outros agentes de propaganda médica, outros especialistas formatados ou escolhidos a dedo, outros lobbystas assumidos ou disfarçados, é sempre de questionar e confrontar com aquela que realmente vivemos e conseguimos ou tentamos perceber.

  2. Estou a calar o berro das 500 peixeiradas a nortenha que me vai na alma.
    Num país em que falta de tudo nos hospitais e em certos centros de saúde e a família do acidentado que tem de ir comprar coisas tão básicas como material de sutura o nosso lidimo primeiro ministro acaba de anunciar mais 95 milhões de euros para a Ucrânia.
    O excelentíssimo senhor comprometeu se ainda a torrar em “defesa” dois por cento do Orçamento já em 2029.
    Num país em que se amontoam 20 pessoas numa casa e há reformas de 300 euros.
    Num país em que se diz que não há dinheiro para pagar decentemente a policias e professores. Nem para aumentar os salários e as reformas em geral.
    O défice já deixou de ser uma preocupação? De onde sairão os 95 milhões para ajudar a pagar a guerra por procuração?
    A verdade e que se alguém nos quiser atacar não temos meios de nos defender,tendo até em conta a reduzida dimensão do país.
    Pelo que os dois por cento que serão roubados a escolas,hospitais,estradas,serviços públicos,apoios sociais servirão para ajudar os amigos americanos a pagar esta e outras guerras por procuração.
    A verdade e que cada vez me parece mais que somos as putas de Herr Zelensky.
    E consegui calar o berro das 500 peixeiradas a nortenha que me vai na alma.
    Vao ver se o mar da choco.

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